Semanada

(In Blog O Jumento, 09/07/2017)
greve_juizes
Há muito tempo em silêncio a direita militar esteve há beira de vir para a rua, isto é, aqueles que no passado sanearam a esquerda militar com o argumento das manifestações esperaram pela aposentação e pela consolidação da democracia para se armarem em MRPP. Entretanto, alguns generais decidiram aproveitar-se do roubo de Tancos para extravasarem sentimentos antigos. Maus dias para a tropa, primeiro ficámos a saber que os arsenais de material militar são mais fáceis de roubar do que uma caixa de Multibanco, agora assistimos a um míni PREC da direita militar, a tal que era a defensora dos bons valores.
Marcelo parece estar à beira de mudar o Palácio de Belém para Pedrógão, se não vai à missa das oito vai ao concerto da noite, tudo o que por lá se passa conta com a presença do Presidente, está prometida a passagem do Natal e até lá é de esperar que seja o padrinho de todas as crianças que sejam batizadas. Talvez Marcelo não se aperceba, mas Pedrógão não é o único problema do país, vale pela dimensão, o somatório de todas as pequenas desgraças do país resulta num incêndio bem maior do que o que ocorreu naquela localidade.
Passos Coelho chamou cata-vento a Marcelo e este chegou a Presidente, talvez isso explique as cambalhotas que tem dado. Parece que Passos aderiu ao efeito cata-vento convencido de que da mesma forma que Marcelo ganhou as presidenciais ele poderá ganhar as legislativas. Um bom exemplo desta política do cata-vento é a relação com os sucessos na economia, num dia o governo destruiu o Estado com as suas políticas, no outro todos os sucessos se devem ao que fez o seu governo.
Outra espécie de cata-vento é a Catarina Martins, ora parece uma grande defensora da Geringonça, ora aparece como a líder da oposição. Foi divertido ver a deputada Mortágua protestar contra as cativações como se tivesse sido ela a descobrir o grande crime económico de Mário Centeno. O problema é que a Assunção cristas anda há meses a desvalorizar os sucessos do governo na política orçamental, pelo que a Dra. Mortágua escusa de colocar aquele ar de grande economista que acabou de descobrir uma grande coisa.

Os juízes não quiseram ficar atrás da direita militar e também querem fazer política, parece que querem mudar o estatuto. Certamente não querem deixar de receber os 500 euros limpos de impostos a título de subsídio de residência, um subsídio único na sociedade portuguesa, é pago até á morte, é pago aos dois membros do casal se forem ambos juízes e é pago mesmo que tenham casa própria em frente ao tribunal onde trabalhem. Mas já começa a ser um hábito que este órgão de soberania não eleito faça espetáculo quando a direita não está no poder.
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6 pensamentos sobre “Semanada

  1. Da Arte da Tropa: a receber demasiada atenção pelo sucedido com um pequeno buraco na rede delimitadora do terreno do complexo paióis, pese a gravidade do descoberto, graças a isso?; quando urge ir ao nó górdio, organização e meios; não há mais meios, confira-se a organização, organização e produto*; a reforma Defesa 2020 (Great) do anterior governo, sem qq reparo das oposições PS & Cia, logo perfeita, deu um bom impulso a isto, com um deserto militar em Tancos.
    Da Arte de julgar ou não julgar: com estatuto e grelha salarial libertados da comum administração pública ao tempo Cavaco Silva-Fernando Nogueira, ‘pneauts’ terá dito SExa ao ministro, chegam cedo à condição de ‘generais’; perfeito durante uns tempos; vemos mais tarde como chegados cedo ao topo salarial, vamos depois estar sujeitos a décadas de quase nula evolução-confissão recente de uma Sra Juíza ao embarcar para um órgão da UE.
    * General Aleixo Corbal, chefe da Força Aérea e previsivel novo chefe do EM general das FA, perto do ministro, mesmo edifício do MDN, preterido pelo poder político de então: porquê, porque terá sido?
    «As FA recebem demasiado dinheiro para as garantias que dão aos contribuintes»-CEMFA, general Corbal (Mar97)
    Pois.

