A jogada de mestre do Deep State anglo-saxónico

(In canal do Telegram, Sofia_Smirnov74, 01/01/2026, Revisão da Estátua)

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No período de 2025 para 2026, foram colocadas na mesa as últimas cartas do Grande Jogo em torno da Ucrânia. A CIA entrou abertamente em cena como ator central do Deep State anglo-saxónico.

Em primeiro lugar, ocorreu uma provocação monumental pelo seu cinismo: o atentado contra Putin e o centro de controlo das forças nucleares estratégicas em Valday. O organizador e a cobertura desta operação foi, sem esconder, a CIA. Apareceram publicações nos principais meios de comunicação social norte-americanos dedicadas ao papel protagonizado pela CIA no conflito da Ucrânia em geral e na organização de ataques com drones contra a indústria petrolífera russa em particular (com a aprovação calorosa de Trump). E, o mais importante, no ataque contra a residência do presidente da Rússia, com a conclusão de que: “não houve tentativa de ataque contra Putin” e que toda a história é uma mentira de Putin do início ao fim.

Como confirmação de que não se trata simplesmente de uma operação informativa e mediática do “partido da guerra” norte-americano contra o processo de negociação, mas precisamente de uma operação especial, o presidente dos EUA, pessoalmente, citou e partilhou o editorial do New York Post com o título: “A fanfarronice sobre um ‘ataque’ a Putin demonstra que a Rússia é quem se interpõe no caminho da paz”.

Segundo o jornal, “a inteligência norte-americana determinou que a Ucrânia tentou atingir um objetivo militar localizado na mesma região que a residência de Putin, mas não perto dela”. No entanto, o artigo afirma que qualquer ataque contra Putin é “mais do que justificado” e que já é hora de se ocupar seriamente deste “mentiroso” do Putin. Por outras palavras, toda esta informação foi realmente apresentada a Trump e formou a sua posição sobre o incidente. Uma fonte da Reuters informou que Trump partilhou o artigo do New York Post depois de o diretor da CIA, John Ratcliffe, o ter informado sobre as declarações de Putin.

Tendo em conta a posição, anunciada pelo Kremlin, de endurecer a postura negocial e o distanciamento de Trump, bem como novamente a retórica extremamente provocadora de Zelensky, o processo de negociações sobre a Ucrânia foi torpedeado com sucesso e é de esperar que o conflito passe para um novo nível de escalada ainda não visto.

Em segundo lugar, como uma monstruosa “cereja no topo do bolo” que sela estes processos de escalada: Odessa 2.0. Precisamente o incêndio intencional da Casa dos Sindicatos de Odessa em maio de 2014 deu o verdadeiro início à guerra civil na Ucrânia. O incêndio de Ano Novo, provocado por três drones contra um café na costa do mar Negro, em Khorli, onde 24 pessoas, incluindo crianças, morreram queimadas vivas (no total 50 feridos e 13 hospitalizados), reproduz deliberadamente o propósito sinistro de Odessa.

Depois de algo assim, não pode haver negociações nem paz. Só se avizinham novos mares de sangue, para finalmente se chegar à Terceira Guerra Mundial para a qual o Deep State anglo-saxónico empurra tão avidamente o mundo. E o principal “elo fraco” da ala global do “partido da paz” que tenta travar estes processos — Trump — parece já disposto a ser descartado do Grande Jogo (se não for redirecionado a tempo por figuras menos influentes do outro lado).

Assim começa, de forma sombria, o ameaçador ano de 2026, marcado pela rutura definitiva do processo de paz e pelo avanço para uma confrontação ainda maior.

Por detrás do «corolário Trump» : o maná financeiro dos «paraísos fiscais» das Caraíbas

(Por Alfredo Jalife-Rahme, in Rede Voltaire, 24/12/2025)


Se a Estratégia de Segurança Nacional dos EUA para 2025 for honesta, o «corolário Trump» não tem por fim justificar eventuais mudanças de regime ou guerras na América Latina. No entanto, poderia servir para proteger os paraísos fiscais das Caraíbas, que são essenciais para a economia dos EUA.


