Jornalista da emissora Al Mayadeen é assassinado por ‘Israel’

(In Diário da Causa Operária, 24/09/2024)

Hadi al-Saied é uma das 550 pessoas assassinadas pelos bombardeios sionistas de segunda-feira (23).


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Na terça-feira (24), “Israel” assassinou Hadi al-Saied.O jornalista, de 22 anos, era residente da área de Burj Rahhal, perto da cidade costeira de Tire. Sua casa foi um dos alvos dos bombardeios israelenses realizados nessa segunda-feira (23), que deixaram mais 550 mortos e pelo menos 1.800 feridos, conforme o Ministério da Saúde do Líbano.

Hadi al-Saied trabalhava para a emissora libanesa Al Mayadeen, um dos principais órgãos de imprensa a expor e denunciar sionismo, o genocídio contra os palestinos e a luta da resistência pela libertação da Palestina.

O presidente do Conselho de Administração da Al Mayadeen Media expressou condolências à família do jornalista, e declarou que “embora nós do Al Mayadeen Online lamentemos a perda de Hadi, continuamos firmes em garantir que nossa missão como profissionais de mídia seja cumprida, defendendo a verdade e a justiça, e fortalecendo ainda mais nosso apoio à causa da Palestina e à resistência”.

Apenas na Faixa de Gaza, mais de 173 jornalistas foram assassinados por “Israel” desde 7 de outubro, uma tentativa da entidade sionista de impedir que o genocídio contra os palestinos e a luta da resistência palestina seja noticiada para o mundo.

Fonte aqui.

«Homem moderno»

(Inês Torrado, in AbrilAbril, 24/09/2024)

Os avanços das ciências e das tecnologias, com evidentes conquistas para a Humanidade, têm evoluído ao serviço dos interesses e dos negócios do capital, perdendo-se pouco a pouco a vertente humana e social.

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Hoje damos mais valor ao conhecimento teórico do que à experiência acumulada ao longo da nossa História. Camões já referia que importava o conhecimento, mas aliado às aprendizagens e experiências ancestrais.

Hoje, o tempo acelerou, não sobrando espaço para os nossos rituais lentos. Tempos de encontros onde se trocavam histórias e experiências, memórias e raízes, saberes e prazeres, de outros mundos que permitiam melhor entender o nosso. 

Também no trabalho nos roubaram o espaço do prazer. Manuel Serrat relembra, quando se cantava «…a lavrar a terra, a picar a pedra, a amassar o ferro, encantando os gestos…». 

Pouco a pouco roubaram-nos a voz para acompanhar quem trabalha, mas também para dialogar, entoar poemas ou contos, cantar e embalar. A voz para transmitir informações vai ficando entregue a interlocutores robotizados e monocórdicos. E como importa ser ouvido, ser capaz de escutar para ser compreendido! 

Não nos calaram, nem nos ensurdeceram, com o silêncio nem com os sons da natureza, mas criando tanto ruído que nos entopem os ouvidos e surripiam os espaços de escuta. 

O tempo, hoje, desvaloriza a mão e tudo o que esta representa para a Humanidade. Julgo até que a mão nos relembra a nossa dimensão.

Hoje, os teclados e os botões são a regra, usando apenas alguns dedos.

Tantos anos a desenvolver a capacidade da mão para trabalhar, escrever, desenhar… E com elas nos exprimimos, pensamos, criamos, mas também nos cumprimentamos, tocamos, acarinhamos. O uso das nossas mãos está intimamente ligado ao desenvolvimento e à activação do cérebro. O desuso das mãos poderá colocar o cérebro em cheque…

Roubaram-nos a capacidade de olhar e de nos encantar. Continuamos a ver, mas como absorver tantas informações, demasiado rápidas e excessivas, que nos cegam, nos distraem e que não conseguimos memorizar, ficando uma «amnésia» de tanto excesso!

Roubaram-nos a mobilidade, passando a maior parte do tempo sentados a trabalhar, ou refastelados no sofá e entretidos por ecrãs. Como integrar no nosso dia-a-dia a mobilidade no trabalho, no lazer, no brincar? Resta-nos, após o dia de trabalho, ir tonificar e relaxar para os ginásios, como uma reabilitação obrigatória e individual.

Roubaram-nos o conhecimento, a cultura, as recordações, ficando tudo guardado em memórias externas, na internet. Até o pensamento fica atrapalhado, confundindo onde encontrar as informações com o conhecimento destas. Também os pensamentos mais complexos e profundos ficam dificultados pelo desuso das nossas memórias e a perda da nossa literacia.

Agora querem-nos roubar e artificializar a inteligência… já conseguem falar, responder, escrever e criar por nós… 

Pode saber bem viver adormecido, mas um dia roubarão as nossas almas.

Acordai!

Marques Mendes e o dogma da Santíssima Trindade

(Carlos Esperança, in Facebook, 23/09/2024)

Três pessoas iguais, distintas e só uma verdadeira


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Marques Mendes esteve ontem na sua homilia semanal, na qualidade de Conselheiro de Estado, alter-ego de Marcelo e comentador (três pessoas) a defender (uma só pessoa), o candidato a PR. Ele próprio.

A bajulação a Montenegro, à semelhança da de Marcelo a Passos Coelho, nas mesmas circunstâncias, foi o preço do apoio que espera. A sua baixeza ética descobriu no PM a liderança notável da crise dos fogos; no ministro das infraestruturas excelente prestação; e na incompetência da ministra da Administração Interna, só necessidade de ajuda. E defendeu a narrativa de Montenegro com os incendiários e a intrusão do PM na Justiça. Para eles vale tudo na luta partidária, incluindo a mentira.

Procurou dar como ultrapassado o incómodo tema dos incêndios e não teve pejo de se juntar ao PM, ao PR e às informações que o PR planta nos media, para atribuir ao PS a culpa das eleições que o PM ansiosamente procura. Não hesitou, aliás, em mentir para reiterar a mentira do PM no comunicado onde acusa o PS de recusar agendar a reunião com o seu líder, apesar da data já sugerida e que o PM só anunciou e confirmou depois de fazer crer que essa reunião resultara do comunicado.

Marques Mendes fez eco da mentira para evitar o voto no PS de eleitores moderados do PSD. Depois das eleições, o PSD reforçado com votos retirados ao Chega e ao IL, aliar-se-á a eles para cumprir a agenda que levou o PR a dissolver a AR.

É horrível a aliança com fascistas, mas não constrange o PSD ou Marcelo. A relutância só é difícil para Montenegro por ter baseado a campanha eleitoral no “não é não”, mas é o desejo do PSD de Cavaco e Passos Coelho que a substituição de Rui Rio deixou sem freio democrático.

As campanhas de Marques Mendes à Presidência, do PSD para legislatura completa, em aliança com o Chega, à semelhança do que já sucede em vários países da Europa, e para o branqueamento de Marcelo, artífice do novo PREC (Processo Reacionário Em Curso), já estão em marcha e vão acelerar com Marcelo a chantagear o PS.

Apostila – Com este ruído até se esquecem os problemas do PSD e da Justiça com o Governo da Madeira. Marcelo, Marques Mendes e Miguel Albuquerque continuam as referências éticas do Conselho de Estado.