Mulheres e Revolução

(Por Maria Velho da Costa, in Cravo, Dezembro de 1975)

(Esta é a minha homenagem a todas as mulheres, na passagem de mais um 8 de Março, Dia Internacional da Mulher. É um texto magnífico de Maria Velho da Costa, datado é certo, porque escrito na sequência das madrugadas promissoras de utopia do 25 de Abril, mas que no essencial continua infelizmente demasiado actual. Uma síntese do texto, declamado pelo saudoso Mário Viegas e por Lia Gama, pode ser vista no vídeo que deixo na parte final.

Estátua de Sal, 08/03/2019)

1. RECONSTITUIÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO

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Elas são quatro milhões, o dia nasce, elas acendem o lume. Elas cortam o pão e aquecem o café. Elas picam cebolas e descascam batatas. Elas migam sêmeas e restos de comida azeda. Elas chamam ainda escuro os homens e os animais e as crianças. Elas enchem lancheiras e tarros e pastas de escola com latas e buchas e fruta embrulhada num pano limpo. Elas lavam os lençóis e as camisas que hão-de suar-se outra vez. Elas esfregam o chão de joelhos com escova de piaçaba e sabão amarelo e correm com os insectos a que não venham adoecer os seus enquanto dormem. Elas brigam nos mercados e praças por mais barato. Elas contam centavos. Elas costuram e enfiam malhas em agulhas de pau com as lãs que hão-de manter no corpo o calor da comida que elas fazem. Elas vêm com um cântaro de água à cinta e um molho de gravetos na cabeça. Elas limpam as pias e as tinas e as coelheiras e os currais. Elas acendem o lume. Elas migam hortaliça. Elas desencardem o fundo dos tachos. Elas passajam meias e calças e camisas e outra vez meias. Elas areiam o fogão com palha de aço. Elas calcorreiam a cidade a pé e à chuva porque naquele bairro os macacos são caros. Elas correm esbaforidas para não perder o comboio, o barco. Elas pousam o cesto e abrem a porta com a mão vermelha. Elas põem a tranca no palheiro. Elas enterram o dedo mínimo na galinha a ver se tem ovo. Elas acendem o lume. Elas mexem o arroz com um garfo de zinco. Elas lambem a ponta do fio de linha para virar a camisa. Elas enchem os pratos. Elas pousam o alguidar na borda da pia para aguentar. Elas arredam a coberta da cama. Elas abrem-se para um homem cansado. Elas também dormem.

2. REPRODUÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO

Elas vão à parteira que lhes diz que já vai adiantado. Elas alargam o cós das saias. Elas choram a vomitar na pia. Elas limpam a pia. Elas talham cueiros. Elas passam fitilhos de seda no melhor babeiro. Elas andam descalças que os pés já não cabem no calçado. Elas urram. Elas untam o mamilo gretado com um dedal de manteiga. Elas cantam baixinho a meio da noite a niná -lo para que o homem não acorde. Elas raspam as fezes das fraldas com uma colher romba. Elas lavam. Elas carregam ao colo. Elas tiram o peito para fora debaixo de um sobreiro. Elas apuram o ouvido no escuro para ver se a gaiata na cama ao lado com os irmãos não dá por aquilo. Elas assoam. Elas lavam joelhos com água morna. Elas cortam calções e bibes de riscado. Elas mordem os beiços e torcem as mãos, a jorna perdida se o febrão não desce. Elas lavam os lençois com urina. Elas abrem a risca do cabelo, elas entrançam. Elas compram a lousa e o lápis e a pasta de cartão. Elas limpam rabos. Elas guardam uma madeixita entre dois trapos de gaze. Elas talham um vestido de fioco para uma boneca de papelão escondida debaixo da cama. Elas lavam as cuecas borradas do primeiro sémen, do primeiro salário, da recruta. Elas pedem fiado popeline da melhor para a camisa que hão-de levar para a França, para Lisboa. Elas vão à estação chorosas. Elas vêm trazer uin borrego à primeira barraca e ao primeiro neto. Elas poupam no eléctrico para um carrinho de corda.

