Um russo e um chinês entram num bar onde já estava um americano

(Tiago Franco, in Página Um, 27/03/2023)

Ouvi, descansada e tranquilamente, a notícia de que Vladimir Putin tinha ordenado o transporte de umas quantas bombas nucleares e dez aviões para o território da Bielorrússia. Até despejei mais um bocado do Periquita Reserva que tinha ali ao lado, só para ver se não perdia o momento de descontracção….


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O direito — o nosso e o dos outros

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 24/03/2023)

Miguel Sousa Tavares

Se, de facto, a Rússia raptou 6000 crianças ucranianas e, à revelia dos seus pais, as levou para a Rússia, com o conhecimento ou o consentimento do Presidente russo, então Vladimir Putin pode ser indiciado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), órgão das Nações Unidas, sob a acusação de crime de “genocídio”, ao abrigo do artigo 5º, alínea e), dos seus estatutos, que reza o seguinte: “Transferência, à força, de crianças do grupo para outro grupo.” Porém, tal pressupõe previamente diligências de investigação, de prova, de notificação, de contraditório e de defesa que, nos termos do artigo 18, manifestamente não parecem ter sido feitas antes de, com todo o ribombar de canhões na imprensa internacional, o TPI ter declarado Putin “arguido” e contra ele ter emitido um mandado de captura que dizem ser válido em 142 países signatários dos seus estatutos, Portugal incluído — como pressurosamente informou ao país e ao mundo o ministro João Cravinho.

Mas, além dessa minudência processual, concorre ainda outra questão nada menor. Sucede que, não só a Rússia — para efeitos processuais definida como “outra parte” — não é signatária e membro do TPI como não o são também países como Israel, a Turquia, a Arábia Saudita ou os Estados Unidos. Et pour cause. Se o fossem, Israel cairia sob a alçada do artigo 7º, alínea j) — “Crimes contra a Humanidade”, por apartheid; a Arábia Saudita veria o seu príncipe regente, o que mandou cortar às postas o jornalista saudi-americano Khashoggi na embaixada saudita de Istambul, e a quem Biden foi visitar a Riade para lhe pedir em vão petróleo, acusado por “homicídio”, ao abrigo do artigo 7º, alínea a); Erdogan, a quem os outrora Estados de honra da Escandinávia agora mendigam um nihil obstat para que eles os deixe entrar na NATO, seria declarado cadastrado internacional nos termos do artigo 7º por todos os “crimes contra a Humanidade” que pratica à vista de todos contra a comunidade curda do seu país; a NATO, com os Estados Unidos à cabeça, e o ex-Presidente George W. Bush teriam de responder, de acordo com o artigo 8º, que reza sobre os “crimes de guerra”, sobre os 78 dias de bombardeamentos aéreos de Belgrado, onde morreram 2500 civis inocentes em troca de conseguir a rendição do criminoso de guerra Slobodan Milosevic, transportado em glória para ser julgado em Haia… pelo TPI, ou sobre a “Operação Choque e Pavor”, mais conhecida como a 2ª Guerra do Iraque, responsável por 100.000 mortos, quando um grupo de aliados dos americanos, incluindo Portugal, invadiu um país soberano para procurar armas que não existiam — ambas as operações sem mandato da ONU; e os Estados Unidos e três dos seus Presidentes, incluindo o actual, teriam de responder, nos termos do artigo 7º, alínea e), pelo crime de “prisão ou outra forma de privação da liberdade física grave, em violação das normas fundamentais do direito internacional”. Porque Abu Ghraib (fechada em 2014) e Guantanamo são prisões ilegais, fora de quaisquer jurisdições reconhecidas, para onde os presos foram transportados clandestinamente (e com a cooperação portuguesa), depois de terem sido sequestrados nos seus países, e onde estão, alguns porventura inocentes, há dez ou doze anos, sem direito a advogados, a contactos com as famílias e a correspondência com o exterior, sem serem julgados ou condenados, a poderem ser torturados por ordem presidencial, e a poderem ficar ali até ao final da vida sem que nenhum tribunal se preocupe com eles.

