A vacuidade moral do lumpen

(Joseph Praetorius, in Facebook, 01/02/2018)
prae2

Joseph Praetorius

Li algures: ” A chegada dos investigadores (nas buscas domiciliárias ao Desembargador Rangel) foi filmada pela revista Sábado”.

É sempre a mesma história.
A ânsia de protagonismo nos funcionalismos judiciários, a troca de favores entre a imprensa falida e gente intelectualmente indigente das estruturas judiciárias (uns querendo vender e outros querendo promover a sua repulsiva imagem), as construções de “casos” nas televisões e a repetição das minutas em que as mesmas versões se enunciam quanto a quaisquer novos visados, traduzem uma situação que não pode deixar de suscitar – e com a urgência óbvia – uma reacção disciplinadora de alcance legislativo e uma reacção disciplinar (e penal) com o maior alcance organizacional possível.
A imputação em cujos termos o que alguém tem na sua conta bancária pertencerá na verdade a outro, começa a repetir-se demais. Como se começa a repetir o escândalo traduzido no facto da imprensa dizer que sabe, publicando, o teor das suspeitas e até o das pretendidas provas cujo exame é denegado às defesas e aos arguidos.
Há em processo modo de responder a isto. Mas os advogados defensores (no interesse dos defendidos) não querem agravar matizes de ressentimento e vingança e acabam por viabilizar o abuso ao qual desejavelmente deveriam opor-se com veemência.
Aqui e agora, todos temos de fazer opções. Dentro dos processos e fora dos processos. A própria opinião pública tem que fazer opções, como o Parlamento e o Governo, os Conselhos Superiores do Ministério Público e da Magistratura.
A (gritante) corrupção das trocas de favores entre a imprensa e as estruturas judiciárias (se pior não houver, como é possível) não é enquadramento idóneo para arguir acusatoriamente qualquer corrupção de outro, seja ele quem for.
Isto está claro desde Cícero, que vincou bem a imprescindível idoneidade moral sem quebras de quem acusa, por ser humanamente e politicamente insuportável ter de prestar contas da vida própria diante de quem não pode fazer o mesmo.
Isto está claro desde Jesus Cristo, também, que exigiu a radical idoneidade moral aos executores e assistiu, serenante perdão vivo, à sua debandada de homens bons porque não tinham perdido a capacidade de olharem para si mesmos.
E forte do ensinamento destes dois mestres, ambos advogados de génio e ambos juristas luminosos, vos digo – com a mais radical convicção – que a promoção penal e a judicatura não são compatíveis com a vacuidade moral do lumpen.
É o maior dos argumentos jurídicos: – isto não pode ser.
Anúncios

Obrigado pelo seu comentário. É sempre bem vindo.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.