Quem tem medo de Sahra Wagenknecht?

(Viriato Soromenho Marques, in Diário de Notícias, 07/09/2024)

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As recentes eleições nos estados alemães da Saxónia e da Turíngia têm três leituras imediatas: a queda catastrófica dos partidos que integram o Governo Federal (SPD, Verdes e Liberais); o crescimento da extrema-direita (AfD); o sucesso da nova esquerda alemã obtido pelo terceiro partido mais votado, que assumiu o nome da sua líder: Aliança Sahra Wagenknecht – Razão e Justiça (BSW). A perda de credibilidade do Governo é tanta que a soma dos votos dos partidos que o suportam é praticamente igual à do BSW na Saxónia (cerca de 12%), e bastante inferior na Turíngia (9,3% contra 15,8%). França e Alemanha tornaram-se sociedades clivadas com Governos de legitimidade residual.

Sahra Wagenknecht (doravante, SW) é hoje a mais carismática figura política alemã. Filha de um estudante iraniano e de uma mãe alemã, nasceu em 1969 na ex-RDA, em Jena (Turíngia). Com 3 anos de idade, o pai partiu para o Irão, desaparecendo da vida de SW. Cresceu sob o estigma da sua diferença étnica, habituando-se a resistir em condições adversas. Em 1989 entrou na política em concorrente.

Enquanto a maioria celebrava a reunificação alemã, ela viu uma nação a ser comprada e engolida pela RFA, antecipando o risco de a prosperidade ser acompanhada pelo desenraizamento e por maior desigualdade. Doutorada em Economia, assumiu sempre a importância do marxismo na sua leitura do mundo contemporâneo. Integrou o PDS (Partido do Socialismo Democrático), de Gregor Gysi, em 1991.

Foi deputada no Parlamento Europeu (2004-2009). Participou na criação do partido Die Linke (A Esquerda), resultante da unificação em 2007 do PDS com o partido WASG, formado por Oskar Lafontaine, quando este rompeu com o SPD. Entrou no Parlamento Federal (Bundestag) em 2009, pelo Die Linke, abandonando este partido para fundar, em janeiro último, a BSW. É uma escritora incisiva e uma oradora notável, captando audiências pela elegância e clareza dos seus argumentos.

A imprensa internacional dominante tem tentado esconder a sua originalidade e inteligência sob rótulos pejorativos, encostando-a à extrema-direita nacionalista do AfD, ou designando-a como “populista de esquerda”. Uma análise fria revela, pelo contrário, uma personalidade política corajosa e lúcida, combatendo a mediocridade e a submissão total do Governo alemão ao comando dos EUA, tanto no plano militar, como na esfera económica.

Na verdade, tanto o SPD como os Verdes renunciaram às suas bandeiras originais. O SPD, em coligação com os Verdes (nos Governos entre 1998 e 2005), transformou-se no campeão do neoliberalismo, destruiu parcialmente a Segurança Social através de uma privatização ruinosa, baixou abruptamente a participação da massa salarial no PIB, multiplicou os empregos precários (os minijobs ocupam hoje 20% da mão-de-obra germânica). Pela primeira vez, em 2012, o Índice de Gini alemão, que mede a desigualdade, ultrapassou o francês.

Com a guerra na Ucrânia, o Governo de Olaf Scholz aceitou ser um incondicional escudeiro do Pentágono, apoiado nos ministros Verdes que trocaram a Ecologia pelo belicismo. SW tem exortado, infatigavelmente, ao imperioso calar das armas para evitar envolver a NATO e a Rússia num abraço mortal sem retorno. Berlim aceitou as sanções contra a Rússia, sabendo que se voltariam contra os milhões de alemães mais carenciados.

A Economia de Berlim, que tinha na China, na Rússia e nos parceiros da UE os mercados principais para as suas exportações, está hoje em crise profunda. As medidas protecionistas do Governo de Biden para isso contribuíram. Washington exorta a UE a cortar laços comerciais com Pequim, enquanto trata os seus aliados europeus na NATO como inimigos no plano económico. A legislação de combate à inflação nos EUA (Inflation and Reduction Act) levou, até março de 2023, 5600 empresas germânicas a investir 605 mil milhões de euros nos EUA, tendo algumas delas mudado a sua sede.

