Vai tudo abaixo!

(Por Hugo Dionísio, in Facebook, 14/10/2022)

Sr. Z em Liman, ou será em Kharkov? Ou talvez em Kiev?

A entrevista de Jack Keane à cadeia de televisão FOX News, constitui um exemplo emblemático da falácia do “Golias, O Conquistador”, o qual, aproveitando-se da fraqueza de “David, O Libertário LGBT+”, decide entrar em casa alheia sem ser convidado, provocado ou assediado.

Jack Keane, não é um zé-ninguém qualquer, daqueles comentadores de Facebook… Não! Jack Keane sabe do que fala. Afinal é só ex-Chefe do Estado Maior Conjunto dos EUA, que aconselha o Departamento de Defesa, o Conselho de Segurança, etc. Trata-se, ainda, de um General de 4 estrelas, e, portanto, teremos de assumir que o que ele diz à FOX é mesmo assim. Até porque bate certo com todos os outros indícios, históricos e hodiernos, bem como com os desabafos já veiculados por outros conselheiros, congressistas e secretários de estado da Casa Branca. O vídeo pode ser visto aqui.  Pena é estar em inglês, mas com a tradução simultânea dá para perceber o que ali é testemunhado.

Então, o Major General Jack Keane, disse á cadeia Fox, mais ou menos que, o Partido Republicano está sempre muito preocupado com as contas, mas, desta vez, a Casa Branca fez um ótimo “investimento” de “66 biliões de dólares”. E sublinhou “investimento”, porque com uns meros 66 biliões de dólares lograram “comprar” o país do Sr. Z e assim libertar o governo estado-unidense de uma despesa de triliões. E, acrescentou que, com esse “investimento”, em vez de termos militares do seu país a morrer a combater o inimigo, passámos a ter os jovens do país do Sr. Z a fazê-lo. 

Precioso testemunho, este. Se depois disto, ainda houver quem acredite na falácia que visa alinhar, contra ESTA guerra, todos os que estão a favor de TODAS as outras, e perseguir, por sua vez, quem está, sempre e continuadamente, contra TODAS as guerras SEM EXCEPÇÃO, é porque chegámos ao plano da religião ou do futebol, e nesse plano, já não discuto.

Este caso é paradigmático sobre a forma como foi montada toda uma estratégia de relações públicas que visou, sobretudo, arrastar a opinião pública ocidental para um quarto fechado e escuro, negando, atacando e rejeitando tudo o que esteja para lá desse cubículo.

Peguemos noutro exemplo, para percebermos como funcionam estas falácias, cuja superficialidade atroz nos estarrece, tal a facilidade em serem desmontadas, demonstrando, por isso mesmo, o nível de alienação em que colocaram as pessoas mais incautas, desinformadas ou religiosas, em relação à corrente política dominante.

Ontem, as Tv’s falavam de um ataque russo a Adiivka, que vitimou 7 civis inocentes. Não tenho dúvidas de que terão morrido inocentes, pois a guerra é mesmo assim. Não sou dos que acho que as guerras do Ocidente só matam gente má e culpada, como estou certo de que as bombas russas também matam gente inocente. Mas, na CNN dizia-se que a explosão fora provocada por um míssil proveniente de uma defesa antiaérea.

Perante o paradoxo (apenas aparente, diga-se) de um míssil terra-ar atingir um alvo em terra -para mais, tratando-se de um míssil antiaéreo, usado para efeitos defensivos, que atingiu uma cidade sob o domínio do Sr. Z, concretamente a cidade que no Donbass reúne os postos de comando mais importantes dos AZOV e das FAU -, o que fez o comentador de serviço?

O comentador engendrou uma explicação brutalmente contraditória que jogasse com a acusação vinda de Kiev. Ou seja, não foi verificar o que aconteceu realmente, dada a estranheza (nada isolada, aponte-se) do acontecimento. Então, este grande obreiro da desinformação explicou, o que aconteceu: o exército do Sr. P, como está com falta de misseis de longo alcance, decidiu começar a usar mísseis terra-ar, provenientes de complexos de defesa antiaérea, mas destinados a alvos terrestres. E, continua o “cartilheiro”, dizendo que “estes mísseis, como se sabe, são menos precisos” e, concluiu com “isto marca uma nova fase na ofensiva caracterizada pela falta de armas de precisão”.

Bem, à parte a barbaridade de haver gente desta num serviço deste tipo, o que aconteceu, logicamente, e em linha com o que temos visto, e, aplicando o princípio de Occam, segundo o qual a explicação mais simples, normalmente, tende a ser a correta, é que, desde o início, as forças do Sr. Z, como forma de potenciarem o número de vítimas, para efeito de guerra da informação, colocam as baterias antiaéreas dentro das cidades.