3. PRODUÇÃO

Elas sobem para cima de um caixote, que ainda são pequenas para chegar à bancada de descarnar o peixe. Elas mondam, os dedos tolhidos de frieira e urtiga. Elas fazem descer a lâmina de cortar o coiro. Elas sopram nos dedos a aquecê-los, esfregam os olhos, voltam a pôr as mãos por detrás da lente a acertar os fios da matriz do transistor. Elas espremem as tetas da vaca para o balde apertado entre as pernas. Elas fecham num dia as pregas de papel de mil pacotes de bolacha. Elas acertam em duzentos casacos a postura da manga onde cravar o botão. Elas limpam o suor da testa com a manga e a foice rebrilha ao sol por cima da cabeça e da seara. Elas ouvem a matraca de dez teares enquanto a peça cresce diante, o fio amandado de braço a braço aberto. Elas cortam os dedos nas primeiras vinte cinco latas até calejar bem. Elas fazem a agulha passar para cá e lá em cruz na tela do tapete. Elas vigiam a última fieira de garrafas, caladas, à espera da sirene. Elas carregam o cesto de azeitona à cabeça já sem cantar, até que o sol se ponha.

4. SERVIÇOS

Elas carregam no botão da caixa e fazem quinhentos trocos miúdos. Elas metem a cavilha, dizem outro número e passam a vigésima chamada. Elas mexem panelões que lhes chegam à cinta. Elas descem doze caixotes de lixo já noite fechada. Elas fazem todas as camas e despejos de uma família alheia. Elas picam bilhetes metidas numa caixa de vidro. Elas batem à máquina palavras que não entendem. Elas arquivam por ordem alfabética duas mil fichas e vinte e cinco ofícios. Elas vão outra vez buscar a gaveta das luvas para o balcão a ver se há aquele verde. Elas aspiram do pó antes das nove doze assoalhadas, e cento e dez degraus de alcatifa. Elas entram na praça manhã cedo, já vindas do lota ajoujadas com o peixe para as bancadas. Elas acertam as bainhas de joelhos, a boca cheia de alfinetes. Elas põem trinta e duas arrastadeiras e tiram sessenta temperaturas. Elas pintam unhas de homem. Elas guardam sanitas e fazem renda em pequenos cubículos sem janela.

5. TRANSMISSÃO DE IDEOLOGIA

Coisas que elas dizem:
— Se mexes aí, corto-ta.
— Isso não são coisas de menina.
— O meu homem não quer.
— Estuda, que se tiveres um empregozinho sempre é uma ajuda.
— A mulher quer-se é em casa.
— Isto já vai do destino de cada um.
— Deus não quiz.
— Mas o senhor padre disse-me que assim não.
— Dá um beijinho à senhora que é tão boazinha para a gente.
— Você sabe que eu não sou dessas.
— Estás a dar cabo do teu futuro com uns e com outros.
— Deixa-te disso, o que é preciso é sossego e paz de espírito.
— Comprei uns jeans bestiais, pá.
— Sempre dá para uma televisão daquelas novas.
— Cada um no seu lugar.
— Julgas que ele depois casa contigo?
— Sempre há-de haver pobres e ricos.
— Se tu gostasses de mim não andavas com aquela cabra a gastar o nosso. — Põe o comer ao teu irmão que está a fazer os trabalhos.
— Sempre é homem.

