A guerra na Ucrânia: até ao último contribuinte europeu

(BPartisans, In Fórum da Escolha, in Facebook, 25/08/2026, Revisão da Estátua)


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A Ucrânia pode ter acabado de inventar uma nova doutrina militar: a guerra contra o pagamento diferido. Não se ganha mais terreno, ganha-se tempo. E quando chega o prazo final, liga-se para Bruxelas.

A dívida pública da Ucrânia terá ultrapassado os 105% do PIB, atingindo os 212,4 mil milhões de dólares. Mas não se preocupem: na linguagem euro-atlântica, isto não é provavelmente dívida. É um “mecanismo financeiro de resiliência estratégica”. A 150%, estaremos sem dúvida a falar de “soberania fiscal reforçada”.

O detalhe mais revelador está noutro lugar: Kiev já gastou parte do dinheiro destinado ao segundo semestre do ano durante o primeiro semestre. Agora, são necessários mais 8 a 10 mil milhões para se preparar para janeiro de 2027, além de quase 20 mil milhões para a folha de pagamentos, indemnizações e outras despesas.

Estamos em agosto, e 2027 já está no vermelho. Uma solução revolucionária: pedir à União Europeia que liberte os fundos do próximo ano antecipadamente. Assim, uma vez gastos estes fundos, podemos solicitar os fundos de 2028 para equilibrar as contas de 2027. A este ritmo, Bruxelas estará em breve a financiar 2032 antes mesmo de finalizar o seu orçamento de 2026.

É um ciclo vicioso aplicado às finanças públicas: contrair empréstimos amanhã para pagar hoje o que já financiámos ontem.

Entretanto, a economia ucraniana está em estado crítico. Com a sua infraestrutura energética debilitada, a capacidade industrial severamente reduzida, as exportações interrompidas e os gastos militares astronómicos, o Estado depende fortemente das injeções financeiras ocidentais.

Mas, acima de tudo, não utilizem a palavra “dependência”. A Ucrânia é soberana. Tão soberana, aliás, que precisa de pedir aos seus parceiros o dinheiro necessário para pagar aos seus soldados, comprar as suas armas e preparar o seu próximo orçamento.

Esta é, provavelmente, a definição moderna de independência: ter a liberdade de escolher a que credor pedir o próximo pagamento.

E a Europa? Vale a pena. Com aquele entusiasmo peculiar de um banqueiro que gradualmente se apercebe que o seu cliente provavelmente nunca pagará o empréstimo, mas continua a emprestar porque parar agora o obrigaria a analisar o balanço.

Pois o problema já não é apenas quanto custará a guerra. Devemos começar por perguntar quem ainda se pode dar ao luxo de a deixar continuar.

Os governos ocidentais repetem incessantemente: “o tempo que for necessário”.

Uma frase magnífica. Ela evita cuidadosamente as três perguntas vulgares: quanto, até quando e com que dinheiro?

Assim, Kiev ganha tempo com dívidas. Bruxelas compra otimismo com dinheiros públicos. E todos rezam para que a realidade aceite mais alguns pagamentos mensais.

A contagem decrescente na Ucrânia já não é apenas militar. É financeira.

E a derrota mais brutal pode não vir de uma vitória nas linhas da frente, mas de um ecrã a exibir friamente: Transferência recusada — fundos insuficientes.

Um país tomado por bandidos

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 25/08/2026, Revisão da Estátua)


(A Estátua não resiste em sublinhar o realismo e a assertividade deste texto. A imagem e o vídeo também falam por si. Não vão a bem para a guerra vão à porrada, como se vê na imagem. E são estes métodos e esta gente que os nossos políticos veneram. Dá vómitos a subserviência ao mal. Quanto ao vídeo, o Facebook não o censurou mas colocou um aviso: “Conteúdos sensíveis. Este vídeo foi ocultado para que as pessoas possam decidir se o querem ver.” – vá lá, estiveram bem.

Estiveram muito melhor que a CNN ou a SIC N que nunca teriam coragem de o passar e nunca passaram qualquer peça sobre a criminosa actuação das forças de recrutamento de carne para canhão na Ucrânia.

Parabéns ao autor.

Estátua de Sal, 25/08/2026)


Ontem foi o dia da Ucrânia. A imprensa cobriu o evento com os exageros próprios da desonestidade. Foram 31 anos em que a Ucrânia perdeu metade da população, 2/3 da sua capacidade industrial e desceu a níveis que a OCDE considera apenas comparáveis aos de alguns países africanos.

Do paraíso dos orfanatos, onde se vendiam crianças, a território destinado à lavagem de dinheiro de negócios sujos, às barrigas de aluguer, ao tráfico de armas e de drogas. Tudo foi possível nesta Ucrânia independente que em 30 anos arrasou todas as infraestruturas produtivas deixadas pela União Soviética.

