3,7 mil kg: Venezuela intercepta lancha com cocaína e desmonta plano dos EUA

(Por Angel González, in Diálogos do Sul, 18/09/2025)


Segundo governo Maduro, embarcação partiu da Colômbia para ser interceptada pelos EUA e criar um falso positivo, atribuindo à Venezuela a origem da droga.


O ministro de Relações Interiores, capitão Diosdado Cabello, informou que, na madrugada de segunda-feira (15), as forças policiais e militares da Venezuela capturaram e colocaram sob custódia uma embarcação tipo Go Fast carregada com 3.692 kg de cocaína. O líder afirmou que a lancha procedia da Guajira colombiana e que a bordo viajavam quatro indivíduos que levavam consigo cédulas de identidade venezuelanas.

Segundo Cabello, a Administração de Controle de Drogas dos Estados Unidos (DEA) tentou montar um falso positivo: as unidades militares estadunidenses no Caribe interceptariam o barco e fariam crer que a droga vinha da Venezuela e se dirigia aos Estados Unidos.

Cabello explicou que o dono da droga apreendida é um homem identificado como Levi Enrique López Batis, que, segundo o depoimento dos detidos na embarcação, “trabalha para a DEA” e está vinculado a Jercio Parra Machado, que opera na Guajira colombiana, e a um indivíduo denominado “aliás Cirilo”, que se encontra em Porto Rico. O barco se dirigia para lá, onde seria capturado pelos estadunidenses ali posicionados, segundo o plano.

No entanto, os mecanismos de inteligência bolivariana detectaram a operação e interceptaram a embarcação ainda em águas venezuelanas.

Manobra militar

A Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) iniciou nesta quarta-feira (17) a manobra militar Caribe Soberano 200 no Arquipélago La Orchila, a 160 km ao norte da capital Caracas.

Desde a Ilha La Orchila, espaço de jurisdição militar pertencente ao Território Insular Miranda, o general-chefe Vladimir Padrino López, ministro da Defesa, explicou que os exercícios Caribe Soberano 200 constituem uma campanha conjunta com todos os componentes da Força Armada Nacional Bolivariana da Venezuela (FANB), por meio terrestre, marítimo e aéreo.

“La Orchila é um espaço que sempre serviu para exercícios aeronavais de todo tipo, e nesta oportunidade vamos realizar um exercício bastante completo que envolve a Força Tarefa Caribe e os grupos de tarefa conjuntos: aeroespacial, forças especiais, inteligência e guerra eletrônica, marítima e, por último, terrestre”, detalhou.

A mobilização, que se estenderá por três dias, inclui também a participação do povo, pois as manobras contemplam patrulhas conjuntas com pescadores venezuelanos, disse Padrino López.

O movimento demonstra o músculo de artilharia com que a Venezuela conta. Os exercícios contemplam a ativação de equipamentos como drones de vigilância armados, tanto submarinos quanto aéreos; sistemas antiaéreos Buk e sistemas de artilharia ZU; além de “um importante deslocamento de navios da Armada Bolivariana para execução de tiro costeiro, desembarque anfíbio e tomada de cabeças de praia”, declarou o representante.

A manobra ocorre em um momento em que os Estados Unidos intensificaram suas ações no Caribe. Segundo Donald Trump, os Estados Unidos teriam realizado mais dois ataques a lanchas com supostos narcotraficantes em menos de 24 horas. Nesse sentido, a ação chavista demonstra a capacidade de reação e de domínio sobre o território que a Venezuela possui. Inclusive, Padrino afirmou que a operação foi ordenada pelo presidente Nicolás Maduro como “resposta às ameaças dos últimos dias”.

Nicolás Maduro: Seguimos abertos ao diálogo

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou nesta segunda-feira (15), durante uma coletiva de imprensa, que o que ocorre entre seu país e os Estados Unidos “não é uma tensão, é uma agressão generalizada: é uma agressão judicial quando nos criminalizam, é uma agressão política com suas declarações ameaçadoras diárias, é uma agressão diplomática e é uma agressão em curso de caráter militar”.

