Povo pronto para todo o serviço

(Clara Ferreira Alves, in Expresso, 23/05/2021)

Clara Ferreira Alves

Portugal regressou ao seu destino primordial, ser o oásis da Europa quando os outros estão fechados. Ser o país amável e vassalo que recebe os estrangeiros de avental e com um sorriso.


Portugueses com vinte e poucos anos que não saibam explicar a razão do desembarque num aeroporto do Reino Unido e o que tencionam fazer no país, e não saibam responder que tencionam dar uma espreitada nas joias da Coroa e ouvir as badaladas do Big Ben, têm à espera a deportação imediata ou a espera da deportação num centro de alojamento de migrantes ilegais. Será, na melhor hipótese, um daqueles edifícios de tijolo vitoriano, com arame farpado e vidros baços e sujos. Como outros jovens europeus na mesma situação, gregos, espanhóis, italianos, os latinos e sulistas do costume, para não mencionar os de Leste que são logo detetados e manuseados, não terão acesso a um advogado, direitos ou quaisquer serviços jurídicos até o país decidir o voo da devolução, e muito menos poderão pernoitar na casa de um familiar se o tiverem. Falar num familiar é má ideia, aí o interrogatório aperta e o jovem metendo os pés pelas mãos admitirá que teria ou gostaria de ter uma hipotética entrevista de trabalho ou um quimérico trabalho como ama ou criado de mesa. Uma cidadã espanhola com o namorado no Reino Unido passou três dias detida e foi devolvida a Espanha, tão traumatizada com a experiência que não tenciona voltar a Londres nunca mais. Aconteça o que acontecer, convém não mencionar a palavra trabalho, que implica um visto inacessível, e convém não ser jovem. Jovem cheira a migrante ilegal depois do ‘Brexit’.

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À parte a experiência de dar aos europeus uma ideia do que é ser ilegal ou refugiado, ainda que breve, nada se retira deste tratamento a não ser a dissuasão pela violência. Supõe-se que um jovem sueco ou dinamarquês não sofrerá a humilhação reservada para os países que maltratam a população jovem obrigando-a a fugir e emigrar, abandonado um país habitado por velhos cujas reformas outros imigrantes, brasileiros, ucranianos, asiáticos miseráveis legalizados, ajudarão a pagar.

Entretanto, por cá, os jornais e telejornais entraram na alucinação turística. Vêm aí os ingleses, uma invasão com libras frescas para nos salvarem de nós mesmos e da relassa incompetência para nos governarmos. São uma distração das pornográficas audiências do Novo Banco, onde cada interrogatório serve para demonstrar a impunidade de um número fixo de pessoas, as do costume, que obtiveram crédito de milhões com um aperto de mão e um almoço regado a tinto. E ficaram com o dinheiro. Apetece logo apanhar um avião para Inglaterra.

Quanto aos ingleses, jovens, velhos, não importa. Terão à espera no aeroporto de Faro, que serve as praias, não os serviços de imigração, o velho SEF que não se percebeu o que é ou será quando renovado, umas ofertas. Duas máscaras coloridas, um frasco de álcool-gel e um folheto informativo. O pormenor das máscaras coloridas é tocante. Uma pincelada de cor no que um motorista de táxi chamou “uma lufada de ar fresco”, estamos no reino do lugar-comum, filtrado pela máscara durante a viagem. E, de repente, Portugal regressou ao seu destino primordial, ser o oásis da Europa quando os outros estão fechados. Ser o país amável e vassalo que recebe os estrangeiros de avental e com um sorriso. A entidade de turismo ofereceu ainda aos passageiros dois números de telefone para qualquer esclarecimento. Ele há testes, ele há hotéis reabertos antes do tempo, ele há euforia numa região duramente punida pelo vírus e o confinamento e que morre de fome sem os britânicos.

As autoridades esfregam as mãos e, em mais um exemplo de solidariedade europeia, dizem que estamos a apanhar os turistas dos concorrentes que ainda não abriram plenamente. “Estão cá todos”, congratulou-se o diretor da Região de Turismo do Algarve, que aparece nalgumas notícias escritas como director, com a consoante muda, porque neste ponto do inútil e inutilizável Acordo Ortográfico, ninguém sabe bem como se escreve ou pronuncia a língua portuguesa que, ao contrário das línguas anglo-saxónicas, cortou as suas raízes latinas na ortografia e na fonética e aderiu ao patois africano e brasileiro, países onde ninguém sabe bem o que é e para que serve o Acordo Ortográfico. E onde ninguém compra ou lê livros.

