Com aliados destes…

(Por Hugo Dionísio, in Facebook, 03/10/2022)

E não foi preciso esperar muito para Jack Sullivan dissesse que a destruição dos pipelines abre “oportunidades extraordinárias”, pois permite acabar de vez com a “nossa” dependência de energia russa. Este “nossa” diz muito de como vê a europa. E este “nossa”, quando associado ao “Nord Stream” diz muito das intenções e práticas inconfessadas. Enquanto o dólar sobe… descem todas as outras moedas ocidentais e das colónias dos EUA.

E se muito diz do nosso nível de colónia, o que dirá esta afirmação da real autoria das explosões. Se os EUA, que já tinham ameaçado com Biden e Nulland, se Sullivan diz isto, se Condoleezza Rice, em 2014, disse que era altura de criar condições para acabar com a energia russa e sensibilizar os europeus para o fornecimento ser feito pelos EUA, algo que Merkel resistia a fazer por saber que, com essa hipótese, se ia a competitividade alemã baseada em energia barata e de qualidade, e se aos russos bastava fechar a torneira, até porque, a infra-estrutura era sua… Qual é a lógica de dizer que a Rússia voltou a bombardear-se a si própria, destruindo uma das principais vantagens que tinha sobre a EU? Pois… Hoje vale mesmo tudo!

Mas o que torna ainda mais evidente o desespero e o alívio dos EUA – e de Jack Sullivan – pela inutilização – quiçá definitiva – dos NS, foi uma sucessão de eventos que significavam um movimento dialético oposto aos dos interesses dos EUA.

Uns dias antes, na Organização de Cooperação de Xangai, Vladimir Putin veio dizer “se a EU retirar as sanções, temos 55 milhões de metros cúbicos anuais prontos a fluir”, “é só abrir a torneira”.

A par desta posição, que já era conhecida, foram-se multiplicando, em quantidade de eventos e pessoas, as manifestações junto ao terminal do NS2, colocando uma pressão brutal sobre o governo de Scholz. Essa pressão estaria, inclusive, a dar resultados.

Scholz tinha ido à Arábia Saudita tentar resolver o problema de abastecimento energético alemão, mas, no final, o que de adicional conseguiu foi um petroleiro, ao que alguém disse, pago a peso de ouro. Veja-se ao que chegou a Alemanha, a comprar petroleiro a petroleiro como uma qualquer Venezuela, o que diz muito da incompetência e do nível e traição ao povo alemão, pois ao que saiba, a Alemanha não é um país sancionado, embargado ou bloqueado. “Apenas” passou de militarmente ocupado, a colonizado.

Perante este revés, a Alemanha terá, por ordem de Scholz, iniciado conversações ultrassecretas, mediadas pelo príncipe saudita, pelo sultão Erdogan, com o plenipotenciário energético Putin. O homem, de quem os EUA dizem dominar o mercado mundial de energia. Mais uma vez a fazerem a narrativa divergir da realidade. São eles que o domina, Putin apenas tem mais poder do que lhes era aceitável.

Entretanto, o príncipe saudita tem uma conversação muito promissora com Putin, e o Chefe das Forças Armadas Russas recebe uma chamada telefónica do homólogo Ucraniano, em que este último lhe deu os pêsames pelo tiroteio numa escola russa, mantendo entre os dois uma conversa prolongada e amigável (mais de 30 min.).

Eis que, segundo algumas fontes (Pepe Escobar, The Duran e Brian Berletic do The New Atlas), estava aberta uma linha de diálogo, mediada por gente que se dá bem com todas as partes, que poderia levar a uma futura negociação, com a consequente reposição dos fornecimentos energéticos para a Europa.

