Ó Miguel, andas a trabalhar para a avença?

(Zé Oliveira Vidal, in Estátua de Sal, 08/03/2026, revisão da Estátua)


(Este texto resulta de um comentário a um artigo que publicámos do Miguel Sousa Tavares, sobre – entre outros temas – o ataque dos EUA/Israel ao Irão (ver aqui). Pela sua acutilância – ainda que algo exagerada e radical nalguns tópicos: a Estátua acha que o MST é bem melhor que o Trump… 🙂 -, resolvi dar-lhe destaque.

Estátua de Sal, 08/03/2026)


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Como já disseram outros dois comentadores, o Miguel Sousa Tavares é uma besta e sabe que a avença só cai na conta bancária se, por cada coisa certa, repetir dez propagandas do império.

Diz ele: “É certo que o mundo fica bem melhor, aliviado de Nicolás Maduro, dos discípulos da ditadura de Fidel Castro ou do regime de terror dos clérigos iranianos.”

É “certo”? Para quem? Para quem depende da avença paga pela MainStream Media vassala do Império.

A Venezuela ficava bem melhor era sem sanções nem bombardeamentos. Cuba não é uma “ditadura”, e Fidel Castro é um herói libertador.O Irão não é um “regime” nem comete actos de terror.

A ditadura, o regime, e o terror, é o que existe no Ocidente:

  • Onde é raro o governo com mais de 20% de aprovação.
  • Onde, frequentemente, quem é eleito faz o contrário do que prometeu.
  • Onde interesses da oligarquia belicista e sionista são colocados acima dos interesses dos povos.
  • Onde só os EUA têm soberania e todos os outros são vassalos.
  • Onde se colabora com os maiores tresloucado de cada país-alvo (terroristas na Síria, nazis na Ucrânia, ditadores sunitas nas Arábias, fascistas nas Américas, etc) para avançar os objectivos do Império, e onde o total de vítimas deste regime anda na cada dos duas dezenas de milhões, algo comparável à Alemanha de Hitler.

No meio de bombardeamentos, o povo do Irão está na rua a apoiar a sua Guarda Revolucionária, a chorar pelo seu líder espiritual (o “Papa” dos xiitas), e satisfeito com a forma como o seu governo os representa corajosamente. Coisa semelhante acontece frequentemente em Cuba e na Venezuela.

Mas quando foi a última vez que um povo ocidental saiu massivamente às ruas para apoiar o seu governo?

Em 40 anos de vida, NUNCA vi tal coisa, a não ser nos primeiros dias do Syriza na Grécia… antes dos “democratas” Europeus (como o MST) terem humilhado e destruído ainda mais aquele país, até obterem novamente um governo capitalista obediente, isto é, fascista na economia, e totalmente obediente à DITADURA da União Europeia, e americanista na geopolítica, tal e qual como MST gosta.

O que o monte de merda do MST disse, é o que diria qualquer típico colonialista, imperialista, nazi-fascista, ou snob ocidental com a mania da “superioridade” civilizacional.

No essencial, nada distingue Miguel Sousa Tavares de Donald Trump, ou Barack Obama, ou George W Bush, ou outro capitalista genocida qualquer.

A meu ver, o Mundo ficava bem melhor sem esta gentalha, MST incluído.

Ou se tem princípios e se é decente, ou se celebra os feitos militares do Império. Não dá para fazer as duas coisas em simultâneo, pois são mutuamente exclusivas.

MST mostrou que ficava bem deitado em posição fetal no tapete da Sala Oval, após o seu dono (seja esse dono branco, preto, ou laranja) lhe dizer: “sit, lay down, good boy”…

EUA e Israel: Quem é o senhor e quem é a colónia?

(Raphael Machado in S.C.F. 06/03/2026)


Tel-Aviv instrumentalizará os EUA enquanto isso servir aos seus próprios interesses expansionistas.


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A Coalizão Epstein (EUA e Israel) iniciou no dia 28 de fevereiro uma guerra contra a República Islâmica do Irã. O tiro de partida foi o assassinato de 171 meninas numa escola primária (talvez como sacrifício a Baal, divindade favorita dos epsteinianos?), seguido pelo martírio do Aiatolá Ali Khamenei, em sua própria residência.

Foi o início de uma “operação” que os EUA esperavam ver terminada em algumas horas, depois em 3 dias. Bem, já passam de 6 dias de operação e todos os analistas indicam que a guerra durará, no mínimo, algumas semanas, com perdas significativas em ambos os lados.