6. PRODUÇÃO DE DESEJO

Elas olham para o espelho muito tempo. Elas choram. Elas suspiram por um rapaz aloirado, por duas travessas para o cabelo cravejadas de pedrinhas, um anel com pérola. Elam limpam com algodão húmido as dobras da vagina da menina pensando, coitadinha. Elas escondem os panos sujos de sangue carregadas de uma grande tristeza sem razão. Elas sonham três noites a fio com um homem que só viram de relance à porta do café. Elas trazem no saco das compras uma pequena caixa de plástico que serve para pintar a borda dos olhos de azul. Elas inventam histórias de comadres como quem aventura. Elas compram às escondidas cadernos de romances em fotografias. Elas namoram muito. Elas namoram pouco. Elas não dormem a pensar em pequenas cortinas com folhos. Elas arrancam os primeiros cabelos brancos com uma pinça comprada na drogaria. Elas gritam a despropósito e agarram-se aos filhos acabados de sovar. Elas andam na vida sem a mãe saber, por mais três vestidos e um par de botas. Elas pagam a letra da moto ao que lhes bate. Elas não falam dessas coisas. Elas chamam de noite nomes que não vêm. Elas ficam absortas com a mola da roupa entre os dentes a olhar o gato sentado no telhado entre as sardinheiras. Elas queriam outra coisa.

7. REVOLUÇÃO

Elas fizeram greves de braços caídos. Elas brigaram em casa para ir ao sindicato e à junta. Elas gritaram à vizinha que era fascista. Elas souberam dizer salário igual e creches e cantinas. Elas vieram para a rua de encarnado. Eles foram pedir para ali uma estrada de alcatrão e canos de água. Elas gritaram muito. Elas encheram as ruas de cravos. Elas disseram à mãe e à sogra que isso era dantes. Elas trouxeram alento e sopa aos quartéis e à rua. Elas foram para as portas de armas com os filhos ao colo. Elas ouviram faltar de uma grande mudança que ia entrar pelas casas. Elas choraram no cais agarradas aos filhos que vinham da guerra. Elas choraram de ver o pai a guerrear com o filho. Elas tiveram medo e foram e não foram. Elas aprenderam a mexer nos livros de contas e nas alfaias das herdades abandonadas. Elas dobraram em quatro um papel que levava dentro urna cruzinha laboriosa. Elas sentaram-se a falar à roda de uma mesa a ver como podia ser sem os patrões. Elas levantaram o braço nas grandes assembleias. Elas costuraram bandeiras e bordaram a fio amarelo pequenas foices e martelos. Elas disseram à mãe, segure-me aqui os cachopos, senhora, que a gente vai de camioneta a Lisboa dizer-lhes como é. Elas vieram dos arrebaldes com o fogão à cabeça ocupar uma parte de casa fechada. Elas estenderam roupa a cantar, com as armas que temos na mão. Elas diziam tu às pessoas com estudos e aos outros homens. Elas iam e não sabiam para aonde, mas que iam. Elas acendem o lume. Elas cortam o pão e aquecem o café esfriado. São elas que acordam pela manhã as bestas, os homens e as crianças adormecidas.


Mulheres e Revolução – Por Mário Viegas e Lia Gama


Carta aberta de vítima: “Não sou eu que tenho que fugir. Não sou a criminosa”

(In Diário de Notícias, 07/03/2019)


Este ano já morreram 12 mulheres vítimas de violência doméstica

Há seis meses que esta mulher está escondida do seu ex-companheiro numa casa abrigo. Teve de abandonar a vida que tinha começado a construir. Numa carta aberta do Presidente da República e ao DIAP de Leiria diz que não deveria ser ela a desistir de tudo, que o seu agressor é que devia estar internado numa instituição.


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Geysa viive desde 30 de outubro numa casa abrigo para vítimas de violência doméstica. Antes de ser instalada nesta casa, juntamente com os dois filhos, a muitos quilómetros de distância da sua residência, ainda passou 20 dias por uma casa de emergência. É brasileira, chegou a Portugal a meio de junho do ano passado para se casar com o homem que conheceu dois anos antes. Vinha à espera de uma vida de sonho e em seis meses acabou por viver um filme de terror – ela e os filhos.

A carta aberta ao Presidente da República é também dirigida ao DIAP de Leiria onde decorrem os cinco processos que interpôs contra o ex-companheiro, mais dois do seu filho. Geysa processou-o por violência doméstica, violência psicológica, violência sexual, calúnia e difamação e maus tratos a animal. O filho dela processou o ex-companheiro da mãe por tentativa de homicídio e maus tratos a animal.

