Spinumviva. Pedro Nuno Santos foi mesmo suicida?

(Ana Sá Lopes, in newsletter do Público, 18/12/2025)


Na quarta-feira, não fiquei à espera da comunicação do primeiro-ministro depois de conhecido o arquivamento da averiguação preventiva à empresa Spinumviva. Não ouvi em directo a acusação ao Ministério Público (e aos jornalistas) de “tentação totalitária”.

Já tinha adiado na véspera um jantar com vários amigos por causa do debate presidencial entre Seguro e Cotrim Figueiredo e estava a ser alvo de “bullying” amigável. Os jornalistas, comentadores, etc. não conseguem ter uma excitante vida social em tempo de debates parlamentares ou eleições. Digamos que este ano, desse ponto de vista, foi complicado.

No jantar – num excelente e barato restaurante chinês em Alvalade – os meus amigos (alguns terão votado PS nas últimas legislativas) comentavam como foi paradoxal que este caso se tenha voltado contra o PS. No fundo, lamentavam que Pedro Nuno Santos tivesse sido tão azelha que, ao chumbar a moção de confiança do Governo, facilitou as eleições antecipadas que o Governo tanto queria. Em consequência, o PS acabou por ter menos deputados do que o Chega.

“Podia ter imposto a comissão de inquérito à Spinumviva e viabilizado a moção de confiança só para não fazer o favor a Luís Montenegro”. Este argumento dos meus amigos foi defendido por alguns elementos da direcção mais restrita do PS na época, que já estavam convictos de que as eleições não seriam um passeio para os socialistas.

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Nesta quinta-feira, Pedro Nuno Santos recorreu às redes sociais para voltar a explicar a sua posição. Escreveu que “independentemente da existência ou da ausência de responsabilidade judicial, do ponto de vista político o que sabemos é suficiente para se concluir que Luís Montenegro não tem condições de idoneidade para o cargo que ocupa. Não foi esse o juízo popular, mas isso não mudou a minha avaliação do carácter e da idoneidade do primeiro-ministro”.

Acrescenta uma nota para reafirmar que o PS não desejou as eleições, mas foi obrigado a isso. “Luís Montenegro pediu a confiança que o PS não lhe podia dar. A condição para a não apresentação de uma moção de confiança era uma CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] feita à medida do primeiro-ministro, com prazos limite para o seu fim. O que obviamente rejeitámos porque significaria o abandalhamento das instituições da República”. E mais: “Basta perceber a prática de Luís Montenegro evitar dar informações e a disponibilizar informações, e a atrasar-se como fez com o Ministério Público, para percebermos o que queria fazer com uma CPI tão limitada no tempo como exigia”.

As justificações para não aceitar uma “Comissão de Inquérito à medida” são legítimas, ainda por cima sabendo o que se sabe com a falta de transparência do primeiro-ministro. A alternativa era engolir o sapo e viabilizar a moção de confiança e deixar correr a comissão de inquérito.

Luís Montenegro iria fazer o PS pagar muito caro o ter dado confiança ao Governo – como fez logo de início, fazendo chantagem política com os socialistas por terem viabilizado o programa do Governo, que não é sequer votado, apenas sujeito a moções de censura que o PS chumbou.

É verdade que Pedro Nuno Santos estava entre a espada e a parede. A dúvida é: se não tivesse havido eleições, se o PS tivesse engolido o sapo e viabilizado o Governo Montenegro, Pedro Nuno Santos ainda seria líder do PS? Sabemos que Pedro Nuno Santos não suportaria viabilizar mais um Orçamento do Governo – e portanto, neste momento, estaríamos a viver de duodécimos.

É verdade que Marcelo Rebelo de Sousa já não podia dissolver a Assembleia da República. De qualquer forma, na altura ainda não tínhamos conhecimento de que o próximo Presidente da República, qualquer que ele venha a ser, não considera que o chumbo do orçamento seja razão para a convocação de eleições.

Talvez engolir o sapo de viabilizar a confiança ao Governo só para ter a comissão de inquérito tivesse sido uma atitude pragmática. Até porque, depois do estado em que ficou nas legislativas, o PS deixou cair totalmente a ideia de fazer uma comissão de inquérito.

Ontem, na SIC Notícias, falando em nome pessoal, o deputado do PS Miguel Costa Matos defendeu a constituição de uma comissão de inquérito ao caso. Tendo em conta o trauma que a Spinumviva deixou no PS, e o prudente esquecimento a que foi votada depois das legislativas, tenho as minhas dúvidas que tenha grande apoio dentro do partido.