Zelinsky tinha interesse, pois, aproximando-se o Inverno, a lama e a chuva impedirão o exército Ucraniano de se mobilizar e tudo ficará mais difícil. Havia que negociar para salvar o que restava do país, pelo menos um cessar-fogo ou uma trégua, para poder reconstruir o exército com mais gente tirada das escolas, universidades e locais de trabalho, e os russos dar-lhe-ia tempo para colocar os 300.000 desgraçados que vão para a guerra nas linhas de guerra. E não se confunda isto, com a estratégia de relações públicas em que consistiu a tomada de Liman, conseguida após mais de um mês em que morreram centenas de militares ucranianos, todos os dias, todos os dias! Usando de reservas e uma massa de homens absolutamente desproporcionada, lograram cercar a cidade e os russos, para não ficarem presos, decidiram retirar desta vila de 15.000 habitantes. Com isto, Zelinsky consegue mais um balão de oxigénio e manter abertos os canais de envio de armamento. Os militares russos estão danados com o seu comando, pois acham que não fez tudo ao seu alcance. Pelo menos, é o que se constante, aberta e ardentemente, nos canais russos do Telegram e VK. Para um país governado a ferros… questiona-se e acusa-se demasiado…

Contudo, quando os EUA se dão conta, talvez através dos agentes infiltrados no governo ou no ministério da defesa alemão, destas conversações, tinham de fazer o mesmo que Cortez fez com as suas Caravelas à chegada às américas. Queimou-as todas, como que dizendo aos seus homens, “não vale a pena, têm de se entregar à missão, ninguém volta para trás”!

A plena operacionalidade dos gasodutos mantinha sempre em aberto a possibilidade de diálogo e a possibilidade de retorno à “dependência” energética da Rússia, o que deitaria por terra abaixo a estratégia americana de se tornarem o principal fornecedor de petróleo e gás à Europa, assumindo-se assim como “reguladores” do desenvolvimento industrial europeu. Sempre que a europa crescer um pouquito mais rápido, aumentam o preço da energia e mantêm-se no topo. Os NS eram uma espada de Dâmocles sobre o pescoço americano. E os EUA nunca esperaram por ninguém lhes dizer para fazerem o que tem de ser feito.

É aí que faz sentido a destruição dos gasodutos – como se vê, vital para os interesses dos EUA – e, logo de seguida, a submissão, por Zelinsky, da candidatura à NATO. Foi como que uma última salvação. “Ou me aceitam na NATO” ou “estou feito”. Pois a entrada da Ucrânia na NATO significaria a entrada da NATO diretamente na Ucrânia, sem subterfúgios.

Claro que os EUA querem usar um exército proxy (por procuração), não querem “ser o exército”. Se o objetivo fosse envolver diretamente a NATO, já estava. A Ucrânia só faz sentido enquanto exército contratado para enfraquecer o inimigo. São ucranianos que morrem e até ao último homem ou mulher. Daí que, a resposta de Stoltenberg tenha sido tão rápida que já deveria estar preparada: “agora não é altura de discutir isto”. Claro… Não é preciso, a Ucrânia já está metida de cabeça no conflito, traída por um presidente que ganhou eleições para fazer a paz.

Mas se a Ucrânia tem um governo que aceitou destruí-la em nome de interesses alheios, a Europa também não se pode rir. É estarrecedor ver um país como a Alemanha deixar-se ir desta forma. É triste e revoltante ver uma das maiores potências industriais do mundo deixar-se condicionar e sabotar desta maneira, sem luta, sem orgulho, sem carácter. Diferente não se poderia esperar do cavalo de Troia Anallena Berbock, que disse numa entrevista “apoiarei a Ucrânia, porque prometi e fá-lo-ei mesmo que os meus eleitores estejam contra e se manifestem contra”. E ainda dão lições de democracia!

