De facto receber 400 mil euros por dez dias de trabalho é indecente e obsceno. Mas a opinião publicada normalizou tanto o negócio com a doença dos outros, desde que seja privado, que só há escândalo quando é no público.
Os lucros da Luz Saúde subiram para 31 milhões, os da CUF para 43 milhões, e nunca vi a cara dos acionistas, com nome nos jornais, como vi o deste médico e olhem que os acionistas não tiraram nem um pelo encravado.
Não me respondam “que o dinheiro é deles” – quer a formação dos profissionais, quer a ADSE, quer a investigação farmacêutica (menos de 5% é privada), quer as subcontratações do SNS, ou seja, todos nós pagamos esses milhões, além de que ninguém enriquece assim, aos milhões, trabalhando.
É preciso extorquir muito valor do trabalho dos outros, para ganhar milhões. O seu poder não é o trabalho, é serem donos dos hospitais e terem 4 partidos que os apoiam (PS, PSD, IL e Chega). Por isso, ontem liguei para a Luz, porque me vi obrigada para ajudar quem me pediu, e o enfermeiro do outro lado respondeu-me que precisam de fazer uma ficha de “cliente”. Respondi que a pessoa em causa estava doente, não era um “cliente”.
Esta quinta-feira darei uma aula pública a explicar as eleições, a sociologia do país e porque o Partido Fascista Chega é um Partido fascista, ficará em acesso gratuito a todos no meu podcast – ver hiperligação para subscrever os meus podcast aqui -, e não recebo por isso, faço-o por militância socialista utópica, uma dose todos os dias de uma pílula milagrosa chamada entusiasmo pela humanidade.
Já o Partido Fascista Chega recebe agora 5 milhões de euros em subvenções dos nossos impostos. Será uma aula de história e sociologia do país, ou seja, científica, com demonstração, evidências e fontes, dada por mim, professora, um ser humano e não um Powerpoint, o ChatGpt, um “acho que” ou um Tiktok; enfim, estamos em vias de extinção, admito, somos quase como os eletricistas e os alfaiates. Tentarei explicar, e sustentar, também porque prevejo que Gouveia e Melo e o Chega/IL/AD e o PS catatónico se propõem esvaziar o direito à greve. E a diferença entre bonapartismo e fascismo.
Por falar em militância, Greta Thunberg mostrou-se não uma marionete da transição dita verde e dos grandes subsídios da UE ao sector automóvel dito verde, mas uma militante consequente da ecologia e da Humanidade: vai a caminho de Gaza, com o ator Liam Cunningham, do Game of Thrones, e mais 10 pessoas e estão neste momento num veleiro a caminho de Gaza, contra o cerco.
E se fossemos todos, o mundo todo? Garanto-vos que, essa sim, seria uma medida real contra o fascismo, e uma medida que nos ajudaria a todos a deixarmos de ser clientes deste mundo e passar a ser gente, com afetos e alegria, em vez de zombies que ligam a TV e veem um campo de concentração em Gaza, mantendo-se no sofá, como se fosse mais um dia, normal.
Depois de Budapeste, Moscovo. Aqui está o texto da palestra que proferi na Academia das Ciências Russa, em 23 de Abril de 2025, sob o título “Antropologia e Realismo Estratégico nas Relações Internacionais”.
Fazer esta palestra impressiona-me. Faço frequentemente palestras na França, Itália, Alemanha, no Japão e no mundo anglo-americano — no Ocidente, portanto. Nessas ocasiões, falo então a partir de dentro do meu mundo, numa perspectiva crítica, certamente, mas a partir de dentro do meu mundo. Aqui é diferente, estou em Moscovo, na capital do país que desafiou o Ocidente e que, sem dúvida, vencerá esse desafio. Psicologicamente, é um exercício completamente diferente.
(Zé Oliveira Vidal, in Estátua de Sal, 01/06/2025, revisão da Estátua)
Imagem gerada por Inteligência Artificial
(Este artigo resulta de um comentário a um texto de João Gomes sobre o perigosas opções da Europa quanto à Ucrânia potencialmente geradoras da III Guerra Muncial (ver aqui). Pela sua acutilância na apresentação de algumas verdades incómodas – quanto à postura do Ocidente e de Portugal em particular -, resolvi dar-lhe destaque.
“A alternativa – aceitar a derrota da Ucrânia e a expansão da influência russa – pode ser vista como humilhação geoestratégica, mas evitará o sacrifício humano de milhões.”
Aceitar a derrota da Ucrânia é aceitar a realidade. Nunca foi objetivo dos EUA, nas décadas em que prepararam esta guerra por procuração (com extensa documentação ANTERIOR a 2022), levar a uma derrota da Rússia, pois tal cenário levaria ao uso de armas nucleares.
