APJD denuncia vice-presidente da Cruz Vermelha por apologia a armas nucleares

(In AbrilAbril, 23/07/2026)


(Este sevandija, Marco Serronha, tem um nome em consonância com aquilo que lhe falta: Serronha rima com vergonha. Ele, lá ser Serronha, ele é. Mas vergonha na cara não tem nenhuma!

Estátua de Sal, 24/07/2026)


A Associação Portuguesa dos Juristas Democratas (APJD) apresentou denúncia formal ao Comité Internacional da Cruz Vermelha contra o tenente-general Marco Serronha por «violação grave» dos princípios do movimento e do direito internacional.


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Em causa estão comentários proferidos por Marco Serronha enquanto comentador militar da CNN Portugal, nos quais o responsável propôs o uso de armas nucleares contra o Irão. De acordo com a denúncia, a que o AbrilAbril teve acesso, Serronha afirmou que «mandar três bombas atómicas no sítio certo e a guerra acaba de um dia para o outro» e que o procedimento deveria ser repetido «a cada cinco anos», tendo ainda qualificado como «positivos para os EUA» os ataques deliberados contra civis iranianos, «porque mostram que o regime não consegue defender os seus cidadãos».

A APJD considera que estas declarações configuram uma violação «flagrante e simultânea» dos princípios fundamentais da Cruz Vermelha, «nomeadamente os princípios da Humanidade, Imparcialidade, Neutralidade e Independência», e constituem uma apologia de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, «incompatível com o exercício de funções numa organização humanitária de referência mundial».

Segundo a associação, a questão já havia sido denunciada à Cruz Vermelha Portuguesa, mas a instituição «nada fez, limitando-se a desvalorizar o comportamento do seu vice-presidente», que tutela a área da Emergência, «optando pelo silêncio institucional». Apesar disso, reconhece, as afirmações foram proferidas na CNN Portugal «sem qualquer distinção entre a sua função de comentador militar e a sua função de dirigente de uma organização humanitária».

Considerando que o «silêncio e a inacção da Cruz Vermelha Portuguesa são inadmissíveis», a APJD entendeu submeter a denúncia ao Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICR, no original), solicitando a abertura de um processo de averiguação sobre o comportamento público do tenente-general Marco Serronha. A associação reclama ainda que o CICR determine a incompatibilidade da manutenção do tenente-general nos quadros da organização e exija à Cruz Vermelha Portuguesa, liderada por António Saraiva, «uma posição pública de demarcação e a adopção de medidas disciplinares».

A APJD recorda que a proposta de uso de armas nucleares «constitui uma apologia de crimes de guerra e crimes contra a humanidade», e viola o artigo 6.º do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional. Admite, ao mesmo tempo, que a «ausência de qualquer ressalva ética ou humanitária» nas declarações de Marco Serronha «demonstra uma desconexão total com a missão da Cruz Vermelha».

Neste sentido, insiste que «a presença de uma figura belicista e sectária na direcção de uma organização humanitária como a Cruz Vermelha compromete a confiança de todas as partes em conflito», salientando que «a inacção institucional não é neutralidade, mas cumplicidade com a violência e o horror».


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Matai-vos uns aos outros…

(Carlos Esperança, in Facebook, 22/07/2026, Revisão da Estátua)

Sabíamos do poder destruidor das epidemias e da facilidade com que se convertem em pandemias, o que não conhecíamos era a facilidade e velocidade com que o belicismo se expandiu e legitimou em cada país e em todos os continentes.

Enquanto o flagelo ganhou adeptos e arrastou multidões, tornaram-se timoratos os que ainda pensavam em resistir, demonizados pela onda de propaganda que acompanhou as justificações.

É de pasmar, ver cidadãos pacíficos empolgados com a necessidade de nos defendermos, sem saberem de quem, e o ar bovino com que ouvem as vuvuzelas da guerra a falar das maravilhas de artefactos militares capazes de dispararem os mísseis mais modernos e de atingirem com eficácia inimigos que facilmente podem passar a amigos ou vice-versa.

Nunca, na minha longa vida, tinha assistido a tanta insensibilidade com a morte dos que caem de um dos lados e ao regozijo pelos que são abatidos no lado contrário com heróis e vilões à escolha de cada um e em cada momento, numa orgia de sangue que percorre o Planeta e ameaça fazer de nós a sua última geração.     

Num dia em que o acordo sobre o nuclear entre os EUA e a Arábia Saudita, entre o líder ensandecido do país militarmente mais poderoso do mundo e o príncipe-herdeiro de uma monarquia que pratica a sharia e onde se preserva a lei de um defunto profeta analfabeto e amoral, qualquer pessoa sensata vê que a corrida ao armamento nuclear, que nenhum país devia possuir, vai provocar uma corrida generalizada a favor da morte.

Será que todos estamos dispostos a trocar benefícios da civilização e da democracia por uma ideia de segurança e pela capacidade de nos matarmos melhor e mais depressa uns aos outros, abdicando da saúde, da segurança social e da paz?

Somos cada vez menos os que passámos por uma guerra, mil vezes menos letal, onde vimos a perversidade que os conflitos armados desenvolvem e a amoralidade de que são capazes primatas com armas na mão.

Quem nunca viu o cadáver de um camarada amigo dentro de uma farda e lhe pegou para ver os olhos a vidrar de uma vida que se extinguiu aos vinte e poucos anos ao serviço da pátria, em pátria alheia, ou os despojos de um amigo que uma bazuca reduziu a pedaços recolhidos com terra e um dedo solitário onde luzia uma aliança, talvez sinta no sofá a febre da guerra e a vontade de aventuras de racionalidade duvidosa e desfecho incerto.

