O coronavirus e a provável mão oculta dos Estados Unidos

(Arthur González, in Resistir, 09/02/2020)

Para quem conhece a história terrorífica da CIA, pejada de planos de acções encobertas para assassinar personalidades, espiar partidos políticos e seus dirigentes, executar golpes de Estado, desenvolver experimentos para manipular a mente de seres humanos e trabalhar com agentes biológicos a fim de transmitir vírus contra pessoas, animais e plantas, não é inverosímil supor que também pode estar por trás do perigoso Coronavirus, o Pneumonia de Wuhan, detectado na China.

É notória a guerra suja que os Estados Unidos executam contra a China, por considerá-la um perigo para a economia ianque. Daí o presidente Trump aplicar medidas inéditas para afogar a China e evitar que avance como a maior potência económica mundial.

Os ianques desesperados procuram modificar a correlação de forças em escala mundial. Por isso pressionaram o Reino Unido a sair da União Europeia para debilitá-la, além de converter a China no seu novo inimigo estratégico no cenário mundial.

Por isso não é de estranhar que possam estar por trás do surgimento do Coronavirus em Wuhan, obrigando os chineses a paralisar uma das suas regiões de maior desenvolvimento económico e uma população de mais de 11 milhões de habitantes, sendo a sua sétima cidade mais povoada e uma das nove cidades centrais da China com conexões para todo o território nacional.

Wuhan é qualificada como o centro político, económico, financeiro, comercial, cultural e educativo da China central, além de ser um centro principal de transportes, com dezenas de ferrovias, estradas e auto-estradas que cruzam essa cidade, conectando-a com outras importantes.

Essa localização permite a rápida disseminação da epidemia em todo o país, o que obriga a perguntar: será por acaso que o vírus tenha surgido ali? Ou por essas razões foi seleccionada para introduzi-lo entre os seus habitantes?

Afirma-se que o vírus é uma mutação, algo em que cientistas ianques trabalham historicamente nos seus laboratórios militares de guerra biológica.

O pânico criado a nível mundial obriga a não visitar a China, o que afecta sua indústria turística, os investimentos estrangeiros e os intercâmbios comerciais, perante a possibilidade de contágio.

Cuba tem sofrido múltiplos ataques biológicos desde há 60 anos. O primeiro contemplado é a conhecida Operação Mangosta, aprovada em 18 de Janeiro de 1962 pelo presidente J.F. Kennedy, que na sua tarefa número 21 diz textualmente:

“A CIA proporá um plano até 15 de Fevereiro para provocar o fracasso das colheitas de alimentos em Cuba…” As linhas seguintes não foram desclassificadas.

Em Junho de 1971 comprovou-se a presença na Ilha do vírus que causa a Febre Porcina Africana, o qual jamais havia sido reportado em Cuba. Foi preciso sacrificar centenas de milhares de porcos para evitar sua disseminação por todo o território nacional, com uma perda económica e alimentar de grande envergadura.

Em Abril de 1981 foram detectados em Havana vários casos de febre hemorrágica, provocando a morte de quatro crianças. Foi possível comprovar que se tratava de uma estirpe nova do vírus “Nova Guiné 1924”, serotipo 02, única no mundo naquela época, sendo uma estirpe elaborada em laboratório.

Em Agosto de 1981 detectou-se em Sancti Spiritus, província central de Cuba, o herpes vírus BHV2, endémico em África e isolado no laboratório de doenças exóticas em Plum Island , Estados Unidos. Esse agente viral é o causador da Pseudodermatose Nodular Bovina e afectou a produção de leite.

Em 1983 Eduardo Arocena declarou no tribunal de Nova York – que o julgava por assassinar um diplomata cubano acreditado na ONU – que, como agente da CIA, cumpriu a missão de introduzir germes patogénicos em Cuba, quando na Ilha enfrentava-se a epidemia do Dengue Hemorrágico.

A lista de semelhantes acções é ampla. Por isso não é de estranhar que a China agora seja alvo desse trabalho sujo que os ianques costumam executar [1] . Isto se deve à potência económica desse gigante asiático e em particular Wuhan, território de amplas transformações industriais que possui três zonas de desenvolvimento nacional, quatro parques de desenvolvimento científico e tecnológico, mais de 350 institutos de investigação, 1.656 empresas de alta tecnologia, numerosas empresas e investimentos de 230 empresas listadas na Fortune Global 500.