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  2. Meu caro Jumento,
    Gostei, como sempre, desta palhada: bem condimentada com a sêmea do mais puro trigo.
    E tanto a palha como a fava (felizmente há domingo, as favitas ainda não faltam e o dono sabe reconhecer o mérito de quem para ele trabalha árdua e devotadamente), remolharam qb que, só lhe conto: está uma delícia, quase a raiar o divino. Cada vez mais penhorado me sinto… mais uma vez a minha gratidão à Estatuadesal por trazer aqui.
    Só que, meu caro, nem todos os “democratas da treta”, melhor designados pelos conhecidos pafistas pafiosos salazarentos, a que o meu caro Jumento, sem vinagre na tinta, escreve como «… quando “a direita” não está no poder.» [as comas (“) são minhas, porque, para mim, há direita e há direita, admitindo eu que, para o caro Jumento, também assim seja, na convicção de que nem toda a direita lusa está fora do governo, ou seja, o actual governo não é de esquerda. Quando muito, e para os de boa vontade, é uma miscelânea de esquerda possível, e, do mal, o menos, pois, como diria o meu amigo Estatuadesal, se conseguiram indignar o Povo que fez ABRIL, durante os 40 anos com as governanças dos “do arco”, agora, esta indignação gerigonçada, sempre é mais suportável. E aqui entra a Dra. Mariatita, que eu quase vi nascer, e de quem gosto muito: não é do partido dito socialista, porque não é social-democrata, admito; mas não saberá bem se se pode, ou deve, considerar que é “socialista em liberdade”, porque esta pomposa, quanto ardilosa e hienizada, designação, tem autoria própria, e até bastantes seguidoras lá na corporação burguesa de fachada socialista, agora já em pré-falência técnica, mas ainda longe das derrocadas eleitorais das suas congéneres europeias, antes pelo contrário, pois o Zépovinho LUSO, que eu adoro, continua a ir na onda dos aburguesados slogans que cada vez mais, como sempre, poluem a pomposa “esfera pública” que tanto jeito tem dado ao germânico Jürgen Habermas a vender livros e a receber de conferências, portanto, mais um “operário do pensamento filosófico burguês contemporâneo”, que também se reclama de esquerda democrática, pertence à “Escola de Frankfurt”, escola que se propõe desenvolver uma “teoria crítica da sociedade”, fundamentalmente integrando a reflexão filosófica com a sociologia, onde, por exemplo, pode caber gente como um tal Barreto que foi o verdugo, em nome do “socialismo em liberdade”, que exerceu a liberdade de decepar gloriosa Reforma Agrária que Abril pariu, e com que dores, ou um tal Fernando Henrique Cardoso, brasileiro de gema, agora, ao que parece, de novo a tentar “meter o pé no estribo” para saltar para o poder e meter a mão no pote brasuca.
    Assim, a Dra. Marianita, com todas estas incongruências – e, cuidado, a Dra. sabe de números, de economia e de finanças – alistou-se numa agremiação a que estão ligados nomes como Francisco Louçã, o saudoso Miguel Portas, Luís Fazenda – em quem, eu, a par de um Francisco Assis, de um Pacheco Pereira, de um Manuel Monteiro, aqui há uns 25 anos atrás, pressagiava como dos lusos políticos mais notáveis, e que de todos se destacariam no início do séc XXI; e das mulheres, augurava igual ascenso para uma tal Zita Seabra, uma Leonor Beleza e uma Helena Roseta; ingenuidade (ou pouca inteligência como diria o aqui comentador senhor josé neves) minha, e é por estas e por outras que, com esta idade, ainda tenho que trabalhar para viver com um mínimo de dignidade!… –, o chamado Bloco de Esquerda, que se tem revelado como uma miscelânea bem maior do que a sediado no Largo do Rato (prefiro antes uma boa salada russa, mas eu sou eu), ao ponto de, em uma visita de Estado, esta agremiação se ter recusado a enviar um deputado seu na comitiva que o luso PR entendeu fazer a Cuba, com o argumento de que o BE é contra todas as ditaduras, ou não apoia nenhuma – dizem as más línguas que a Catarina não se iria sentir bem no meio de gente como o Montenegro ou o Hélder, por lhes cheirarem a pafistas pafiosos salazarentos, por isso, vá lá a gente entender esta gente; outros dizem que, ainda se fosse às Seychelles andar de tartaruga para incentivar as relações económicas e sociais com Portugal, a Senhora tinha ido. Coisas….que se dizem.