Entretanto, tudo se encaminha para o que eu escrevi já há um ano ou dois, quando a coisa começou a aquecer e que tinha a ver com o que era a opinião e muitos especialistas para o que vinha aí: uma reindustrialização americana à custa da desindustrialização Europeia. Para os EUA poderem “conter” e “competir” com o crescimento imparável da China, haveria que integrar no PIB americano o maior valor acrescentado europeu que fosse possível. Ou seja, adicionando ao americano, o PIB Europeu, e assim, adiar mais uma década à passagem da China a primeira economia mundial. E como se faz essa adição? Com energia cara e com comprador exclusivo, com armas de luxo, com compras dos melhores activos e deslocalizações, com captação da melhor mão-de-obra e captura dos melhores mercados europeus.

Daqui a uma década, os EUA preveem ter já aniquilado a Rússia e atirar-se então à China. E porque é que eu digo isto? Porque é em 2034 que começam a sair os primeiros submarinos nucleares australianos. Os que estão a ser construídos ao abrigo do AUKUS que visa cercar e “conter” a China. E todos ouvem o “conter” e fazem de conta que é normal um país dizer que tem de conter outro, limitando o seu desenvolvimento.

Uma guerra longa, na Europa, para engordar, industrializar e acumular forças, destruindo o maior adversário militar que têm, para depois atirarem-se à China, enfrentando apenas uma frente de cada vez.

Até lá, vão fazendo o costume, como o que se passou com as tais “esquadras” de João Cotrim de Figueiredo. O porta-voz do partido com a ideologia mais ultrapassada do parlamento – a mais antiga, experimentada e falhada -, disse saber, através de uma ONG… americana, veja-se lá, que a “China comunista”, tinha esquadras ilegais espalhadas pelo mundo para perseguir, raptar, controlar e levar para o seu território emigrantes incómodos para o “regime”.

Nem me vou referir ao facto de os EUA, através das suas ONG’s financiadas pela CIA, acusarem constantemente os outros de fazerem o que eles fazem. Afinal são os EUA que se sabe terem mais de 2000 prisões ilegais, terem muitas em território europeu, raptarem cidadãos da Venezuela, Coreia do Norte, Cuba, Nicarágua e outros, e terem-nos nessas prisões meses e anos a fio enquanto são julgados por leis americanas (isto quando não os levam para Guantanamo), e muitos deles terem passado por Portugal, em voos ilegais da CIA, autorizados por Paulo Portas, que nunca explicou por que razão permitiu tal bárbara violação e direitos humanos e do direito internacional.

Claro que de um porta-voz partidário, de um partido financiado sabe-se lá por quem, cujo móbil na vida é ser um CEO e um rapaz bem-comportado da estrutura liberal, para assim fazer a sua ascensão no quadro imperial, não podemos esperar nem verdade, nem honestidade e muito menos um pedido de desculpas por mentir.

Mas se já era grave este tipo dizer uma coisa destas sem confirmar o que quer que fosse, demonstrando como funciona a propaganda nestes dias, mais grave é um jornal com o Expresso, que se diz uma voz da liberdade – só as árvores que morrem com tal liberdade -, ter ido às três moradas tão pertinentemente assinaladas por JCF e, ao nada encontrar, ficar a dizer: “ah! Mas encontrámos uma associação fantasma”!

Ainda me hão de explicar o que é uma “associação fantasma”: será uma associação fechada sem movimento? Eu conheço muitas; será uma associação sem registo? Mas não se poderiam limitar a dizer: “não encontrámos nada”? Nem eu quereria que chamassem “mentiroso”, “belicista”, “anticomunista primário” a JCF. Não, nada disso! Apenas pedia que um jornal como o Expresso dissesse “Não se confirmam as acusações de JCF”! e “JCF ter-se-á baseado em informações pouco sérias”! Só isto! Também poderia fazer uma reflexão sobre o facto de um deputado da nação usar informação tão pouco válida! Afinal, pagamos-lhe o salário para propagandear as “tangas” da NED, da Freedom House ou da Clinton Foundation?