SW propõe uma política de defesa dos salários e direitos laborais, com aumento de impostos para os mais ricos. A sua recusa de uma imigração descontrolada liga-se à defesa do Estado social e à necessidade de o acolhimento dos imigrantes ser acompanhado com políticas de língua e cultura, capazes de assegurar uma verdadeira integração nas comunidades locais.

A posição da BSW não se confunde com o racismo da AfD, nem com o oportunismo do Governo Merkel, que em 2015 escancarou as portas – sem denunciar o facto de esses migrantes resultarem das desastrosas intervenções ocidentais no Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria – para depois as encerrar através de um acordo bilionário de construção de campos de internamento na Turquia.

SW foi convidada em 2014, pelo artista e professor Karl-Eckhard Carius e por mim, para um livro – editado em Portugal e Alemanha – destinado a celebrar os 40 anos do 25 de Abril. (Muros de Liberdade/Mauern der Freiheit), SW revelou como a sua visão do mundo é inclusiva.

O seu amor à Alemanha não a impediu de criticar o papel do Governo Merkel e o seu pacto diabólico com a “ditadura dos mercados financeiros”. No final do seu capítulo, SW enunciava um desafio que continua válido para os povos europeus: “A minha esperança para a Europa é a de que a melancolia portuguesa possa ceder lugar à indignação.”

A UE foi raptada por uma elite sombria que lhe roubou a alma, arrastando-a na queda dos EUA e na cumplicidade com o Governo genocida de Israel. Chegou a hora dos cidadãos e das nações, se quisermos salvar a paz e libertar a Europa.

Projeto Global e Revolução Atual

(Carlos Matos Gomes, in Medium.com, 29/08/2024)


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Ando a escrever sobre estes cinquenta anos do pós 25 de Abril e pós 25 de Novembro. Não sei se publicarei, muito menos onde e quanto. Mas a nomeação da comissária portuguesa para a Comissão da U E fez-me ir a este excerto que liga o Projeto Global de Otelo e o movimento popular do 25 de Abril com a situação atual. Aqui fica.

Em 1974 e em 1975 uma revolução que pusesse em causa o sistema de governo estabelecido na Europa Ocidental após a Segunda Guerra não era e não foi imprescindível à sobrevivência de Portugal, um dos mais pobres e menos desenvolvidos países da Europa, bastava aceitar a independência das colónias e instaurar um regime legitimado por eleições. A Comunidade Económica Europeia, a “Europa connosco”, no slogan de Mário Soares, o político que há cinquenta anos evitou a revolução, representava o porto de abrigo e a esperança de bom acolhimento sem os riscos de aventuras revolucionárias. Otelo estava fora do tempo. Por isso foi então derrotado e por isso é hoje votado ao ostracismo.

Entretanto muito mudou nestes cinquenta anos e hoje a revolução deixou de ser uma proposta extravagante e limitada a um país para passar a ser nos tempos que correm uma questão de sobrevivência da União Europeia.

A União Europeia não sobreviverá enquanto espaço de liberdade e de bem-estar se for um Estado vassalo de uma das superpotências, como território de confronto indireto entre os Estados Unidos, a Rússia e a China, um espaço que não merece a confiança dos BRICS, que corresponde ao antigo Terceiro Mundo, ou ao Movimento dos Não Alinhados, nem terá acesso às suas matérias-primas e aos seus mercados. A União Europeia não sobreviverá sem uma cultura e uma ideologia mobilizadora. Sem um projeto global!

O exuberante e envidraçado Edifício Berlaymont sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, onde se encontram o gabinete do/a presidente e os respetivos gabinetes dos comissários é um castelo de fantasia, dos reinos da Disney, ou do rei Ludwig da Baviera.