Leia na íntegra a carta de Geysa:

Carta aberta ao Senhor Presidente da República, Professor Marcelo Rebelo de Sousa, e ao DIAP de Leiria:

“A minha intenção é ser a voz de inúmeras mulheres e homens também (pois acontece em número menor, mas não deixa de acontecer diariamente) que passam todos os dias por situações que poderiam ser facilmente evitadas neste país.

Eu sou brasileira, vim para esse país para me casar com um homem português, o qual achei um dia que poderia ser aquele com quem eu gostaria de dividir uma vida (esse foi um erro meu); vim para empreender neste país pois sou uma empreendedora; vim pela expectativa de um futuro melhor para meus filhos, saúde, educação de qualidade e avançada , e acima de tudo: vim pela segurança!

Portugal é um país seguro, comparando com o meu, mas minha segurança e dos meus filhos, nossa paz e tranquilidade em Portugal está sendo ameaçada por um único cidadão português! Um único homem! Porque infelizmente este país tão maravilhoso, tem um sistema um tanto quanto falho e injusto, para vítimas de violência doméstica, seja o tipo de violência que for: física, psicológica, sexual, verbal, tentativa de homicídio…

Em Portugal, quando alguém sofre violência doméstica, a vítima, com seus filhos, cachorro, papagaio e o que mais tiver, é obrigada a deixar sua casa, suas coisas, seu trabalho, seus filhos deixarem as escolas, os amigos, tudo para trás, para viver em casas abrigo longe de sua cidade de “risco”, longe de seu “agressor”, para ter o mínimo de “segurança”Quando o certo seria, muito mais justo e certamente até mais fácil, tirar o agressor do local. É o agressor que deveria ser afastado de sua família e de sua vida, ficar em uma instituição para se tratar e aprender a ser gente! Não a vítima!

Eu não sou parva, como vocês costumam dizer, percebo muito bem que, contrariando tudo o que eu lia e sabia respeito do país, existe um grande interesse político e económico por detrás de tudo isso. Se esse sistema não fosse lucrativo de alguma forma, não existiria, não é mesmo?

Mas ao menos tentem ser menos falhos e mais justos! Afinal estamos falando de justiça!

A maioria das violências domésticas acontecem DENTRO DE CASA, ou nas ruas com a vítima envergonhada fazendo de tudo para que não percebam o que está a se passar. Portanto, na grande maioria das vezes, meus senhores, não existem testemunhas! As cenas se passam no desespero das paredes daquilo que deveria ser um lar…na presença de um filho, algumas vezes de um animal de estimação. Outras vezes apenas entre vítima e agressor.

Não esperem testemunhas para que um crime tão avassalador possa ser julgado. Não esperem uma tragédia acontecer! Não permitam que esse número cresça a cada dia pelo facto das vítimas nem sequer terem coragem de denunciar por estarem desacreditadas da lei! Por perceberem que a exposição e reviravolta na vida é demasiada para pouca ou nenhuma solução…

E com isto, os agressores e criminosos crescem… pois sabem o que podem fazer e como podem porque não serão punidos!

Não serão! Ou até que sejam fazem estragos ainda maiores pois a justiça é lenta… demais.

Depois que eu fui obrigada a deixar minha casa, muitos foram os problemas, mentiras, calúnias que eu passei. Como os portugueses gostam de dizer, são inúmeras as asneiras que este cidadão português faz diariamente…e adivinhem: escapa de todas!Motivos para ir preso não lhe faltam… Mas se não for pego no famoso flagrante…não vai. Os criminosos sabem disso!

Um dia ele me encontrou, e me ameaçou. Só não fez pior porque eu estava rodeada de pessoas numa rodoviária, porque ele não é burro, sabe muito bem o que pode fazer e como. Eu telefonei a polícia, em dois minutos os policias chegaram e fizeram seu papel: me protegeram. É isso que os polícias devem fazer, certo? Proteger as vítimas.

