O coro estrondoso e bem coordenado de publicitários a serviço do império e de suas classes dominantes aumentou suas denúncias sobre o recente processo eleitoral venezuelano. A campanha assumiu dimensões ciclópicas devido à sua generalização e ao seu tom raivoso e vociferante. Para aqueles que são erroneamente considerados “jornalistas” em vez de serem o que são, propagandistas, a notícia internacional absoluta tem sido as eleições presidenciais na Venezuela.
O candidato Edmundo González Urrutia, que protagoniza a contestação aos resultados eleitorais na Venezuela, é identificado em documentos da CIA como responsável pelo assassínio de seis jesuítas e dois funcionários, em 16 de Novembro de 1989
O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela (CNE), única instituição com poder para anunciar os resultados das consultas eleitorais que se realizam no país, como acontece em qualquer Estado de direito, divulgou os números praticamente finais das eleições presidenciais realizadas em 28 de Julho. Com 96,87% dos votos contados, apesar da contínua e violenta guerra cibernética lançada do estrangeiro contra o sistema informático em que assenta a estrutura eleitoral Venezuela, o presidente em exercício, Nicolás Maduro, venceu com 6 408 884 votos, correspondentes a 51,8%; na segunda posição ficou o candidato fascista Edmundo González Urrutia, proposto pela Mesa de Unidade Democrática (MUD), movimento dirigido a partir de Washington e presidido pela militante golpista Maria Corina Machado, com 5 326 104 votos, ou 43.18%.
(Boaventura Sousa Santos, in A Viagem dos Argonautas, 01/08/2024)
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, participa de um evento perto de uma imagem do falecido presidente da Venezuela Hugo Chávez em Caracas, Venezuela, 4 de fevereiro de 2024
Não sou, nem nunca fui, um chavista ferrenho. Hugo Chavez foi um benévolo meteorito político que abalou o sub-continente latino-americano e o mundo na primeira década do século XXI. Em 2013, logo após a morte de Hugo Chavez, escrevi um texto intitulado “Hugo Chavez: o legado e os desafios”. Identificava alguns sinais de autoritarismo e de burocratização e terminava o texto com a seguinte frase: “Sem ingerência externa, estou seguro de que a Venezuela saberia encontrar uma solução não violenta e democrática. Infelizmente, o que está no terreno é usar todos os meios para virar os pobres contra o chavismo, a base social da revolução bolivariana e os que mais beneficiaram com ela. E, concomitantemente com isso, provocar uma ruptura nas Forças Armadas e um consequente golpe militar que deponha Maduro.“