Ao contrário do que mandam as regras, os sistemas de defesa aérea devem estar em locais desabitados, para, precisamente, não acontecerem este tipo de acidentes. Contudo, como o Sr. Z sabe (mas não o assume), as tropas do Sr. P têm mostrado contenção na hora de bombardear zonas urbanas, especialmente em comparação com as intervenções no Iraque ou na Palestina. Daí que, o Sr. Z, mande instalar estas coisas no meio das cidades, camufladas, pois sabe que aí mais dificuldade terá o inimigo em destruí-las. Contudo, sempre que têm de ser usadas – e neste caso foram usadas contra drones Geran-2 -, das duas, uma: ou intercetam o alvo aéreo, ou ficam à deriva e caem num local mais ou menos aleatório. É isto que temos visto acontecer desde o início desta guerra. Até porque, se as defesas antiaéreas são colocadas para defender um território que está dentro da área de intervenção, como raio é que um míssil antiaéreo do Sr. P cairia a dezenas de quilómetros da sua área de intervenção. Depois, existe um vídeo filmado por um civil de Adiivka que mostra o míssil a falhar o drone e a voltar para… Isso! Para o chão!

Depois, eu não sou militar, mas estes mísseis terra-ar são dirigidos a alvos móveis, sendo disparados para uma trajetória que intercete o alvo em movimento. Logo, como poderiam ser usados para alvos estáticos e logo em terra? E o que é que a precisão tem a ver com isso? Até porque, não sendo eu entendido, estes mísseis até devem ser bem precisos, porque senão não cumprem a sua função de defesa, certo? E, segundo tenho lido, o mais difícil é atacar alvos em movimento e estes mísseis fazem-no. Logo… Já viram o disparate que o tipo estava a dizer, só para justificar a aldrabice, mais uma!

Mas, esta questão do exército do Sr. P não ter munições, é outro disparate. E os bombardeamentos dos últimos dias demonstram-no com toda a evidência. Ao que consta nos próprios canais ucranianos, a noite passada foi mais uma em que infraestruturas importantes foram atacadas pelo exército do Sr. P. Ora, partindo do princípio de que os órgãos informativos “livres” não nos enganam deliberadamente, devemos questionar como é que o o Sr. P bombardeia sem munições. Temos de admitir que é um bocado estranho.

O site de política internacional Moon of Alabama fez uma lista (ver aqui) das notícias veiculadas pela imprensa “independente”, “livre” e “credível”, sobre o esgotamento iminente de munições ao dispor do exercito do Sr. P.

Desde a Reuters, Financial Times, o Moscow Times (é americano, e não, não foi encerrado!), Jerusalém Post, Daiy Mail, the Sun, Newsweek, Business Insider, todos, mas todos, desde Março do corrente ano, recorrem a especialistas do topo da hierarquia militar dos nossos dominadores “aliados”, para jurarem, a todos os santinhos, pela família e filhos, que o Sr. P já só tem pólvora seca, ao seu dispor. Nem é preciso dizer, o quantas vezes as nossas “livres” TV’s, Jornais e Rádios, reproduziram estas afirmações, nunca as contradizendo, ou, pelo menos, verificando junto de fontes diversas e realmente independentes, se tal seria verdade ou não.

Todos estes casos, a par das constantes “visitas” do Sr. Z à linha da frente, mostram-nos como, cada um dos lados, combate esta batalha, usando estratégias totalmente diversas. Uns trabalham para a fotografia, outros trabalham para dominar, de facto.

Exemplo disto mesmo é o que alguns militares americanos (russos, chineses e europeus também) têm referido a respeito da estratégia russa. O objetivo de desmilitarização do exército do Sr. Z, segue os princípios doutrinários das grandes vitórias do passado. Pode destruir-se o inimigo indo contra ele, mas isso obriga a recursos infindáveis e, sobretudo, a maior mortandade de tropas. A outra hipótese é o que fizeram com Napoleão ou na 2ª grande guerra. Estabilizam as linhas de defesa, fortificam-nas e criam uma barragem de artilharia, com apoio de aviação e tudo o que é preciso. Depois, é só esperar pelo inimigo. Como o inimigo trabalha para a fotografia, vai-se deixando avançar as suas tropas em locais sem importância estratégica (estepes, cidades despovoadas) e, a cada avanço, o inimigo perde milhares de homens e centenas de veículos. O terreno “perdido” funciona como a “cenoura”. Não é segredo que, quando o Sr Z chegou a Liman, encontrou as casas vazias e os depósitos de munições desertos. Ou seja, houve uma saída planeada e ordenada. Em contrapartida, as perdas nesse avanço foram na ordem dos milhares de homens.

