Marques Mendes e o dogma da Santíssima Trindade

(Carlos Esperança, in Facebook, 23/09/2024)

Três pessoas iguais, distintas e só uma verdadeira


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

Marques Mendes esteve ontem na sua homilia semanal, na qualidade de Conselheiro de Estado, alter-ego de Marcelo e comentador (três pessoas) a defender (uma só pessoa), o candidato a PR. Ele próprio.

A bajulação a Montenegro, à semelhança da de Marcelo a Passos Coelho, nas mesmas circunstâncias, foi o preço do apoio que espera. A sua baixeza ética descobriu no PM a liderança notável da crise dos fogos; no ministro das infraestruturas excelente prestação; e na incompetência da ministra da Administração Interna, só necessidade de ajuda. E defendeu a narrativa de Montenegro com os incendiários e a intrusão do PM na Justiça. Para eles vale tudo na luta partidária, incluindo a mentira.

Procurou dar como ultrapassado o incómodo tema dos incêndios e não teve pejo de se juntar ao PM, ao PR e às informações que o PR planta nos media, para atribuir ao PS a culpa das eleições que o PM ansiosamente procura. Não hesitou, aliás, em mentir para reiterar a mentira do PM no comunicado onde acusa o PS de recusar agendar a reunião com o seu líder, apesar da data já sugerida e que o PM só anunciou e confirmou depois de fazer crer que essa reunião resultara do comunicado.

Marques Mendes fez eco da mentira para evitar o voto no PS de eleitores moderados do PSD. Depois das eleições, o PSD reforçado com votos retirados ao Chega e ao IL, aliar-se-á a eles para cumprir a agenda que levou o PR a dissolver a AR.

É horrível a aliança com fascistas, mas não constrange o PSD ou Marcelo. A relutância só é difícil para Montenegro por ter baseado a campanha eleitoral no “não é não”, mas é o desejo do PSD de Cavaco e Passos Coelho que a substituição de Rui Rio deixou sem freio democrático.

As campanhas de Marques Mendes à Presidência, do PSD para legislatura completa, em aliança com o Chega, à semelhança do que já sucede em vários países da Europa, e para o branqueamento de Marcelo, artífice do novo PREC (Processo Reacionário Em Curso), já estão em marcha e vão acelerar com Marcelo a chantagear o PS.

Apostila – Com este ruído até se esquecem os problemas do PSD e da Justiça com o Governo da Madeira. Marcelo, Marques Mendes e Miguel Albuquerque continuam as referências éticas do Conselho de Estado.

O Mendes e o genuflexório

(Por José Gabriel, in Facebook, 09/09/2024)


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

Marques Mendes tomou sobre os seus ombros a defesa do Governo e dos governantes um a um, asneira a asneira, erro a erro, golpe a golpe. Todos estamos errados. Os nossos governantes são um ínclito escol de perfeição. A malta, cá fora, é que, sem dúvida obnubilada pela grandeza dos altíssimos, não entende. E, em vez de agradecer estes presentes do Alto, mostra vontade de lhes enviar presentes idos de baixo.

Marques Mendes, não. Por ele, os ministros laranja são infalíveis – como o Papa. Mais infalível que eles, portanto, mais que o Papa, só o Presidente Marcelo.

Ontem, na sua prédica dominical, Mendes informou o povo em geral da sua presença numa reunião dos jovens “liberais” onde, segundo nos contou, aprendeu uma palavra nova: “genuflexório”.

Ficámos espantados. Tal significa que as fotos tiradas a Mendes e a outros líderes da direita assistindo, circunspectos, à missa em… genuflexórios, são uma patranha para impressionar o beatério – eu não disse os católicos.

Por outro lado, fico ainda mais espantado pelo facto de Marques Mendes, cuja especialidade é ajoelhar face a todos os interesses que o possam servir, não conhecer tão útil e adequado acessório. Ele devia ter um genuflexório portátil.