O que levou essa operação a ser iniciada? A resposta fácil e previsível é que os EUA querem o petróleo e outros recursos naturais do Irã.

Usualmente, quem raciocina dessa maneira tende, também, a dizer que o Estado de Israel representa um enclave dos EUA ou do “Ocidente coletivo” no Oriente Médio, cuja finalidade seria servir de entreposto para facilitar ou possibilitar a ocupação da região, para garantir a exploração dos seus recursos naturais. É o resultado inevitável, talvez, de olhar para as estatísticas comparadas de ambos países.

Os EUA são maiores, têm um PIB maior, forças armadas mais poderosas e mais numerosas, possuem mais bilionários, enfim, são “superiores” em todos os quesitos possíveis e imagináveis, de modo que só se pode perceber a relação EUA-Israel como uma na qual os EUA mandam e Israel obedece.

De fato, as leituras marxianas e, em geral, materialistas vão nesse sentido. Mas a Guerra do Irã confirma essa avaliação?

Se é Israel a colônia obediente dos EUA, então a decisão de iniciar o conflito teria sido eminentemente dos EUA, com Israel simplesmente obedecendo à determinação de sua “metrópoles”.

Mas aquilo que se percebe das declarações oficiais do Secretário de Estado Marco Rubio e do Secretário de Guerra Pete Hegseth é exatamente o oposto: eles deixaram bastante claro em suas coletivas de imprensa que os EUA se envolveram no conflito apenas porque Israel já havia decidido atacar o Irã, com Washington simplesmente seguindo a determinação sionista.

Usou-se o artifício de alegar um plano de ataque preventivo por parte do Irã, mas o artifício foi rapidamente abandonado após ter sido refutado pelo Pentágono. De fato, o Irã não tinha qualquer plano de atacar seja os EUA, seja Israel.

Em outras palavras, Israel teria feito os EUA atacarem o Irã. Como isso é possível?

A solução para o mistério parece estar no papel da comunidade judaica dos EUA e sua influência sobre os negócios internos do país, tenham seus membros cidadania israelense ou não. Afinal, apesar de compor apenas 2.4% da população dos EUA, 25% dos seus membros possui renda equivalente ao 4% mais ricos entre os não judeus.

E se em muitos países, boa parte da comunidade judaica é crítica ou indiferente a Israel, nos EUA 90% dos membros da comunidade apoiam Israel contra seus inimigos. E esse apoio não é meramente verbal, expressando-se através da organização formal de lóbis que financiam candidatos pró-Israel e prejudicam candidatos anti-Israel, a mais famosa dessas organizações sendo a AIPAC, a qual investiu quase 130 milhões de dólares para eleger seus candidatos em 2024.

Um ativo muito mais importante, porém, é o fato de que, tal como indicado pela renda, muitos membros dessa comunidade ocupam postos de poder e influência na mídia de massa, no sistema bancário e no entretenimento. Mesmo sendo apenas, novamente, 2.4% da população dos EUA, constituem 33% dos CEOs dos principais bancos, 40% dos CEOs dos principais conglomerados midiáticos e 50% dos CEOs das principais empresas da indústria do entretenimento.

E esses são os setores que, basicamente, controlam o fluxo de investimentos, bem como moldam as opiniões e gostos da população do país.

Anos atrás, os geopolitólogos John Mearsheimer e Stephen Walt lançaram um ótimo livro sobre o lóbi sionista nos EUA. O que eles deixam bem claro naquela obra é que o apoio dos EUA a Israel não está vinculado a qualquer interesse estratégico de Washington. O custo de apoiar Israel é imenso, tanto em dinheiro quanto na popularidade internacional dos EUA. De fato, os EUA apenas se prejudicam ao apoiar Israel contra seus inimigos.

Então como se poderia dizer que os EUA controlam Israel?

Voltando à atual administração presidencial, personagens como Hegseth e Lindsay Graham admitem abertamente que o principal objetivo dos EUA é facilitar a reconstrução do Templo de Jerusalém para abrir o caminho para a vinda do Messias dos judeus. Escatologicamente, o problema aí é que, para católicos, ortodoxos e protestantes tradicionais, o Messias dos judeus é o Anticristo.

Por mais que Israel seja dependente da ajuda financeira e militar dos EUA, o sionismo capturou os mecanismos de decisão e formação da opinião pública de maneira tão total que praticamente poderíamos comparar o hegemon unipolar a um golem acéfalo. No lugar de “America First”, é a política do “Israel First”.