Ao invés, o Expresso deixou ficar a desconfiança com um “ficou por explicar a associação fantasma”! Mas o problema não eram as esquadras? Eram. Mas há que deixar um lastro que permita, no futuro, dizer “ah! Mas estava lá qualquer coisa”, e assim deixar margem para o condicionamento e a repugnância do ouvinte menos avisado, que dirá “Estes chinocas são mesmo obscuros, veja-se lá que têm uma associação fantasma”! “E era ali que prendiam os opositores ao comunismo”! Só quem não os topasse é que não percebe o sentido!

Eu, como não acredito em fantasmas, procuro sempre pessoas concretas, e não é pela conversa, é pelos atos. “A prática é o critério da verdade” já dizia Lenine, referindo-se à diferença entre o que dizemos querer fazer e o que fazemos, de facto.

Enquanto a Europa se desindustrializa e o nosso futuro coletivo vai sendo ameaçado, assistimos a um engordar do poder de Bruxelas, um poder não eleito, tecnocrático, inatingível e sem escrutínio democrático, ao serviço de poderes obscuros, de que a Pfizer (a Úrsula perdeu o telefone outra vez!), a Uber e os escândalos que as acompanham apenas deixam antever a realidade inevitável. Da censura de órgãos de comunicação, à imposição de comportamentos, limitando a escolha dos países… Com o poder absoluto nasce a autocracia.

Será a EU de Úrsula, esta corrida da Alemanha por um escândalo de corrupção, a entregar de bandeja a indústria europeia de ponta! O movimento, aliás, já começou. Já existem empresas Holandesas, Alemãs e Italianas que planeiam deslocalizar-se de armas e bagagens para… Os EUA! E o que dizem elas? Que o único sítio onde, no futuro, se sentirão seguras é nos próprios EUA. Afinal, nos EUA não estarão preocupadas com a angariação de mercados de que têm de desistir mais tarde, e a energia e matérias-primas, nos EUA, não apenas existem em quantidade, como os EUA sabem suga-las dos outros países como ninguém. A própria TSMC de Taiwan foi “convidada” a mudar-se para a Califórnia, dando aos EUA o 1.º lugar em produção e chips. Ainda não o conseguiram, mas é só abanar um bocado mais a árvore. Com amigos destes…

O facto é que os EUA tentam – e estão a conseguir, a grande velocidade – criar uma situação impossível para as grandes empresas europeias. Se encontram um fornecedor de energia barata, terras raras e produtos primários, logo vêm os EUA dizer: “alto lá, que esses gajos são ditadores e vocês só podem comprar onde eu mando”, e assim controlar preço, fluxo e quantidade. Se encontram um mercado enorme e em crescimento, como a China, logo vêm os EUA dizer “alto lá, que esses gajos são ditadores e temos de desacoplar deles”, mas os EUA continuam por lá. O que sobra? Ir para os EUA e viver, desde logo, com as suas regras. Mas, pelo menos, as regras são estáveis. Na EU estão sempre em mudança, pois, quem as faz, visa, precisamente, dificultar a vida às empresas que cá estão e querem para cá vir.

E enquanto isto acontece aos olhos de todos, uns enchem a barriga de repugnância pelo lobo mau russo, outros alimentam-se de derrotas russas, outros saciam-se de contentamento com deserções russas e outros buscam moinhos de vento, sob a forma de esquadras comunistas ilegais… No final, com exceção dos últimos, a quem nada faltará, todos os outros, mais cedo ou mais tarde acordarão com o estomago a doer… E perguntarão…, mas porquê? E alguém responderá… Porque estavas a dormir!

P.S. Dominando a energia, domina-se o desenvolvimento e crescimento das colónias, daí que o G7, forçado pelos EUA, tenha adotado as “Oil Caps” (tetos de preço no petróleo) à Rússia, mesmo sabendo que, no final, o petróleo vai subir a preços ainda mais brutais, pois a Rússia tem muitos compradores e nunca se submeteria. Pois, mas quem domina a maioria do petróleo é…


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Acto de guerra contra os povos

(Hugo Dionísio, in Facebook, 28/09/2022)

Hoje, com o conhecimento que já possuímos, podemos dizer que os EUA – direta ou indiretamente – deram mais um passo na sua interminável, e até ver impune, escalada na direção da barbárie total. Não chegando já as invasões, ocupações, massacres, golpes de estado, ditaduras fantoches e pilhagem indiscriminada de recursos; os últimos tempos assistiram a uma travessia solitária (apenas acompanhados pelas suas colónias), adicionando sanções tão brutais quanto ilegítimas e atos de pirataria internacional, patentes nos barcos e aviões açambarcados a nações terceiras.