Tem a consistência de uma bola de sabão. Não possui alicerces que o cravem na terra da realidade. Em caso de ataque ninguém o defenderá. Dele sairão os funcionários, como ratos. Que poder projeta para o mundo o edifício de cristal quando comparado com a Casa Branca em Washington, o Kremlin em Moscovo, ou o Grande Salão do Povo, na Praça de Tiananmen em Pequim, a sede do Congresso Nacional e dos órgãos de poder da República Popular da China?

Montenegro, o Costa 2.0

(Por O Bárbaro in blog CronicasDoB arbaro, 10/08/2024)


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Estamos em pleno mês de Agosto, com um calorzinho de Verão, os senhores deputados da Nação foram de férias, o primeiro-ministro e o PR Marcelo foram ver os Jogos Olímpicos a Paris para, dizem eles, dar apoio aos nossos atletas, não para tirar dividendos políticos das medalhas conquistadas, só mentes perversas poderão pensar tal, e os dirigentes políticos preparam as agendas para a rentrée política. É indubitavelmente uma silly season à portuguesa 2024, porque não acontece nada de especial, embora os polícias se queixem de terem sido enganados, os médicos desprezados, os enfermeiros esquecidos, os professores, os que podem, desejosos de se aposentarem precocemente… e o mais de que os media mainstream não relatam. Pois, a realidade limita-se ao virtual, pelo menos, aquela que nos é apresentada pelo governo e os seus meios de propaganda.

A realidade é ligeiramente diferente, a começar pela Saúde que, por sua vez, é-nos mostrada como o “caos”, que é denodadamente combatido pela intrépida ministra e coadjuvada por todo o governo AD, este genuinamente preocupado pela saúde e bem-estar do bom povo lusitano. Este fim de semana são cinco urgências de obstetrícia e ginecologia que se encontram encerradas, mas no início do mês os media, com todos os canais de televisão a abrirem em simultâneo com a mesma notícia: «Urgências em Agosto. Mais de uma dezena fechadas este fim de semana. A Urgência de Ginecologia-Obstetrícia do Hospital de Leiria fecha 18 dias em Agosto». Logo o grito lancinante do actual bastonário dos médicos: “a situação é grave”. O anterior bastonário mantem-se calado, já que o governo não é do PS e presentemente desempenha o papel de deputado da Nação pelo PSD; outras prioridades. Devemos relembrar que tanto a ordem dos médicos, o PSD e o PR Marcelo, este era deputado, atacaram e votaram contra o SNS aquando da aprovação da Lei que o criou em 1979.

Para além dos lamentos, gritos de indignação, juras de salvação, preocupações sentidas pelo SNS, esta gente mais não faz do que cavar, e rapidamente, a sepultura do SNS e substitui-lo quanto antes por um dito “sistema”, onde irão chafurdar médicos/empresários, hospitais privados de capital nacional e estrangeiro, misericórdias/ICAR, companhias de seguros e bancos, transformando a doença e os cuidados de saúde em geral em chorudo, lucrativo e garantido negócio. As palavras da farmacêutica arvorada em ministra são bem claras e não deixam margem para dúvidas: “O que importa é servir os doentes”, diz a ministra, e acrescenta: “dêem-nos tempo”. Palavras proferidas aquando de visita a Hospital do SNS, acompanhada pelo chefe do governo e pelo PR Marcelo, que se disponibilizou em acompanhar o governo em solidariedade do dito e do povo português pelo qual ele tanto se preocupa. A mais alta figura da Nação deve sofrer de insónia total por tanto cismar nos problemas que afligem este povo tão cordato. Este governo já fez mais pelo desmantelamento do SNS, em pouco mais de três meses de vida, do que o PS nos dois anos anteriores de maioria absoluta.