Ali tem sede a mega empresa Dongfeng Motor Corporatiion, complexo industrial que fabrica automóveis, unido a dezenas de institutos de educação superior, inclusive a Universidade de Wuhan que em 2017 ocupou o terceiro lugar a nível nacional, mais a Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong.

Nesse ano a UNESCO declarou Wuhan “Cidade Criativa” no campo do design e hoje está classificada pela Globalization and World Cities Research Network, como uma cidade beta mundial.

Os EUA já emitiram um aviso de viagem de nível 4, depois de a Organização Mundial de Saúde (OMS) ter declarado a eclosão como uma emergência de saúde pública de preocupação internacional, em que exorta seus cidadãos e residente a não viajar à China.

O Departamento de Segurança Nacional informou que há 11 aeroportos designados, inclusive os Aeroporto Internacional John F. Kennedy, o Aeroporto Internacional de Los Angeles e o Aeroporto Internacional Hartsfield-Jackson de Atlanta, pelos quais os viajantes procedentes da China podem entrar nos EUA.

Por sua vez, o Departamento da Saúde declarou que “se os passageiros forem examinados e não mostrarem sintomas, serão relocalizados no seu destino final e se lhes solicitará que se ponham em quarentena dentro da sua casa”.

Para semear mais terror disseminaram a notícia de que “o coronavirus pode contagiar ainda sem sintomas”, segundo critérios do principal médico de infecções dos EUA. E em Hong Kong trabalhadores da saúde declararam-se em greve para exigir ao governo que encerre a fronteira com a China.

Há ou não há razões para suspeitar que a mão dos Estados Unidos está por trás da epidemia, com todos os antecedentes que a CIA tem em guerra biológica?
A China faz todo o possível para enfrentar a epidemia e constrói dois hospitais em tempo recorde, demonstrando ao mundo a vontade resolver o problema. Ao mesmo tempo, exibe a sua potencialidade económica, algo que enfurece os ianques que não seriam capazes de fazer algo semelhante.

Algum dia se saberá a verdade, mas enquanto isso a China seguirá seu passo firme para sair vitoriosa deste mal. Como disse José Martí:

“Não é possível que passem inúteis pelo mundo a piedade incansável do coração e a limpeza absoluta da vontade”.


[1] O governo dos EUA fez experimentos de guerra bacteriológica contra Coreia e a China na década de 1950.   Este facto está comprovado no Report of the International Scientific Commission for the Investigation of the Facts Concerning Bacterial Warfare in Korea and China (764 páginas, 235 MB).

Ver também:
China recibe medicamento cubano para enfrentar el coronavirusAcerca da guerra bacteriológica durante a Guerra da CoreiaBioarmas: Um crime do governo americano digno de NurembergExército dos EUA patenteia granada para lançar armas biológicas, violando a Convenção internacionalPreparação para guerra biológica?   Vacina contra o antrax para os soldados no Iraque, Afeganistão e Coreia do Sul

[*] Jornalista, cubano.


Fonte aqui

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O golpe na Venezuela deve ter resistência

(Craig Murray, in GlobalResearch, 24/01/2019, Tradução Estátua de Sal)

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A Venezuela teve eleições. Juan Guaido nunca foi um candidato presidencial. Apesar do enorme financiamento e interferência da oposição e da CIA durante anos, já que as grandes companhias do petróleo tentam recuperar o controlo das maiores reservas do mundo, Nicolas Maduro foi democraticamente reeleito em 2018 como presidente da Venezuela.

O golpe, agora em curso, é ilegítimo. Eu opus-me à acção de Maduro para substituir a Assembleia Nacional eleita. Às vezes, leio de novo coisas que escrevi no passado e penso que estava errado. Outras vezes acho que o artigo estava certo, mas um pouco superficial . Ocasionalmente, fico orgulhoso, e estou orgulhoso da minha análise sobre a Venezuela, escrita em 3 de agosto de 2017. Acredito que ainda está válida:

A política revolucionária de Hugo Chavez foi fundada em dois princípios muito simples:

1) As pessoas não deveriam morrer de fome em favelas terríveis no país do mundo mais rico em petróleo.

2) A CIA não deveria controlar a Venezuela.

