O fantasma do comunismo apanha sustos da realidade

(António Rodrigues, in Público, 10/07/2026)

Shattered monument showing three women with 'Harmony & Aspiration' and crumbled buildings with signs reading 'City Grit' and 'Revelation'

Um monumento despedaçado, intitulado “Harmonia e Aspiração”, revela a realidade crua da cidade além dele. Imagem gerada por IA.

O comunismo é muito fácil de vender. Destrói tudo, mas é muito fácil. E vou ser sincero, eu acho que seria o maior comunista da história”, Donald Trump, Presidente dos EUA.


A “ameaça mortal”

Nos seus dois discursos a propósito dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, assinalados a 4 de Julho, o Presidente norte-americano agitou o espantalho da ameaça comunista (“ameaça mortal para a liberdade americana”) como se, de repente, o país tivesse voltado para os anos 1950, em plena Guerra Fria.

Encurralado pelos seus erros políticos, tanto internos como externos, e com um nível de popularidade muito baixo (a última taxa de aprovação da revista The Economist, na terça-feira, ficava-se pelos 36%, contra 59% de desaprovação), sem trunfos para apresentar com vista às eleições intercalares de Novembro, Trump “recorreu a um dos mais antigos chavões da direita: acusar os Democratas (sobretudo uma nova geração de políticos democratas, jovens, dinâmicos e em ascensão) de serem comunistas”, escreve no Guardian Robert Reich, antigo secretário do Trabalho norte-americano.

“A ideia de o comunismo ser uma ameaça real aos EUA é tão presente quanto a de que os marcianos poderão desembarcar e invadir o Texas”, afirmou ironicamente Guillaume Lavoie, especialista canadiano em história, sociedade e instituições norte-americanas. “O que temos aqui é Trump a tentar encontrar uma nova forma de mobilizar a sua base”, acrescentou, em entrevista ao canal de televisão do Quebeque LCN.

Um desses “comunistas” ameaçadores (e o principal), o presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, num discurso a propósito dos mesmos 250 anos dos EUA, lembrou que Nova Iorque é “uma cidade de contradições numa nação de contradições”. Sentado na secretária de George Washington e flanqueado por cidadãos norte-americanos acabados de naturalizar, Mamdani lembrou que o “país mais rico na história do mundo” é o mesmo onde “as crianças dormem com fome e o primeiro bilionário da história tem fome de mais”.

O melhor da Europa

Eleito o melhor presidente de câmara da Europa em 2021, Philippe Rio foi reeleito com uma larga maioria, em Março, nas últimas municipais francesas, apesar de estar há 14 anos à frente de Grigny, a cidade mais pobre de França (50% de jovens, 50% de desempregados), nos arredores a sul de Paris, onde a falta de trabalho é tanta como a desconfiança em relação às instituições e aos políticos.

Nesse ano, Grigny concorria com outras 32 cidades, entre elas estavam as norte-americanas Washington e Milwaukee, mas o trabalho efectuado pela gestão de Philippe Rio, nesse bocado de hexágono que muitos em França classificam como zona a evitar a todo o custo, valeu-lhe a distinção, dividida com Ahmed Aboutaleb, presidente da câmara de Roterdão.

“França tem muitos multimilionários, mas Paris também tem bolsas de grande pobreza e de segregação social espacial”, dizia Rio há cinco anos, em entrevista à revista Jacobin. Grigny, o departamento 91 das matrículas dos automóveis, não se tornou um paraíso nestes anos, mas, em Fevereiro, o presidente da câmara garantia, em entrevista à AEF Info, que conseguiram mudar a narrativa. “Passámos de uma cidade com problemas para uma cidade com desafios. Isto aplica-se ao urbanismo, à educação e também à área social. Estamos a enfrentar estas três frentes em simultâneo, o que significa que todos fazem parte deste projecto.”

No mês passado, Pharrell Williams aterrou em França para gravar um vídeo com Angélique Kidjo e o rapper Quavo em Grigny. Mais propriamente nessa utopia urbana do arquitecto Émile Aillaud, chamada Grande Borne, a vasta cidade social de 3685 fogos edificada entre 1967 e 1971 nos territórios comuns de Grigny e Viry-Châtillon. O realizador procurava um cenário “autêntico” e quis filmar com as gentes dali. Uma logística de loucos que se tornou algo “mágico”, afirma ao Parisien Christian “Grice”, do site de comunicação urbana que leva o seu nome. “Importa ainda sublinhar que tudo decorreu com calma. Um evento como este contribui para melhorar a imagem de Grigny.”