Ele queria a todo custo seguir meu autocarro, quer a todo custo saber onde estou… a polícia bravamente o impediu. E este cidadão ainda teve a coragem e audácia de processar a polícia! Me diz, como é possível tanta injustiça ser aceita? Isso me faz grande confusão…

Senhores, vocês sabem o que aconteceria se meu” agressor” soubesse onde me encontro? De uma hora para outra, mais uma vez, em poucas semanas, depois dos meus filhos estarem novamente matriculados em outra cidade, minha vida estar tomando rumo mais uma vez…eu seria obrigada a mudar de cidade! Parar tudo mais uma vez! Que vida é essa? Isso é vida para alguém?

Não sou eu que tenho que fugir…

Não sou eu que tenho que ir embora…

Não fui eu que fiz mal a alguém…

Não sou eu a criminosa!

Por favor! Sejam ao menos justos! Repensem uma situação que acontece a cada dia e tem tirado a paz a dignidade e até a vida de muitas pessoas…

Um país considerado desenvolvido, entretanto tão subdesenvolvido no quesito justiça.


Lamber ou não lamber… eis a questão!

(Por Abílio Hernandez, 04/03/2019)

Lamber ou não lamber…

De uma coisa não pode ser acusado o juiz Neto de Moura: de falta de coerência. Os dois já populares acórdãos sobre violência doméstica, inspirados no Código do Levítico, estão aí para o comprovar. Mas não é apenas em matéria de acórdãos e de sabedoria bíblica (reduzida, é certo, a um único livro do Velho Testamento) que o meritíssimo juiz é firme e hirto na sua coerência.

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Em resultado dos ataques que tem sofrido da parte de políticos e humoristas – ataques violentíssimos, como é notório, comparados com os casos de amorosos rebentamentos de tímpanos e singelas ameaças de morte apreciados por ele – Neto de Moura decidiu interpor ação contra os seus (na sua ótica) caluniadores e constituiu Ricardo Serrano Vieira seu advogado.

Mais uma vez, o juiz não podia ter sido mais coerente, pois parece ter escolhido uma alma gémea para a tarefa de lhe defender a honra. E porquê? Porque o distinto causídico já (alegadamente, claro) demonstrou o seu desconforto, quiçá (belo vocábulo), náusea ou mesmo repugnância por atitudes de mulheres conhecidas pelas suas ideias feministas, neste caso pertencentes ao grupo Capazes. E, num comentário colocado na página da sua esposa (calculo que ele se lhe refira por esposa e não mulher, mas não posso confirmá-lo), definiu as referidas feministas como “lambedoras de c…”.Ou seja, o grande dilema hamletiano “to be or not to be, that is the question” ganhou uma nova e inovadora versão jurídica sob a pena digital do Dr. Vieira: lamber ou não lamber c…, eis a questão.

Os tempos mudam e ainda bem que, como se vê, até mudam para melhor, porque se o dilema é este talvez muitos dos mais graves do planeta possam resolver-se tranquilamente, em privado, e não sob incómodos holofotes públicos.

Só não consigo perceber o comentário da esposa ao comentário do marido jurista. Foi um —————————————————————–>>

Habituado a interpretar textos, cogitei, cogitei e não consegui libertar-me de dúvidas. Na linguagem dos emojis, este significa riso, alegria, boa disposição. O que quereria então a esposa, de apelido Pissarra (curioso vocábulo, diria o ex-Presidente da Assembleia da República, João Bosco Mota Amaral), dizer com este sorriso rasgado ao marido desdenhoso das “lambedoras de c…”? A reação benigna de quem pensa “és mesmo parvo”? Um carinhoso incitamento, a chamá-lo à razão? Uma maneira gentil de dizer-lhe “nem sabes o que perdes”?

Os tempos estão mesmo a mudar, como canta o Bob Dylan. Mas ao meritíssimo juiz e ao seu distinto advogado, não aconselho nem o verso de Shakespeare, nem a harmónica do Prémio Nobel. Aconselho a ambos, vivamente, o divino Marquês de Sade e a sua “Philosophie dans le Boudoir”, traduzido em Português por “Filosofia na Alcova”. 

Podeis crer, digníssimos senhores, que se aprende muito!