A Rússia avança em todas as frentes, está no terreno a atingir progressivamente todos os seus objetivos, e só teve de usar uma parte do seu potencial para o conseguir fazer, e ainda lhe sobram meios para assegurar a defesa do resto do território (que é o do maior país do Mundo) e continuar a ajudar países amigos a livrarem-se de terroristas (na maior parte dos casos terroristas apoiados pelo Ocidente), e ainda sobram veículos e armas para exportar para vários países.
A influência russa não terá expansão nenhuma. Pode é recuperar o que lhe foi roubado em 2014, quando os EUA fizeram o golpe sangrento em Kiev, com recurso a nazis tresloucados que acreditaram que a UE/NATO seriam sinónimo de democracia.
O povo russo, russófono e pró-russo de várias partes da Ucrânia está finalmente a ver uma esperança ao fundo do túnel. São milhões de pessoas vítimas da agressão ocidental desde 2014, diariamente oprimidas por uma brutal ditadura em Kiev onde se acha “normal” andar a glorificar nazis, a celebrar o passado de colaboração com Hitler, e a usar símbolos ligados aos nazis e em particular às brutais SS.
A humilhação geoestratégica da Europa já está consumada. Não foi a Rússia sozinha quem a fez. Foram em boa parte os EUA e um grupo de pessoas na própria Europa, que nada mais são do que traidores corruptos ao serviço de Washington.
Os tais “líderes” europeus parecem cães a repetir o que se ladra a partir de Washington e andam aos ziguezagues: hoje dizem uma coisa, amanhã o seu contrário, primeiro iam destruir a Rússia, agora pedem um cessar-fogo de joelhos e as suas sanções causam mais problemas à Europa (enquanto Rússia cresce 4% ao ano, tem pleno emprego, e pouquíssima dívida).
E quando Putin se diz disposto a sentar-se à mesa para negociar, toda a gente ficou a saber o seu lugar: a negociação direta é com os EUA, a negociação secundária é com a Ucrânia, e os cães (europeus vassalos de Washington) nem à mesa se sentam, por mais que ladrem.
Quanto ao sacrifício humano de milhões, é olhar para a Palestina ilegalmente ocupada, onde ilegítimos colonizadores ocidentais, com base numa ideologia racista extremista, provocam a fome, exterminam mulheres e crianças indefesas, bombardeiam hospitais e campos de refugiados, assassinam jornalistas e trabalhadores da ONU, cometem limpeza étnica e GENOCÍDIO, e ainda chamam a isso tudo de “defesa” ou “única democracia do Médio Oriente” ou “direitos humanos”.
Depois de exterminarem milhões de humanos no Iraque, Afeganistão, Líbia, Sérvia, Vietname, Laos, Camboja, etc, num total que já vai acima de 20 milhões de vítimas, comparável ao “currículo” do nazismo, e sem nunca pedir um único perdão, e sem julgar um único ocidental responsável por tamanha nojeira criminosa, de que estão à espera? Que agora, de repente, esses monstros sentados em Washington, Londres, Bruxelas, Jerusalém ocupada, Paris, e arredores, sintam algum tipo de consciência? Não. Quando for para nos sacrificar a todos, eles nem vão pestanejar.
Por isso, isto só lá vai com uma revolução. Uma revolução que, ao contrário do grande erro cometido após o 25-Abril, desta vez não deixe estes animais à solta, livres para se reagruparem e voltarem ao poder: político, económico, e comunicacional.
Como Portugal não tem Sibéria, então faça-se um gulag merecido para esta gentalha ali na ilha das cagarras…Ficavam lá tão bem, lado a lado: Ventura, Portas, Montenegro, Durão, Sócrates, Costa, Rui Tavares, Rodrigo Guedes de Carvalho, José Rodrigues dos Santos, Ricardo Costa, a família Salgado toda, a família Azevedo toda, a família Balsemão toda, tudo quanto é avençado da Cofina e da CNN, etc.
Depois de restaurada a democracia, a liberdade, a verdade, a independência, e a decência, bastava só cumprir a Constituição de 1976, pré-revisões de traição que deram facadas na nossa soberania em nome da integração no império de Bruxelas, que é por sua vez, como se vê, apenas uma sucursal do império de Washington. Neutralidade militar, defesa assegurada, consciência tranquila, e colaboração-zero com imperialismos e belicismos e colonialismos (sionismo) genocidas.
Imaginem só, Portugal a usar o seu dinheiro para se desenvolver, por exemplo com soberania energética, com urgências abertas e SNS sem listas de espera, com saneamento básico para todos, etc, em vez de andar a oferecer chaimites, tanques, helicópteros mísseis, drones (os Tekever com 1000 Km de alcance, que um dia destes podem levar a que um Orechnik aterre em Lisboa…) e artilharia e balas, tudo doado a nazis, que os usam para atacar civis no Donbass e arredores.
