(Zé-António Pimenta de França, in Facebook, 27/11/2025)

Atirar carradas de dinheiro para um enorme poço sem fundo,
A revista britânica Economist calculou que a Ucrânia precisa de assegurar 360 mil milhões de dólares durante os próximos dois anos para manter a sua capacidade de defesa.
Por outro lado, o Ukrainska Pravda, jornal oficioso do regime de Kiev, afirmou na semana passada que o estado ucraniano está em risco de ruína, podendo simplesmente deixar de funcionar se não conseguir até Março um apoio de pelo menos 1400 milhões de euros.
Ante este quadro e face ao abandono total dos EUA relativamente ao apoio à Ucrânia, a UE está em pânico, não sabe para onde se há-de virar, dadas as aparentemente inultrapassáveis dificuldades tanto em conseguir o recurso aos ativos russos congelados, como no acordo sobre o empréstimo urgente de 40 mil milhões de euros (que será onerado por juros altos que os 27 estados-membros terão que assumir) para apoiar o governo de Kiev. Este projeto também enfrenta obstáculos enormes por parte de vários Estados-membros da UE, todos eles a braços com situações financeiras deficitárias. Os únicos que ainda têm algum dinheiro são a Alemanha e a Holanda…
O poço sem fundo
A despesa militar da Ucrânia equivale a 23% do que a Rússia gasta com as suas forças armadas. Ora a Rússia mantém com esses gastos uma grande força aérea (que a Ucrânia quase não tem), uma grande marinha de guerra (que a Ucrânia não tem de todo) e um exército muitíssimo maior. Além disso, produz uma quantidade enorme de bombas guiadas, quantidades astronómicas de drones de vários tipos, mantém um arsenal enorme de mísseis e produz em três meses mais munições de artilharia do que todos os cerca de 40 países do Ocidente colectivo somados (incluindo os EUA) fabricam num ano inteiro.
Para onde foi todo esse dinheiro todo com que o Ocidente apoia a Ucrânia? – pergunta lógica que qualquer um poderá fazer, mas que ninguém no Ocidente discute publicamente, pelo contrário, é assunto esforçada e rigorosamente evitado.
A resposta pode ser encontrada em dois factores que o Ocidente prefere não examinar com rigor.
1 – Em primeiro lugar, as armas ocidentais são muitíssimo mais caras, os seus custos de produção são muito maiores, pelo que o Ocidente gasta rios de dinheiro com elas. Só para dar um exemplo, uma simples munição de artilharia produzida no ocidente custa cinco vezes mais que a equivalente produzida na Rússia. Uma munição de artilharia de 152 mm russa custa mil dólares, enquando o equivalente ocidental, a munição de 155 mm (calibre NATO) custa 5000 dólares. A própria escassez da produção no Ocidente de munições de artilharia provoca, face à pressão acrescida da procura, preços mais elevados.
2 – Em segundo lugar (mas com um peso muito maior), está a enorme corrupção no sistema de aquisição de material militar da Ucrânia. Por si próprio, este sistema corrupto gera, pela existência de “luvas” incorporadas no processo, um enorme encarecimento de qualquer material comprado, desde armas sofisticadas a rações de combate, fardas, etc…
O governo de Kiev adjudica constantemente enormes contratos de fornecimento de material para as suas forças armadas a empresas pequenas, recentemente criadas, sem instalações próprias de fabrico ou armazenamento e sem qualquer experiência na área dos fornecimentos militares. Em artigos recentes, o Financial Times e o Washington Post descreveram dezenas de operações de compra a esse tipo de empresas, no valor de dezenas ou centenas de milhões de dólares cada uma, dinheiro que é pago e logo desaparece no labirinto interminável do sistema financeiro mundial através de milhares de empresas de fachada sediadas em paraísos fiscais.
Esta monumental dinâmica de corrupção tem-se acelerado recentemente à medida em que a situação militar se agrava para as forças armadas ucranianas.
Os combatentes são atraiçoados pelo sistema corrupto abrigado nas altas esferas do poder político de Kiev, apostadas em extrair os maiores lucros, antes de uma previsível derrota, uma vez que as forças russas avançam ao longo de toda a linha de contacto, as deserções de militares ucranianos, conscritos à força nas ruas, não cessam de aumentar e atingiram números recorde em Outubro.
A situação chegou a um ponto que até o FMI (sempre disposto a torcer as suas próprias regras por motivos geopolíticos) já contempla a possibilidade de suspender o apoio à Ucrânia, caso o apoio europeu não se materialize. Esta é a raiz do pânico que aflige Bruxelas…