    Mas, meu caro Jumento, tudo isto porquê?
    Li em tempos que:
    «A guerra tem que ser travada em todas as frentes e, visto que a sociedade contemporânea está politicamente organizada, é preciso formar um partido político a partir daqueles elementos que, de acordo com as leis da evolução histórica, estão destinados a emergir como classe vencedora. Tem de lhes ser ensinado sem descanso que aquilo que parece seguro na sociedade presente está, na realidade, condenado a uma rápida extinção, um facto em que os homens podem achar difícil acreditar por causa da IMENSA FACHADA PROTECTORA DAS PRESUNÇÕES E CRENÇAS MORAIS, RELIGIOSAS, POLÍTICAS E ECONÓMICAS que a classe moribunda inconscientemente cria, cegando-se a si própria e cegando os outros para o seu iminente destino. REQUER-SE TANTO CORAGEM INTELECTUAL COMO AGUDEZA DE VISÃO PARA PENETRAR ESSA CORTINA DE FUMO E PERCEBER A REAL ESTRUTURA DOS ACONTECIMENTOS. O espectáculo do caos e a iminência da crise em que está destinada a acabar, convencerão, por si sós, UM OBSERVADOR INTERESSADO E CLARIVIDENTE – pois ninguém, que não esteja virtualmente morto ou a morrer, pode ser um observador desinteressado da sorte de uma sociedade com a qual está interlaçada a sua própria vida – DO QUE TEM DE SER E FAZER PARA SOBREVIVER.» (as maiúsculas são da minha responsabilidade).
    Não sou fatalista, por princípio, mas retirei desta tese que não será uma escala de valores subjectiva, revelada diferentemente a diferentes homens, determinada por uma visão interior, que conduzirá aos necessários, essenciais e até determinantes, comportamentos racionais. Será antes através do conhecimento dos próprios factos.
    Em mais este seu admirável texto, o prezado Jumento consegue, igualmente, sintetizar alguns raciocínios sequenciais de factos políticos que seleccionou para mais esta “Semanada”. E trouxe à lide: militares (direitistas), o MRPP, sentimentos antigos de generais, mini PREC e comparou os difíceis assaltos a caixas de multibanco com as facilidades em roubar os arsenais militares à guarda e da responsabilidade desta tropa que temos, curiosamente tendo como Chefe Supremo o mesmo Marcelo que anda a semear afectos em Pedrógão, hoje, como ontem e até pró Natal a mais de 5 meses de distância; depois, utilizando a lógica mais elementar de Aristóteles, conclui que o aldrabão do vidente de Massamá, esse cretino que, elegantemente, o caro Jumento trata pelos apelidos mais conhecidos (pudesse eu oferecer-lhe algum vinagre para misturar na tinta com que escreve…), como cata-vento que é, pensa que pode ganhar as legislativas, e dá exemplos concretos da cata-ventice do dito cujo, referindo os resultados da GERINGONÇA; depois, ainda na sua senda “catadora” traz à lide a Chefe do BE e uma subordinada desta que descobre os crimes do Prof. Centeno, tal cristas esganiçada, para, finalmente, rematar com o um órgão de soberania (qual??) luso, referindo, ironicamente, os 500 euritos que o Zé lhes paga como uma das alcavalas líquidas, que, não sendo muito, para tão Meritíssimas criaturas (com a devida vénia), é quase o SMN em vigor (faltam 57 euros, mas como os Zés têm que descontar 11% para a TSU, recebem líquidos 475,73€), para referir que as ditas cujas criaturas também querem fazer política, consubstanciada no facto de, como a CR não proíbe, a corporação ameaça entrar em greve, e até escolhe o melhor momento – boicotando a publicação dos resultados eleitorais de um acto democrático. Enfim, dir-se-ia: “Isto é que vai uma crise”, “este país é um colosso, está tudo grosso, está tudo grosso” e mais umas quantas que se podem ver e ouvir aqui: https://www.youtube.com/watch?v=s77l25CIJkY
    Então meu caro Jumento, não estaremos naquela fase da “IMENSA FACHADA PROTECTORA DAS PRESUNÇÕES E CRENÇAS MORAIS, RELIGIOSAS, POLÍTICAS E ECONÓMICAS”, que atrás citei?