O facto é que, tal como fez Hitler na 2ª guerra, na tentativa de gerar um plano de desmoralização do inimigo, à medida que ia vendo o seu exército desbaratado, foi precisamente quando começou a fazer avançar as reservas, atacando tudo ao mesmo tempo. O resultado, já todos sabem qual foi. Hoje, ao serem vistos os relatórios das várias partes envolvidas (todas elas e não apenas as duas principais), constatamos que, até de acordo com a comunicação social “credível”, todos referem perdas de centenas -e às vezes milhares – todos os dias, nos continuados ataques do Sr. Z. No final, tudo o que são objetivos estratégicos, não consegue nenhum. Mas, aos poucos, vai perdendo o exército. As armas soviéticas já foram quase todas (as que tinham e as que lhe mandaram os “aliados”), e agora chegou a vez das ocidentais, que chegam a cada vez menos velocidade, ao ponto de já se usarem veículos civis normais como carros de assalto.

E porque é que, sabendo disto, o Sr. Z opta por chocar contra este muro? Porque o objetivo é a fotografia. Criar uma ideia de avanços continuados, visando desmoralizar o inimigo, na linha da frente e em casa. A par disso, os serviços secretos de Sua Majestade, ajudados e coordenados pelos de sempre, vão rebentando com infraestruturas importantes, dentro e fora do país do Sr. P, visando criar um contexto propício a uma revolução colorida que o retire do poder. Esta é a única estratégia real que eles têm (e que se repete no Irão, na Tailândia, na Venezuela…), visto que, as sanções não resultam, porque, como já todos sabemos, elas não se destinavam ao país do Sr. P, mas aos países do Sr. S, M, L, “sabiamente” colocados a jeito pela Srª van der Lata.

E de tal modo foram colocados a jeito, que, só para dar um exemplo do nível de autoflagelação em que fomos colocados, podemos dizer que, num período marcado pela crise “provocada” de acesso ao petróleo e gás, em que estas matérias sobem de preço de forma estratosférica, a Europa continua a comprá-las, não em euros, mas em dólares. Ora, se o euro tem desvalorizado e o dólar tem valorizado (o que demonstra a engenharia aqui subjacente), a Europa deveria evitar comprar energia em dólares, certo? Pois, ao converter euros em dólares, está a prejudicar-se do ponto de vista cambial. Mas para não chatear a Casa Branca, Van Der Lata prefere tornar-nos a energia ainda mais cara, enquanto países como a China, India, Turquia, Brasil, Irão, Arábia Saudita e outros, já estão, precisamente, a diminuir as suas compras em dólares, precisamente porque este está demasiado valorizado. Eis como se enterra, ainda mais, uma economia.

E enquanto Stoltenberg diz que uma derrota do Sr. Z é uma derrota de todos “nós”, o que, pela milésima vez, demonstra quem está, de facto, por detrás do conflito, na França mais de 2000 postos de combustíveis estão fechados por uma greve, que ameaça tornar-se uma greve geral. Isto, enquanto Macron manda atirar com gás lacrimogéneo e balas de borracha contra estudantes do ensino secundário em luta. Oh! Se fosse o Sr. P, ou o Sr. X, o que não faltaria de “ditadura” e “tirania”. As classificações dependem da simpatia ocidental para com quem pratica os atos. Num caso são estudantes “violentos”, no outro são estudantes “pacíficos”, mesmo que atirem com cocktails Molotov.

Mas as TV’s do burgo pouco falam destas coisas, que, aliás, se repetem, cada vez com maior força, pela Europa fora. O que não admira, tal o nível de autodestruição em que foi colocada a economia europeia e, no nosso caso, nacional.

Mas se Marcelo e Costa têm tanta comiseração pelos civis ucranianos – que a merecem toda, diga-se – pouca têm pelos 400 jovens e crianças abusados pelas figuras da igreja católica. Parece que, uma vez mais, depende de quem pratica a violência. Se é inimigo, são crimes contra a humanidade, se são amigos, são “poucos casos”. Se este exemplo não serve para constatar a parcialidade com que se avalia a realidade, então não sei já o que serve.

O facto é que isto tudo pode ainda agravar-se mais. O aprofundamento das relações do país do Sr. P com os países do Golfo, tem tudo para começar a ameaçar de morte o petrodólar. Ora, já sabemos onde vão os nossos “amigos” atlânticos pilhar, quando perderem os “almoços grátis” do petrodólar. Penso que, a valorização a sua moeda, o crescimento do seu PIB, o domínio de mercados, antes europeus, entre outros, mostram o caminho que vai ser seguido. E como nós o pagaremos com língua de palmo.

Se a isto adicionarmos as provas que já existem de que o Sr. Z usa os barcos carregados de cereais – carregados ao abrigo do acordo da ONU – para esconder e transportar armas, antevê-se aqui mais um aperto no garrote. É que o Sr. P terá o pretexto que quer para impedir estes barcos de saírem em direção aos seus compradores. Também se diga que, ao contrário do que se propagandeava, o trigo vindo do país do Sr. Z não se destinava a África, mas sim à Europa. Apenas 2 em cada 87 navios, saem com destino à África. Eles vêm é para a Nestlé, Milaneza, Nabisco, Matutano e outras do tipo.