O líder chavista reiterou que os navios de guerra dos Estados Unidos estão “apontando 1.200 mísseis contra a Venezuela”, e que “todo mundo, nos Estados Unidos, na América Latina e no Caribe, sabe que a operação militar dos Estados Unidos no Caribe é para realizar uma mudança de regime na Venezuela”. Acrescentou que o plano é torcer o braço da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP+) e se apoderar das maiores reservas de petróleo do mundo.

Maduro revelou que “as comunicações com os Estados Unidos foram rompidas por eles, por suas ameaças de bombas, mortes, chantagens”. “Nós não funcionamos assim — com ameaças e chantagens, nunca haverá nada, e eles sabem disso; passamos de uma etapa de comunicações precárias para comunicações rompidas”, elucidou.

No entanto, segundo o presidente venezuelano, os canais de comunicação não estão “fechados”. Mantém-se um fio de comunicação “mínimo” com John McNamara, embaixador dos EUA na Colômbia e designado para tratar de assuntos sobre a Venezuela. Esse canal funciona basicamente para manter o plano de repatriação de migrantes deportados dos Estados Unidos. “Isso é uma prioridade para nós”, afirmou.

Durante sua coletiva, Maduro também falou sobre o incidente ocorrido na noite da última sexta-feira (12), em águas da zona econômica exclusiva da Venezuela, quando um barco pesqueiro foi interceptado e abordado por 18 fuzileiros navais que desceram do destróier Jason Dunham, parte da frota mantida por Washington no sul do Caribe.

“É uma vergonha para a comunidade internacional e para a honra militar das Forças Armadas dos Estados Unidos. É totalmente ilógico, extravagante, absurdo mandar um navio destróier com 380 profissionais de alto nível para assaltar um barco de pescadores de atum… O que estavam procurando? Quem deu a ordem?”, expressou.

O presidente respondeu às declarações feitas por seu homólogo estadunidense, Donald Trump, de que a Venezuela envia drogas e criminosos ao país do norte. Maduro reiterou ser uma “mentira” tanto essa afirmação quanto a alegação de que a intenção de Washington com seu movimento no Caribe é combater o narcotráfico.

“Se o senhor diz que a Venezuela envia esse veneno para lá, é mentira! A Venezuela não produz nem um hectare de folha de coca, aqui não há laboratórios de produção, e quando os encontramos, nós os destruímos”, assegurou.

O governo bolivariano rejeitou o relatório do Departamento de Estado que inclui a Venezuela numa lista de “principais países de trânsito e produção de drogas”.

Caracas afirmou que Washington faz “uma imaginária e ilegítima autodesignação como juiz e polícia do mundo”. Declarou que todas as afirmações do referido relatório carecem de fundamento e contradizem os dados oficiais de organismos internacionais especializados.

O relatório do Departamento de Estado afirma que Maduro “lidera uma das maiores redes de tráfico de cocaína do mundo” e que Washington continuará buscando levá-lo à justiça, além de atacar “organizações terroristas estrangeiras venezuelanas como o Tren de Aragua”.

O ex-presidente Donald Trump afirmou, por meio de sua rede Truth Social, que forças militares dos EUA no Caribe destruíram uma segunda lancha supostamente carregada com drogas, que teria saído da Venezuela com destino aos Estados Unidos. Na ação, teriam matado três “terroristas do sexo masculino”. Na terça-feira (16), Trump disse a jornalistas que os incidentes desse tipo não foram dois (em 2 e 15 de setembro), mas três, embora não tenha dado mais detalhes.

Rejeição às ameaças

Maduro participou na noite de terça-feira (16) da instalação do Conselho Nacional pela Soberania e a Paz, espaço convocado pela Assembleia Nacional e que reuniu representantes de todos os setores da vida pública para expressar, por meio de um manifesto, o desejo de paz e a rejeição às ameaças dos Estados Unidos.

