Contributos para um manifesto radical

(Carlos Marques, in Estátua de Sal, 19/12/2025, revisão da Estátua)


(Este texto resulta de um comentário a um artigo que publicámos de Ana Sá Lopes, jornalista do Público (ver aqui), sobre a posição de Pedro Nuno Santos relativamente à moção de confiança que Montenegro apresentou e cuja rejeição levou á queda do governo e a eleições antecipadas.

Pela sua contundência – que muitos reputarão como excessiva -, e também pela identificação de muitos problemas que o mundo – e em particular Portugal – enfrentam, resolvi dar-lhe destaque, não deixando de sublinhar a radicalidade das suas propostas.

Estátua de Sal, 18/12/2025


Pedro Nuno Santos “teme” o abandalhamento das instituições da República… mas se for para obedecer a não-eleitos de Bruxelas para diminuir o tamanho de uma empresa estratégica e prepará-la para ser vendida a alemães ao preço da chuva ao mesmo tempo que despede trabalhadores e corta salários mas paga milhões a uma CEO, para isso o “socialista” Pedro Nuno Santos vai logo a correr.

Já o “socialista” José Luís Carneiro prefere pensar nas “preocupações fundamentais das pessoas”. Será que triplicar o que gastamos com armas sobrevalorizadas do complexo militar industrial da oligarquia dos EUA, em obediência cega ao imperador em Washington DC, para prolongar a guerra proxy na ditadura nazi golpista corrupta ucraniana, em preparação para uma guerra da NATO contra a Rússia, provavelmente com contornos nucleares, e isto tudo porque “gostamos” é de apoiar golpes da CIA e violar direitos humanos e a soberania de n países, será uma das tais “preocupações fundamentais das pessoas”?

A julgar pela pressa com que o José Luís Carneiro foi a correr dar a mão ao Montenegro para que rosas e laranjas tivessem ambos uma mão no pote desta nojenta negociata, se calhar os portugueses até querem mais isso do que ter comida na mesa.

Outro “socialista” chamado António Costa, numa conversa telefónica com o primeiro ministro da Eslováquia, Robert Fico, mostrou quem realmente é. Será que em 4 horas falou de saúde, educação, segurança social, investimento, indústria, impostos, direitos laborais, agricultura, tecnologia, etc? Não. Segundo Robert Fico, o António Costa tem um só servicinho: guerra, armas, Ucrânia. Mais nada. Assim se vê o tipo de espinha dorsal que é preciso ter para se chegar aos tachos EU-ropeus. A espinha dorsal de uma minhoca.

Podíamos correr o partido “socialista” todo, e só encontrávamos cagalhões iguais ou piores que estes três. E a mesma coisa pode ser dita do PSD. E a mesma coisa pode ser dita para os minis BE, Livre, PAN, IL, e CDS (que se transformou no PEV da Direita: só existe na teoria graças a uma “coligação” que garante a eleição aos do costume, mesmo sem terem votos…). E a mesmíssima coisa pode também ser dita do Chega.

As únicas diferenças entre estas estrumeiras é uma mera nuance: uns gostam mais de ajoelhar e abrir a boca perante o baixar de calças da fação “Democrata” do Império; enquanto outros preferem ficar de quatro e virar-se de costas para a fação Republicana ou trumpista. Mas, no essencial, pintem-nos de que cores os pintem, os cagalhões serão sempre cagalhões

Portanto a senhora “jornalista” (se fosse mesmo Jornalista, não tinha lugar na Mainstream Media), está a falar realmente de quê? Está a fazer o seu respetivo servicinho: perder o nosso tempo com a espuma dos dias, encher páginas e páginas com politiquices que têm ZERO impacto na nossa vida, e entreter/distrair os palermas que ainda acham que isto é “jornalismo”, e que ainda se iludem com a “democracia” e “liberdade” e “paz” que na realidade já não existem na Europa. Assim:

  • Por estes dias, a UE aplicou sanções e censura a civis cujo único “crime” foi discordarem da narrativa do regime, e preferirem os factos em vez da propaganda mentirosa.
  • No Reino Unido já se prende gente por ter “opiniões erradas” nas redes sociais. Na Alemanha 2025 foi o ano em que a polícia espancou mulheres no Dia da Mulher por se atreverem a dizer “Liberdade para a Palestina”.
  • Em Bruxelas a ditadura da UE ameaça o governo da Bélgica por este continuar a recusar roubar os bens russos e com isso dar completamente cabo da confiança no nosso sistema financeiro.
  • A direção nazi-fascista terrorista genocida da RTP confirmou que quer o “país” (colónia) de Netanyahu na Eurovisão.
  • A Noruega deu um Nobel da “paz” a uma fascista assassina corrupta e traidora que quer que a “sua” Venezuela seja invadida pelos EUA.
  • Os nazis ucranianos agora deram em fazer terrorismo (com a nossa bênção e dinheiro) contra navios civis que transportam petróleo, e se um dia acontece a desgraça de um derrame no Mar Negro, já sabemos que a Greta Thunberg lá vai aparecer em frente a todas as TVs da NATO a culpar o Putin.
  • Os EUA de Trump já admitiram publicamente que o seu objetivo é colocar os seus vassalos facho-nacionalistas no poder na Europa, em substituição dos facho-liberais que são demasiado vassalos dos “Democratas”.
  • Os terroristas da Al-Qaeda que a NATO e a Mossad colocaram no poder na Síria continuam a matar gente. E Taiwan continua a ser armada até aos dentes pelos EUA em preparação da próxima guerra proxy, desta vez contra a China.

Mas nada disso é abordado pelos “jornalistas” na Mainstream Media. Portanto digam-me lá uma coisa: já perceberam bem porque é que esta tipa escreveu um texto sobre NADA? Sim, porque um caso na politiquice portuguesa, sobre gente que nada decide e em quase nada discorda, é um grande NADA.

Seja o nosso Primeiro-Ministro o Zé ou um calhau, seja o nosso Presidente o Manel ou um pisa-papéis, e seja o nosso Parlamento mais colorido assim ou mais colorido assado, NADA muda em Portugal. Já está tudo decidido, em Washington DC, Wall Street, Silicon Valley, em Bruxelas e Frankfurt, em Londres, e na Jerusalém ocupada.

É aí que moram os monstros que decidem o que se passa na vida dos civis que vivem nas províncias (como Portugal) deste império nazi-fascista terrorista colonialista/sionista corrupto e genocida.

A caminho da guerra

Notícia do ano: um dos vassalos corruptos/submissos de Washington DC em Berlim, disse que temos de nos preparar para a guerra contra a Rússia até 2030. Numa reunião entre o Kremlin e os militares, Putin e Belousov responderam: a Rússia está a ser ameaçada.

Sabem o que acontece a quem ameaça potências nucleares? Em 2030 vamos descobrir. O Medvedev, há uns meses, deixou a resposta no ar, e passo a parafrasear:

Se estamos numa mera operação militar especial, com todos os cuidados, a avançar metodicamente com infantaria, é porque consideramos o povo ucraniano nosso irmão. Não teremos a mesma consideração pelos que não nos dizem nada. Os vossos muros e trincheiras e tanques e blindados não terão utilidade nenhuma no tipo de guerra que acontecerá caso a Rússia seja atacada pela NATO.