Além do cerco chocante para bloquear o Mar das Caraíbas, conduzido pelo porta-aviões mais moderno do mundo — pelo menos segundo a propaganda, uma vez que a China não fica atrás com seus próprios porta-aviões modernos — o USS Gerald Ford , ao largo das costas venezuelanas e colombianas, e tendo em conta as reservas abundantes de petróleo e de ouro da Venezuela (que desde então explodiram!), sem falar do conflito pessoal entre Trump e o Presidente colombiano Petro, a minha hipótese de trabalho é que este destacamento militar colossal contribui igualmente (ou até constitui o principal factor explicativo) para a protecção dos paraísos fiscais caribenhos [1], em particular os territórios britânicos das Ilhas Caiman e das Ilhas Virgens, que deteriam US$ 5. 000 mil milhões(bilhões-br) de activos financeiros de todo o tipo : desde activos relativamente respeitáveis, mesmo se escapam à tributação nos seus países de origem, até actividades verdadeiramente imorais, como o tráfico de drogas orquestrado pela cleptocracia política. (ver-se, por exemplo, os Panama Papers [2]).

O controverso problema dos barcos dos traficantes de droga, que já fez mais de 80 vítimas, é mais profundo, porque revela a existência de um corredor marítimo bidirecional ligando a terra firme — venha donde vier — aos paraísos fiscais offshore do Mar das Caraíbas.

O Mar das Caraíbas cobre uma superfície de 2.754.000 quilómetros quadrados : é o maior mar tropical do mundo e o segundo maior do planeta depois do Mar das Filipinas. A Venezuela e a Colômbia juntas representam 74% de sua superfície !

Venezuela (Superfície : 916. 445 quilómetros quadrados ; população : 26. 458.850 habitantes; PIB nominal : US$ 82. 770 milhões de dólares ; poder de compra do PIB : US$ 234. 340 milhões de dólares) e Colômbia (Superfície : 1. 141. 748 quilómetros quadrados ; população : 53. 110.609 habitantes ; PIB nominal : US$ 438. 120 milhões ; poder de compra do PIB : US$ 1. 190.739 milhões).

Os principais paraísos fiscais das Caraíbas são : 1. As Ilhas Caimão, território britânico de ultramar, o maior e o mais conhecido, com mais de 100. 000 sociedades registadas ; 2. As Ilhas Virgens, território britânico de ultramar, líder mundial de sociedades transnacionais (IBCs: International Business Companies) : mais de 400. 000 activas! Largamente utilizadas para as sociedades holding ; foi lá, diga-se de passagem, que Genaro García Luna, apoiante de Krauze sob o presidente mexicano Calderón, e seu pretenso «sócio» Loretito (Carlos Loret de Mola), acusados da mesma perfídia, branquearam dinheiro ; 3. As Baamas : um país independente ; muito popular para os fundos de investimento e os trusts ; 4. As Bermudas – outro território britânico de ultramar : um centro maior para actividade de resseguros e os fundos de investimento [3].

A OCDE e a União Europeia vigiam de perto as Ilhas Caimão, as Ilhas Virgens e as Baamas devido à importância de seus activos. Um assunto que faz correr muita tinta !
Será por isso que o Reino Unido se desligou do assédio de Trump no Mar do Caraíbas?

No entanto, segundo dados compilados pela Tax Justice Network ( taxjustice.net ) e a OCDE, «cerca de 27% do património privado da América Latina está colocado nos paraísos fiscais das Caraíbas». Além disso, 25% das fraudes fiscais cometidas por sociedades transnacionais são feitas através do Mar das Caraíbas!

Os dois enclaves britânicos por si só, as Ilhas Caimão (US$ 4 biliões de dólares) e as Ilhas Virgens (US$ 1 bilião de dólares), gerem US$ 5 biliões do total de US$ 6 biliões de dólares no Mar das Caraíbas.

Um estudo da Merrill Lynch estima que os três territórios britânicos das Ilhas Caimão, das Ilhas Virgens e das Bermudas estão à cabeça com depósitos equivalentes a um terço das fortunas privadas detidas na plétora de paraísos fiscais à escala mundial.

Deixo de lado o fedor que emana de casos bem conhecidos no Panamá e em Belize (na fronteira de Quintana Roo, perto de Cancún).

