O alargamento da NATO: o que foi dito a Gorbachev – Parte IV e última

(Tradução de Fernando Oliveira, in A Tertúlia Orwelliana, 23/10/2025) 

Helmut Kohl (à esquerda) e Mikhail Gorbachev (à direita), em 1990

Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

Documento 23

Registo da conversa entre Mikhail Gorbachev e Helmut Kohl, Moscovo (excertos).

15 de Julho de 1990

Fonte

Mikhail Gorbachev i germanskii vopros, editado por Alexander Galkin e Anatoly Chernyaev, (Moscow: Ves Mir, 2006), pp. 495-504

Esta conversa fundamental entre o Chanceler Kohl e o Presidente Gorbachev estabelece os parâmetros finais para a reunificação alemã. Kohl fala repetidamente da nova era de relações entre uma Alemanha reunificada e a União Soviética, e da forma como esta relação contribuiria para a estabilidade e segurança europeias. Gorbachev exige garantias sobre o não alargamento da OTAN[/NATO]:

«Temos de falar sobre a não proliferação de estruturas militares da OTAN para o território da RDA e sobre a manutenção de tropas soviéticas nesse território durante um certo período de transição».

Ler artigo completo aqui.

Uma pedra com olhos

(Tiago Franco, in Facebook, 21/10/2025, Revisão da Estátua)

Coronel José Carmo: “Não há fome generalizada em Gaza, vimo-los todos gordinhos, bem-dispostos e cheios de energia. Até em Portugal há problemas de fome”

(Eu se não tivesse visto não acreditaria que alguém, no seu perfeito juízo, pudesse dizer tanta alarvidade. Mas foi dito como podem ver nos 2 vídeos que abaixo deixo.

Estátua de Sal, 23/10/25)


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

Eu sei que vivemos tempos em que apenas analistas mais conotados com a direita ou extrema-direita sobram nos canais de televisão. Tanto no público como nos privados.

Mas temos que chegar a este ponto? A CNN não fica contente com o João Marques, o Relvas, o Frazão e a Helena Gouveia? É mesmo necessário vermos uma pessoa, com um aparente desequilíbrio, a negar aquilo que nem Israel nega?

Não há um gajo, lá dentro na regie, que sinta vergonha de cada vez que este Zé abre a boca e perceba que, discursos destes, deixam a CNN com a credibilidade dos programas de mexericos que a Cinha Jardim e mais uns desocupados fazem antes do almoço?

Percebo que a politica de cancelamento só se aplica a pessoas de esquerda, em especial se souberem o que estão a dizer. Mas mesmo para fazer papel de alucinado e de simpatizante de genocídio, não arranjam um coronel qualquer que valide o assassinato de crianças, recorrendo a argumentação mais elaborada?

É que este Zé, que começa cada frase com “o Hamas”, nem para fazer de odioso serve. Sabe pouco, é movido unicamente por extremismo e nem isso consegue justificar com alguma inteligência. É um embaraço e uma vergonha alheia, de cada vez que este pobre desgraçado abre a boca.

Por este andar, não tarda, a Helena “direito à defesa” Gouveia e o Rodrigo “mas quantos morreram?” de Deus, passam a figurar na galeria dos moderados.


“Não há fome generalizada em Gaza, vimo-los todos gordinhos, bem-dispostos e cheios de energia. Até em Portugal há problemas de fome”

Ou podem ver a intervenção completa do cavalheiro, em debate com o Tiago André Lopes, na CNN, aqui

Bruno Carvalho na lista da morte da Ucrânia

(Bruno Amaral de Carvalho, in Facebook, 21/10/2025)

Através da página Myrotvorets, a Ucrânia acusa-me de “tentativa de subverter a soberania e a integridade territorial da Ucrânia”, “violação deliberada da fronteira estatal da Ucrânia com o objetivo de infiltrar o território ucraniano” e “apoio à agressão russa e ao assassinato de cidadãos ucranianos”. Nesse sentido, considera que violei os artigos 110.º e 332-1.º do Código Penal da Ucrânia e divulga o meu nome com informações pessoais, como “inimigo da Ucrânia”, incluindo dados do meu passaporte. Naturalmente, isso põe não só em perigo o meu trabalho enquanto jornalista como deixa em evidência, uma vez mais, que as autoridades ucranianas não têm pudor em perseguir, prender ou matar jornalistas.