Continuem, portanto, a distrair-se com merdas, e continuem a fazer de conta que ainda temos eleições legítimas que representam os interesses do povo ou que podem mudar alguma coisa. Continuem a insistir em dar legitimidade, com o vosso voto, a quem não tem legitimidade nenhuma. Continuem a discutir a espuma dos dias em vez de perceberem o essencial. E depois, quando for tarde demais para fazer a revolução e restaurar o 25 de Abril, digam que eu não vos avisei. Imaginem só isto:

  • O imperador Trump tem a tarefa de separar os EUA da NATO europeia, ao mesmo tempo que manda os vassalos europeus militarizarem-se à maluca;
  • a administração seguinte, em Washington DC, terá a tarefa de mandar os vassalos nos “governos” da Europa sacrificar todos os europeus tal e qual como agora se sacrificam ucranianos;
  • um tresloucado dos Bálticos ou da Polónia pisa uma linha vermelha da Rússia e faz um ataque que provoca mortos civis em Moscovo (tal como os nazis ucranianos fizeram em Donetsk e Lugansk ANTES da intervenção russa) usando um drone Tekever de fabrico luso-britânico;
  • uns minutos mais tarde, um par de cidades da NATO é visitado pelos novos mísseis russos carregados com ogivas nucleares, e estas cidades desaparecem do mapa.

Rezem só para que uma delas não seja Lisboa…Ou então, em vez de rezarem (ao vazio, pois não há Deus nenhum a ouvir as vossas preces), mentalizem-se que temos de fazer uma Revolução o quanto antes. Temos que restaurar o 25 de Abril e a independência, temos de nos tornar militarmente neutrais, e temos de fazer uma limpeza política quer aos Facho-Nacionalistas, quer aos Facho-Liberais, e temos ainda de recuperar a verdade, fechando as redes “sociais” do Tio Sam, e mandando para a rua todas as PRESStitutas que fizeram carreira a mentir e a manipular em nome do Império e sua oligarquia e também do lobby sionista. Uma lei contra a interferência e os lobbys estrangeiros é essencial. O regresso do escudo também. E a saída da ditadura da UE é uma necessidade cada vez mais óbvia.

E um outro projeto para Portugal

E a Constituição é para ser mesmo cumprida. E para além de se proibir partidos fascistas, deve-se também proibir que os outros partidos usem nomes enganadores. Se um partido é Facho-Liberal, então não se pode chamar “Social-Democrata”. Se um partido é sionista, então não se pode chamar “Democrata Cristão” (se bem que ser-se genocida não é incompatível com ser-se glorificador da Bíblia onde “deus” extermina bebés e crianças inocentes no Egito…). Se um partido apoia nazis ucranianos, não se pode chamar nem “Livre” nem “Bloco de Esquerda”. Se um partido aceita retrocessos laborais, não se pode chamar “Socialista”. Se um partido apoia grupos de lunáticos que roubam cães aos sem-abrigo, então não se pode chamar “Pessoas e Animais”. Quiçá podia-se exigir também à IL que acrescentasse a palavra Pinochetista ao nome, e ao Chega que acrescentasse a palavra Salazarista. Já o PCP tem um nome que não engana ninguém, embora fosse interessante perguntar a um qualquer cidadão em Kherson ou Zaporojie ou Donetsk ou Lugansk ou na Crimeia, eleitor do ilegalizado Partido Comunista da Ucrânia (o segundo maior partido nessas regiões até 2014), o que acha de um partido que se diz “Comunista” mas que condena quem luta contra nazis…

Resumindo e concluindo, o lugar de Portugal não é o de mera província descartável do Império dos EUA, e muito menos debaixo da Alemanha à espera que a próxima cuspidela do(a) chanceler não nos acerte em cheio (como aconteceu em 2011-2014).

O lugar de Portugal é estar, ao lado do Brasil, a olhar olhos nos olhos os restantes BRICS+, e a estabelecer rotas comerciais com o Sul Global, desde o México até Angola, desde Moçambique até à China. A fazer negócios em escudos. A exportar o que se pode fabricar na indústria portuguesa. A usar os campos para obter soberania alimentar, em vez de desperdiçar a água do Alqueva a regar a monocultura de abacate para estrangeiro papar. A ir atrás dos que fogem ao fisco, em vez de lhes abrir as pernas no offshore da Madeira. A voar numa TAP 100% portuguesa. A comprar petróleo barato à Rússia e à Venezuela, em vez de torturar as carteiras dos nossos automobilistas só porque um cabrão em Washington DC e uma puta em Bruxelas assim mandaram. A poder ver a RT e a Telesur, em vez de as censurar em violação da nossa próprio Constituição, e em vez de papar notícias falsas da CIA/Mi6/Mossad nas CNN e FOX, BBC, e i24, e companhia. A acabar com a Microsoft e a substituir tudo por Linux. E a estabelecer uma relação privilegiada com a China na ponta oposta da Belt & Road Initiative, para ver se acabamos com a dependência dos automóveis alemães e franceses, e do hardware da Intel/Nvidia. etc.