<span class="creditofoto">ILUSTRAÇÃO HUGO PINTO</span>
ILUSTRAÇÃO HUGO PINTO

Sim, Putin não é flor que se cheire. É mesmo um assassino, como disse Biden. Tem aquele hábito desagradável de se livrar dos seus adversários envenenando-os no estrangeiro ou fazendo-os suicidar-se saltando do alto de prédios na Rússia. Nisso, como em outras coisas, embora mais brandamente, segue a tradição dos czares russos que empalavam os seus inimigos fora das muralhas do Kremlin e ali os deixavam a agonizar para servirem de exemplo. Na guerra da Ucrânia, seguramente que, em Bucha e não só, os russos cometeram barbaridades.

Mas só quem não conheça a história da selvajaria secular dos eslavos e da barbaridade das guerras civis, como esta é, só quem ainda se deixe embalar pela narrativa unilateral que aqui, no Ocidente, nos é servida, é que pode acreditar que esta é uma guerra única: bandidos de um lado, anjinhos do outro. Às tantas, a Amnistia Internacional ousou quebrar timidamente essa unanimidade informativa e opinativa estabelecida como verdade única e logo foi trucidada e silenciada na Ucrânia e nas “democracias liberais”.

Temos, pois, Putin, como fugitivo internacional, segundo um critério judicial que se aplica a ele mas não a outros. E o que ganhamos com isso? Segundo uns crânios domésticos de Relações Internacionais e Direito Internacional que tenho escutado, ganhamos muito: agora o homem está diminuído, desprestigiado, acossado. E foi esse pobre e irrelevante homem, esse desprestigiado fugitivo a quem o ministro Cravinho e mais 141 dos seus homólogos prometem deitar a mão, que eu vi esta semana receber em Moscovo o outro homem que vai decidir os destinos do mundo: Xi Jinping. Aquele sobre quem, numa perfeita definição da imensa estupidez aonde nós, o Ocidente, chegámos, um comentador político chinês resumiu a mensagem dos Estados Unidos: “Ó Xi, diga lá ao Putin que vai deixar de o apoiar para que a seguir nós nos ocupemos de si sem ter a Rússia a apoiá-lo.” Caramba, e andam aqui os nossos mestres, professores doutores de Relações e Política Internacional, os auditores dos cursos de Defesa Nacional, os autores (que são sempre os mesmos, dê o mundo as voltas que der) dos Conceitos Estratégicos de Defesa Nacional, a elaborar consumadas teses sobre geoestratégia mundial e, afinal, um modesto comentador da TV chinesa resume tudo numa simples frase que transforma tudo o resto em absoluto ridículo!

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Como disse Aleksandar Vucic, Presidente da Sérvia, a consequência mais óbvia da declaração do TPI é que a Ucrânia fica sem interlocutor com quem negociar a paz. Mas não será isso justamente o que se pretende? Todas as tentativas de mediação surgidas até agora, por mais tímidas que fossem, foram descartadas à partida pelo Ocidente, por inviáveis ou não credíveis: a do Brasil, a da Turquia, a da China, a do Papa. Eufórico, o secretário-geral da NATO, Stoltenberg, já avisou que na próxima cimeira da organização, em Vilnius, vai pedir que o patamar dos 2% do PIB que cada membro tem de gastar com a defesa seja aumentado, e não faz segredo que a área de influência e futura actuação da NATO deve estender-se para a Ásia-Pacífico, assim acompanhando a sua nova Carta, não escrita, que é a de ser a extensão do braço armado dos Estados Unidos, aonde quer que ele vá. Quanto à Ucrânia, e como explicou Teresa de Sousa em recente artigo no “Público”, permaneceremos amarrados em duas posições inconciliáveis: o “campo da paz” e o campo da guerra — perdão, o “campo da justiça”. Sendo que, segundo ela, o campo da paz é-o “da paz a qualquer preço”, e o da “justiça” será então o da guerra a qualquer preço, visto que a justiça não tem preço. Mas eis que agora andam muito incomodados porque, depois de terem passado um ano a tecer loas ao inacreditável fortalecimento do Ocidente que o aventureirismo de Putin tinha proporcionado, olham à roda e vêm uma Europa economicamente destroçada e a China a ocupar paulatina e sabiamente todo o resto do mundo deixado para trás e que estranhamente não vê vantagem em “ocidentalizar-se” — para usar a expressão escandalizada de uma ex-embaixadora americana na NATO. Tudo isto vai acabar espantosamente mal para o Ocidente.