Já não somos pessoas, somos autómatos insensíveis e amorais, guiados ao extermínio por algoritmos.

Mas, se é isso que querem, matem-se uns aos outros sem aprenderem que esta é a vida, única e irrepetível, cujo privilégio nos coube.

Matai-vos uns aos outros…

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A culpa é do computador

(Eduardo Maltez Silva, in Facebook, 22/07/2026, Revisão da Estátua)

Imagem gerada por IA

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Portugal acordou e descobriu que os exames nacionais — que durante décadas sobreviveram só com papel, caneta e bom senso — tinham sido entregues a um computador.

E o computador, esse sacana, decidiu pegar num sistema que funcionava há décadas e transformá-lo numa raspadinha digital.

Páginas desapareceram. Respostas trocaram de dono. Notas foram suspensas. Exames foram corrigidos com parâmetros errados.

Houve alunos que receberam folhas de outros alunos. Alunos que não receberam nota nenhuma. Alunos que receberam uma nota sem saber se era deles, se era verdadeira, ou se estava só de passagem, a caminho de outro boletim.

O computador, ao que parece, teve uma semana difícil. O ministro, coitadinho, só carregou no botão. Carregou, sim, sem ter recebido a avaliação completa do projeto-piloto. Mas isso é um detalhe técnico.

Porque em Portugal, quando um ministro carrega num botão sem saber o que ele faz, a culpa é sempre do botão. Depois de carregado o botão, o computador pôs-se a processar — e alguns alunos ficaram com a classificação “suspensa”. Nem positiva, nem negativa. Uma espécie de nota quântica: o aluno passou e chumbou ao mesmo tempo.

O futuro desse aluno era, em simultâneo, uma carreira em engenharia aeroespacial e um turno ao balcão do McDonald’s. Às nove da manhã tinha média para Medicina. À hora de almoço, para Engenharia. Ao fim da tarde, já andava a pesar seriamente um curso de trolha.

Mas calma, não exageremos: o Governo garantiu — repetidas vezes — que nenhum aluno seria prejudicado.E sempre que um Governo garante repetidamente que ninguém vai ser prejudicado, é porque milhares já estão a sê-lo.

Queres saber se foste um deles? Então são 25 euros. Porque, claro, cabe à família pagar para confirmar se foi o Estado a fazer asneira. É quase um princípio pedagógico: os erros são grátis para quem os comete e pagos por quem os sofre. As famílias com dinheiro contrataram explicadores, professores, advogados. As famílias sem dinheiro receberam um PDF e votos de boa sorte.

É assim que se garante a igualdade em Portugal: toda a gente recebe exatamente o mesmo problema — só que uns têm dinheiro para o resolver e outros não. O jovem pobre é que devia ter tido o cuidado de nascer numa família com mais jeito para contencioso administrativo.

Agora já sabemos: não foi o Governo que criou o caos nos exames, nem as trapalhadas sucessivas no resto da governação.Foi o computador. Sacana do computador.

E esteve bem ativo também na saúde. Foi ele, decerto, que perdeu o pré-aviso da greve do INEM algures dentro do Ministério — o email entrou no sistema e nunca mais ninguém lhe pôs a vista em cima. Porque, como sabemos, antes do computador era fisicamente impossível perguntar “temos alguma greve marcada para esta semana?”

Foi também o computador que fechou urgências de obstetrícia a um ritmo recorde. As grávidas chegavam ao hospital e o sistema informava: sem serviço disponível. Disco cheio. E foi ele que fez disparar as listas de espera para cirurgias oncológicas e cardíacas.

Na habitação, o computador desinstalou o Mais Habitação, removeu os travões às rendas, e instalou o pacote “Senhorio Premium” — versão paga, sem anúncios, com despejo incluído. Decidiu ainda chamar “acessível” a uma casa de 648 mil euros e “moderada” a uma renda de 2.300. As rendas dispararam, e milhares de famílias ficaram a uma atualização de distância do despejo. Normal — o computador vive na cloud, e lá de cima 2.300 euros parecem trocos.

E foi o computador, já agora, que transferiu a Spinumviva para a família do primeiro-ministro, mantendo os clientes privados a pagar religiosamente todos os meses. O primeiro-ministro não sabia de nada. A família não sabia de nada. Os clientes só sabiam o IBAN. Processado tudo automaticamente, por um programa de faturação certificado, e impresso em quadruplicado — para dar ar de coisa séria.

Enfim: hoje quem governa Portugal é o computador. O Governo limita-se a representá-lo em cerimónias oficiais.

Para Luís Montenegro, governar tornou-se um part-time entre gravar vídeos, comprar fragatas e ir a festas no Algarve. De manhã, grava-se um vídeo. À tarde, inventa-se um problema que não existia. Ao fim do dia, culpa-se o computador.

É um Governo incapaz de consertar o que estava mal, e brilhante a estragar o que ainda funcionava.

 A renda subiu? Culpa do Excel. Não tens médico de família? Culpa do antivírus. Adiaram-te a cirurgia? O programa estava pesado demais. O exame do teu filho desapareceu? Foi a pasta de spam. O teu processo de residência foi parar ao tribunal errado? O Outlook trocou os contactos.

A tua vida está cada vez pior? Faz overclock ao CPU e aguenta o pacote laboral que aí vem. Mas há sempre um ponto em que até o cidadão mais paciente se farta de tanto erro de sistema. E com tanto ecrã azul, se calhar já é hora de formatar este Governo — e instalar um novo.