Os activos financeiros detidos nos paraísos fiscais das Caraíbas são estimados na soma estratosférica de US$ 6 mil milhões (trilhões-br), enquanto a riqueza total detida nos paraísos fiscais mundiais é estimada em US$ 36 mil milhões de dólares, de acordo com relatórios de diversas organizações internacionais, um número que parece subestimado (já que foi o dinheiro da droga que salvou os bancos durante a crise mundial! [4]).

Fonte aqui


Notas

1] «Detrás del Asedio de EU a Venezuela/Colombia: ¿Protección de las Finanzas de la Anglósfera en los “Paraísos Fiscales” del Caribe?», Alfredo Jalife-Rahme, Substack, September 27, 2025.

[2] «Pandora Papers desnuda la putrefacción neoliberal en América Latina: Lasso, Piñera, Vargas Llosa», Alfredo Jalife-Rahme, La Jornada, 20 de octubre de 2021.

[3] «The world’s Biggest enablers of corporate tax abuse», Corporate Tax Haven Index, Tax Justice Network.

[4] «¡Dinero del narcotráfico salvó a los bancos durante la crisis global!», Alfredo Jalife-Rahme, La Jornada, 16 de diciembre de 2

Estados Unidos ‘à caça’ de petróleo venezuelano

(Bruno Amaral de Carvalho, in TSF, 22/12/2025)


O maior dispositivo naval estacionado por Washington nas Caraíbas capturou já dois petroleiros e deixou escapar um. Donald Trump reclama a restituição de petróleo que diz ter sido “roubado” pela Venezuela.


O tráfego na cidade de Caracas é muitas vezes uma verdadeira dor de cabeça para os automobilistas que tentam cruzar a capital venezuelana. Nesses momentos, a opção por um mototáxi pode ser a solução mais rápida. É sentado numa motorizada que encontramos a única pessoa que, até ao momento, assumiu à TSF compreender o bloqueio naval dos Estados Unidos. Sem querer dar o nome verdadeiro, este condutor justificou a decisão de Washington com a “indemnização insuficiente” que Hugo Chávez teria dado às empresas petrolíferas norte-americanas que operavam no país. Contudo, em vários dias de entrevistas e reportagens em Caracas, entre apoiantes e opositores do Governo de diversas categorias profissionais e de diferentes zonas da cidade parece haver uma unanimidade em torno da rejeição aos ataques a embarcações, ao bloqueio naval e até a uma eventual invasão.

No centro de Caracas, no Parque Central, à frente de uma histórica taberna, António, emigrante português há quatro décadas na Venezuela, assume ter sido apoiante de Hugo Chávez, embora não se identifique com Nicolás Maduro. Originário do Porto, rejeita, ainda assim, qualquer intervenção dos Estados Unidos contra a Venezuela. Enquanto serve ao balcão, explica que este ano não pôde passar o Natal em família em Portugal devido às pressões da Administração Trump sobre as companhias aéreas.

Por sua vez, o português Ricardo Vaz considera que esta é a “ameaça mais séria” que a “revolução bolivariana” sofre desde 1999. Enumerando várias tentativas de golpe e sanções, este jornalista a viver há oito anos em Caracas diz que a maior mobilização militar dos Estados Unidos nas Caraíbas pode ter consequências graves para os comerciantes portugueses no país. “Mesmo que nos últimos anos, a partir de 2021, tenha havido, ao nível macroeconómico, uma recuperação, a economia continua muito instável, continua com problemas estruturais. O Governo tem muita dificuldade em reagir, por exemplo, à especulação”, explica.

Caça ao petróleo

Uma semana depois de anunciar um bloqueio naval contra a Venezuela, Washington conta já com a captura de três petroleiros. Apesar de o petróleo venezuelano ter sido nacionalizado há mais de meio século, bem antes de Hugo Chávez chegar ao poder, Donald Trump condenou aquilo que considerou ter sido um roubo dessa matéria-prima ao seu país. A caça aberta aos recursos da Venezuela começou com a interceção do cargueiro Skipper no dia 10, em frente à costa venezuelana, numa abordagem que levou Nicolás Maduro a considerar que a pirataria havia regressado às águas das Caraíbas. Com duas décadas de navegação, este navio, da Triton Navigation Corp., levava pavilhão da Guiana e estava debaixo de sanções dos Estados Unidos desde há três anos. Transportava a bordo 1,8 milhões de barris de crude e terá sido levado para Galveston, no Texas.