    E a receita defendida pelo autor: “REQUER-SE TANTO CORAGEM INTELECTUAL COMO AGUDEZA DE VISÃO PARA PENETRAR ESSA CORTINA DE FUMO E PERCEBER A REAL ESTRUTURA DOS ACONTECIMENTOS.”, não será pertinente?
    Voltando à qualidade da palhada desta semanada, e depois do que escrevi antes, interrogo-me em que situação nos encontramos actualmente, se:
    – uma sociedade é julgada progressista, e, em consequência, digna de apoio, se as suas instituições são capazes de garantir o futuro desenvolvimento das suas forças produtivas sem subversão de toda a sua base. E,
    – uma sociedade é tida por reaccionária quando se dirige inevitavelmente a um beco sem saída, incapaz de evitar o caos interno e a derrocada final a despeito dos mais desesperados esforços para sobreviver, quando tais esforços criam, eles próprios, uma fé irracional na sua estabilidade, em última instância, afinal, o anestésico de que se servem, necessariamente, todas as ordens que estão na fase moribunda, numa tentativa desesperada para ocultar a si próprias os sintomas do seu verdadeiro estado???
    Aprendi com o Karl que, aconteça o que acontecer, o que a História condenou será inevitavelmente varrido: dizer que uma coisa tem de ser salva, mesmo quando isso não é possível, é negar o plano racional do universo.
    Mas, então, será que a estas lusas elites intelectuais e intelectualóides que “andam por aí”, estão habituadas aos mimos fornecidos por esta tão saborosa palhada?
    Eu acredito que muitos nem sabem, porque não habituados, digerir comida deste nível – estou a lembrar-me dum tal relvas, do pide de Boliqueime, da assunção que chamou carrascos/algozes aos trabalhadores que manifestavam a sua justificada indignação dos pela aprovação de leis iníquas que aumentaram para 40 horas o horário de trabalho e apontaram o despedimento como perspectiva de futuro.
    Mas em 1796, Gracchus Babeuf, que o meu saudoso Karl viria a considerar o primeiro comunista activista (admito que, por ser contra as religiões, Marx se teria esquecido do Jesus de Nazaré), pagaria com a própria vida, o ter proclamado, em alto e bom som (não havia as redes sociais, como hoje, infelizmente, direi eu):
    «Chegou a hora das grandes decisões. O mal encontra-se no seu ponto culminante, está a cobrir toda a face da terra. O caos, sob o nome de política, há já demasiados séculos que reina sobre ela. Que tudo volte, pois, a entrar na ordem exacta e que cada coisa torne a ocupar o seu posto. Ao grito de igualdade, os elementos da justiça e da felicidade estão a organizar-se. Chegou o momento de fundar a República dos Iguais, este grande refúgio aberto a todos os homens».
    Mas não foi apenas o saudoso Babeuf que pagou com a vida estes seus desabafos de proclamar a “comunidade dos bens e do trabalho”. Porque o capitalismo continuou na senda do que, 200 anos antes de Babeuf, já tinha iniciado: invasões, ocupações, roubos, escravatura, matanças, dizimar populações indígenas inteiras, duas guerras mundiais, enfim, …dejectos, como lhe chama o despreocupado e inteligente, quanto erudito e bem falante, e aqui comentador na Estatuadesal, o ilustre Senhor José Neves.
    Mais semanadas, caro Jumento, mas não só.
    Um abraço, do
    aci

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