2 Já toda a gente percebeu que este plano governamental para a habitação foi feito em cima do joe­lho e fruto do desespero e da desesperança. É verdade, porém, que não se conhece nenhum outro em alternativa nem tal seria possível. Porque a situação actual não reflecte, de facto, uma crise de habitação, mas uma crise anterior, a montante e muito mais profunda, que nenhum plano de urgência resolverá num par de anos. Numa das muitas discussões que ocorrem, ouvi dizer que o problema estoirou porque, enquanto que até à última década se construíam 800.000 casas a cada dez anos, na última década só se construíram 100.000. Mas não é esse o problema: basta percorrer o país para ver que não faltam casas vazias em Portugal, mas se o Governo quiser deitar-lhes a mão, não encontrará ninguém que queira ir viver nelas.

Não há um problema de falta de casas em Portugal: há, sim, em Lisboa e no Porto e suas periferias. E esse problema chama-se desertificação e abandono do interior e começou a sério há 30 anos.

E sabem quem foi o primeiro responsável político por ele? Um senhor que ainda há dias fez um sermão à pátria, como sempre culpando os outros pelos problemas que ele, na altura, jurou ter deixado resolvidos para sempre. Esse mesmo: Aníbal Cavaco Silva. Há 30 anos — e porque na sua imensa incultura política não percebeu que a agricultura era muito mais do que um negócio de deve e haver —, Cavaco Silva começou por vender a agricultura portuguesa a Bruxelas por tuta e meia. Aí se iniciou o processo de morte do mundo rural e consequente êxodo para as cidades, acentuado depois pelo abandono, sempre subsidiado, das pescas, das indústrias extractivas, dos têxteis, sem nenhuma contrapartida oferecida a quem se quisesse estabelecer no interior e no vazio deixado. Desprezando o modelo europeu das cidades de média dimensão, Cavaco Silva abandonou também os caminhos de ferro e dedicou-se a construir auto-estradas para, como disse então Ribeiro Telles, os espanhóis colocarem cá mais depressa os produtos deles. Foi quando, seguindo sempre um critério rentabilista, se começaram a fechar hospitais e centros de saúde na província, tribunais, correios, escolas, tudo o que representasse a presença do Estado junto dos portugueses, que viviam num círculo vicioso de despovoamento. Apostou tudo nos serviços e no turismo, convidando os portugueses a virem viver para o Porto e Lisboa ou para trabalharem no Algarve, no Verão. Quem veio a seguir a ele continuou o mesmo caminho sem retorno para um país que hoje parece sem salvação à vista. E não foi por falta de avisos ou falta de estatísticas e relatórios crescentes do que se estava a passar. Foi porque, como sempre, nunca há tempo de pensar o país além da próxima eleição ou da próxima greve.

Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia


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À beirinha do precipício

(Hugo Dionísio, in Facebook, 24/03/2023)

O governo inglês é, também, o governo mais representativo do que representam, hoje, as designadas “democracias” ocidentais e a indiferença que uma figurinha, ou outra, representam na definição das políticas internas e externas dos apêndices geográficos dos EUA. Daí que, tenha vindo precisamente daí, o informante escolhido para comunicar ao mundo mais um passo nesta histérica escalada belicista – tão irresponsável quanto desesperada -, a qual, continuando, nos arrastará para uma guerra nuclear.

No dia 20/03/23, o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, confirmou, perante uma questão colocada por um membro da Câmara dos Lordes, a intenção de enviar munições de urânio empobrecido para a Ucrânia. No dia 22, passadas 48 horas, o mesmo ministro, perante um grupo de pretensos jornalistas, reafirma a intenção, dizendo que não representava um passo no pior dos sentidos possíveis.

Tal como estas figurinhas de coleção não representam qualquer risco de desvio dos caminhos previamente traçados e comunicados nos mais diversos fóruns “formativos” – do G7 à NATO -, os supostos jornalistas situam-se, rigorosamente no mesmo plano, limitando-se a ouvir e reproduzir, não o que ouvem, mas o que escrito está nas inúmeras cartilhas, que também recebem, através dos mais diversos fóruns ligados à “informação”.