Ao longo dos anos, Chávez acumulou conquistas reais na melhoria dos padrões de vida dos pobres e no fornecimento de instalações de saúde e educação. Era muito popular e tanto ele quanto seu sucessor, Nicolas Maduro, obteve vitórias eleitorais muito expressivas. Maduro continua a ser o presidente democraticamente eleito.

Mas o sonho tornou-se azedo. Particularmente, caiu na tendência das economias de planeamento central de não fornecer as mercadorias que as pessoas querem nas prateleiras das lojas, e na corrupção que acompanha a centralização. Esta corrupção certamente que não é pior que a corrupção de direita que substituiu, mas isso não diminui a gravidade da sua existência.

Qualquer revolução afasta sempre uma elite existente que é, por definição, o grupo mais educado e mais articulado da população, com mais acesso a recursos, incluindo o acesso à comunicação social – e ao apoio secreto da CIA, que continuou em ritmo crescente. Chávez não resolveu esse problema da maneira que Robespierre, Stalin, Trotsky ou Mao teriam feito. Abraçou a democracia, deixou-os existir – e em grande parte deixou-os manter os seus milhões em offshore privados e, assim, o seu poder, permaneceu intocado.

Assim, Inevitavelmente chegou o dia em que os fracassos económicos e administrativos quebraram a solidez do apoio dos pobres à revolução. A direita, então, intensificou a sua oposição através de uma campanha liderada por bilionários corruptos, que a comunicação social ocidental ocultou ter recorrido a assassínios e a violência.

O problema do milenarismo revolucionário é que seu fracasso em alcançar a utopia é visto como um desastre pelos seus apoiantes. Maduro deveria ter aceite a mudança, que é a natureza da vida, que as marés políticas vão e voltam, e ceder o poder à oposição vitoriosa no parlamento, mantendo os princípios da democracia e esperar que a maré voltasse atrás – mesmo correndo o risco de a A CIA não lhe dar a segunda oportunidade. Em vez disso, ele recorreu a uma solução constitucional que dilui a democracia, um precedente que deliciou a direita que, a longo prazo, tem mais a temer da população. Dada a extrema violência da oposição, estou menos inclinado a ver as detenções como inquestionavelmente uma questão de direitos humanos, do que alguns alegados grupos pró-ocidentais de direitos humanos. Mas receio bem ser verdade que Maduro tenha saído do trilho democrático. Deve dizer-se, sem rodeios, que ele errou, por mais difíceis que tenham sido as circunstâncias. Eu condeno ambas as partes por se terem desviado das melhores práticas de direitos humanos e a tentativa de usar uma parte das instituições indiretamente eleitas (tribunais) para subverter o parlamento eleito.

Mas, ainda hoje, a Venezuela é muito mais uma democracia do que a Arábia Saudita, e é muito mais respeitadora dos direitos humanos do que Israel na sua terrível repressão aos palestinianos. No entanto, o apoio a Israel e à Arábia Saudita são pedras fundamentais da política externa daqueles que hoje são incessantes nas suas exigências de que nós, na “esquerda”, condenamos a Venezuela. A BBC deu maciçamente mais cobertura de notícias sobre abusos de direitos humanos na Venezuela no mês passado do que numa lista conjunta de países muito piores que eu poderia citar.

O abuso dos direitos humanos deve ser condenado em todos os lugares. Mas só atinge as manchetes quando praticado por um país que está do lado errado da agenda neoconservadora.

Qualquer um que acredite que a democracia interna de um país é o fator determinante para determinar se o Ocidente decide apoiar uma mudança violenta de regime naquele país, é um completo idiota. Qualquer jornalista ou político que faça essa afirmação é mais provável que seja um charlatão completo do que um completo idiota. Nos últimos anos, a posse de reservas de hidrocarbonetos é obviamente um fator importante nas ações de mudança do regime patrocinadas pelo Ocidente.

Na América Latina, no último século, a presença da democracia interna tem sido muito mais propensa a levar a uma mudança de regime externa do que a sua ausência, já que a manutenção da hegemonia imperialista dos EUA tem sido o fator determinante. Tal facto, combinado com as reservas de petróleo, explica duplamente as razões do atual movimento golpista.

É desanimador ver as “democracias” ocidentais a apoiar tão unanimemente o golpe na Venezuela. A UE, em particular, entrou em cena para apoiar Donald Trump no ato absurdo de reconhecer o fantoche corrupto do Big Oil, Guaido, como “Presidente”.