Imaginem um Portugal que é convidado para ir a Moscovo celebrar o Dia da Vitória CONTRA o nazismo, em vez de um Portugal onde até oportunistas desonestas e covardes do BE vão em delegações (no lugar deixado vago à última hora pele Chega, e ao lado de PS, PSD, IL, e companhia) a Kiev dar apertos de mão a ditadores, golpistas, corruptos, e nazis. E esquecendo por completo os civis que os nazis massacram desde 2014, inclusive queimando pessoas vivas na Casa dos Sindicatos em Odessa.
Nem Salazar desceu tão baixo, pois esse ao menos era um patriota que procurou um caminho estreito para salvar Portugal da Segunda Guerra Mundial, e nunca se aliou descaradamente a nazis, mesmo apesar da amizade entre ele e Franco, Mussolini, e Hitler.
Quando até uma besta como Salazar fica bem na fotografia, quando comparado, lado a lado, com as bestas actuais de Lisboa e Bruxelas, então está tudo dito.
Valha-nos o espírito e a memória de Otelo, Maia e companhia, pois em carne e osso só temos o Gouveia e Melo e a restante cambada de NATO-cornos especialistas em propaganda e traição à Pátria e ao povo português.
Cada país tem aquilo que merece:
Portugal doou helicópteros Kamov aos nazis ucranianos, e depois ficou sem meios suficientes para combater incêndios.
Em breve teremos um Primeiro-Ministro chamado Ventura e um Presidente que só sabe fazer a saudação militar sob uma bandeira dos EUA/NATO.
Falta a luz no país inteiro quando alguém dá um peido junto a uma estação elétrica em Espanha.
Vamos todos voar na Ryanair quando a Lufhtansa comprar a preço de saldo o que resta da TAP.
Se quisermos material informático, temos de ir para a lista de países de segunda classe, onde os EUA nos puseram desde que se intensificou a competição na IA.
Os UMM são peças de museu, e se quisermos manter menos de 1% do nosso parque automóvel montado (NÃO fabricado) em Portugal, temos de pedir com muito jeitinho aos alemães.
Direitos Laborais é coisa de “extrema-esquerda”, pois o que é bom são falsos recibos verdes, caducidade da contratação coletiva, quase inexistência de sindicalismo e de fiscalização laboral, e andar a ser escravizado pelas Uber, Glovo, e companhia.
E que tal gente a ser expulsa de casa, sem poder comprar comida no final do mês, porque os salários que já eram miseráveis, foram ainda mais comprimidos pela inflação (causada pelas sanções)?
Ah, e depois de uma década perdida com austeridade e sacrifício, toca a f*der os défices e as dívidas outra vez, pois a escumalha de Washington+Bruxelas mandou-nos comprar muitas armas…
O sacrifício humano de milhões já é isto. A humilhação geoestratégica já está consumada.
E a esmagadora vitória da Rússia só é ultrapassada pela vitória ainda maior da China e do restante Sul Global, que está a erguer-se sem perder a dignidade. E, muito sinceramente, isso é uma excelente notícia para nós, a longo prazo. Um Mundo mais decente, e com a China a liderar, dando o exemplo.
Em Portugal só se discute a pressa em vender a TAP, algo que agravará o nosso défice externo. Na Rússia há um ranking para ver qual a empresa que mais meios aéreos fabrica e exporta, se os Topolev, Antonov, Ilyushin, Sukhoi, Mikoyan (dos famosos MiG), etc.
Em Portugal debate-se se um dia, no futuro, alguma vez será construído o primeiro metro de linha de comboios de alta-velocidade. Na China já construíram o equivalente ao suficiente para ligar a Europa toda.
Em Portugal estamos em estagnação e endividamento e sem soberania desde que aderimos (antidemocraticamente) a uma moeda estrangeira chamada Euro, cujo Banco Central está em Frankfurt, e não quer saber das necessidades do país. Nos BRICS promove-se a soberania de cada país, defende-se importância das moedas nacionais, e a brasileira Dilma lidera o Banco de Investimento (NDB), cujos empréstimos não são sinónimo de humilhações como acontece no Ocidente com burocratas do FMI a dar ordens a governos nacionais para impor a austeridade.
Bem vistas as coisas, até posso, de forma bem-humorada, acabar assim: se querem o colapso da Rússia e da China, então convidem-nos a aderir à UE e ao euro de imediato. Mas se querem a salvação de Portugal, então rezem para que o exército russo e o chinês cheguem a Lisboa o quanto antes!