José Luís Carneiro lamentou que tivesse havido eleições – “muitos recursos foram exauridos por força do momento eleitoral”, quando o Governo devia estar era a pensar “nas preocupações fundamentais das pessoas”. Percebe-se que a sua opção teria sido outra.

Até para o ano.

2 pensamentos sobre “Spinumviva. Pedro Nuno Santos foi mesmo suicida?

  1. Pedro Nuno Santos “teme” o abandalhamento das instituições da República… mas se for para obedecer a não-eleitos de Bruxelas para diminuir o tamanho de uma empresa estratégica e prepará-la para ser vendida a alemães ao preço da chuva ao mesmo tempo que despede trabalhadores e corta salários mas paga milhões a uma CEO, para isso o “socialista” Pedro Nuno Santos vai logo a correr.

    Já o “socialista” José Luís Carneiro prefere “pensar nas preocupações fundamentais das pessoas”.
    Será que triplicar o que gastamos com armas sobre-valorizadas dos Complexo Militar Industrial da oligarquia dos EUA, em obediência cega ao imperador em Washington DC, para prolongar a guerra proxy na ditadura nazi golpista corrupta ucraniana, em preparação para uma guerra da NATO contra a Rússia provavelmente com contornos nucleares, e isto tudo porque “gostamos” é de apoiar golpes da CIA e violar direitos humanos e soberania de N países, será uma das tais “preocupações fundamentais das pessoas”?
    A julgar pela pressa com que o José Luís Carneiro foi a correr dar a mão ao Montenegro para que rosas e laranjas tivessem ambos uma mão no pote desta nojenta negociata, se calhar os portugueses até querem mais isso do que ter comida na mesa.

    Outro “socialista” chamado António Costa, numa conversa telefónica com o Primeiro Ministro da Eslováquia, Robert Fico, mostrou quem realmente é.
    Será que em 4 horas falou de saúde, educação, segurança social, investimento, indústria, impostos, direitos laborais, agricultura, tecnologia, etc?
    Não.
    Segundo Robert Fico, o António Costa tem um só servicinho: guerra, armas, Ucrânia. Mais nada.
    Assim se vê o tipo de espinha dorsal que é preciso ter para se chegar aos tachos EU-ropeus. A espinha dorsal de uma minhoca.

    Podíamos correr o Partidos “socialista” todo, e só encontrávamos cagalhões iguais ou piores que estes três. E a mesma coisa pode ser dita para o PSD. E a mesma coisa pode ser dita para 9s minions BE, Livre, PAN, IL, e CDS (que se transformou no PEV da Direita: só existe na teoria graças a uma “coligação” que garante a eleição aos do costume, mesmo sem terem votos…). E a mesmíssima coisa pode também ser dita do Chega.
    As únicas diferenças entre estas estrumeiras são uma mera nuance: uns gostam mais de ajoelhar e abrir a boca perante o baixar de calças da facção “Democrata” do império; enquanto que outros preferem ficar de quatro e virar-se de costas para a facção Republicano ou Trumpista.

    Mas no essencial, pintem-nos de que cor os pintem, os cagalhões serão sempre cagalhões.
    Portanto a senhora “jornalista” (se fosse mesmo Jornalista, não tinha lugar na Main Stream Media), está a falar realmente de quê?
    Está a fazer o ser respectivo servicinho: perder o nosso tempo com a espuma dos dias, encher páginas e páginas com politiques que têm ZERO impacto na nossa vida, e entreter/distrair os palermas que ainda acham que isto é “jornalismo”, e que ainda se iludem com a “democracia” e “liberdade” e “paz” que na realidade já não existem na Europa.