Importa recordar o que é o site Myrotvorets e como surgiu. Em Maio de 2014, morreu o primeiro jornalista na guerra civil que se começava a desenrolar na Ucrânia. Então com 30 anos, Andrea Rocchelli foi morto com o seu fixer, Andrei Mironov, pelas forças ucranianas em Sukhanivka, perto de Slaviansk, no Donbass. O nome do repórter fotográfico italiano apareceu então numa estranha página que emergia na internet pelas mãos dos ucranianos George Tuka e Anton Herashchenko, mais tarde conselheiro do Ministério da Administração Interna.

Com a autorização do ministro Arsen Avakov, a página Myrotvorets passou a listar de forma macabra os “inimigos da Ucrânia” e de cada vez que eram encontrados mortos a fotografia dos assassinados aparecia no site com a palavra “eliminado”. É dessa forma que está, ainda hoje, a fotografia de Andrea Rocchelli. O mesmo aconteceu no ano seguinte com o jornalista Oles Buzina e o deputado Oleh Kalashnikov mortos com um dia de diferença, em Kiev, na Ucrânia.

Arsen Avakov, um dos líderes do golpe de Estado que derrubou o presidente Viktor Yanukovych em 2014, tornou-se ministro da Administração Interna e anunciou que pela primeira vez este ministério passaria a contar com extremistas neonazis do Sector Direito. Durante os mais de sete anos que durou a sua experiência no governo ucraniano, a página Myrotvorets tornou-se numa verdadeira lista negra, quando não uma lista de morte, usada pelos serviços secretos ucranianos e outras forças militares ou paramilitares para dar caça aos seus integrantes.

Apesar de não aparecer com estatuto oficial, uma reportagem do The Times, em Janeiro de 2022, mostrava que a página é consultada com regularidade nos checkpoints e fronteiras ucranianas. Até esse momento, de acordo com George Tuka, na mesma peça jornalística, já tinham sido presas cerca de mil pessoas graças ao Myrotvorets.

No ano anterior, em 2021, sobre a aplicação do acordo de associação da União Europeia com a Ucrânia, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução que, no seu ponto 73, lamentava “o agravamento do clima político no país, com o recurso generalizado à intimidação, ao discurso de ódio e à pressão política para fins políticos” e instava as autoridades ucranianas a condenarem “firmemente” e a proibirem “as atividades de grupos e sítios web extremistas que incitam ao ódio, como o Myrotvorets, que fomentam tensões na sociedade e utilizam indevidamente os dados pessoais de centenas de pessoas, incluindo jornalistas, políticos e membros de grupos minoritários”.

Em 2018, no mesmo ano em que entrei pela primeira vez no Donbass, a Alemanha exigia à Ucrânia que tirasse do ar o Myrotvorets, depois de o ex-chanceler alemão Gerhard Schroeder ter aparecido na lista. Então, o Ministério alemão dos Negócios Estrangeiros disse que “condenava veementemente a lista”, denunciando o ministro ucraniano Arsen Avakov de ter ligações aos administradores do site.

A verdade é que o Myrotvorets, onde estão também alguns portugueses, continua online com o amparo das autoridades ucranianas, pondo alvos em milhares e milhares de pessoas, muitos deles jornalistas, sem que a União Europeia e os restantes países que financiam a Ucrânia se tenham alguma vez preocupado em obrigar Kiev a tirar esta página do ar. Longe vai a resolução aprovada em 2021. Para Bruxelas, a palavra democracia é um conceito tão vazio como os valores europeus que apenas servem em função dos interesses de cada momento.

Se mais de duas centenas de jornalistas assassinados por Israel importam pouco ou nada, por que havia de importar uma lista negra montada pela extrema-direita ucraniana com o apoio de sucessivos governos de Kiev? A estratégia como sempre é uma: silenciar quem ousa mostrar o que há nos subterrâneos da mentira.

Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.