As empresas farmacêuticas Pfizer, Moderna, Merck e Gilead realizaram experiências controversas na Ucrânia, revelou o Ministério da Defesa da Rússia.
“Especialistas norte-americanos estão a realizar testes de novos medicamentos, contornando os protocolos internacionais de segurança”, disse o general Igor Kirilov, chefe das forças de proteção radioactiva, química e biológica da Rússia, sublinhando que várias empresas farmacêuticas, incluindo a Pfizer,Moderna, Merck e Gilead, estavam envolvidas nos testes controversos.
(A tradução do título, do latim, é A guerra de todos contra todos. É nesse estado que Hobbes entende que viverá a humanidade na situação de estado natural (pré-social), descrita em sua obra Leviatã.
No princípio eram apoios bilaterais. A NATO fingia assobiar para o lado, como fingia que não tinha nada a ver com as causas da guerra – nomeadamente a tentativa de a Ucrânia entrar para organização, mesmo com um governo saído de um golpe cuja natureza não deixa dúvidas a ninguém. Os apoios militares eram, de início, por solidariedade de este e aquele país – era essa a aparência, a formalidade, embora fosse óbvia a acção concertada dos países da NATO, os já pertencentes e os a haver. Mas, oficialmente, a organização não era protagonista, ou, pelo menos, mantinha-se discreta na sua intervenção.
Agora, tudo isso mudou. O secretário-geral da NATO porta-se como presidente desta freguesia – ainda Stoltemberg, mas mais ainda o arrebitado Mark Rutte. Em coro com o caducado Antony Blinken, que mostra uma agressividade muito mais abrutalhada, dando ordens a todos os países “aliados”, ordens tanto mais atrevidas e terminantes quanto mais se sentem discordâncias e ovelhas a tresmalhar no rebanho “natista”.
As provocações sucedem-se. A boçalidade da criatura chegou hoje ao ponto de ordenar à Ucrânia que alargasse a mobilização e mandasse mais tropas para a frente de batalha. Sabendo nós a dimensão dos números de ucranianos refratários, dos que saíram do país por não quererem participar na guerra, da dimensão provável das baixas em combate e das deserções, a solução fácil de Blinken é, não a mesa das negociações e a busca de paz, mas atirar adolescentes ucranianos para a frente de combate. O seu último discurso foi das intervenções mais pornográficas e psicopáticas de todo este processo.
Agora, pois, fala a NATO – pela voz de Blinken e Rutte -, e não países aliados, mais ou menos empenhados. E o secretário de estado norte-americano pensa-se o dono e senhor, pastor de todo o rebanho belicista. E o trágico é que talvez seja. Desaparecem do espaço público – pelos métodos que bem sabemos – todas as vozes discordantes – em grau ou em substância. Se não está de acordo, tem de parecer. Ou desaparecer.
E a Europa-com-eles, uma tal União Europeia? Essa, começa a provar os efeitos sociais, económicos e políticos desta tragédia. Governada por um bando de uma mediocridade nunca vista, vê os seus maiores portando-se como galinhas tontas, sem inteligência, autonomia ou, sequer, um sentido mínimo do caminho a seguir.
Só parecem saber uma coisa: os ucranianos que morram até ao último. Depois, cá estarão para ajudar. E lucrar faustosamente com o desastre, como fazem os abutres – sem ofensa para os animaizinhos.
E a Palestina? – Perguntareis vós. Hoje, até a Amnistia Internacional acordou e, num extenso relatório, classificou como genocídio a intervenção de Israel. Alguns dos nossos governantes até já manifestaram algum incómodo moral. Que, como de costume, não será transformado em ato.
Mas não faltarão à chamada quando Israel transformar – como já nem disfarça – a faixa de Gaza numa zona balnear de luxo. Tudo será de luxo – até os colonatos. Há muito dinheiro a ganhar. E Deus, está escrito, tudo perdoa.
A recente visita de António Costa a Kiev, já empossado como Presidente do Conselho Europeu, marca um ponto baixo na trajetória de um político que, apesar de se proclamar socialista, parece cada vez mais distante dos princípios que deveriam fundamentar tal ideologia.
Ao abraçar Volodymyr Zelensky, que atualmente governa sem mandato presidencial legítimo sob o pretexto de uma lei marcial autoimposta, Costa não apenas valida implicitamente a erosão dos valores democráticos, mas também perpetua uma abordagem europeia enviesada e subserviente aos interesses da NATO e dos Estados Unidos.
Quando Mário Soares, assumiu políticas que colocavam o “socialismo na gaveta” para garantir a estabilidade democrática de Portugal, estava, ao menos, a lidar com uma conjuntura nacional crítica, onde o equilíbrio de poderes e a construção de um novo regime exigiam compromissos. Contudo, as ações de António Costa não podem sequer ser justificadas por tal pragmatismo histórico. Ao contrário, a sua atitude reflete um alinhamento cego e acrítico com uma política externa que perpetua conflitos, em vez de buscar soluções negociadas. Costa vai além de guardar o socialismo: ele desfaz-se dele, abraçando uma lógica neoliberal e militarista, disfarçada de solidariedade europeia.
Ao associar-se tão calorosamente a Zelensky, Costa parece ignorar que a verdadeira representatividade democrática reside na soberania popular, manifestada por meio de eleições livres. O argumento da lei marcial para justificar a suspensão indefinida de eleições na Ucrânia pode até ter apelo em cenários de emergência, mas perde força diante de uma prolongada ausência de mecanismos que garantam a voz do povo. Uma União Europeia que se pretende defensora de valores democráticos deveria adotar uma postura mais crítica e exigente, em vez de abraçar lideranças que se afastam de tais princípios.
A atitude de Costa reforça a continuidade de uma política externa europeia que ignora as raízes do conflito no Donbass, iniciado muito antes da invasão russa de 2022. Desde 2014, as populações destas regiões foram vítimas de um conflito que poderia ter sido resolvido por meio do diálogo e do respeito pelo direito à autodeterminação. No entanto, a NATO e os seus aliados insistiram numa estratégia de expansão que, em última análise, desestabilizou ainda mais a região e pavimentou o caminho para a guerra atual.
Ao alinhar-se de forma incondicional a essa lógica, Costa demonstra uma falta de autonomia política, revelando-se um peão num jogo geopolítico maior. As suas ações não apenas minam qualquer possibilidade de mediação europeia independente, mas também reforçam a perceção de que a União Europeia é, muitas vezes, uma extensão dos interesses norte-americanos.
Em vez de abraçar figuras que perderam a sua legitimidade democrática, a diplomacia europeia deveria ser marcada por formalidades que reflitam prudência e equilíbrio. A postura de António Costa, no entanto, simboliza a abdicação de uma oportunidade de liderar com uma voz crítica e construtiva, optando por reforçar o status quo belicista.
António Costa, que ascendeu politicamente sob o manto de um socialismo moderado, parece ter ultrapassado o seu antecessor, Mário Soares, na renúncia aos ideais que deveriam guiar o seu caminho. A sua atuação como líder do Conselho Europeu sugere não apenas um distanciamento das raízes socialistas, mas também uma perigosa conivência com a perpetuação de conflitos, a erosão democrática e a submissão a interesses alheios à soberania europeia.
Em vez de representar uma nova era de equilíbrio e autonomia para a Europa, Costa reforça as piores tendências de uma política externa europeia decadente e desprovida de visão.