O mesmo faz o Sr. Z com os comboios de civis saídos da Polónia. Carruagens à frente com civis, carruagens de trás com tanques de guerra, transformando os civis em escudos, ou em alvos militares, é só escolherem. E porque o fazem? Porque sabem que, ou o Sr. P não os ataca, por causa dos civis, ou se os atacar, lá vêm as fotografias de mortos sempre tão requeridas nos meios de propaganda ocidental.

Por fim, sabemos que os EUA pretendem banir, desta feita, o alumínio do país do Sr. P. Não admira. Tendo assegurado os seus fornecimentos, seja ao nível nacional, seja na América Latina, os EUA podem agora apertar um pouco mais um garote à EU. Até porque Van Der Lata, se os EUA dizem que é alumínio, ela manda logo banir o aço, níquel, zinco, papel, madeira, cereais… Tudo para se mostrar convicta, militante e bem-comportada.

O facto é que, o alumínio é daqueles metais que tem importância primordial para a indústria automóvel, aviação e metalomecânica. Estas indústrias, motores da economia europeia, terão de o comprar muito mais caro e a quem? Ou a mercados dominados por quem? Pelos de sempre.

E se dissermos que, da Boeing à General Motors, anular a concorrência da Airbus e dos fabricantes alemães, franceses e italianos, dá um jeitão… Já se está mesmo a ver quem ganha com a desindustrialização… Os discursos podem ser lindos, convictos, solidários e libertadores… Mas a prática, a objetividade, a realidade é esta:

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A verdadeira diferença

(Por Hugo Dionísio, in Facebook, 10/10/2022)

Hoje, ao sair da minha casa, deparei-me com Katia, a minha porteira. De boné azul-bebé com o tridente de Bandera (agora ucraniano), recebeu-me sempre simpática (e que bem que sabe o que sou), mas triste. Perguntei-lhe: “Então”? “Estás preocupada”? Ao que me respondeu: “Esta noite foi muita bomba”. Desejou-me “bom trabalho”, como faz todos os dias, e eu respondi-lhe “Infelizmente há muito quem queira a guerra”, tendo ainda acrescentado “qualquer coisa que precises, diz”. Nos últimos tempos tenho ajudado vários Ucranianos, que me traz à porta, com a documentação e lhes transmitir, em Inglês, algumas instruções. Foi assim, também, que conheci Ivan, jovem fugido a um dos muitos recrutamentos já feitos pelo Sr. Z.

Ao meio dia, recebo um telefonema de Tatiana. Tatiana também é Ucraniana, mas de Zaporizhie. De mãe Bielorussa, Tatiana fala russo e é ortodoxa, tal como toda a sua família. Disse-me que “o meu tio, um velhote reformado, levou com um estilhaço de uma bomba na barriga e está quase a morrer num hospital”. “Estilhaço de quê”? Perguntei-lhe. Ao que me respondeu “de que haveria de ser, de uma bomba ucraniana”. Este “ucraniana” veio acompanhado de um “ainda bem que já somos russos”, “mas ainda não nos sentimos protegidos”. Ao contrário, de Katia, Tatiana não pode andar na rua com um boné da Novorussya ou mesmo da Rússia. E ela sabe-o melhor do que ninguém.

A primeira vez que me cruzei co alguém que sofria os efeitos da guerra na Ucrânia, foi em 2015, com Natasha. Natasha tinha ido para Donetsk em 2013 – “as coisas estão a melhorar” dizia. Tinha ganho o Partido das Regiões, partido de Rybak e Yanukovich, que era uma coligação de vários partidos “russófonos”. O “Fatherland”, partido de centro direita nacionalista, ficou em segundo. O Partido das regiões ganhava o leste todo, incluindo Kharkov e Kiev, o “Fatherland” ganhava o oeste. Quem não via esta divisão, não queria ver o que era a Ucrânia. Hoje, a propaganda ocidental apagou esta história. Mas o facto é que ela existiu.

Natasha fugiu da guerra. “Como assim, da guerra”? Fugidos os mais ricos, quem ficou no Leste foram os pobres, os trabalhadores, os russos, disse-me Natasha. Em 2014, com o golpe de Maidan e a dissolução do partido das regiões, lá ganhou Poroshenko. E a história é conhecida.

O que a convivência diária com os Ucranianos me proporciona, é a noção de relatividade, mas também de objetividade. O que para uns é libertador, para outros pode ser opressor. Não que estejam em lados diferentes, mas porque a forma como os veem muda consoante a sua perspetiva.

E esta é a grande diferença entre quem abominando a guerra, qualquer guerra, e procurando os factos concretos, com a sua singela objetividade, distinguindo entre “facto” e “perceção” e entre “discurso” e “prática”, e quem, partindo de verdades absolutas, propagadas no Google, nas notícias ao minuto e nas TV’s dos órgãos privados ocidentais, mas que, sem um pingo de conhecimento concreto, objetivo, humano e prático, acha que pode desatar a assumir opiniões definitivas e absolutas sobre a natureza daquela guerra ou de outra, do regime do Sr. Z ou de Putin, dos russos ou dos ucranianos.