Entretanto, nos jornais e telejornais deixámos de ter contabilidade diária da covid a que se seguiu a contabilidade dilatada e diária dos vacinados de primeira dose e de segunda dose. Convém não espantar a caça. Criámos as “condições de segurança para manter os turistas”, diz o preclaro diretor ou director. O passado nunca existiu, as variantes perigosas também não, apesar de a variante indiana preocupar os ingleses mais do que a nós, que importamos os ingleses e os da variante brasileira. A festinha do Sporting e a reação cobarde das autoridades que falharam, com a desculpa de terem perdido o e-mail da polícia a alertar para o risco, demonstra que só confinámos para um fim, voltar a receber turistas e amparar as tribos do futebol. “Criar as condições de segurança para receber os turistas.”

Interessa pouco saber se o grosso de população portuguesa ainda não está vacinada, e não está, interessa ainda menos saber que só uma pequeníssima parte da população tem as duas doses protetoras. O risco é a nossa profissão, a mendicância é o nosso talento.

Se as coisas correrem mal, os portugueses cá estarão para se sacrificarem no inverno, passada a proteção estival conferida pelo calor e o ar livre. Oscilamos entre ficar em casa e servir os estrangeiros, e pelo meio pretendemos ser um país europeu avançado e civilizado com uns milhões oferecidos pela Europa para, mais uma vez, nos levantarmos do chão.

Os que vêm a seguir que paguem a dívida. Ao fechar-lhes a porta, o Reino Unido faz-nos o enorme favor de os impedir na fuga para lugares mais prósperos, obrigando-os a guiar o tuk-tuk e aprender a cantar o fado.

Entretanto, em Londres e noutras cidades do Reino Unido, os portugueses que não querem regressar a Portugal e não têm a vocação serviçal barata e sustentada a gorjetas, esperam que o Governo britânico os aceite no pedido de settlement, assentamento, que lhes garantirá uma vida melhor e longe da pátria. São os que entraram antes de a porta ser fechada na cara dos ingénuos que ainda não perceberam que a porta está fechada e bem fechada. Por cá, se a Europa autorizar, vamos poder arranjar um corredor especial para os britânicos não terem de se maçar na fronteira. Nas fotografias dos jornais ingleses, as praias do Algarve aparecem sempre num esplendor esmeralda e turquesa com areia branca e reluzente, graficamente manipuladas. A realidade é um pouco diferente, como sabemos. Não se vê o lixo, não se veem as garrafas vazias nem os desacatos noturnos do álcool e das festas onde as máscaras coloridas jamais serão usadas. E em Lisboa, os cruzeiros vão desembarcar, com a cauda poluída e o contributo para o mercado de bugigangas, fonte da riqueza nacional juntamente com o ubíquo pastel de nata.

Assistir ao antiquíssimo, pelo menos desde que Lord Byron o descreveu, espetáculo de subserviência, atraso e dependência é deprimente. Mas, nas notícias portuguesas, o que não é deprimente? Portugal nunca foi bem feito para os portugueses.


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A pandemia urbanística

(António Guerreiro, in Público, 26/02/2021)

António Guerreiro

“Airbnb” é o nome de uma empresa fundada em 2008, em São Francisco, na Califórnia, exemplo máximo da ascensão do capitalismo das plataformas. Antes da pandemia, já não era apenas uma marca, tinha-se tornado quase um nome comum para dizer “alojamento local” ou “arrendamento temporário”. No último ano, esse nome quase desapareceu, deixou de ser uma das palavras do poder.

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Este desaparecimento tem uma tradução bem visível no plano da nossa realidade urbana. Os centros históricos das cidades turistificadas ficaram vazios e emergiu com dramática evidência o que era bem sabido e longamente diagnosticado, mas que era visto pelos poderes gestionários — económicos, políticos, mediáticos — como um mal menor que até era fácil esconder ou menosprezar porque neste domínio tem valor de evidência a regra segundo a qual “tudo o que aparece é bom e tudo o que é bom aparece”. Quando, subitamente, por efeito de uma pandemia, o fenómeno do aparecimento espectacular foi interrompido, o que se torna conspícuo é o desaparecimento. Medir os seus efeitos e contabilizar as suas vítimas é por enquanto uma tarefa impossível porque o processo não chegou ao fim e não é fácil prever o que se vai passar. Mas se há aspectos em que é possível dizer com alguma segurança que nada será como dantes, a vida das cidades é um deles. Por agora, a paisagem dos centros históricos das cidades turísticas, onde se tinha instalado uma monocultura, permanecem vazios, espectrais. São imagens de pesadelo que deixam adivinhar miséria e projectos interrompidos que por agora ainda é possível silenciar, mas que hão-de tornar-se vozes desesperadas e de revolta. Os actuais tumultos nalgumas cidades espanholas, principalmente em Barcelona e Madrid, tendo muito embora sido incendiados por uma sentença que a Justiça aplicou a um rapper, têm a motivação anárquica das revoltas actuais. Como mostram as reportagens, são quase exclusivamente os jovens desocupados ou precários que têm alimentado estas manifestações inorgânicas que resultam em destruição e confrontos com a polícia. Quando o turismo desaparece, as cidades que dependiam dele começam a ser obrigadas a erguer barricadas.