Tanta verdade junta mereceu publicação – take XX

(Por DE, in Estátua de Sal, 02/10/2022)


(Este texto resulta de um comentário a um vídeo que publicámos de Pedro Tadeu e Nuno Ramos de Almeida ver aqui. Perante tanta verdade junta, resolvi dar-lhe o destaque que, penso, merece.

Estátua de Sal, 02/10/2022)


O regresso do Marques Mendes. As técnicas de venda esmeradas, interiorizadas até ao sinapse. O produto é tóxico, mas para ele conta a embalagem e os dotes retóricos do traficante perfeito. Na lota adoramos a peixeira, “venha cá, freguês!”, na televisão o Marques Mendes, com o gesto estudado, a levantar a “europa frouxa”. O ambiente litúrgico que envolve o freguês, na lota e na televisão, levou anos a construir. O freguês de ambas interiorizou-o, é disto que ele gosta.

A NATO é uma instituição grave, discreta, que se move na sombra. A morte não quer publicidade. O crime é sagrado, o terror cuidado. A NATO é uma força militar de ocupação da Europa, sob o comando dos Estados Unidos. Criada em 1949, a Europa lambia as suas feridas da II Guerra Mundial. A União Soviética tinha acabado de quebrar os dentes ao nazismo. Por todo o mundo civilizado uma profundo suspiro de alívio, uma admiração e um respeito sem limites pelos sovietes.

A União Soviética derrotou o nazismo mas não o eliminou. As entranhas onde foi gerado e criado, as forças que o sustentaram continuam vivas. Na Europa foram debilitadas mas nos Estados Unidos estavam intactas. Para o capitalismo americano a guerra fora um bom negócio. O colonialismo americano aperfeiçoou-se e expandiu-se. O racismo levou uns retoques de marketing. O militarismo dilatou-se.

A NATO veio ajudar as elites europeias desmoralizadas a ganhar pé. Os cacos espalhados pela guerra foram apanhados e colados. O capitalismo americano tomou conta do capitalismo europeu. Tomou conta das suas colónias, adaptou e puxou lustro ao seu racismo. Sob o manto da NATO o militarismo alemão foi europeizado. Bases militares instaladas, armas nucleares camufladas, apontadas para Leste. O anticomunismo foi aprumado, restaurado, modernizado. Com amplas e profundas campanhas de marketing e publicidade, sustentadas e apoiadas pela comunicação social e por Hollywood, os povos europeus aprenderam as novas verdades: Os Estados Unidos é que tinham derrotado os nazis e o comunismo libertador era uma ameaça para o mundo.

Não se pode dizer que Marques Mendes mente. Marques Mendes é um traficante das grandes “verdades” americanas. As suas técnicas de venda das verdades construidas nos laboratórios de marketing da NATO são rebuscadas. Como qualquer traficante de produtos tóxicos nem sequer tem de se interessar pelas qualidades do produto, ele quer é vender, esse é o seu negócio. E a cartilha do marketing é a mesma para toda a fauna que pulula nos estúdios.

Marques Mendes recebe as latas de pomada tóxica dos armazéns da NATO, a televisão monta-lhe o palanque, ele divulga o produto rançoso. Nas feiras o arengueiro está em cima de uma grade de cerveja e propala aos quatro ventos. O Marques Mendes tem a televisão do amigo, a bem-querença do Presidente, a cobertura do PSD e do PS e todos os seus satélites, a anuência decorativa das moderadoras, a ausência forçada das moscas.

A esquerda, falo da esquerda, que resiste e insiste na qualidade do seu produto, não pode nem deve usar estes estratagemas sórdidos próprios da candonga. A democracia da esquerda, falo da esquerda, não pactua com nazis, militaristas, colonialistas, racistas. A esquerda quer conhecer o produto que vende ao seu povo. A esquerda abre a embalagem, perde muitas horas a analisar e a explicar o produto. Em nome da verdade.


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.