E o que está em causa

O que está em causa não é se no casinho da semana há mais razão no cagalhão Pedro Nuno Santos ou na estrumeira atual do P”S”. O que está em causa é a luta pela independência e soberania, pela decência e verdade, pelo progresso económico sustentável e pela reindustrialização, pela paz e pela verdadeira democracia realmente representativa.

Por um Portugal que tenha voz e futuro no Mundo Multipolar, e recupere as ferramentas para voltar a ter pleno emprego e valorização salarial (só possível fora do euro e sem neoliberalismo), e desse modo possa recuperar a motivação dos jovens para cá ficarem (em vez de emigrar) e terem famílias com vários filhos (em vez de um só filho, e só tarde na vida).

Para assim podermos depois evitar o inverno demográfico  – a peste grisalha de mais de três milhões de pensionistas num país só com seis milhões de pessoas -, que se prevê até ao final deste século.

Mas que grande sova no MST…

(Hugo Dionísio, in Estátua de Sal, 03/11/2024, revisão da Estátua)


(Este artigo resulta de um comentário a um texto que publicámos do Miguel Sousa Tavares (ver aqui). Pela sua atualidade e a sua – talvez até polémica – acutilância, resolvi dar-lhe destaque.

Estátua de Sal, 04/11/2025)


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Estou muitas vezes de acordo com Miguel Sousa Tavares (MST). As vezes em que não estou, a discordância é normalmente violenta e até epidérmica. MST tem a inteligência dos sábios, mas a arrogância mental dos aritocratas ociosos. O que o torna extremamente contraditório e paradoxal.

O que também nunca esconde – ele tem o condão de nada esconder, o que é bom – é a sua visão de classe: MST não se julga “trabalhador”, não se julga “povo”, julgando-se aristocrata, o que é tão contraditório vindo de onde vem (pelo menos em parte).

Neste texto, conseguimos ver esse MST em cada vez que mudamos de parágrafo. Se num parágrafo somos incitados a quase bater-lhe palmas, no outro levamos uma chapada para nos acordar. Um exemplo: ao referir que Ventura elogia oportunisticamente Salazar, também diz que o faria por Estaline. Nada mais falso! Em nenhum dia do mundo ouviríamos Ventura elogiar Estaline. Talvez na Rússia, onde, por razões que a maioria dos russos bem explicará, Estaline seja uma figura reconhecida, mas a maioria dos ocidentais não compreenderá (como MST), Estaline. E então, em Portugal, jamais.

Ventura faz do reacionarismo, da pequenez fascista e salazarista, da estupidez obscurantista e da demagogia cobarde as suas bandeiras preferenciais, tendo como alvo do ataque precisamente o PCP, e não é por acaso: o PCP representa o contrário, o antagonismo, o culpado que persegue. E tanto o faz que arrastou o centrão para essa luta ingrata, invejosa e demagógica contra o PCP, tão própria do ser português tacanho e de rebanho que MST refere.

E quem se deixou arrastar pelo Chega (por cagaço ou oportunismo) não foram o PCP, ou mesmo o BE, os “da esquerda radical”. Foram os “moderados” que MST tenta apaziguar no seu texto quando dá em Salazar e, depois, em Estaline,. como que querendo deixar a mensagem:: Eu estou a dizer isto tudo do fascismo, mas eu sou do centro e da democracia, estão a ver?