​Ainda assim, os ditos amigos da Ucrânia, isto é, aqueles que querem que a Ucrânia sangre até ao último dos seus homens, não quiseram ver as perseguições brutais, a religiosa, a linguística e a política que se produzem naquele vasto território, nem tão-pouco quiseram saber dos milhares, se não mesmo das dezenas milhares de homens esmurrados, agredidos e raptados em plena rua pelo gangue de Zelensky.

/Malditos os cobardes e hipócritas que por cá continuam a apoiar tal monstruosidade. E, por favor, não voltem a falar das SA’s, dos “totalitarismos”, da Cheka e dos campos de concentração.


A caminho do matadouro

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A (In)dependência

(Rui Pereira, in Facebook, 24/08/2026, Revisão da Estátua)


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Quando Putin considerou a queda do sistema da URSS uma das grandes tragédias da segunda metade do século XX, a interpretação oficial-propagandista do Ocidente foi que o presidente russo estava a olhar melancolicamente o passado. A longa sombra do KGB na sua história de vida comunista turvava-lhe a visão do futuro. Este anunciava-se, aliás, radioso, com a História a ter acabado ali mesmo, entre 1989 e 1992. O júbilo pelo triunfo do capitalismo enchia, então, jornais, bibliotecas e academias.

Mas este “– Enfim sós” do universo do capital não era uma história de amor. Nem sequer um triunfo. Era apenas um desequilíbrio entre um passado parcialmente derrotado e um futuro igualmente derrotado que aproximaria a Humanidade do abismo como nunca até então.

Na senda pueril com que terminam os contos nos jardins-de-infância – “Vitória, vitória, acabou-se a História” -, os mais entusiastas do imenso salão de festas tristes em que se tornava o Ocidente confundiam tragicamente a complexa implosão do sistema soviético com um triunfo linear do sistema imperial do capitalismo.

O mundo galopava num apocalipse de autossatisfação vazia que se traduzia, em dois aspetos:

1) No seu hemisfério rico, a perspetiva de que as gerações seguintes iriam e irão viver materialmente pior do que as anteriores.

2) No seu hemisfério pobre a realidade da indústria da guerra de rapina imperial que iria, em escassas duas décadas, assassinar quatro milhões e meio de pessoas na sequência de conflitos liderados pelos Estados Unidos. Perto de um milhão foram vítimas diretas de ações militares contra países como o Afeganistão, Iraque, Paquistão, Síria, Iémen, Líbia e Somália. Os outros cerca de três milhões e meio encontrariam a morte por factores resultantes desses conflitos: crises económicas, falta de nutrição, destruição de estruturas sanitárias elementares. A tudo isto, 38 milhões de seres humanos sobreviveriam ou não numa transumância infinda em fuga permanente, sob o rótulo de “deslocados”: (ver, da Universidade de Brown o projeto Costs of War, aqui).

A epifania do capitalismo “verde” e a sua oratória de más-consciências e bons negócios, por outro lado, eram isso mesmo: má-consciência e “nicho de mercado” por explorar, como se tem visto. Portanto, como na anedota sarcástica da hiena, vale a pergunta: “… e ri de quê?”.

A questão consiste, porém, em saber quem ri? E a resposta leva-nos a uma nova classe de hiper-ricos cujo negócio, eufemisticamente designado por “globalização”, é apropriar-se do mundo em proveito próprio.

Ao mesmo tempo dedicam-se a construir bunkers e rotas visionárias de fuga para o espaço como quem imagina um novo bestiário de Noé, constituído por eles e pelos seus próximos, como animais únicos que se salvam da catástrofe que as suas políticas de acumulação de capital engendraram.

A fábula deste êxodo da superclasse tem como correspondente simbólico a tragédia do humano que, nos dias que correm, testemunhamos pela nova estética do holocausto concentracionário, telegenizado em Gaza. E, também, pelas desgarradas cerimónias que a propósito dos 35 anos de “independência” da Ucrânia assinalam como um sinistro baile de máscaras a instrumentalização e condenação do povo ucraniano numa guerra de atrito que custará um par de gerações de ucranianos, em nome de infligir uma “derrota estratégica à Rússia” (um projeto que já vem de 1946).

Num tempo em que faltam mísseis ao Ocidente e ucranianos à Ucrânia, a história bisonha deste regime é uma longa lista de acidentes de dependências neoimperiais.Das revoluções coloridas de 2003 e 2004, ao golpe de Maydan de 2014, passando pelo etnocídio confesso dos russófonos do Donbass perpetrado por Kiev, até ao ponto em que nos encontramos.

A Ucrânia não entrou para a NATO (entraria tanto quanto o México ou o Canadá entrariam noutro tempo para o Pacto de Varsóvia), mas a NATO entrou na Ucrânia, com as consequências que os sorrisos de plástico, os abracinhos e as televisivas palmadinhas nas costas do dia de hoje, procurarão, em vão, esconder.

Na novilíngua do dia, a Ucrânia celebrará ligada à máquina ocidental – na guerra, na sociedade, na economia, nas sobras do seu aparelho de Estado, nos escombros deixados pelas bombas russas e pelas bombas ocidentais -, 35 anos do que, a tudo isto, ouviremos grotescamente chamar “independência”.