E são precisamente os donos dessa “verdade absoluta”, tão religiosa quanto própria do futebolês mais intolerante, quem toma atitudes intolerantes para com quem não alinha na tendência dominante, oprimindo ou ofendendo quem tem a coragem de pelo menos tentar fornecer uma leitura objetiva, histórica e dialética daquele conflito. E é esta gente, que nunca ouviu um russo ou ucraniano que não sejam os que passam e falam nos canais de propaganda ocidental e que, tudo o que vê, ouve e aprende sobre esses países, é filtrado pelo passador dos algoritmos do Vale do Silício, que verborreia a “democracia” de Z e a “ditadura” de Putin, sem perceber que a realidade não é a preto e branco, que não tem de ser uns contra os outros, como um qualquer jogo de futebol, e que é possível analisar, perceber e tomar um lado, sem com isso alienarmos toda a nossa racionalidade e capacidade de discussão e debate.

É por isso que há quem sofra tanto com a dor de Natasha, como com a Katia. E saiba que a dor de uma não tem de ser contrapartida da outra, nem a dor de uma acontece por ser contra, ou por causa, da outra, ou por uma estar uma de um lado e outra do outro. A dor das duas acontece por culpa do mesmo responsável, do mesmo agressor, mesmo que não pareça. A dor que oprime estes dois seres humanos tem, não tem, do outro lado, um russo ou um ucraniano.

Do outro lado, as suas dores, têm os causadores da guerra, desta guerra, de todas as guerras. E é caricato que, quem despreza as dores de uns, ataca precisamente quem honra e sofre as dores dos dois. Porquê? Porque é instrumento de quem quer, precisamente, dividir o mundo em dois lados, dividindo seres humanos, povos, trabalhadores e suas famílias, em nome de um mundo separado entre dominados e não dominados, traduzindo-se daqui para “democracias” e “ditaduras”, se a esta terminologia, o adepto e o fanboy forem mais sensíveis.

E é precisamente esta lógica “hooliganista” que, hoje, justifica que às eleições “democráticas” que elegem Z, se contraponham os referendos “aldrabados” do Kremlin… Como se fosse só escolher, entre o lado Oeste, que extirpa do sufrágio todos os partidos russófonos e tolerantes com a russofonia, ganhando assim as eleições, e o lado Leste que, apenas povoado quase exclusivamente por pró-russos (nem outros lá quereriam ficar), decide juntar-se à Rússia. E tal como escolhem um ou outro, designam o primeiro, o seu, como democracia, e o do outro, como ditadura, desprezando a vontade de todos os que aí quiseram, de facto, votar e exprimir a sua liberdade. Como se a liberdade de uns, valesse mais do que a de outros.

E, ao contrário desse intolerante adepto, há quem fique triste com os bombardeamentos de hoje à Ucrânia, porque sabe que “agora é que a escalada infernal vai acelerar”, como fica triste pela destruição da ponte da Crimeia, por saber que tal constituiria mais um passo numa escalada que vai vitimar inocentes, de um lado e de outro.

E é por isso que há quem não possa estar de acordo com o triunfalismo ocidental o mesmo que comemora a destruição da ponte, demonstrando que o regime de Z vive do ódio ao próximo, ao irmão, que até ontem com ele vivia. Mas é por isso também, que há quem não possa estar de acordo quando extremistas russos chamam de porcos aos soldados Ucranianos, tal como não aceita quando os Azovs chamam de Orcs aos soldados russos.

Hoje, quem toma partido, como no futebol, em 2014 não quis saber. Se quis saber, hoje vendeu-se ou deixou-se toldar com a propaganda. Quem viu Nuland e Ana Gomes a distribuir lanches, dando força aos movimentos neonazis, sabia que ali estava quem representava o outro lado, o reverso da dor e do sofrimento de dois povos, hoje irremediavelmente separados.

Do outro lado está a ganância, o belicismo, o domínio dos recursos alheios, a tentação de impor a sua lei aos outros povos, o neocolonialismo, a cobardia e o seguidismo, a superficialidade e a religiosidade na crença de tudo o que é apresentado como “o ocidente, contra o mundo”, especialmente se, do outro lado, estiver um mundo que não se deixa dominar.

Mas quem se deixa religiosamente manipular, pensando que está obrigado a escolher um de dois lados, quando os dois lados não existem ou são falsos, porque aquela que é a divisão real não lhes é apresentada, mas escondida, é precisamente quem acredita que Putin é comunista e a Rússia um país socialista, mesmo que mais de 90% da propriedade esteja em mãos privadas e a Rússia de Putin seja também um país com tantos oligarcas por 100.000 pobres como uns quaisquer estados unidos ou europa ocidental. Bastou acenarem-lhe com o vermelho, qual arquétipo despertador de antigas e superficiais divisões.