Hoje, sobem-se mais dez degraus na escada do desespero, do terror e da arbitrariedade. Certos de que, com o inverno, os povos europeus, cada vez mais se veriam forçados a exigir aos governos europeus que encetassem diálogo com a Rússia e, de alguma forma, se pudesse repor, pelo menos, o fornecimento regular de energia, ao mesmo tempo que se recuava na escalada beligerante, abrindo espaço ao diálogo civilizado, eis que os EUA trataram de o impedir, negando aos países envolvidos e aos povos da europa, qualquer possibilidade de escolha.

Como já é possível comprovar, pelos voos que helicópteros e aviões fizeram, nos últimos dias, ao longo do trajeto do Nordstream 1 e 2, bem como nos recentes testes (bem divulgados) de drones submarinos, os EUA praticaram um ato de sabotagem que inutiliza, pelo menos para os próximos meses, ou mais, uma infraestrutura fundamental, que não era propriedade sua, mas de dois países: Alemanha e Rússia, e com participações residuais ainda de Áustria, Bulgária e possivelmente outros mais. Acresce que, já hoje, os EUA aconselharam os seus cidadãos ainda presentes na Rússia a abandonarem imediatamente o país. O que não indicia nada de bom, como sabemos. Ou seja, prova que os EUA estão em escalada rápida.

Dada a importância da infraestrutura para os envolvidos, ao abrigo da lei internacional, esta sabotagem – já felicitada pelo Primeiro-ministro e ex-Ministro do Exterior da Polónia – constitui um ato de guerra. Mas engane-se que pensar que este ato de guerra é apenas perpetrado contra a Rússia, dona de metade dos gasodutos. Não, nem por sombras.

O ato de guerra é perpetrado contra os países europeus beneficiados, no passado, no presente e no futuro, por tal infraestrutura. O facto de estar hoje desligada, não quer dizer que não pudesse ser reativada quando necessário. E foi isso que a elite imperialista quis impedir.

Daí que este seja, também, um ato de guerra contra os povos europeus, a sua soberania e independência. Por meios terroristas, os EUA impedem, ingerem e imiscuem-se na governação de países que deveriam não estar sob sua dependência. Os EUA negam, assim, aos povos europeus, uma vez mais, e para além de toda a propaganda e influência já praticadas desde a segunda guerra, a sua autonomia para decidir como povos, como nações, como seres humanos, o seu futuro. Mas também os obrigam, apenas porque interessa à política hegemónica que prosseguem, que se cinjam às suas ordens e estratégias, conseguindo por via do terrorismo condicionar as escolhas futuras e submetendo mais de 400 milhões de seres humanos a um inverno de profunda escuridão e gelo.

É esta a escuridão e o gelo que sinto quando constato a falta de verticalidade dos governantes europeus e da tecnocracia de Bruxelas, que age como sua controleira. Um ato de guerra é cometido contra os povos que dizem representar, com consequências que se anteveem brutais – pois os EUA não têm o gás e o petróleo de que necessitamos -, e nem um, nem apenas um só, diz, aponta ou sussurra, o que quer que seja, sobre a matéria.

UM GOVERNO ESTRANGEIRO SABOTA O NOSSO FUTURO E CERCEIA A NOSSA LIBERDADE E SOBERANIA, e nem um pio… Esta gente envergonha-me tão profundamente, que me leva a sentir um desprezo hediondo pela sua existência. Na educação dos meus filhos não me canso de lhes dizer: “estão a ver estes gajos?”, “Façam tudo ao contrário e serão pessoas honradas, corajosas e capazes”!