A nível económico parece que as coisas não estarão a correr lá muito bem ao governo de Montenegro/AD. O défice da balança comercial de produtos agrícolas gravou-se 315,1 milhões. As exportações e importações de bens voltaram a cair em Junho, quedas de 3,8% e 6,4% respetivamente, em relação ao mês homólogo, segundo dados do INE. A dívida pública aumentou em 2,5 mil milhões de euros em Abril, para atingir 273,4 mil milhões (Banco de Portugal). O número de insolvências registou um aumento homólogo de 16% até Julho, para 2.410, enquanto as empresas constituídas diminuíram 3%, para 30.884 (dados da Iberinform). O abrandamento do crescimento da economia é notório, o PIB cresceu uns anémicos 0,1% no segundo trimestre de 2024 em relação ao primeiro, bem menos do que os 0,8% deste último ante o anterior, e apenas 1,5% em relação ao mês homónimo de 2023. Portugal desde que aderiu ao euro nunca ultrapassou os 2%.

O excesso produção do vinho levou o governo a apoiar com dinheiros públicos os produtores de vinho para que o preço (e os lucros) não descambassem, mas só aos grandes produtores, muitos deles empresas estrangeiras, o que levou à revolta dos pequenos produtores que não deixaram de manifestar o seu profundo descontentamento ainda há pouco na cidade da Régua. Ora, facilmente se conclui que quando a classe média, ou uma parte dela, se manifesta contra significa que o governo em função não aguentará muito mais tempo, por muito que esse governo tente comprar a paz social. E a quanto a esta questão, este governo parece ter aprendido alguma coisa com o governo de má memória de Passos Coelho/Paulo Portas que quase provocou uma insurreição geral neste país.

A maioria dos portugueses diz estar insatisfeita (56%) com o estado do país político, de acordo com a sondagem da Aximage, realizada há pouco menos de um mês. Assim, 53% dos inquiridos não acreditam que o Governo AD/Montenegro se aguente em funções até ao final da legislatura, em 2028, e muito provavelmente cairá no final do ano, caso o Orçamento de Estado para 2025 não seja aprovado. Este documento é fulcral para a distribuição do bolo, resultante do saque exercido sobre o povo português, pelos diversos grupos de interesses e segundo a lógica do capital; ou seja, o maior quinhão possível para os bolsos dos que exploram os recursos e a força de trabalho dos portugueses. Não será o PS a inviabilizar o OE 2024, porque não quer eleições nem ficar com o ónus de não haver dinheiro para os aumentos salariais prometidos.

Os comentadores e paineleiros que pululam pelos jornais e pelas televisões não se cansam de apontar as consequências nefastas da eventualidade de sermos “governados” por duodécimos. Os empresários, pelas suas organizações ou individualmente, esticam a corda o mais possível quanto a benesses fiscais, diminuição do IRC, aumento dos salários abaixo da taxa de inflação, “mexidas” no subsídio do desemprego e no código do trabalho em geral. A título de curiosidade deve-se referir que os benefícios fiscais a empresas atingiram 16,6 mil milhões de euros na última década, o que significa que o PS compete com o PSD no que concerne salvar o capital à custa de uma maior exploração do trabalho.

Os lucros dos seis maiores bancos a operar em Portugal, na maioria de capital espanhol, ascendeu aos 4,3 mil milhões de euros em 2023, ou seja, quase 12 milhões de euros por dia. Os ditos “especialistas” atribuem o facto à política de juros altos do BCE, e neste caso até terão razão, com o argumento hipócrita de fazer baixar (?!) a inflação. O que na realidade acontece é que o poder de compra do consumidor baixa e a produção torna-se excedentária fazendo com que os preços tendam a cair e, assim, os lucros também a diminuir. Os lucros dos bancos entram em colisão com os lucros do capital produtivo, é a crise irresolúvel do capitalismo. Entre os dois grupos de interesses, o governo AD, na continuidade do anterior PS, opta pelo partido dos bancos que irão em breve ver reduzidas ainda mais as suas contribuições fiscais, com o Tribunal Constitucional a considerar como ilegais as normas do imposto adicional sobre a banca. A justiça está sempre ao lado do grande capital.