E sabendo-se que Putin pertence ao partido Rússia Unida que congrega vários movimentos conservadores e até liberais, com grande apoio da Igreja, e que a tudo isto se opõe o PCFR, constituindo a real oposição a Putin, mesmo assim, basta Paulo Portas, que cá para nós, deveria estar preso pelos seus escândalos de corrupção e não na TVI aos fins de semana, aparecer com um Lenine ao lado, enquanto fala da Rússia, para o rebanho crente, acrítico, preconceituoso e intolerante, passar a acreditar que Putin é mesmo comunista. E enquanto isso, esquecem-se que, a real luta, não é entre comunistas e não comunistas, mas entre exploradores e explorados, entre capital e trabalho, entre povos e impérios.

E é esta imagem, esta superfície bacoca, mas alienante, de que vive este regime de néons, que tão de repente chora a dor de uns, enquanto goza, despreza e esconde a de outros. É também esta gente, que celebra a liberdade de uns, enquanto oprime a de outros. É esta gente que propagandeia a “nossa” democracia, usando-a como arma de arremesso contra a “tirania” dos outros, bastando, para isso, alguém dizer que, a informação de uns é propaganda, e a propaganda de outros, é informação.

E o mesmo fazem em relação aos povos. Se aqui todos emprenham pelo mesmo ouvido, é porque temos liberdade e podemos exprimir-nos. Se tal sucede nos outros países, eleitos como inimigos pelas caixas-de-ressonância de Wall Street, é porque esses povos estão alienados pela propaganda, condenando essa gente à estupidez e a condescendência paternalista de acharem que, tais povos, não sabem o que querem, apenas porque querem algo que não lhes cabe no seu preconceito, nos seus dogmas futebolísticos.

E, por fim, são estes que escondem as guerras de uns, condenando veementemente, e com tal energia, as de outros, não venha alguém expor a sua hipocrisia, cinismo e cobardia.

E é por isso que eles não são verdadeiramente contra esta guerra… apenas são contra aquele que identificam como agressor.

Tudo porque, como no futebol, se tomam pelo lado que se auto classifica como agredido!

Neste jogo hipócrita, a dor real é secundária… E essa é a diferença!


P.S.1. Já repararam que evito escrever nomes de certos países e pessoas: a censura algorítmica a tal me obriga. As minhas desculpas.

P.S.2. ATENÇÃO!

Como forma de contornar a pressão crescente dos algoritmos, decidi criar dois canais alternativos para os meus escritos:

um blogue:

https://canalfactual.wordpress.com/

(contém todos os textos, incluindo alguns que não publico e mantenho na gaveta)

Um canal Telegram:

https://t.me/canalfactual

Contém links para todos os textos do blogue e notícias que vou destacando, incluindo textos com reflexões muito sintéticas

Para quem segue os meus textos e pretende fazer-me questões sobre assuntos concretos, recomendo que usem o Telegram. Estes são os dois canais, de momento, mais seguros para acompanhar o que escrevo.

Se te interessa, visita e partilha. Só a informação, a reflexão e o debate livre, sério e descomprometido, nos pode conduzir à luz.

Um abraço a todos e todas que comigo partilham o interesse pela procura do conhecimento.


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Um imenso futebol

(Por Hugo Dionísio, in Facebook, 06/10/2022)

Não obstante o triunfalismo presente na generalidade da comunicação da Aliança do Norte Atlântico, chegando ao ponto das mais ridículas tiradas jornalísticas, como aquele grande jornal chamado “I” (deve ser de “Invenção”) que refere o “facto” de a Rússia ter perdido o controlo de “todas” as regiões anexadas (não dão por menos, é de “todas”), e de ter voltado o “a Ucrânia está a ganhar a guerra”, os indícios de que a realidade não perdoa, demonstrando que tudo se encaminha para um agravamento pronunciado da nossa queda, são por demais evidentes.

Um deles é mesmo extraordinário: O Ze “proíbe o seu governo de dialogar com a Rússia”. Então, não percebo, mas o governo não está com Ze? O povo não está com Ze? O país não está todo alinhado e consistente e correntemente alinhado na sua missão contra o Urso do leste? Mas se está… como referem incansavelmente as fábricas de comunicação do burgo, então, o que é que justifica esta “proibição”? Supostamente, o Ze é que sabe se há negociação, ou não, certo?

Não, não é certo. O facto é que as cúpulas militares dos dois países encontravam-se em negociações mediadas por Alemanha, Arábia Saudita e Turquia, tudo secreto e à margem dos mestres do universo do Atlântico Norte e da CEO do conselho de administração da EU, Ursula Von der “Crazy”. Negociações de paz, em pleno desespero energético, à margem dos Donos Disto Tudo, só poderiam ter dado no que deu: Toneladas de dinamite no fundo do báltico, como que a dizer “não há caminho de volta”.