E, neste quadro, cabe-me perguntar: “onde andam os ambientalistas”? Então os EUA provocam uma catástrofe destas e nem uma palavra? Agora já não importa a proteção dos oceanos, a fauna marinha, as alterações climáticas?

Vejam-se que se chega ao ponto de o jornal “ECO” dizer que Alemanha, Dinamarca e Polónia suspeitam de algo propositado. Bem, a Polónia já cumprimentou os autores, como referi, mas a Alemanha e a Dinamarca ainda vão acabar a culpa os de sempre: os russos, claro. Pensavam que era quem?

Cá para mim estamos prestes a entrar numa espécie de “os russos ocupam a central e bombardeiam-na ao mesmo tempo”, como li algures na net, a respeito dos bombardeamentos ucranianos da central nuclear Energodar. O domínio totalitário da comunicação social corporativa, associada ao domínio dos canais de transmissão, como Google, FB e outros, garantem que nunca aconteça o que acontece em Hollywood: o mau ser sempre apanhado.

Nesta “democracia” também não é o povo quem mais ordena. Daí que, se desenvolva uma narrativa no sentido de perpetuar o faz de conta, os bons contra os maus e que o “Putler” é o pior bandido que a história humana já conheceu. Isto enquanto Biden procura a saída do palco ou onde se situa o teleponto.

Hoje, podemos dizer que passámos a ser uma colónia de corpo inteiro. Se antes a EU e estados membros não assumiam esse colonialismo perante os seus povos, tacitamente, com a sua inação perante tal ato de guerra e ingerência, a condição colonial tem de ser assumida na sua plenitude.

P.s. Estar à espera das confissões dos próprios ou da confirmação da comunicação social cliente, não é racional, face ao que já sabemos dos primeiros e ao que constatamos ser a prática dos segundos. Tal nunca irá acontecer.


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À espera da cartilha

(Hugo Dionísio, in Facebook, 22/09/2022)

Horas e horas após o discurso, ainda não era possível encontrar, em todo o espaço virtual ocidental, uma declaração, tomada de posição ou resolução relativamente à mobilização parcial russa. De que estavam à espera os presidentes e primeiros-ministros dos países europeus? Porque esperava Ursula?

Apenas o funcionário da Mackinsey Emmanuel Macron, sempre na sua ânsia de aparecer primeiro, como um qualquer líder da “federação” europeia, veio dizer algumas palavras sobre o assunto e que, mais ou menos diziam isto “Agora, todos temos de exercer a máxima pressão sobre Putin para acabar a Guerra”. Mas uma tomada de posição, de fundo, nem vê-la. A Rússia subia a fasquia e nenhuma reação de vislumbrava.

Havia que dar tempo à Casa Branca para que o seu staff estabelecesse aquela que iria ser a doutrina comunicacional aplicável à situação. Um dos primeiros a falar foi Stoltenberg, dizendo que “A Rússia não consegue ganhar uma guerra nuclear”! Esta declaração deu o mote para as reações a partir daí.

Ao invés de responderem à intenção e escalada militar e à anexação dos territórios do Donbass, com um “vamos lá negociar desta feita”, tudo para que a Ucrânia tentasse ainda retornar a MINSK I e II, mantendo a sua integridade territorial e impedindo a matança de jovens de um lado e outro, os poderes de facto situados em Washington determinaram o contrário: vamos continuar na escalada.

Esta declaração de Stoltenberg diz tudo sobre o plano mental desta gente. Perante a declaração de Putin em que acabou o seu discurso dizendo que faria “tudo para proteger a soberania e integridade territorial da Rússia”, adiantando também que “não estou a fazer bluff”, mas sem precisar de que “tudo” estava a falar, Stoltenberg decidiu entrar naquela lógica infantil em que “o meu coiso é maior que o teu”, “toma, toma…”. É certo que a Rússia não pode ganhar uma guerra nuclear. Mas não por qualquer incapacidade ou desvantagem original; mas porque ninguém ganharia uma guerra nuclear! Todos perderíamos. Mas o plano mental de muita desta gente é o de “e se experimentássemos”?