Estiveram presentes empresários, sindicatos, partidos chavistas e opositores, governo, comunidade científica, intelectuais e artistas, militares e policiais, governadores, prefeitos, igrejas e cultos religiosos, esportistas, juventude e comunas, entre outros.

Maduro: É uma vergonha para os EUA usar um destroier com 380 militares para assaltar um barco de pescadores de atum.

Durante sua fala, Maduro afirmou que se formou, na Venezuela, o maior consenso que poderia haver hoje no país diante da agressão estadunidense.

“Todas as pesquisas mostram que entre 93% e 95% dos venezuelanos rejeitam e repudiam as ameaças militares do governo dos Estados Unidos contra a Venezuela”, assegurou.

Reiterou que há uma ameaça de guerra no Caribe contra a Venezuela e que a atual conjuntura nacional tem origem em “uma tentativa imperial dos Estados Unidos de se apoderar” das riquezas venezuelanas.

Por fim, sentenciou que o caminho para conter, neutralizar e derrotar plenamente essa ameaça é a união de todos os setores da Venezuela, acima de qualquer diferença.

Fonte aqui


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Os cornos mansos estão dentro ou fora dos jornais ?

(Por oxisdaquestão in Blog oxisdaquestao, 11/01/2025, revisão da Estátua)


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Em verdade vivemos tempos em que não é possível saber se os cornos mansos estão dentro ou fora dos jornais. Se os ditos jornalistas vivem enganados e gostam da situação, se são os clientes-leitores que gostam de engolir todos os enganos que se lhes vendem, impressos em resmas de eucaliptos feitos pasta.

Acima eis uma das muitas imagens que se podiam recolher – esta com o embaixador da China – da transmissão na Telesur do ato de posse onde a “pressão internacional” – da CIA e do Departamento de Estado de Blinken-Biden na figura do bêbado Urrutia e da sua dominadora Corina –, não está presente. Nem podia. Os planos terroristas dos mercenários enviados a Caracas foram todos descobertos e anulados. E depois havia muita gente no exterior a seguir, apoiando, a investidura do presidente reeleito.

No Público, que é um jornaleco que faz de conta, a realidade não conta e por isso não se busca, não se mostra, não entra na sua informação de bosta. Seguem-se os ditames dos serviços secretos que mais golpes de estado organizaram em todo o mundo e sob as mais diversas circunstâncias.

Na redação do Público cheira-se o cú do dono e vai-se atrás dele comendo-lhe a porcaria e cagando-a depois já processada para a sua clientela, manada de cornos mansos que vivem a sua vida ruminando, depois de pagarem o jornal e o mostrarem, vaidosos, preso no sovaco. Por tudo isto bem nos podemos admirar com a “cornice mansa” que encharca o fenómeno da comunicação social sob o domínio ianque-NATO.

Também na RTP3 uma dita representante da ONU, dalgum seu cesto do lixo, vociferava contra a detenção de centenas de indivíduos, sem culpa formada e sem local de estadia conhecido; a tipa – que me desculpem as mulheres sérias – encobria o facto de 125 mercenários estrangeiros terem sido capturados pelos serviços de segurança e já terem declarado as suas intenções terroristas de, com os seus actos tipo jihadistas, pretenderem impedir ou ofuscar a tomada de posse.

A tipa pode ser classificada no grupo dos jornalistas cornos mansos, putéfios e mentirosos sem nenhuma dificuldade. Sendo da ONU, mostra o que são os empregados do Guterres e para que servem. Na RTP3, canal onde o dinheiro dos nossos impostos é derretido e transformado em merda informativa. Era uma gorda de queixos ao lado e meia adornada que conduzia as operações na latrina daquele “noticiário“… repetido de hora em hora. Enquanto isso, em Caracas, a posse decorria vitoriosa.

E basta: entre cornos mansos e a merda das latrinas informativas, temos visto que chegue. A clientela é serena e assemelha-se ao escaravelho.