As elites de que MST fala, são as que, como ele, também dizem: Somos moderados, somos do centro! Mas são essas elites, as tais que “fazem avançar o mundo”, que foram responsáveis pela entrega de empresas públicas à alta corrupção de tipo salazarista, privatizando monopólios para que todos paguemos mais – e por serviços piores -, e sem retorno para o Estado.

São essas elites quem destruiu o SNS, quem é incapaz de resolver os problemas da habitação, quem criou, com a sua ganância, ociosidade, arrogância e oportunismo, o grave problema da habitação. São também essas elites quem explora e promove a monocultura do turismo que MST critica, e bem.

Ou seja, perante os danos causados ao povo português (o povo, somos todos, nós, por isso é que eu não gosto do termo, preferindo “trabalhadores” e “pobres”), com exceção das elites – que MST admira e que podem pagar aos privados pelo serviço público que destruíram em nome da “democracia” e da “justiça” -, que, na opinião de MST, o Chega abomina, MST opta por odiar o povo, o povo lumpenizado por 45 anos de fascismo. E lumpenizado também pela destruição do Estado social, pelos salários baixos, a precariedade e, sobretudo, porque as elites que MST elogia, nunca foram capazes de generalizar uma educação universal de qualidade, que não distinga entre filhos dos pobres e filhos das elites que MST admira.

Então, porque tudo falha, porque essas elites – que o remuneram a peso de ouro para dizer o que também muitos outros diriam (porque pertencendo à elite MST não é único) -, falharam na criação de um Estado verdadeiramente democrático, apesar de terem recebido todas as possibilidades para tal (industria, sector empresarial público com energia barata, pescas, agricultura), MST opta por culpar os que são como são, precisamente porque estão do lado recetor dessas elites, as mesmas que, na SIC, TVI e outros canais, tanto mentem, desinformam e promovem Ventura.

Mas onde se vê que, afinal, MST não gosta de todas as elites mas apenas de algumas, porventura as “sofisticadas” e “aristocratizadas”, que vivem à margem das dificuldades do mundo, é quando MST critica os “sindicalistas da função pública”! Afinal, nesse caso, MST já não gosta de elites, abominando quem organiza o povo trabalhador para que os trabalhadores da função pública também não sofram os efeitos produzidos pela tal elite que MST considera da “democracia e da justiça”. MST disse mesmo que Montenegro era o melhor PM possível, p. ex., e que é responsável por tal estado de funcionamento das coisas. Como se os trabalhadores da função pública fossem uns privilegiados, discurso que tão bem cabe ao Chega. Afinal, MST também é capaz desse discurso demagógico, como se todos os trabalhadores e todos os sindicalistas da função pública fossem iguais.

O problema de MST é mesmo de classe e é por isso que ele não reconhece o papel de certas elites, mas sim de outras. Mas, sobretudo, é o seu enviesamento de classe – para o lado das classes proprietárias –, que faz com que considere o Chega um resultado do acaso, algo de insolúvel, como se, em períodos de esperança, de maior aposta nas condições de vida, crescimento salarial, de maior força sindical da CGTP-IN e do PCP e de capacidade deste em arrastar o PS, não tivesse sido essa esperança que, à data, foi bloqueando o Chega, a reação, o fascismo.

Tal, demonstra que o Chega não é um problema raro ou um mero anacronismo do passado. Não, o Chega representa a desistência de uns e a vitória de outros ao derrotarem as forças progressistas – de classe – que empurravam este país para o desenvolvimento, que fizeram o 25 de abril, as nacionalizações no PREC, promoveram a democratização e a Constituição, destruindo com isso a esperança e fomentando o obscurantismo.

Para destruírem essas forças e ficarem com o monopólio do centrão, tais forças, “democráticas e moderadas”, não apenas fomentaram a mentira, a concentração e a censura na comunicação social, a inevitabilidade da guerra, do desemprego, da perda da habitação.