Prefeito comunista

Eleito como vice-prefeito de João Campos em 2024, Victor Marques, engenheiro civil de 31 anos, é desde 2 de Abril o prefeito da cidade do Recife (os cem dias no cargo completam-se no domingo) que, com 1,5 milhões de habitantes, é a nona maior do Brasil. Campos renunciou ao cargo para ser candidato a governador de Pernambuco nas eleições de 4 de Outubro e deixou o município nas mãos de um membro do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

Em tempos de grandes divisões no Brasil, Marques assumiu o cargo com vontade de dialogar, à esquerda e à direita, ao ponto de ter sido elogiado pelo vereador da oposição Felipe Alecrim, eleito pelo partido Novo (direita). “Victor Marques parece ser alguém mais centrado na gestão e tem construído um diálogo mais amplo com a Câmara Municipal”, disse à Folha de Pernambuco.

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“Longe dos embates políticos e das polémicas, o prefeito tem concentrado esforços na entrega de obras e na execução de programas”, escreve o jornalista Américo Rodrigo, no blog Cenário, a propósito destes três meses de Victor Marques à frente da prefeitura. “Num ambiente político marcado pela polarização e pelo excesso de exposição, o estilo reservado de Victor Marques acaba se transformando num activo que pode contribuir para consolidar a sua liderança à frente da Prefeitura do Recife.”

Roberta Jungmann, colunista social do quase centenário Jornal do Commercio, insuspeita propagandista de ideais revolucionários, escrevia na passada sexta-feira que Marques “tem futuro político” e augurou-lhe voos mais altos que o da prefeitura. Jovem e dinâmico, “mostrou-se um grande líder e muito preparado para governar o Recife”.

Cidade vermelha de Graz

Há cinco anos, a vitória do Partido Comunista da Áustria (KPÖ, na sigla em alemão) nas eleições municipais na cidade de Graz, a segunda maior do país, apanhou toda a gente de surpresa. Depois de 18 anos ininterruptos do Partido Popular Austríaco, de direita, os eleitores entregavam a gestão da cidade aos comunistas pela primeira vez na sua história.

Muitos analistas trataram essa vitória como resultado de um voto de protesto, pois dificilmente um partido com menos de 1% dos votos a nível federal repetiria a façanha. No final de Junho, os eleitores de Graz responderam aos analistas com um reforço da votação nos comunistas. Não só o KPÖ voltou a ganhar as eleições, como Elke Kahr, a primeira mulher a governar Graz, e que em 2023 foi considerada a melhor presidente de câmara do mundo, aumentou a sua percentagem de votos de 28,8% para 35,7%.

“Nos Estados Unidos, o comunismo é habitualmente tratado como papão herdado da História ou como sonho impossível”, escreve o escritor e activista norte-americano Max Micallef no site Medium. “Graz mostra que o comunismo não conquista as pessoas apenas com palavras de ordem abstractas. Conquista-as quando assenta nas necessidades materiais, como a habitação, o endividamento, as rendas, os salários, os serviços públicos, os transportes e a dignidade. Conquista-as quando os políticos não vivem desligados da classe trabalhadora, mas convivem com as pessoas, atendem as suas chamadas e constroem uma relação de confiança ao longo dos anos.”

No site do partido, Elke Kahr deixou uma mensagem: “Numa época marcada por múltiplas crises, foi possível alcançar muito por Graz, com resultados que perdurarão por muitos anos. Para mim e para os meus colegas do executivo municipal, Manfred Eber e Robert Krotzer, foi sempre fundamental que a política estivesse ao serviço do bem comum e da coesão social. Foi assim que interpretei o mandato que os eleitores nos confiaram há cinco anos e essa continuará a ser a nossa orientação de fundo e o princípio que guiará a acção política do KPÖ nos próximos anos.”

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O senhor diretor-geral do jornalismo de merda

(Fernando Campos, in Ositiodosdesenhos, 20/05/2022)

Se, no panorama mediático português, o triunfo do jornalismo de merda é um facto incontestável, também é inegável que o campeão nacional absoluto deste cada vez mais sórdido campeonato é a Sociedade Independente de Comunicação (SIC) – isto é facilmente atestável pela reiterada liderança nas audiências, ou seja, pelas preferências do mercado perdão, do públicopelo género.

Ora, as vitórias não se conquistam sozinhas. Qualquer equipa vencedora precisa de alguém infinitamente capacitado que a dirija. A SIC tem. Tem um presidente e enfim, toda uma classe dirigente. Mas, sobretudo, tem um director-geral.