Fonte aqui

A Venuzuela e o Guaidó 2.0

(Bruno Amaral de Carvalho, in Facebook, 06-01-2025)

Tão amigo que ele é do fascista Milei da Argentina

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Costumo dizer que Caracas é a mais bonita das cidades feias. Enterrada num vale, sempre que aqui venho fico fascinado com a dimensão das montanhas que separam a capital da Venezuela do mar. O oceano de favelas substitui por vezes o manto verde. Foi este oceano que levou Hugo Chávez ao poder em 1999. Caracas é testemunha de um trânsito histórico que começou em 1992, quando Chávez encabeçou uma revolta militar fracassada. No carnaval desse ano, centenas de crianças apareceram mascaradas com os uniformes dos soldados revoltosos.

Vista de Caracas

Passaram décadas e Caracas continua a ser o lar dos bandos de papagaios coloridos que rasgam os céus, dos idosos que jogam xadrez nas ruas e da eterna rebeldia. Podia ser a calma antes da tormenta mas, janeiro, não é mês de tempestades. Quando o ano começa, os caraquenhos abandonam a capital da Venezuela rumo ao mar. A banhos sobretudo nas praias a norte de Caracas, a cidade que viu nascer Simón Bolívar tem um relativo descanso do habitual caos que caracteriza a capital venezuelana.

Esta podia ser a descrição mais fiel do que acontece em janeiro não fosse o facto de estarmos a quatro dias da tomada de posse do Presidente da República Bolivariana da Venezuela. É já na sexta-feira que Nicolás Maduro será empossado, novamente, como chefe de Estado. No mesmo dia, Edmundo González, que diz ter sido ele o eleito, pretende também aparecer em Caracas para tomar posse. Como? Não se sabe.

Num périplo de curta duração por vários países da América Latina, o candidato da oposição foi recebendo o apoio de vários presidentes e apelou aos militares venezuelanos para derrubarem Nicolás Maduro. Encontrou-se também com Mike Waltz, futuro assessor de Segurança Nacional de Donald Trump. Por outro lado, Maria Corina Machado, veterana opositora, que está em lugar desconhecido, apelou a que o povo saia às ruas na próxima quinta-feira: “Maduro no se va a ir solo, hay que hacerlo salir con la fuerza de un pueblo que no se rinde jamás“.

A haver distúrbios nas ruas, será a enésima tentativa da oposição de provocar uma guerra civil no país. Profundamente dividida, a oposição perde líderes atrás de líderes, desacreditados e sem apoio da população. Foi assim com Guaidó. Insuflado pelos governos ocidentais e pela imprensa, acabou apedrejado pelos seus próprios apoiantes e ostracizado em Miami.

A oposição faz desfilar candidatos atrás de candidatos. Nas outras eleições, para autarquias e estados, aceita os resultados porque consegue eleger. Nas eleições em que não consegue eleger, reclama fraude.

É verdade que há uma parte da população que está descontente com a atual situação económica. A Venezuela é um país assediado por sanções, tentativas de golpes de Estado e terrorismo. A asfixia é absoluta. É uma receita para afundar povos e derrubar governos. Há bem pouco tempo, várias bombas danificaram seriamente uma das principais refinarias de petróleo do país. Apesar de a dolarização da economia ter promovido a entrada de divisas estrangeiras e isso ter potenciado a importação num país absolutamente dependente da indústria petrolífera, também é verdade que isso gerou mais desigualdades, que o governo tem tentado travar com sucessivos aumentos salariais e suplementos.

Mas independentemente do que possamos achar da Venezuela, de Nicolás Maduro ou das suas opções políticas e económicas, o único motivo que leva a que o país seja alvo do assédio ocidental é o facto de ter as maiores reservas de petróleo e o facto de se opor aos Estados Unidos. As ruas falarão nos próximos dias e cabe-nos ouvir o que nos têm para dizer.