Nesse desespero, que é causado pelos “moderados”, prolifera o Chega. Mas o Chega é também o resultado do apoio de muitos empresários, que o MST raramente critica. MST tem razão quando refere que o fascismo é a corrupção e o Chega mente. Mas MST também mente quando aparenta não saber porque raio existe um Chega e quem permitiu que ele existisse. É que, se são as elites que comandam o mundo, como pôde chegar-se a tal situação, quando temos uma Constituição que proíbe os partidos como o Chega?

Afinal, MST também se preocupa com os seus salários, e talvez seja por isso que coloca os “sindicalistas” ao nível dos “influencers das redes sociais”. Uns e outros, ameaçam interesses que MST representa, uns porque combatem os seus interesses de classe, outros porque roubam o negócio de onde provém o seu avultado salário. Não, MST, afinal, não é assim tão livre!

Crónica sobre assaltos malsucedidos

(João Gomes, in Facebook, 13/08/2025, revisão da Estátua)


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Há dois séculos que o Ocidente olha para o mapa e pensa: “E se…?”

O “e se” é sempre o mesmo: e se conseguíssemos meter a mão naquela imensidão gelada, com rios tão largos que parecem mares, e chão tão rico que se fosse bolo dava para alimentar o planeta inteiro?

Napoleão tentou primeiro. Armou-se em estratega genial, marchou para Moscovo, e acabou a regressar com um exército reduzido a um clube de sobreviventes do frio – a Rússia respondeu com neve, fome e distância.

Depois veio Hitler, que jurava que a Rússia cairia em meses. Descobriu que Moscovo não se mede em quilómetros, mede-se em cadáveres e inverno. Resultado: mais um ocidental que saiu com a cauda entre as pernas.

Agora é a NATO. Não com cavalos nem tanques nazis, mas com sanções, acordos falhados e “expansões pacíficas” que curiosamente se movem sempre para Leste. Ursula von der Leyen já sonha alto: juntar dinheiro, armar-se até aos dentes e tentar outra vez daqui a dez anos. É o mesmo filme, só mudam os atores e as armas. O final? A julgar pelo histórico, preparem os casacos.

E porquê esta obsessão? Porque a Rússia não é apenas um pedaço de terra – é um armazém do planeta. Vejamos o inventário:

– Gás natural – 20% das reservas mundiais. Sem ele, boa parte da Europa volta a aquecer-se com lareiras e rezar para o inverno ser brando.

– Petróleo – reservas gigantes, especialmente na Sibéria e no Ártico, que mantêm motores e indústrias do mundo a girar.

– Carvão – ainda vital para certas indústrias pesadas, embora pouco sexy nas conferências climáticas.

– Paládio – usado em catalisadores de carros, semicondutores e joalharia fina.

– Níquel – essencial para baterias de alta capacidade e aço inoxidável.

– Titânio – indispensável na indústria aeroespacial e militar.

– Platina – um dos metais mais raros e valiosos, chave em tecnologias de ponta.

– Terras raras – conjunto de minerais críticos para smartphones, eólicas, mísseis e satélites.

– Madeira – florestas imensas com valor comercial e ambiental.

– Água doce – uma das maiores reservas do planeta, recurso que valerá ouro no futuro.

Em suma, a Rússia é uma espécie de hipermercado geológico e energético onde o Ocidente gostaria de fazer compras… mas a segurança à porta nunca deixa passar sem convite.

O problema é que, sempre que tentam “entrar”, não só falham como saem mais fracos. O que Maquiavel teria dito? Provavelmente que só um tolo repete a mesma estratégia esperando resultado diferente. Mas a história ocidental em relação à Rússia parece mais uma sitcom geopolítica: um enredo previsível, vilões e heróis invertidos conforme o canal de TV, e um público dividido entre rir e chorar.

Talvez, no próximo “assalto” planeado para daqui a dez anos, alguém perceba que invadir a Rússia – seja militar ou economicamente – é como tentar ensinar um urso polar a dançar o tango: não só não resulta, como pode acabar muito mal para quem lidera a dança.