Tal como os inúmeros agentes do Tio Sam descobriram as negociações “secretas”, o que é sempre difícil em países colonizados, também terão reportado a Ze quem andaria a negociar com o inimigo, cometendo esse imperdoável pecado de querer negociar a paz. E tudo feito nas costas do grande presidente, que teve a honra de entrar nos Pandora Papers como resultado da utilização do seu povo como exército por procuração. O resultado não seria difícil de prever: logo que o acordo estivesse feito, a cúpula militar destronaria o comediante de serviço, acabando com uma guerra fratricida que joga um povo irmão contra o outro, apenas por interesse do que George Lucas tão bem designou em “Star Wars”, o “Império”.

Só esta desconfiança absoluta no seu comando, é que justifica publicar um decreto que dá pena de prisão a quem tiver o desplante de negociar a paz. Veja-se só! Então “pagam-me para fazer a guerra” e “agora estes traidores querem a paz”? Não admira mesmo nada que, à entrada do inverno, num país falido, sem energia e com uma população que, na sua maioria, sempre viveu próxima (nos últimos 30 anos) do país agora designado como inimigo, haja muita gente que comece a pensar que “já chega”, antes que fiquem sem país.

Afinal, o Ze recebeu mais de 70% dos votos para fazer a paz e aplicar os acordos de Minsk. Se os partidos fachos são minoritários, o que não os impede de terem tomado o poder de estado, o facto é que haverá mesmo muita gente que se deixou ir na onda e, agora, confrontados com a difícil realidade e tendo em conta de que vivem numa região em que as pessoas sempre se sentiram parte da nação agora apontada como inimiga, queiram voltar a tempos de paz e esperança. O Ze e os seus mandantes não o podem permitir. Fosse outro a fazer isto e estariam a chamar-lhe tudo, sendo “sanguinário” o que de mais suave lhe chamariam.

E este esforço negocial, que resulta de um lento mas inexorável acordar para a vida, é inclusive verbalizado por Elon Musk, dono do Twitter. Elon Musk vem apresentar um plano de negociações, assente nos seguintes pontos: 1. Fazer eleições monitorizadas pela ONU nas regiões anexadas e, se o povo continuar a escolher, então mudam de nação, caso contrário ficam como estavam; 2. A península da Crimeia fica onde está, porque tirando o tempo entre a oferenda de Khrushchov e 2014, já aí estava desde há 200 anos; 3. O país do Ze permanece neutro.

Ora, isto é mais ou menos Minsk I e II, que Ze não cumpriu. Mas, eis que nem o facto de Musk ser dono do Twitter o perdoou. Os “bots” dos mestres do universo e também seus patrões noutras áreas, atacaram-no de alto a baixo, chamando-lhe tudo, mesmo tudo. Musk fez mesmo uma sondagem, para ver a aceitação da sua proposta: na 1ª hora, 60% aprovavam, 40 estavam contra; entrados os “bots” da NSA e da SBU, o resultado inverteu-se. Afinal, há que dar a impressão de que as pessoas querem que a guerra continue.

Mas não querem, e tanto não querem que a Úrsula teve de vir hoje dizer que “agora é que” vai doer e “estamos a entrar numa fase decisiva”, mas “temos de nos manter unidos”. Em nome dos “valores europeus”, sabe-se lá o que são, mas sabemos bem a quem interessam. Aos povos europeus não será certamente.

Entretanto, depois disto, Ze para não parecer que está contra a paz – talvez aconselhado pelo seu dispendioso assessor da CIA, veio dizer que “negociações sim, mas “só com o próximo presidente Russo”. Isto quer dizer duas coisas: ou, não se negoceia, e ponto final, pois o presidente atual não vai a lado nenhum e aquela história da “maioria silenciosa” a que a Casa Branca se refere, nem é silenciosa, nem é maioria; ou, os DDT vão jogar as cartas todas e tentar o que estão a tentar – e a “desconseguir” (como eu gosto do Mia Couto) – no Irão, ou seja, uma revolução colorida, algo que não conseguirão, mas terá uma utilidade, identificar os traidores da pátria que ainda andam lá pelo burgo.

Seja como for, no final, as coisas continuarão a agravar-se para nós, mas com muito mais velocidade, algo que até o avozinho avisador de pedófilos e presidente da nossa infeliz república não se esqueceu de assinalar. Embora, como se sabe, ele está do lado de tudo menos da paz. Pois a paz que eles defendem consiste na aniquilação de um dos lados e não na negociação e compromisso entre os dois, como deve defender quem é, realmente, pela paz. É que a paz verdadeira é isso mesmo: compromisso entre gente civilizada.

Um dos sinais já foi dado pela Arábia Saudita, que com a Rússia e contra as pretensões dos EUA, já anunciaram o corte da produção de petróleo em um milhão de barris. Ninguém os pode levar a mal por quererem ganhar mais, e ninguém pode levar a mal quererem apertar o garrote ao inimigo. Eis o resultado, para já, das “oil caps” impostas pelos EUA ao G7.