A utilização de urânio empobrecido numa guerra levanta inúmeros problemas e questões, do ponto de vista dos princípios plasmados na Convenção de Genebra. Não é apenas no domínio do tipo de arma que o problema se coloca, implicando, também, o uso destas munições, uma violação das regras do direito internacional, em matéria ambiental, como muito bem expõe Nikhil Shah, num artigo sobre o tema (ver aqui). A tudo isto, a zelosa “imprensa livre”, respondeu com a cartilha… Silêncio total!

Independentemente das considerações do TPI a respeito – optando por adotar uma interpretação restritiva em relação à aplicação da Convenção de Genebra ao urânio empobrecido e às armas nucleares -, apenas a enorme força mediática dos EUA faz com que estas armas, não apenas sejam regularmente usadas pela NATO, como a sua utilização não atraia a atenção que a sua força destrutiva deveria suscitar. A tristeza é que, fossem outros a usá-las e logo os juízes do TPI sairiam de dosímetros em punho, para os usar no primeiro foco de radiação que lhes dissessem existir.

E se, esta atitude, por parte do TPI, levanta todas as questões… para mais em tempo de assunção frontal da política de justiça cega. Já a atitude da comunicação social “responsável e credível” é demonstrativa do estado letárgico e vegetal, que assume, quando se tratam de questões que beliscam – mesmo que tenuemente – a imagem internacional dos EUA e seus apêndices.

Daí que, do meu ponto de vista, e contando com tal postura por parte do TPI, ONU e Conselho da Europa, o comportamento mais grave, a que pudemos assistir, consistiu na serena naturalidade e normalidade com que foi comunicada a intenção de uso de armas contendo urânio empobrecido, no conflito que grassa no leste europeu. Esta atitude torna tudo mais chocante. Ao nível disto, só a “ameaça”, por parte da primeira-ministra relâmpago, Liz Truss, de “não hesitar carregar no botão” nuclear, caso alguma situação o suscitasse. Fê-lo com tanta leviandade que, apenas no Sul Global e junto dos residuais seres pensantes, ainda persistentes no Ocidente coletivo, esta revelação suscitou a gravidade que o evento justificava.

Assim, do dia 20 de Março de 2023 em diante, a coisa não foi diferente e a orquestra seguiu o mesmo diapasão a que já nos habituou: a comunicação social ao serviço do país que Lee Camp tão bem caracterizou como um “exército com um mercado de capitais acoplado” (“militar with a stock market”), limitou-se a fazer como fez com Liz Truss – se se disse, está dito! Não se fala mais nisso!

Contudo, quem tem ainda alguma massa encefálica, naquela caixa chamada craniana, e tem amor à sua vida, aos seus filhos, à Humanidade em geral e vive a sua vida de acordo com algum entendimento do que as lições da História nos vão dando, não pode deixar de se encontrar em níveis cardiologicamente perigosos de preocupação, com o nosso destino colectivo.

O Kremlin apressou-se a dizer que “já não existem muitas linhas vermelhas em falta, para serem ultrapassadas”. A este respeito, refira-se que a suposta “não intervenção da NATO” no conflito, que supostamente previne a confrontação nuclear, só acontece porque o Kremlin tem uma postura responsável e adulta – por muito que custe a muita gente -, e finge não ver o que está à frente de todos: A NATO participa directamente no conflito, de muitas e variadas formas.

Se, para a maioria dos militares sérios, da NATO, a possibilidade de uma vitória sobre a Rússia, já se tinha tornado uma miragem; para os mandatários do sistema corporativo e financeiro que nos domina, essa miragem continuava presente nas suas perturbadas mentes. Mas, eis que, nos últimos tempos, aos poucos, foram sendo obrigados a acordar para a vida e, como com qualquer criança mimada, primeiro veio a desilusão, depois a histeria e, agora, o pânico.