Enquanto bases, radares, aviões e pessoal dos EUA é atingido por chuvas de mísseis e drones, e Washington vai perdendo influência e capacidade de projetar poder no Oriente Médio, torna-se inevitável chegar à conclusão de que é Israel quem dá as cartas nessa relação, e que Tel-Aviv instrumentalizará os EUA enquanto isso servir aos seus próprios interesses expansionistas.

Texto em português do Brasil de acordo com a fonte aqui

Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos

(Whale Project, in Estátua de Sal, 04/02/2026, revisão da Estátua)


(Este texto resulta de um comentário a um artigo que publicámos de Alexandre Dugin sobre os ficheiros de Epstein e o impacto da sua revelação (ver aqui). Pelas ideias manifestadas e pela acutilância manifestada, resolvi dar destaque.

Estátua de Sal, 05/02/2026)


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Muito do que está nos ficheiros de Epstein faz Os 120 dias de Sodoma, a obra maldita do Marquês de Sade, parecer um livro para toda a família.

Noutros tempos, condutas desviantes não eram punidas com demissão, ou simples perda de títulos. Isto quando alguém tinha o azar de ser apanhado, já que as elites eram praticamente impunes e isso permitia muita coisa. Mas, Sade caiu na asneira de escrever o que realmente lhe ia na alma, pelo que foi apanhado e sofreu um destino do pior.

Não estou a dizer que os que participaram em orgias – de fazer uma pessoa, que ainda se preze de ser normal, vomitar as tripas -, deva ser tratada com a crueldade com que foi tratado o Marques de Sade que, por ser acusado de chicotear criadas, acabou enfiado num manicómio onde foi torturado até à morte, durante quase duas décadas. Mas, que muitos mereciam acabar os dias na cadeia, isso de certeza.

Sade deu o nome ao prazer da crueldade mas, também ele sofreu crueldade extrema por parte de uma sociedade que era, toda ela, cruel.

Ora, na segunda metade do Século XIX e na segunda metade do Século XX, dizíamos que as nossas elites eram modernas, esclarecidas, iluminadas, solidárias, em resumo, muito melhor que isto. Quando toda a gente nos dizia que tínhamos aprendido alguma coisa com a Segunda Guerra Mundial, acreditávamos numa “aldeia global” em que seríamos todos vizinhos uns dos outros e sabíamos o que eles andavam a fazer. Afinal, não sabíamos porra nenhuma.

Agora, cabe perguntar quantas das crianças que, nos anos 80 e 90, desapareceram na Europa não acabaram na Ilha de Epstein ou outros antros semelhantes. Cabe perguntar quantas ilhas dessas haverá. Cabe perguntar quantas crianças estão ainda a esta hora a ser violadas, torturadas e mortas. Epstein chegou a dizer que a morte de Fidel Castro lhe tinha aberto muitas possibilidades. Sabemos, agora, a que possibilidades ele se referia…

A verdade é que os ficheiros Epstein explicam muita coisa.

Explicam porque é que as nossas elites continuam a achar normal que se ataquem países para sacar recursos, não importa quantos morram, tal como no tempo de Sade.

Explicam porque é que elas querem fazer os direitos dos trabalhadores regredir ao tempo de Sade, com a treta de que isso é liberdade e modernidade.

Explicam porque assistiram de camarote a um genocídio.

Explicam porque Trump diz, à cara podre, que quer voltar a mergulhar o Irão numa monarquia absoluta, sob o comando de um demente, e ninguém se indigna.

Explicam a crueldade dos anos da troika.

Explicam a nossa transformação em cobaias, com resultados terríveis para muitos.

Explicam porque é que um ministro deste nosso governo disse que a gente que ficou sem casa, que use o ordenado de Janeiro para a reconstruir, dado que é suposto ter de esperar até ao fim de Fevereiro, por uns apoios que ninguém sabe bem quais são.

Porque a diferença entre as nossas elites e as do tempo de Sade é apenas tecnológica. E, é também o acesso à tecnologia, que faz a plebe, que somos nós, viver melhor e viver mais tempo que na Idade Média ou no tempo de Sade.

Mas, a mentalidade dessa gente não mudou e é por isso que cometeram barbaridades, e é também por isso que nenhum vai para onde merece ir: a cadeia.

Não são só os sionistas que desprezam todos os outros povos. Para as nossas elites também não valemos uma casca de alho. E, é por isso, que houve crianças que acabaram na Ilha de Epstein.

Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.