Sabemos bem, até porque não há promessa mais reiterada no último ano, que tudo será feito para que a vida anterior retome o seu curso, com os mesmos ou, substituindo os que sucumbiram de vez, com outros. Mas há aqui um problema de tempo. Um ano de interrupção, medido pela escala da velocidade e da aceleração necessárias para o equilíbrio do sistema, é muito tempo, produz instabilidade destruidora. Há muita coisa que não vai, pura e simplesmente, ser retomada. E entre essas coisas sujeitas à descontinuidade está a lógica que governava as cidades turísticas. Evidentemente, não é de esperar que Veneza ou Roma continuem, como agora, vazias. Mas alguns factores de esvaziamento vão manter-se mesmo quando acabar a pandemia, por razões psicológicas, mas também por questões logísticas (por exemplo: como é que as companhias aéreas de low cost vão retomar a sua actividade, depois de um desastre desta dimensão?).

Entretanto, vamos tendo notícias que indiciam algumas mudanças que podem tornar-se irreversíveis, mesmo que se façam todos os esforços para retomar a “normalidade”. De Itália, chega-nos através da revista Micromega, dirigida por Paolo Flores d’Arcais, um dossier sobre o “depois do vírus”, onde se faz o retrato de uma “pandemia urbanística” que obriga a uma tarefa ingente: nada mais nada menos do que “redesenhar a Itália”, mudar o “perfil do nosso território” e deter a “corrida da urbanização”. Em suma: o desastre da pandemia ocorrido no último ano mostrou o verdadeiro rosto de um desastre muito anterior que muitos queriam disfarçar. E em França, na semana passada, o Le Monde publicou uma reportagem sobre o êxodo das pessoas para cidades mais pequenas, como menos de 100 mil habitantes, porque o custo de vida é mais baixo, a qualidade é melhor e o modelo da megalópole como Paris só já atrai o turismo ou quem tem muito dinheiro.

Neste modelo de desenvolvimento, as fronteiras da periferia atravessam os centros. Quanto à vida urbana, a pandemia tem efeitos devastadores, mas o fim da cidade tal como a conhecemos no auge da turistificação e do neo-liberalismo estava anunciado e já não pode ser detido.


O Idílio Alentejano

(Clara Ferreira Alves, in Expresso, 22/08/2020)

Clara Ferreira Alves

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A capital entretém um idílio rural com o Alentejo. Lembro-me de uma época em que todo o intelectual ou profissional desiludido ou cansado queria refugiar-se no Alentejo e reinventar-se por lá, na bravura daqueles estios. Foi a época dos montes e das fantasias campestres em que o alentejano deixara de ser um comunista empedernido para passar a ser um homem do campo, ou mulher do campo, serviçais nimbados da pureza das terras. Em tempos mais recentes, temos a fase do paraíso para reformados europeus endinheirados, a coutada de milionários estrangeiros e “artistas” na costa alentejana, que lhes pertence quase toda e enche as páginas e as rubricas de estilo de jornais e revistas, com fotografias em belas cores. Louboutin, o dos sapatos da sola vermelha, com a casa de Melides, ou as sofisticações de Philippe Starck. E temos a fase dos agricultores dos novos latifúndios, com as culturas de vinho e oliveira, as provas nas herdades desenhadas por arquitetos, as reportagens dos enólogos e dos estrangeiros do centro da Europa, a Europa rica, que fizeram do Alentejo aquilo que não soubemos fazer, a sua casa. Mais o turismo rural, cristalização lucrativa do idílio alentejano.

O Alentejo é tudo isto, e tudo isto deve ter contribuído para o seu “desenvolvimento humano”, visto que nas estatísticas tem uma das taxas mais elevadas do país, e um rendimento per capita anual que, andando à volta dos €19 mil, também seria dos mais elevados do país. Pouco é certo, muito para a nossa pobreza. A segurança e a baixa criminalidade fariam do Alentejo um lugar exemplar da qualidade de vida portuguesa.

Por baixo destas camadas de verniz, um Alentejo bruto e árido como a terra sobrevive, meio esquecido, habitado por desempregados, velhos, suicidas, povoado por aldeias desertas onde não se vê alma num dia de agosto. Casas brancas caiadas que faíscam ao sol de verão sem vestígios humanos. Num café à beira da estrada, derreados pelo calor, um grupo de homens bebe cerveja ao fim da manhã, matando o tédio.