E, para quem acha que estou a exagerar, talvez possam consultar uma das muitas páginas a respeito dos danos, desumanos, desnecessários e criminosos, que as armas de urânio empobrecido provocam no meio ambiente, nos solos, nas águas, nas populações, nas gerações e nos soldados, de um e doutro lado (ver aqui). Para quem não acredita em fontes extra ocidentais, fica aqui um trabalho de Harvard.

Ora, tal decisão, tomada pelas mais altas esferas do poder autocrático, oligárquico e pro-apocalíptico que caracteriza, hoje, a elite estado-unidense, visa, na minha modesta opinião, provocar dois tipos de reacção, ambas coordenadas entre si:

  • Face à mais do que anunciada derrota militar, política e económica, não apenas do regime banderista, mas também dos EUA e seus apêndices, o uso de armas de urânio empobrecido visa punir, coletivamente, aquelas populações pela sua decisão de incorporarem o território russo;
  • Perante a introdução da dimensão nuclear no conflito – e lembrar-me que a propaganda hedionda passada no último ano dizia que eram as tropas russas que o fariam primeiro –, e os seus efeitos nefastos ao nível biológico e ambiental, tenta-se arrastar a Rússia para a utilização de armas nucleares – mesmo que tácticas -, que suscitem a entrada direta da NATO e, assim, a confrontação nuclear.

Perceber o primeiro objectivo é mais simples, por radicar no que fizeram os nazis na Segunda Guerra Mundial e os EUA na Coreia do Norte e Vietname, envenenando solos e deixando danos geracionais que – tal como na Sérvia – ainda hoje afectam aquelas pessoas. A esta política, chamou-se “terra queimada”. Uma vez mais, só o poderoso aparato propagandístico dos EUA, que vai da imprensa ao cinema, música, literatura e publicidade comercial, permite que, por cá, não se responsabilize a sua elite criminosa e genocida, pelos crimes hediondos que continuamente pratica.

Já para desmontar o segundo objetivo, é necessário perceber as diferenças políticas entre a elite americana. No caso concreto, as forças neoconservadoras (neocons), afetas aos Bush, Cheney, Rumsfelt, Joe Bolton ou MCcain, que hoje convivem, lado a lado, com as forças neoliberais e globalistas afectas aos Clinton, Biden ou Nulland. Eles consideram – segundo informações mais ou menos veladas – que é possível aos EUA, usando a sua faculdade de “first strike” (primeiro tiro), ganhar uma confrontação nuclear com a federação russa. O governo de Sunak, como conservador que é, tem as suas maiores ligações com os republicanos neoconservadores americanos, como é óbvio.

Segundo esta gente absolutamente abominável, é possível com este “first strike” destruir uma parte muito grande dos silos terrestres contendo armas nucleares russas prontas a disparar, e depois, o que sobrar, é, em parte, abatido pelo escudo antimíssil instalado na Europa e EUA. Claro que, não garantindo que os fariam cair todos, algum haveria de ir ali parar… Mas, nesse caso, é preciso ver em que plano mental esta gente se situa. Para esta gente, o poder é a coisa mais importante de todas e, mesmo acreditando que sobreviveriam, também suspeito de que preferiam morrer a prescindir de tal poder. E é, em parte, a este tipo de gente que estamos entregues.

Claro que, a suspensão, pela federação russa, do último dos tratados de não proliferação que ainda sobrevivia – o 2010 New Strategic Arms Reduction Treaty (New START) -, levantou um problema importante, pois impede os inspectores dos EUA de acederem aos locais de instalação dos silos, podendo estes serem trocados, aumentados, etc… Por outro lado, e como já nos foi possível observar, o arsenal nuclear russo também se fará sentir nos submarinos, barcos e aviões. Ou seja, a força destrutiva remanescente é demasiado grande para ser desconsiderada. Mas, como alguém disse, estamos a falar de gente louca, em estado de pânico, o que é tremendamente perigoso.

Uma vez que a Ucrânia, não sendo membro do TPI, concedeu jurisdição ao mesmo no seu território, caso esta farsa judicial funcionasse, seria esta a hora de declarar o uso de urânio empobrecido como crime de guerra e crime contra a Humanidade. O que poderia impedir, depois da histeria toda montada em torno do mandato de prisão ao presidente russo, o uso destas munições neste conflito, evitando, assim, as portas apocalípticas que, num caso ou outro, se abririam.