O presidente (ao qual já me referi aqui) é também o fundador de todo o empório de empresas de entretenimento e comunicação, a Impresa, da qual a SIC é apenas uma parte. O jornal “Expresso” é outra.

director-geral é Ricardo Costa. É ele o responsável por toda a informação do Grupo Impresa. Ele próprio é jornalista, daquele género de jornalismo que não reporta factos porque os interpreta sempre ao seu jeito auto-satisfeitode pitonisa que rejubila com a sua própria facúndia de advérbios e, sobretudo, de adjectivos. É ele o special-one. É ele que escolhe os pontas-de-lança, os médios volantes, os defesas centrais e até os apanha-bolas de uma equipa que não tem concorrência, isto é, é ele que contrata os editorialistas, os comentadores, os especialistas, os correspondentes, os enviados-especiais e até os repórteres de rua do jornalismo-de-merda. É ele que decide do critério dos destaques, da pertinência dos directos, da conveniência das entrevistas, da relevância dos convidados e até, talvez, da griffe ou da lingerie das apresentadeiras. É ele o cérebro, o mentor, da táctica e da estratégia de uma poderosa e irredutível máquina de imbecilizar.

A propósito de classe dirigente, quando me dispus a ilustrar com outros tantos textos coloridos o meu álbum de 125 caricaturas “os rostos da classe dirigente”, tive que me pôr em campo, a investigar. E nas minhas pesquisas sobre o modo como estes sujeitos se vêem a si próprios e como se apresentam, deparei-me com o facto surpreendente de quase todos eles cultivarem uma curiosa e obsessiva fixação na genealogia e nos mistérios das linhas, por vezes cruzadas, do parentesco. Um fenómeno que, receio, seja quase tão caricato como revelador da perenidade de um certo espírito na psique das nossas elites: cem anos depois da implantação da República e cinquenta depois do 25 d’Abril, a nossa inefável classe dirigente continua impávida, a nutrir o mesmo prurido de sempre por pergaminhos de antiga fidalguia.

Para ficar apenas no universo da Impresa, o seu próprio presidente, Francisco Pinto Balsemão, por exemploé um orgulhoso “trineto de um filho bastardo d’ el rei D. Pedro IV”; Maria João Avillez, antigajornalista-vedeta do jornal Expresso, é a ufana filha de um senhor que “é  bisneto do 8.º Conde das Galveias e trineto do 1.º visconde do Reguengo e 1.º Conde de Avillez, e de sua mulher que é prima de Sophia de Mello Breyner. É irmã da jurista e antiga política centrista Maria José Nogueira pinto, cunhada de Jaime Nogueira Pinto e prima-irmã da mãe do jornalista Martim Avillez Figueiredo”, eJosé Miguel Júdice, actual comentador na SIC-notíciasé o garboso filho de um senhor “de ascendência italiana por quatro linhas, uma delas por varonia, e de ascendência holandesa por duas linhas, e de sua mulher, de ascendência espanhola, britânica e italiana, sobrinha-neta por via matrilinear do primeiro visconde de Leite-Perry.”

Este não é, no entanto, um fenómeno circunscrito à facção mais, digamos assim “à direita” da nossa classe dirigente – também afecta personagens insuspeitadas, até associadas à maçonaria e ao velho republicanismo. O poeta Manuel Alegre, por exemplo, é o satisfeito “neto paterno da primeira baronesa da Recosta, filha do primeiro barão de Cadoro e de sua primeira mulher, filha do primeiro visconde do Barreiro”.

Gostaram? Não é tão ternurento?Quase tanto como constrangedorSão coisas destas que reforçam o sentimento de que não há força que retorça os reais fundamentos de uma nação velha e relha como a nossa.

Mas ainda descobri mais. E este é um facto novo – mais um que também corrobora o poeta Camões quando ele diz (à sua maneira, claro) que ah e tal nesta choldra tudo muda a toda a hora menos as mentalidades – atenção, por tanto, sociólogos que me leis.

Em Portugal ninguém diz que é comunista. A menos que o seja, claro. Ser comunista em Portugal nunca foi um bom quesito para arranjar emprego nem, muito menos, para ter posição. A verdade, porém, é que (e este é que é o facto sociológico novo) ser filho-de-comunista é completamente diferente.

Agora é pergaminho recomendável, tesourinho genealógico, eu sei lá, dá “pedigri” para as mais altas esferas ou posições (é evidente que isto não é para todos os filhos dos comunistas. Os felizes contemplados são apenas aqueles que juram a pés juntos e com as mãos postas que a OTAN é uma organização pacificódefensiva, que comprovadamente viram a luz do liberalismo e dos santos mercados e que abjuraram publicamente as convicções paternas, como é óbvio).

