A quinta coluna

(In Blog O Jumento, 11/07/2017)
vergonha
O centro direita não se sente muito motivado em apoiar Passos Coelho e as suas ideias, resta o cavaquismo vingativo e a direita mais conservadoras. Ainda que alguns acontecimentos recentes devam ser politicamente entendidos como meras coincidências, não deixam de ser coincidências levadas da breca. É o caso de algumas movimentações judiciais e da ridícula manifestação de oficiais na reserva.
Apareceu na TV um tal tenente coronel Tinoco, figura que pela linguagem me traz à memória um outro tenente coronel, o  tenente-coronel Antonio Tejero Molina que ficou célebre por ter comandado o assalto ás Cortes de Madrid na tentativa de golpe de Estado conhecida por 23F. Ficámos a saber que a grandiosa manifestação em defesa da Nação contra os políticos contava com três manifestantes. É uma pena que a manifestação tenha sido desconvocada e em vez da farda de gala e depositar a espada, deviam ir de pijama e depositar a faca e o garfo, já que são esses os seu fardamento e armas atuais.
Se o golpe da direita militar caiu no ridículo com o Tinoco a explicar a tese da borboleta e o corajoso general demissionário a escrever um soneto para o Zé do Pipo cantar, resta ver até que ponto a justiça vai conseguir interferir na vida política, ainda que não nos passe pela cabeça que o MP tenha a intenção de mandar o princípio da separação de poderes para as urtigas. Tudo isto merece uma gargalhada, meia dúzia de caniches teriam guardado melhor o paiol de Tancos do que estes garbosos guerreiros, pelo menos teriam feito muito barulho, coisa que estes senhores só fazem depois da casa roubada.
Quando o país começou a questionar a omissão de informação importante por parte do MP no caso do assalto a Tancos, eis que o mundo da justiça lança outro incêndio apetitoso na comunicação social, o grande caso de combate à corrupção conhecido por Galpgate. Parece que a troco de nada muitos portugueses foram a Paris ver um jogo de bola a convite da empresa patrocinadora da seleção nacional, algo que, como se sabe, nunca aconteceu em Portugal.
O curioso disto é que até pessoas que não foram a Paris foram chamadas a depor. Não se percebe muito bem a que título o presidente da autarquia de Lisboa foi chamado, supostamente o MP tem a lista e não vai chamar todos os autarcas a depor. Porque motivo o MP não chamou o autarca de Freixo de Espada à Cinta ou o da minha terra, que passa avida a ir a Cuba? Imagino como seria bom para a direita se Medina desistisse da candidatura e fosse constituído arguido, enfim, temos pena.
Mas a cereja em cima do bolo destas coincidências entre política e manobras judiciais vai ser algo que já foi notícia, os investigadores do Caso Marquês prometem a acusação para a Agosto, isto é, a tempo das eleições autárquicas. Enfim, a investigação do Caso Marquês começa e acaba sincronizada com atos eleitorais. Não sei se a Procuradora Geral acredita em bruxas como eu, se assim for devia jogar no Euromilhões.

Palermas

(In Blog O Jumento, 10/07/2017)
europeu
(A direita passou ao ataque puro e duro já que concluiu que o diabo não vai aparecer. e faz tudo para colocar areia na engrenagem da Geringonça. Agora é a célula da Justiça no ataque ao Governo. É tudo estranho neste caso. Os deputados do PSD, Luís Montenegro, Hugo Soares e Luís Campos Ferreira também foram ao Europeu ver a bola a convite da Olivedesportos (Ver aqui), mas a esses a Justiça nada tem a dizer. 
Estátua de Sal, 10/07/2017)