Entretanto a OPEP+ reuniu, e de tal forma aprovou a intenção dos outros dois, que o corte será de 2 milhões. Desgraçados de nós! Somos sempre nós a pagar pela incompetência, a covardia e a falta de verticalidade dos que têm o poder nas mãos e se apresentam como democraticamente eleitos. Até o são, mas se a eleição é democrática, já a sua ação não o é, pois é praticada no sentido de interesses alheios.

Macron, que agora tentou formar uma EU dos pobres, de segunda categoria e dominada pela França, não se pode rir. Tentou montar uma coisa com 27 países não pertencentes à EU, uma espécie de antecâmera. Tudo isto porque não quer a Ucrânia na EU e não tem coragem de o defender. Então, inventa. Mas não conseguiu nem o apoio dos de segunda, nem dos de primeira. Por sua vez, a França perdeu o controlo colonial do Burkina Faso e República Centro Africana. O Mali já tinha ido. Agora, em conjunto com o Níger, que para lá caminha, podem estar em causa as enormes minas de Urânio baratinho com que são alimentadas as centrais nucleares Francesas.

Se o grupo “Sahel” das nações da África Central (Gâmbia, Burkina Fase, Niger, Mali, Senegal, Argélia, Chade, Camarões entre outros) criado pela França (com apoio da EU) para “combater” o “terrorismo” e com tal ameaça justificar a entrada de tropas francesas, está dado como “morto”, a verdade é que não faltou muito para que as populações constatassem quem apoiava o terrorismo de facto (e porquê) e começassem a surgir manifestações e golpes de estado claramente antifranceses. As bandeiras russas nas manifestações de alguns desses países e a sua renúncia à aplicação e sanções, dizem-nos claramente quem beneficia com esta desagregação.

É caricato que as sanções que a ECWAS (União Económica das nações da África Ocidental), por ordem de Washington (não sabem outra) aplicaram ao Mali e ao Gana, tiveram mais uma vez o condão de virar estes países contra o domínio ocidental, conseguido através da corrupção e da compra de ditadores cleptocratas (também só sabem esta).

Quanto mais sabemos da política de sanções unilaterais e autocráticas com que o “democrático” Ocidente gosta de brindar as nações que não se submetem ao seu regime, mais constatamos que, ao contrário do pretendido, as nações visadas vão progressivamente, e com custos humanos brutais, vendo-se livres desse jugo. Afinal, hoje são 57 países que, ao todo, estão sob sanções dos EUA e, consequentemente, das suas colónias europeias.

Com a perda de domínio do mercado petrolífero mundial, cuja influência tem vindo paulatinamente a diminuir, os EUA têm usado como solução para conter o aumento de preços, a libertação constante de milhões de barris da sua reserva estratégica nacional. Segundo alguns órgãos especializados, esta está já nos seus níveis mais baixos dos últimos 40 anos.

Se a isto adicionarmos as dificuldades na compra de gás e petróleo, por parte da EU (a Alemanha consegue petroleiros em troca de armas para a Arábia Saudita, para matar Iemenitas) e a ameaça que existe às fontes africanas de urânio, bem podemos dizer que a base da nossa civilização – a energia barata – está ameaçada de morte.

Por cá segue o circo com a inclusão da Ucrânia na candidatura da Espanha e de Portugal. Eu percebo o oportunismo bacoco e até o seguidismo. Mas, incluir um país que não tem nada a ver connosco, não é sequer nosso parceiro económico, comercial ou militar (apenas militar e inconfessado), não tem especiais laços históricos com estes países, não tem qualquer semelhança de língua, religião, cultura ou regime, apenas coincidindo no dono…. Está à vista o ponto a que chegámos, em que a decência deixou de existir.

Já para não dizer que, em 2030, nem sabemos – e ninguém pode garantir – se existirá sequer uma Ucrânia, a justificação que Fernando Gomes dá para incluir esse país em guerra, é a de que “ninguém se pode esquecer do que se passa na Ucrânia”. Alguém me diga, então, por que razão Portugal e a Espanha não incluíram na candidatura o Iémen, o Iraque, a Síria, a Líbia e muitos que estão em guerra, mas não perpetrada pelos mesmos agressores.

O dizer que a UEFA apoia incondicionalmente esta candidatura, ora que admiração. Mas quem é que manda na UEFA? E existe algo de mais corrupto, vergonhoso, bárbaro e cínico do que o mundo do futebol?

Eis no que se tornou as nossas vidas… Vemos a vida piorar, os salários a cair, a saúde e a educação a colapsar, a energia a encarecer, a soberania do nosso país – e com ela a nossa liberdade como povo – a esfumar-se, mas dizem-nos que “temos de aguentar”, porque é necessário para “derrubar o inimigo”. Tal como aguentamos a mentira, a ladroagem, a hipocrisia e a corrupção nos nossos clubes, porque temos de ganhar aos outros. Só porque sim, só porque o jogo funciona assim. Sem projeto, programa ou objetivo comum que una a humanidade como um todo!

Um imenso futebol.


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