Polícia bom, polícia mau, lá veio o discurso de Biden na AG da ONU. Reescrito à pressa nas horas anteriores e sem a garantia de que o Sr. Presidente leria o teleponto com a necessária prontidão; Biden, depois de no dia anterior ter andado perdido num palco após um discurso para o Global Fund, não sabendo por onde havia entrado (e só existia uma entrada, faria se fossem várias Descrição: 😊), lá leu o texto e veio dizer que “não acreditava na chantagem nuclear” e que Putin a tal recorresse. Pois, também não acreditavam na intervenção na Ucrânia.

Estavam dadas as pistas para a tomadas de posição e para a forma como a comunicação social das grandes corporações haveria de tratar o problema da resposta à mobilização parcial anunciada. O sinal de Stoltenberg e Biden era simples: Vamos agitar o medo do nuclear.

Já não é uma contradição ver o único país que até hoje usou armas nucleares (Japão, Sérvia, Iraque e Afeganistão) de várias tipologias (convencionais e de urânio empobrecido), acusar outros de o poderem – quererem – fazer. A estratégia de “tu não podes fazer o mesmo que eu faço” já é poder demais conhecida e só apanha descalços os mais incautos, crentes e acérrimos fãs.

Dado o mote, eis que hoje as capas dos jornais da nossa praça, quase unanimemente coincidem na propagação do terror. A cartilha não se fez esperar. Toda a argumentação é estereotipada e risível, pelo menos para as pessoas mais informadas.

Vejamos algumas das tiradas mais comuns:

– Biden acusa a Rússia de violar a carta da ONU.

A sério? É mesmo para levar a sério? E ocupar 1/3 do território Sírio e Iraquiano, onde se situa no texto da carta? Ou a invasão do Iraque, Afeganistão e a instalação e laboratórios secretos militares? Ou as 2000 prisões secretas da CIA? E o que falar dos raptos de diplomatas de países sancionados em todo o mundo? Ou, do financiamento dos “rebeldes moderados” que afinal são terroristas da Al-Qaeda, usados para desestabilizar e fazer revoluções coloridas na ásia central? Vinda a acusação de quem vem, não deve ser para levar a séria. Deveria levar-se a sério, mas não se pode… Para tal teria de vir dos países oprimidos que se fizeram ouvir na mesma AG (Honduras, Venezuela, Cuba, Colômbia, Síria…), mas nenhuma das suas acusações, sérias, graves e profundamente revoltantes, fez parte das manchetes da NATOlândia.

– Milhares de russos protestam contra a mobilização parcial e centenas são detidos

Pois, é que os desgraçados dos Ucranianos nem isso podem fazer. Têm mesmo de fugir porque senão são imediatamente detidos. É o que está na sua lei desde o início, e eu conheço um dos que fugiu. Apanhados nas praias e nos bares noturnos, principalmente nas cidades Russófonas como Odessa e Kharkov, contra a sua vontade, qualquer homem – e agora mulher – que esteja na idade é, por lei, impedido de sair do país. Sendo natural que ninguém queira ver um filho na guerra, a mobilização russa abrange pouco mais do 1% do total mobilizável. Nada comparado com o que se passa na Ucrânia. Depois, as grandes manifestações, afinal até são bem pequenas para o que deveriam de ser, pois andam à volta de 1 a duas centenas de pessoas cada, com epicentro em S. Petersburgo, onde terá sio a maior e mesmo assim de escassas centenas. Em mobilização parcial, entra a lei marcial, não me admiram as detenções. É a atrocidade da guerra que tantos e tantos promovem e defendem a continuidade. Na Ucrânia não iam para identificação na polícia, eram amarrados a postes e ninguém diria nada. Não desculpa, mas estabelece as devidas diferenças e demonstra a hipocrisia reinante. A guerra é assim e é por isso que, por imperativo moral, teremos sempre de a evitar.