Não sei se é por causa da nossa vocação marítima mas o certo é que há por estas bandas muita gente a embarcar em viagens oficiais, oficiosas e coisas do género. Quer no sector privado, quer no Estado multiplicam-se as oportunidade ade promover o turismo institucional, assinaturas, seminários, conferências tratados, negociações multilaterais, negociações multilaterais, feiras, exposições, cursos, intercâmbios, conselhos, comissões, geminações, campeonatos, finais, Dia de Camões, não faltam oportunidades.
Os presidentes correm o mundo em aviões a abarrotar de empresários, assessores, fotógrafo pessoal, mordomo, esposa, parentes e conhecidos. Os autarcas inventam geminações com cidades exóticas para passarem a vida no laréu a comemorar o dia do país, o dia nacional e tudo mais, quando não arranjam negócios ou operações às cataratas para andarem num vaivém aéreo que nalguns casos até dá para constituir família.
No Estado são trinta cães a um osso, a disputar reuniões, seminários e mais um sem número de oportunidades de fazer turismo institucional. Há também os que visitam grandes cidades americanas com o argumento de visitarem as sedes das empresas informáticas que nos vendem o software ou os polícias que vão a Londres ou a outras paragens na esperança de encontrarem a tal prova que falta e que ninguém encontra. Tudo serve para andar de cu tremido.
Encontros sindicais patrocinados pelos Espírito Santo com dondocas a passear por conta da generosidade do banqueiro, expedições ao Saará financiadas por grandes empresas que nunca se esquecem de convidar o autarca, chefes que vão a reuniões e levam a amante para uma lua de mel por conta do erário, tudo vale para viajar por conta.
O que eu não entendo é o que leva governantes a viajarem para verem um jogo da bola em Paris, algo que se vê mais confortavelmente no sofá. Se o secretário de Estado fizesse um périplo pelas praias exóticas de todo o mundo, acompanhado de vasta comitiva, para assinar acordos de dupla tributação que, em regra, são assinados pelos representantes diplomáticos, ainda compreenderia. Mas ir ver um par de chutos?
Ainda por cima sabendo que a associação sindical dos juízes no passado tentou derrubar um governo vasculhando nas compras com o Visa oficial e que os nossos magistrados não perdem a oportunidade de prender alguém do PS?
Para tramar um governante não é necessário condená-lo, basta o MP contituí-lo arguido e para isso basta uma suspeita e pouco mais, nada que não se arranje com uma carta anónima bem forjada. Com a perseguição que os magistrados fazem aos governos de esquerda, a quem faz parte deles não basta ser honesto e parecê-lo, quase é preciso um comportamento de frade da Cartuxa, para não dar a mais pequena oportunidade à direita.
Ao aceitar um convite, ainda que esse convite possa ter sido dirigido a dezenas de personalidades da vida política ou do sector privado, mesmo sabendo que se tratava do patrocinador da selecção nacional, os governantes foram uns palermas e acabam por cair como uns patinhos.

 


Fonte aqui

Semanada

(In Blog O Jumento, 09/07/2017)
greve_juizes
Há muito tempo em silêncio a direita militar esteve há beira de vir para a rua, isto é, aqueles que no passado sanearam a esquerda militar com o argumento das manifestações esperaram pela aposentação e pela consolidação da democracia para se armarem em MRPP. Entretanto, alguns generais decidiram aproveitar-se do roubo de Tancos para extravasarem sentimentos antigos. Maus dias para a tropa, primeiro ficámos a saber que os arsenais de material militar são mais fáceis de roubar do que uma caixa de Multibanco, agora assistimos a um míni PREC da direita militar, a tal que era a defensora dos bons valores.
Marcelo parece estar à beira de mudar o Palácio de Belém para Pedrógão, se não vai à missa das oito vai ao concerto da noite, tudo o que por lá se passa conta com a presença do Presidente, está prometida a passagem do Natal e até lá é de esperar que seja o padrinho de todas as crianças que sejam batizadas. Talvez Marcelo não se aperceba, mas Pedrógão não é o único problema do país, vale pela dimensão, o somatório de todas as pequenas desgraças do país resulta num incêndio bem maior do que o que ocorreu naquela localidade.
Passos Coelho chamou cata-vento a Marcelo e este chegou a Presidente, talvez isso explique as cambalhotas que tem dado. Parece que Passos aderiu ao efeito cata-vento convencido de que da mesma forma que Marcelo ganhou as presidenciais ele poderá ganhar as legislativas. Um bom exemplo desta política do cata-vento é a relação com os sucessos na economia, num dia o governo destruiu o Estado com as suas políticas, no outro todos os sucessos se devem ao que fez o seu governo.
Outra espécie de cata-vento é a Catarina Martins, ora parece uma grande defensora da Geringonça, ora aparece como a líder da oposição. Foi divertido ver a deputada Mortágua protestar contra as cativações como se tivesse sido ela a descobrir o grande crime económico de Mário Centeno. O problema é que a Assunção cristas anda há meses a desvalorizar os sucessos do governo na política orçamental, pelo que a Dra. Mortágua escusa de colocar aquele ar de grande economista que acabou de descobrir uma grande coisa.

Os juízes não quiseram ficar atrás da direita militar e também querem fazer política, parece que querem mudar o estatuto. Certamente não querem deixar de receber os 500 euros limpos de impostos a título de subsídio de residência, um subsídio único na sociedade portuguesa, é pago até á morte, é pago aos dois membros do casal se forem ambos juízes e é pago mesmo que tenham casa própria em frente ao tribunal onde trabalhem. Mas já começa a ser um hábito que este órgão de soberania não eleito faça espetáculo quando a direita não está no poder.