Escolhi vir do Algarve pela estrada de Castro Marim a Beja, passando por Mértola. Há muito tempo que não viajava por ali. A estrada melhorou, e mesmo quando atravessa os montes em curvas e contracurvas é uma estrada ampla e segura. A paisagem está envolvida num silêncio que convida à languidez da gente. Compreende-se a profundidade do cante alentejano, a lentidão das vozes. Nem um sopro sacudia as folhas e os campos sucediam-se, todos destinados a duas culturas. Vinha e oliveira. Os olivais eram recentes, com pequenas árvores recém-plantadas que pareciam estremecer na luz. Como sempre acontece em Portugal, quando uma monocultura dá sustento, abusa-se. Foi assim com o eucalipto. As fiadas de oliveirinhas são maiores do que as de vinhas, e estendem-se durante quilómetros por todo o Baixo Alentejo. O trigo, que costumava tingir a paisagem de amarelo, ausentou-se. Em vez das espigas ondulantes, temos folhas de prata. O azeite vai sobrar para o pão alentejano, que mais parece um pedregulho do que um pão e tem um sabor de torrão.

O sobreiro ainda dá sombra, e em certas regiões onde a terra se vira em pedra, o sobreiro desenha uma solidão na aridez de ferrugem, uma árvore habituada a enfrentar a dureza que não acolhe vinhedo ou olival. O Alentejo não é verde, é amarelo, é vermelho, é metálico, é geométrico. Nada tem de sorrateiro. Aquela brutalidade esculpe os corpos e as feições. E confere à paisagem humana uma indiferença milenar, como se o mundo mudasse em torno, e ali certas coisas não mudassem nunca. A famosa teimosia alentejana, a dificuldade de perder tempo com explicações. Ou direções. Esta característica alimentou gerações de anedotas idiotas.

O viajante que passa assim pelo Alentejo, de rápido, faz a paragem para almoço gastronómico, que dantes significava perguntar aos autóctones. O Tripadvisor dá-nos as instruções em inglês e português, com comentários do Billy, do Phil, da Mary, do Ian. Alguns destes comensais gabam as gambas e o salmão, escolhas complexas na terra das migas e do porco preto.

A um domingo, a maioria dos restaurantes está fechada e os lugares gastronómicos estão reservados e à cunha. Não se vê a quem perguntar pela tasca alentejana até que um restaurante miraculoso na berma da estrada decide estender o horário da cozinha e servir dois pratos do dia. A comida é de reis, abundante e preciosa de gosto e tempero, cozinha com bons ingredientes, mas dentro da sala, na sombra do restaurante vazio com uma mesa ocupada pelos empregados que começam a almoçar, só se ouve um som. O das duas televisões ligadas na CMTV. Impossível escapar à ladainha de crimes perpetrados e por perpetrar, de mulheres e homens esfaqueados e baleados, de cônjuges desavindos, de brigas inconfessáveis e de julgamentos em salas com azulejos brancos e azuis e advogados que falam para as câmaras com a naturalidade de profissionais. A ladainha foi interrompida por uma reportagem sobre uma manifestação contra o fascismo em Lisboa, aparecida primeiro nos rodapés como contra o fascismo e depois contra o racismo. Fechada a rubrica, uma espécie de intervalo lunático, os crimes regressaram.

E avistado assim, daquela janela aberta sobre a violência, o país todo aparecia como um lugar de delito e canalhice, de traição e vilanagem. A televisão dissipava o conforto da comida, o sabor do coentro e do tomate, o javali apimentado, e espancava a sala num pasmo mudo, como se as pessoas não esperassem mais do que aquilo que era oferecido, o óleo de rícino das mortes suburbanas, das agressões passionais e da delinquência geral. Um daguerreótipo onde as personagens só têm a cor da pele, branco também é cor, e onde os maus pertencem a um tipo bem definido, o outro.

Aquela massificação da tragédia gera a indiferença, manda encaixotar a moral e reserva para o espetáculo do mundo uma espécie de desdém. O silêncio da tarde, a liberdade da paisagem, sumiram-se no horror e na normalidade sangrenta. Imagino que várias horas, dias, anos, desta dieta televisiva, engendrem o sono da razão que produz os monstros de Goya. Nesta natureza não há, de facto, pensamento. O Alentejo nutrido e fortificado, mais o da costa do que o do interior, desaparece.

Não surpreende que à entrada da cidade, num resplendor personalizado, o rosto de André Ventura tenha substituído a foice e o martelo. As pessoas que se sentem vítimas de uma injustiça especial precisam de alguém que lhes aponte um destino e um inimigo e lhes atenue a inércia. A planura alentejana tem a melancolia e a desolação dos desertos. A televisão neste belo lugar não passa de uma maldição.