    Por estes dias, a UE aplicou sanções e censura a civis cujo único “crime” foi discordarem da narrativa do regime, e preferirem os factos em vez da propaganda mentirosa.
    No Reino Unido já se prende gente por ter “opiniões erradas” nas redes sociais.
    Na Alemanha 2025 foi o ano em que a polícia espancou mulheres bo Dia da Mulher por se atreverem a dizer “Liberdade para a Palestina”.
    Em Bruxelas a ditadura UE ameaça o governo da Bélgica por este continuar a recusar roubar os bens Russos e com isso dar completamente cabo da confiança no nosso sistema financeiro.
    A direcção nazi-fascista terrorista genocida da RTP confirmou que quer o “país” (colónia) de Netanyahu na Eurovisão.
    A Noruega deu um Nobel “da paz” a uma fascista assassina corrupta e traidora que quer que a “sua” Venezuela seja invadida pelos EUA.
    Os nazis ucranianos agora deram em fazer terrorismo (com a nossa benção e dinheiro) contra navios civis que transportam petróleo, e se um dia acontece a desgraça de um derrame no Mar Negro já sabemos que a Greta Thunberg lá vai aparecer em frentes às TVs todas da NATO a culpar o Putin.
    Os EUA de Trump já admitiram publicamente que o seu objectivo é colocar os seus vassalos facho-nacionalistas no poder na Europa, em substituição dos facho-liberais que são demasiado vassalos dos “Democratas”.
    Os terroristas da al-Qaeda que a NATO e a Mossad colocaram no poder na Síria continuam a matar gente.
    E Taiwan continua a ser armada até aos dentes pelos EUA em preparação da próxima guerra proxy, desta vez contra a China.

    Mas nada disso é abordado pelas “jornalistas” na Main Stream Media.
    Portanto digam-me lá uma coisa: já perceberam bem porque é que esta tipa escreveu um texto sobre NADA?
    Sim, porque um caso na politiquice portuguesa, sobre gente que nada decide e em quase nada discorda, é um grande NADA.
    Seja o nosso Primeiro-Ministro o Zé ou um calhau, seja o nosso Presidente o Manel ou um pisa-papéis, e seja o nosso Parlamento mais colorido assim ou mais colorido assado, NADA muda em Portugal.
    Já está tudo decidido, em Washington DC e Wall Street e Silicon Valley, em Bruxelas e Frankfurt, em Londres, e em Jerusalém ocupada. É aí que moram os montros que decidem o que se passa na vida dos civis que vivem nas províncias (como Portugal) deste império nazi-fascista terrorista colonialista/sionista corrupto e genocida.

    Notícia do ano: um dos vassalos corruptos/submissos de Washington DC em Berlim, disse que temos de nos preparar para a guerra contra a Rússia até 2030.
    Numa reunião entre o Kremlin e os militares, Putin e Belousov responderam: a Rússia está a ser ameaçada.
    Sabem o que acontece a quem ameaça potências nucleares?
    Em 2030 vamos descobrir.
    O Medvedev há uns meses deixou a resposta no ar, passo a parafrasear: se estamos numa mera operação militar especial, com todos os cuidados, a avançar metodicamente com infantaria, é porque consideramos o povo ucraniano nosso irmão. Não teremos a mesma consideração pelos que não nos dizem nada. Os vossos muros e trincheiras e tanques e blindados não terão utilidade nenhuma no tipo de guerra que acontecerá caso a Rússia seja atacada pela NATO.

    Continuem portanto a distrair-se com merdas, e continuem a fazer de conta que ainda temos eleições legítimas que representam os interesses do povo ou que podem mudar alguma coisa. Continuem a insistir em dar legitimidade com o voss voto a quem não tem legitimidade nenhuma. Continuem a discutir a espuma dos dias em vez de perceber o.essencial. E depois, quando for tarde demais para fazer a revolução e restaurar o 25-Abril, digam que eu não vos avisei.

    Imaginem só isto:
    – o imperador Trump tem a tarefa de separar os EUA da NATO Europeia, ao mesmo tempo que manda os vassalos Europeus militarizarem-se à maluca;
    – a administração seguinte em Washington DC terá a tarefa de mandar os vassalos nos “governos” da Europa sacrificar todos os Europeus tal e qual como agora sacrificam ucranianos;
    – um tresloucado dos Bálticos ou da Polónia pisa uma linha vermelha da Rússia e faz um ataque que provoca mortos civis em Moscovo (tal como os nazis ucranianos fizeram em Donetsk e Luganks ANTES da intervenção Russa) usando um drone Tekever de fabrico Luso-Britânico;
    – uns minutos mais tarde, um par de cidades da NATO é visitado pelos novos mísseis Russos carregados com ogivas nucleares, e estas cidades desaparecem do mapa;
    Rezem só para que uma delas não seja Lisboa…

    Ou então, em vez de rezarem (ao vazio, pois não há deus nenhum a ouvir as vossas preces), mentalizem-se que temos de fazer uma Revolução o quanto antes, temos de restaurar o 25-Abril e a independência, temos de nos tornar militarmente neutrais, e temos de fazer uma limpeza política quer aos Facho-Nacionalistas, quer aos Facho-Liberais, e temos ainda de recuperar a verdade, fechando as redes “sociais” do Tio Sam, e mandando para a rua todas as PRESStitutas que fizeram carreira a mentir e a manipular em nome do império e sua oligarquia e também do lobby sionista. Uma lei contra a interferência e lobby estrangeiros é essencial. O regresso do Escudo também. E a saída da ditadura da UE é uma necessidade cada vez mais óbvia.