O actual primeiro-ministro, por exemplo, é um filho-de-comunista; o actual ministro das finanças também; e o actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa idem, e ainda há muitos mais, no público e no privado (não do mesmo comunista, claro, que os comunistas também não são de ferro). É também o caso de Ricardo Costa, o senhor director-geral da informação perdão, do jornalismo-de-merda do Grupo Impresa, (mas este é realmente uma excepção: o autor dos seus dias por acaso é mesmo o mesmo comunista que inventou os do actual primeiro-ministro).

Mural da História – em jeito de nota-de-roda-pé mas em francês (com perdão ao poeta Luiz Vaz e aos leitores mais sensíveis):

se há comunistas que podiam bem ter feito uma punheta, também há comunistas que bem podiam ter feito duas.


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Um comunista não pode ser rico?

(Pedro Tadeu, in Diário de Notícias, 11/07/2018)

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Começou por ser um dos frequentes disparates das redes sociais: o deputado do PCP, António Filipe, aparece fotografado na sala de espera de um hospital privado em frente a um cartaz do partido, exposto na rua, por detrás do vidro do prédio, com o slogan, vibrante, a gritar que “a saúde é um direito, não é um negócio”.

Façanhudos do Twitter e do Facebook entretiveram-se a insultar o deputado, com base numa aparente contradição moral entre os ideais e a prática.

O tom, mais ou menos, foi este: “afinal os comunas dizem ao povo para irem ao Serviço Nacional de Saúde e, pelas costas, quando têm dinheiro, vão mas é aos privados, como os ricos!”.

Vozes de burro não deviam chegar ao céu mas, na verdade, se zurrarem muito, pelo menos chamam a atenção dos deuses da opinião publicada nos media tradicionais.

Bernardo Ferrão, no Expresso, tem a bondade de defender o direito à “livre escolha” de António Filipe mas critica o PCP por defender as 35 horas de trabalho para os profissionais da saúde, por aceitar as cativações de Mário Centeno e por deputados como António Filipe “se baterem contra as Parcerias Público Privadas” na saúde quando, afinal, “confiam num privado para o seu particular”.

João Pereira Coutinho, no Correio da Manhã, repete parte destes argumentos e pareceu-me (o texto é um bocadito confuso) achar mal que a ADSE pague consultas a deputados comunistas.

Tirando o facto de ninguém saber se António Filipe foi a uma consulta, a um tratamento, a um exame (talvez coberto por protocolos com o Serviço Nacional de Saúde), ou, simplesmente, visitar uma pessoa amiga, o pressuposto é este: um dirigente comunista se vai, doente, a um hospital, não está a tratar-se, está a fazer uma opção política.

Esta inferência, se for aceite como verdadeira, leva, dedutivamente, a outras conclusões: um comunista pode lutar toda a vida pelo que acha ser melhor para a sociedade, por melhores salários para os trabalhadores, por mais direitos para os desprotegidos, por serviços de saúde gratuitos e bons para todos. No entanto, o comunista, para respeitar os seus princípios políticos, só pode ter um salário decente, usufruir de direitos básicos ou, simplesmente, escolher o que é melhor para si quando toda a sociedade poder beneficiar dos resultados da sua luta – até lá, em solidariedade para com os mais desfavorecidos, o comunista não pode usufruir do que a sociedade tem disponível…

Com tanta fome no mundo, imagino que um comunista a comer bife da vazia já seja, para esta moral distorcida, um pecado mortal.

Um comunista, pelos princípios desta teoria, é, portanto, um mártir e se não se portar na sua vida privada como um mártir, é um hipócrita. Ora acontece que o PCP não é a Ordem de São Francisco (e mesmo esta, já não é o que era).

Claro que ninguém pergunta se um defensor da privatização da saúde deve ir a um hospital público, se um defensor dos PPR privados pode receber pensões do Estado ou se quem quer destruir o ensino público pode meter os filhos nas melhores universidades do país (que, não por acaso e muito graças aos comunistas, são as públicas).

Se um comunista tem de ser pobre, um católico pode ser neoliberal? Um monárquico pode ser deputado da República? Um rico pode ser solidário? Um ateu pode ir a um velório na igreja?

Se, por exemplo, um cientista comunista inventar o motor contínuo ou souber transformar chumbo em ouro, não pode ficar rico? Por esta pretensa filosofia, não: deve doar o seu talento e saber à sociedade e, no estágio em que ela está, transformar inevitavelmente um capitalista rico que decida investir na sua invenção num capitalista obscenamente rico, contribuindo assim para o aumento do fosso entre ricos e pobres, ajudando ao domínio das classes favorecidas e prolongando a exploração dos trabalhadores. Ou seja, um comunista, para esta gente, só é um bom comunista se for estúpido!

Sim, um comunista, se levar a ideologia a sério, cumpre uma ética na sua vida privada que tem correspondência com os princípios sociais que defende. Mas não, um comunista não tem de ser parvo.