O Mendes e o genuflexório

(Por José Gabriel, in Facebook, 09/09/2024)


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Marques Mendes tomou sobre os seus ombros a defesa do Governo e dos governantes um a um, asneira a asneira, erro a erro, golpe a golpe. Todos estamos errados. Os nossos governantes são um ínclito escol de perfeição. A malta, cá fora, é que, sem dúvida obnubilada pela grandeza dos altíssimos, não entende. E, em vez de agradecer estes presentes do Alto, mostra vontade de lhes enviar presentes idos de baixo.

Marques Mendes, não. Por ele, os ministros laranja são infalíveis – como o Papa. Mais infalível que eles, portanto, mais que o Papa, só o Presidente Marcelo.

Ontem, na sua prédica dominical, Mendes informou o povo em geral da sua presença numa reunião dos jovens “liberais” onde, segundo nos contou, aprendeu uma palavra nova: “genuflexório”.

Ficámos espantados. Tal significa que as fotos tiradas a Mendes e a outros líderes da direita assistindo, circunspectos, à missa em… genuflexórios, são uma patranha para impressionar o beatério – eu não disse os católicos.

Por outro lado, fico ainda mais espantado pelo facto de Marques Mendes, cuja especialidade é ajoelhar face a todos os interesses que o possam servir, não conhecer tão útil e adequado acessório. Ele devia ter um genuflexório portátil.

O rapaz e o General

(Por José Gabriel, in Facebook, 07/09/2024)


Um dia, começou uma guerra na Ucrânia. Não vou incomodá-los com a história e os antecedentes deste facto. Não estaríamos de acordo e não é esse o ponto de hoje.

Todos sabemos o que, numa guerra, é a ação psicológica – agora designada com nomes mais finórios como “elementos não cinéticos da guerra”. No fundo, é simples: a partir da frase atribuída a Tucídides, “numa guerra, a primeira vítima é a verdade”, a maioria – não todos – dos analistas que frequentam as nossas televisões, tomaram há muito a sua causa e defendem-na, sem grande preocupações com os factos, e muito menos com a ética jornalística.

Os entrevistadores, então, chegam a ser hilariantes e, como se esperava, alguns deles submetem os seus “inimigos” a diálogos insuportáveis. Mas, se gostam do comentador de serviço – civil ou militar – as coisas podem tornar-se exóticas, patéticas, disparatadas.

Claro que nesta coisa da ação psicológica – consultem o Manual do Oficial Miliciano, bíblia em assuntos militares – os que tomam partido furiosamente, sabem bem que devem seguir este princípio básico: tudo quanto os “inimigos” e seus alegados simpatizantes falam é mentira; nós – eles-, do lado de cá, falamos verdade. A partir daqui, é um fartar vilanagem.

Hoje levei a paciência – notei a indignação do meu gato – ao ponto de assistir a um dos pares feitos no céu nestas matérias: o rapaz Cláudio e o major general Isidro. Com que entusiasmo eles discorrem e se reforçam mutuamente na construção da sua cena. Pobre Rússia, não sabe que está derrotada. Não ouve o Isidro, é o que é. Aquilo atinge as raias do delírio; pratica a contra informação sem perceber que nós percebemos.

Quem quer estar informado sobre o que se passa na Ucrânia, não espere nada dali. Ali só há sócios do mesmo clube. Não é um programa, é um pagode.

 Quem deve estar receoso com aqueles debates são os russos. Temem, sem dúvida que, um dia, o Cláudio e o Isidro se dirijam à zona do conflito. E, com as suas cortantes análises provoquem baixas nas tropas russas. Que podem morrer de riso.


O Irão já atacou?

(Por José Gabriel, in Facebook, 09/08/2024)


(Voltemos à deprimência da política nacional, e à agenda do (des)governo em funções:

“O atleta da foto, depois de transformar o caos nas maternidades em rali rodoviário, foi a Paris em busca de medalhas para desviar as atenções do fracasso do Governo. Não é o ouro olímpico que esconde o desastre em que o seu cúmplice Marcelo lançou o País.” (Carlos Esperança, in X, 12/08/2024).

Estátua de Sal, 12/08/2024)


O Irão já atacou?

(A direção da CP assiste, perplexa, à intervenção intempestiva do governo no plano – já em curso e fase de concretização – da alta velocidade. Segundo o governo, é preciso cortar no material circulante já previsto para dar oportunidade ao mercado – nomeadamente ao grupo Barraqueiro – à iniciativa privada, sendo que o plano da CP em curso tinha uma forte componente pública. A manobra move muitos milhões)

O Irão já atacou?

(O Tribunal deu razão ao demitido director do INEM na questão dos helicópteros. O acórdão sobre o assunto é uma brutal bofetada política e ética no governo e na ministra da Saúde em particular)

O Irão já atacou?

(Começaram a retórica e ameaças do governo contra aquilo a que chamavam, em tempos, “peste grisalha”. O problema do país são os velhos. Portanto, toca a dar prebendas fiscais aos jovens – a malta do futebol vai gostar dessa coisa do IRS jovem, perante a redução de milhões nos seus impostos –, às grandes empresas, e pôr os mais velhos a pagar até que se desfaçam em fumo.)

O Irão já atacou?

(O governo faz promessas, anuncia medidas que não realiza, desfaz-se em retórica vã, pratica a demagogia impenitentemente, mal escondendo os interesses que serve)

O Irão já atacou?

(A ministra da Saúde faz um discurso repulsivo sobre o alegado caos no SNS, preparando-se, ela sim, para promover esse caos, preparando medidas servis ao sector privado – por um anunciado excesso de convenção -, caminho que, mesmo os países mais ricos da Europa tiveram de abandonar por ser impossível de pagar. Uma via suicidária. E quem vier atrás que feche a porta.)

O Irão já atacou?

(O presidente da República tudo faz para encobrir os disparates e patifarias dos seus meninos, descobrindo soluções que nunca lhe ocorreram no caso de outros governos. É o vale tudo – incluindo batota.)

O Irão já atacou? Não. Mas a direita portuguesa, rasca e medíocre, sim. O resultado vai ser brutal e amargo. Mas a verdade é que tiveram quem neles votasse.

O Irão já atacou? Não, mas enquanto ataca e não ataca, os tolos vão sendo entretidos. E não se metem no que lhes diz respeito.