Mas, para tal, o TPI tinha de funcionar como tribunal e não como moçoilo de recados dos poderosos, actuando, apenas, quando alguém – faça bem ou faça mal – belisque os interesses da elite autocrática dos EUA e seus apêndices.

Estamos, pois, perante uma das últimas cartadas a jogar por estes incompetentes, cujas acções funcionam sempre ao contrário do que pretendem. Esta, estou em crer, que não será diferente. Até adianto mais, hoje, o Sul Global deve estar, uma vez mais, horrorizado perante o nível de loucura a que esta gente chega no seu seguidismo. Muitos, por lá, se devem mesmo questionar se não sobra alguma réstia de sabedoria e bom senso nos EUA e, principalmente, ao apêndice europeu, continente já destruído por duas Guerras Mundiais.

Esta situação deveria mesmo suscitar que fosse colocada, aos governos dos países da NATO, a seguinte questão: o que têm V.ªs Exas a dizer, sobre a introdução do elemento nuclear, na guerra da Ucrânia, e os perigos que tal comporta, de possível confrontação apocalíptica! A resposta seria: “Não! Todos trabalhamos para que não cheguemos aí… Se chegarmos aí, a culpa é do Mr. Putin!” E, pronto, por aí seguiríamos até ao descalabro final, contentes de que a culpa é do inimigo. Como se numa guerra, só houvesse um culpado!

Perante a incapacidade de provocarem a “revolução colorida” que queriam e de o povo russo não fazer quase ideia do que são as sanções “do inferno”, realidade bem traduzida numa visita por parte de um jornalista americano a Irkutsk, na Sibéria, em que, visitando um concidadão ex-marine, pôde constatar, em directo, que “nada mudou” (ver aqui), e, incapazes – como qualquer ser pensante preveria – de dobrar o maior país do mundo, com um dos dois exércitos mais poderosos, eis que, a opção desta brigada de “escuteiros” consistiu em escalar o conflito para níveis em que tudo correrá o risco de se tornar irreversível.

E para que se perceba que, mesmo estes missionários, já estão a atingir o seu limite, foi o próprio Primeiro-ministro checo que foi o escolhido para anunciar ao mundo – leia-se “Ucrânia” – que, “ou aproveitam esta próxima ofensiva”, recheada de urânio empobrecido, diria eu, ou “irá acabar-se o apoio ao país”.

Ora, a não ser que – e eu acredito piamente nisto -, o uso de urânio empobrecido abra a porta para uma farsa do tipo daquelas que os EUA e as forças do regime neonazi têm tentado vezes sem conta; como seja, a de acusarem a federação russa de usar armas nucleares tácticas e, utilizando a contaminação, das suas próprias munições, como prova, fazer entrar os EUA directamente no conflito – leia-se aqui “apêndices dos EUA como a Polónia e bálticos” -; julgo que não será a introdução deste elemento nefasto que fará alterar, o que quer que seja, no curso desta guerra.

Não custa nada acreditar nisto, uma vez que, quem segue as informações do “inimigo” – e é um dever de quem procura conhecer a realidade -, sabe que estes têm denunciado, inúmeras tentativas, por parte do regime ukronazi, de provocarem situações de bandeira falsa, através da contaminação das zonas de combate com produtos químicos, que armazenam para o efeito, ou, de forma ainda mais desesperada, com os bombardeamentos quase diários à central nuclear de Energodar.

Quanto à desfaçatez do governo de Sunak e companhia… O que esperar de um governo autocrático, não eleito sequer – como se isso fizesse alguma diferença para quem domina os meios poderosíssimos de propaganda à disposição -, liderado por um multimilionário oligarca? Também me vão dizer que representa os interesses do povo? Ora essa!

O que demonstra toda esta corrida desenfreada para o precipício é que, ou os povos europeus se preparam para a luta pelos seus direitos, pela sua liberdade, pela sua democracia, ou, acabarão como acabaram os que estavam do lado de lá das forças nazis… a punição colectiva e a terra queimada!

Em França, já todos podemos antecipar com que disposição estes funcionários estão para nos ouvir! Está na hora do confronto! Ou cairemos, inevitavelmente, no precipício!


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