Assim como podemos considerar Montenegro como o Costa 2.0, este governo da AD (PSD/CDS-PP) será de igual modo o governo PS 2.0 se olharmos para as suas posições quanto às pressões externas. Sabemos que nem o governo espanhol nem os empresários que roubam a água do Alqueva pagaram um único euro até agora, serão mais de 40 milhões em dívida, problema que este governo prometeu resolução em breve. Para talvez mostrar que a palavra era cumprida, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, anunciou que o Governo de Madrid iria pagar dois milhões de euros anuais “que são devidos”. Ora, logo de imediato o governo “socialista” de Madrid veio dizer que isso é mentira, exigindo ao mesmo tempo a liberdade de poder tirar o dobro da água do que tem sido feito. Ainda não sabemos o que terá sido, entretanto, acordado, se alguma coisa foi.

A subserviência do governo AD não fica atrás da do governo PS, bem patente na posição em relação aos resultados das eleições na Venezuela: o PS apoiou o palhaço Juan Guaidó, o PSD o assassino e agente da CIA González Urrutia. Manda o Tio Sam, os lacaios europeus obedecem prontamente.

Entretanto, vai-se distraindo o povoléu com os Jogos Olímpicos e com as medalhas que os atletas nacionais ou nacionalizados poderão conquistar, mas azar dos azares até agora são mais os diplomas do que as medalhas, qualquer craque de outro país arrecada mais medalhas do que todo grupo olímpico nacional. Alguns atletas queixam-se, e com carradas de razão, da falta de apoio por parte do governo que só olha para o futebol, mais negócio que desporto, e Montenegro e Marcelo andam numa lufa-lufa a fim de capitalizar algum dividendo político, mas o panorama do desporto de maneira alguma poderá destoar do resto do país, por muitas voltas que dêem. A demagogia a rodos e a intoxicação patrioteira, induzida pelos media de referência e agentes políticos, fazem parte deste ambiente de estação da palermice (silly season) que não consegue ocultar a dura realidade do povo português. O resumo da governação de Montenegro/AD pode ser dado pelo tal famoso e milagreiro plano de emergência para a saúde, que das com 54 medidas propostas só uma está concluída e foi um negócio por ajuste directo.

Muito provavelmente o governo será despedido da mesma forma, pese a conciliação ou apoio mais ou menos aberto dos restantes partidos da putativa “oposição”. Sabendo dessa possibilidade, Montenegro já veio vitimizar-se, fazendo lembrar o seu antecessor Costa, lançando-se ao ataque quando viu o seu programa do governo viabilizado na Assembleia da República: “(as) oposições têm dever de lealdade de nos deixarem governar”. Aprendeu com o padrinho Cavaco em apontar as “forças de bloqueio” pelas dificuldades que não consegue enfrentar ou não conseguirá resolver no futuro. Amplos sectores de trabalhadores, e não somente dos serviços do estado, poderão entrar em luta a partir do fim da estação de apaziguamento da luta de classe que é o Verão, mas sectores da indústria e da economia em geral poderão, e irão com certeza, vir para rua quando as medidas prometidas pelo governo ao patronato forem efectivadas.

O governo de Montenegro é como o lacrau da história, não conseguirá conter o impulso que lhe é genético. Mais cedo ou mais tarde, será forçado a deixar cair a máscara da conciliação e do apaziguamento da distribuição de algumas migalhas, não sendo por acaso que foi nomeada para ministra do trabalho a mulher de um banqueiro, que soube capitalizar um banco falido à custa dos dinheiros públicos.

A política é a mesma, saber canalizar a riqueza do trabalho para o capital. Como temos referido, este, como qualquer outro governo, aguentar-se-á na proporção de conseguir manter alguma estabilidade económica para quem trabalha e, nomeadamente para a dita “classe média”, a pequena-burguesia politicamente diletante e poltrona, porque quando isso acabar é o descontentamento e a revolta. Devemos ter bem presente as razões que levaram ao fim do governo pafioso Passos Coelho/Paulo Portas.

Fonte aqui.