(Carlos Esperança, in Facebook, 01/08/2025)

Trump é o exemplar perfeito do que um governante não deve ser, mas pode. E é o mais poderoso PR do país mais forte, violento e dominador do mundo!
Não havendo em países democráticos tamanha concentração de poderes num só homem, e excedendo este os poderes legais que detém, só a resposta adequada dos países vítimas e a solidariedade entre si, podem evitar a catástrofe em que precipita o mundo.
Urge reconhecer que os EUA não são já uma democracia, e que, ao contrário de outros regimes autocráticos e de tenebrosas ditaduras teocráticas, tem o mais desequilibrado e megalómano dos líderes. Neste momento, é o mais danoso e assustador de todos.
A UE, com população, PIB e desenvolvimento aproximados aos dos EUA, devia ser o travão aos intoleráveis desmandos de Trump, mas o que sucede é a enorme covardia dos atuais líderes da mais auspiciosa integração de nações de todos os tempos – a UE.
A solidariedade com o Brasil e o Canadá devia ser uma exigência ética e um passo para a sua própria sobrevivência. O Canadá é vítima do aumento das tarifas pelo duplo crime de ter votado no Governo que Trump quis impedir e que aceitou reconhecer a Palestina como Estado. E a UE que capitulou nas suas tarifas assimétricas calar-se-á agora.
Acontece o mesmo com o Brasil, submetido à mais dura prova contra o ataque à sua democracia, tarifas brutais para os seus produtos porque não impede os seus Tribunais de julgar o autor de uma tentativa de golpe fascista, o seu amigo Bolsonaro.
O Acordo de Associação entre o Mercosul, de que o Brasil é o país mais importante, e a UE continua por entrar em vigor enquanto a UE vê fugir a China e ostraciza a Rússia na prossecução de uma política externa de que Trump se afastou.
E quanto a princípios éticos estamos conversados. A UE, tão assertiva na defesa das fronteiras da Ucrânia, parecendo às vezes que é Zelensky o presidente da CE, é tão timorata a defender as fronteiras da Síria ou a opor-se ao expansionismo da Turquia e de Israel e a repudiar as ameaças dos EUA à Gronelândia!
Quanto a Portugal não vale a pena falar. Se a política externa da UE é pusilânime, a de Portugal é um nojo. Nas condições para reconhecer o Estado da Palestina, as exigências são todas sobre a Palestina e nenhumas sobre Israel. Segue os países mais covardes da UE. Só o PR, agora paquete de Montenegro, consegue designar como prudência a abjeção.
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