– Putin ressuscitou a estratégia de mobilização forçada de Estaline.

Esta é para rebentar de rir, se não fosse para chorar. Então numa guerra não há mobilização forçada? Em que guerra foi assim? Vão lá para Israel para verem como é se se negarem a prestar o serviço militar e a ir matar palestinianos como coelhos? Com a mobilização vem o alistamento obrigatório e negá-lo equivale a desertar. Quando são precisos soldados é assim que se faz em qualquer país. E tal só demonstra o carácter especial da operação militar até agora. Depois, comparar uma mobilização de 300 mil soldados, com competências muito específicas, muitos nem se destinando à linha da frente, mas a outro tipo de ações de retaguarda, com o que se passou na segunda guerra, em que foi preciso mobilizar milhões de soldados… Sob pena de não se conseguir derrotar o nazismo! Esta é mais uma tirada que justifica e consubstancia a verdade de quem diz que Estaline ainda é culpado, pelo ocidente e pelo capitalismo, de ter conseguido reunir a força, a estratégia e a mobilização necessárias para derrubar o nazismo e o fascismo. Não lhe perdoam, não perdoam isso ao povo Russo.

– O caminho do desastre continua

Entretanto, a EU lá segue com mais uma reunião para sanções. Como está a dar certo… De um lado temos Ursula a fazer um discurso sobre o sucesso das sanções na destruição da economia russa. Palmas enormes. Do outro, temos o Bloomberg e o Financial Times a dizerem que não apenas a economia russa resistiu, como até mostrou mais resistência do que o previsto pelo próprio Banco Central russo. Adiantam também que é a Europa que está a sofrer o maior dos impactos das sanções.

Logo, tem toda a lógica aplicar ainda mais sanções… claro, se o objetivo for derrotar os povos europeus, as suas condições de vida e o seu futuro, numa aplicação clara da estratégia do Grande Reset, criada pelo Fórum de Davos e Klaus Shwab.

E esta guerra contra a pobreza, contra a qual perdemos batalhas diárias, as manchetes pouco falam. Prosseguir o mesmo caminho que tem sido prosseguido, de hostilização e rejeição do diálogo, significa não apenas um suicídio, mas a nossa própria aniquilação.

E a atitude é tão xenófoba, que num canal que fala em “Revolução na Rússia”, já se está a ver financiado por quem, temos de assistir ao moderador a chamar ORCS aos russos, o que denuncia desde logo a sua origem. Já os bálticos denunciam em toda a linha o seu racismo, ao determinarem que “mesmo os russos desertores da mobilização não terão acesso aos vistos”. Eis que, com isto demonstram que o problema não é com Putin. É com a Rússia e os russos, o que demonstra que tipo de quadro mental foi ali plantado pelos mestres do universo.

Eu perceberia as quezílias históricas, não percebo a falta de solidariedade, de quem se diz democrata e tolerante, para com quem foge à guerra. Aliás, quem, no seu entender, fugindo deixa de engrossar as fileiras do inimigo. É muito esclarecedor, este comportamento.

E eis que, nesta salada toda de palavras repercutidas para a generalidade dos países da NATO a partir de um qualquer algoritmo, apenas se aproveita uma coisa: Vamos continuar a sofrer gravemente os danos provocados por uma atitude tão irresponsável como propositada.

E aí vêm mais sanções para rebentar com o que falta das nossas economias…

Mesmo que tenham razão e a Rússia esteja em ebulição como diz o NYtimes, o que não confere com a informação que tenho, em que é que isso me melhoraria a vida? Em nada!

As notícias de lá, apenas nos distraem dos problemas de cá!

Já chega de Cartilha, venha o pensamento livre!

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