Acto de guerra contra os povos

(Hugo Dionísio, in Facebook, 28/09/2022)

Hoje, com o conhecimento que já possuímos, podemos dizer que os EUA – direta ou indiretamente – deram mais um passo na sua interminável, e até ver impune, escalada na direção da barbárie total. Não chegando já as invasões, ocupações, massacres, golpes de estado, ditaduras fantoches e pilhagem indiscriminada de recursos; os últimos tempos assistiram a uma travessia solitária (apenas acompanhados pelas suas colónias), adicionando sanções tão brutais quanto ilegítimas e atos de pirataria internacional, patentes nos barcos e aviões açambarcados a nações terceiras.

Hoje, sobem-se mais dez degraus na escada do desespero, do terror e da arbitrariedade. Certos de que, com o inverno, os povos europeus, cada vez mais se veriam forçados a exigir aos governos europeus que encetassem diálogo com a Rússia e, de alguma forma, se pudesse repor, pelo menos, o fornecimento regular de energia, ao mesmo tempo que se recuava na escalada beligerante, abrindo espaço ao diálogo civilizado, eis que os EUA trataram de o impedir, negando aos países envolvidos e aos povos da europa, qualquer possibilidade de escolha.

Como já é possível comprovar, pelos voos que helicópteros e aviões fizeram, nos últimos dias, ao longo do trajeto do Nordstream 1 e 2, bem como nos recentes testes (bem divulgados) de drones submarinos, os EUA praticaram um ato de sabotagem que inutiliza, pelo menos para os próximos meses, ou mais, uma infraestrutura fundamental, que não era propriedade sua, mas de dois países: Alemanha e Rússia, e com participações residuais ainda de Áustria, Bulgária e possivelmente outros mais. Acresce que, já hoje, os EUA aconselharam os seus cidadãos ainda presentes na Rússia a abandonarem imediatamente o país. O que não indicia nada de bom, como sabemos. Ou seja, prova que os EUA estão em escalada rápida.

Dada a importância da infraestrutura para os envolvidos, ao abrigo da lei internacional, esta sabotagem – já felicitada pelo Primeiro-ministro e ex-Ministro do Exterior da Polónia – constitui um ato de guerra. Mas engane-se que pensar que este ato de guerra é apenas perpetrado contra a Rússia, dona de metade dos gasodutos. Não, nem por sombras.

O ato de guerra é perpetrado contra os países europeus beneficiados, no passado, no presente e no futuro, por tal infraestrutura. O facto de estar hoje desligada, não quer dizer que não pudesse ser reativada quando necessário. E foi isso que a elite imperialista quis impedir.

Daí que este seja, também, um ato de guerra contra os povos europeus, a sua soberania e independência. Por meios terroristas, os EUA impedem, ingerem e imiscuem-se na governação de países que deveriam não estar sob sua dependência. Os EUA negam, assim, aos povos europeus, uma vez mais, e para além de toda a propaganda e influência já praticadas desde a segunda guerra, a sua autonomia para decidir como povos, como nações, como seres humanos, o seu futuro. Mas também os obrigam, apenas porque interessa à política hegemónica que prosseguem, que se cinjam às suas ordens e estratégias, conseguindo por via do terrorismo condicionar as escolhas futuras e submetendo mais de 400 milhões de seres humanos a um inverno de profunda escuridão e gelo.

É esta a escuridão e o gelo que sinto quando constato a falta de verticalidade dos governantes europeus e da tecnocracia de Bruxelas, que age como sua controleira. Um ato de guerra é cometido contra os povos que dizem representar, com consequências que se anteveem brutais – pois os EUA não têm o gás e o petróleo de que necessitamos -, e nem um, nem apenas um só, diz, aponta ou sussurra, o que quer que seja, sobre a matéria.

UM GOVERNO ESTRANGEIRO SABOTA O NOSSO FUTURO E CERCEIA A NOSSA LIBERDADE E SOBERANIA, e nem um pio… Esta gente envergonha-me tão profundamente, que me leva a sentir um desprezo hediondo pela sua existência. Na educação dos meus filhos não me canso de lhes dizer: “estão a ver estes gajos?”, “Façam tudo ao contrário e serão pessoas honradas, corajosas e capazes”!

E, neste quadro, cabe-me perguntar: “onde andam os ambientalistas”? Então os EUA provocam uma catástrofe destas e nem uma palavra? Agora já não importa a proteção dos oceanos, a fauna marinha, as alterações climáticas?

Vejam-se que se chega ao ponto de o jornal “ECO” dizer que Alemanha, Dinamarca e Polónia suspeitam de algo propositado. Bem, a Polónia já cumprimentou os autores, como referi, mas a Alemanha e a Dinamarca ainda vão acabar a culpa os de sempre: os russos, claro. Pensavam que era quem?

Cá para mim estamos prestes a entrar numa espécie de “os russos ocupam a central e bombardeiam-na ao mesmo tempo”, como li algures na net, a respeito dos bombardeamentos ucranianos da central nuclear Energodar. O domínio totalitário da comunicação social corporativa, associada ao domínio dos canais de transmissão, como Google, FB e outros, garantem que nunca aconteça o que acontece em Hollywood: o mau ser sempre apanhado.

Nesta “democracia” também não é o povo quem mais ordena. Daí que, se desenvolva uma narrativa no sentido de perpetuar o faz de conta, os bons contra os maus e que o “Putler” é o pior bandido que a história humana já conheceu. Isto enquanto Biden procura a saída do palco ou onde se situa o teleponto.

Hoje, podemos dizer que passámos a ser uma colónia de corpo inteiro. Se antes a EU e estados membros não assumiam esse colonialismo perante os seus povos, tacitamente, com a sua inação perante tal ato de guerra e ingerência, a condição colonial tem de ser assumida na sua plenitude.

P.s. Estar à espera das confissões dos próprios ou da confirmação da comunicação social cliente, não é racional, face ao que já sabemos dos primeiros e ao que constatamos ser a prática dos segundos. Tal nunca irá acontecer.


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