    E a Constituição é para ser mesmo cumprida, e para além de se proibir partidos fascistas, deve-se também proibir que os outros partidos usem nomes enganadores. Se um partido é Facho-Liberal, então não se pode chamar “Social Democrata”. Se um partido é sionista, então não se pode chamar “Democrata Cristão” (se bem que ser-se genocida não é incompatível com ser-se glorificador da Bíblia onde “deus” extermina bebés e crianças inocentes no Egito…). Se um partido apoia nazis ucranianos, não se pode chamar nem “Livre” nem “Bloco de Esquerda”. Se um partido aceita retrocessos laborais, não se pode chamar “Socialista”. Se um partido apoia grupos de lunáticos que roubam cães aos sem-abrigo, então não se pode chamar “Pessoas e Animais”. Quiçá podia-se exigir também à IL que acrescentasse a palavra Pinochetista ao nome, e ao Chega que acrescentasse a palavra Salazarista. Já o PCP tem um nome que não engana ninguém, embora fosse interessante perguntar a um qualquer cidadão em Kherson ou Zaporojie ou Donetsk ou Lugansk ou Crimeia, eleitor do ilegalizado Partido Comunista da Ucrânia (o segundo maior partido nessas regiões até 2014), o que acha de um partido que se diz “Comunista” mas que condena quem luta contra nazis…

    Resumindo e concluindo, o lugar de Portugal não é o de mera província descartável do império dos EUA, e muito menos debaixo da Alemanha à espera que a próxima cuspidela do(a) chanceler não nos acerte em cheio (como aconteceu em 2011-2014).
    O lugar de Portugal é ao lado do Brazil, a olhar olhos nos olhos dos restantes BRICS+, e a estabelecer rotas comerciais com o Sul Global, desde o México até Angola, desde Moçambique até à China. A fazer negócios em Escudos. A exportar o que se pode fabricar na indústria portuguesa. A usar os campos para obter soberania alimentar, em vez de desperdiçar a água do Alqueva a regar monocultura de abacate para estrangeiro papar. A ir atrás dos que fogem ao fisco, em vez de lhes abrir as pernas no offshore da Madeira. A voar numa TAP 100% portuguesa. A comprar petróleo barato à Rússia e à Venezuela, em vez de torturar as carteiras dos nossos automobilistas só porque um cabrão em Washington DC e uma puta em Bruxelas assim mandaram. A poder ver a RT e a Telesur, em vez de as censurar em violação da nossa próprio Constituição, e em vez de papar notícias falsas da CIA/Mi6/Mossad nas CNN e FOX, BBC, e i24, e companhia. A acabar com a Microsoft e a substituir tudo por Linux. E a estabelecer uma relação privilegiada com a China na ponta oposta da Belt & Road Initiative, para ver se acabamos com a dependência dos automóveis alemães e franceses, e do hardware da Intel/Nvidia. Etc.

    O que está em causa não é se no casinho da semana há mais razão no cagalhão Pedron Nuno Santos ou na estrumeira actual do P”S”. O wue está em causa é a luta pela independência e soberania, pela decência e verdade, pelo progresso económico sustentável e pela re-industrialização, pela paz e pela verdadeira democracia realmente representativa. Por um Portugal que tem voz e futuro no Mundo Multipolar, e recupera as ferramentas para voltar a ter pleno emprego e valorização salarial (só possível fora do € e sem NeoLiberalismo), de forma a poder recuperar a motivação dos jovens cá ficarem (em vez de emigrar) e terem familias6com vários filhos (em vez de só terem 1 filho, e só já tarde na vida), para podermos depois evitar o inverno demográfico (peste grisalha de mais de 3 milhões de pensionistas num país só com 6 milhões de pessoas) que se prevê até ao final deste século.

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