A mudança da UE para uma política totalmente neoconservadora – tão fortemente representada pelo seu incisivo apoio à violência franquista na Catalunha -, foi o que me levou a conciliar com o Brexit e a defender um relacionamento do Reino Unido com a União Europeia, estilo Noruega.

Quando eu estava no FCO (N.T – Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido), a regra do reconhecimento era muito clara e muito abertamente declarada – o Reino Unido reconhecia o governo que tinha “controlo efetivo do território”, quaisquer que fossem os atributos daquele governo. Este é um princípio muito bem estabelecido no direito internacional. Havia exceções muito raras envolvendo a continuação do apoio aos governos demitidos. O governo polaco, no exílio, antes de 1939, era o exemplo mais óbvio, mas, depois do nazismo ter sido derrotado, a Grã-Bretanha passou a reconhecer o governo comunista realmente encarregado, apesar da fúria dos polacos exilados. Eu próprio estive envolvido na questão do reconhecimento continuado do Presidente Kabbah, da Serra Leoa, durante o período em que ele foi derrubado por um golpe militar.

Mas não me ocorre nenhum precedente de reconhecimento de um presidente que não tem e nunca teve o controlo do país – e nunca foi candidato a presidente. Essa ideia do Ocidente, simplesmente tentar impor um líder adequadamente corrupto e obediente é realmente um desenvolvimento muito surpreendente. É também de espantar o comentário dos MSM (N.T. Mainstream media) e da classe política que parece não ver nenhum problema com isso. É um precedente extraordinário e, sem dúvida, levará a muitas e novas aventuras imperialistas.

Um pensamento final. O governo de direita do Equador tem sido um dos primeiros e mais ouvidos a apregoar as ofertas do Ocidente à Venezuela. O governo equatoriano tem conspirado com os Estados Unidos nos seus esforços para aprisionar Julian Assange, e neste exato momento conseguiu que funcionários do FBI e da CIA em Quito recebessem declarações falsas e maliciosas fabricadas pelo governo do Equador em colaboração com a CIA, sobre as atividades de Julian Assange na Embaixada em Londres.

Documentos do governo equatoriano já haviam sido produzidos em Quito e encaminhados para o MI6 e para a CIA bem como para o Guardian e o New York Times, pretendendo mostrar a nomeação diplomática de Julian Assange para Moscou em dezembro de 2017. Acredito que esses documentos falsos, muito provavelmente produzido pela CIA no Equador, devem ter influenciou o próprio governo deste país no caso Assange.

Hoje, o Equador, em tempos recentes uma peça fundamental da revolução bolivariana, é simplesmente um fantoche da CIA, expressando apoio a um golpe dos EUA na Venezuela e trabalhando para produzir testemunhos falsos contra Assange. Assim, deixo o aviso para que não deem crédito ao próximo “furo” de Luke Harding, que sem dúvida emergirá desse processo.


Fonte aqui

Quando os denunciantes dizem a verdade são traidores. Quando o governo mente é política

(Carey Wedler, in Theantimedia.org, 08/03,2017, Tradução de Estátua de Sal)

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Imediatamente após o Wikileaks ter libertado milhares de documentos revelando a extensão da vigilância da CIA e das práticas de hackers, o governo pediu uma investigação – não sobre a razão porque a CIA acumulou tanto poder, mas sim sobre quem expôs as suas políticas de intrusão.

“Uma investigação criminal federal está sendo aberta sobre a publicação pelo WikiLeaks de documentos que detalham supostas operações de hacking da CIA, segundo vários funcionários dos EUA”, informou a CNN.

De acordo com o Usa Today:

“O inquérito, de acordo com fonte governamental, procurará determinar se a divulgação representou uma violação do exterior ou um vazamento do interior da organização. Uma revisão separada tentará avaliar os danos causados por tal divulgação, disse o oficial. “

Mesmo o representante democrata, Ted Lieu, que tem exortado a que denunciantes surjam para denunciar irregularidades do governo Trump, afastou o foco daquilo que os documentos expuseram e deu toda a importância a questionar como tal poderia ter acontecido.

“Estou profundamente perturbado com a alegação de que a CIA perdeu o seu arsenal de ferramentas de hacking”, disse ele ao pedir uma investigação. “As consequências podem ser devastadoras. Peço uma investigação imediata no Congresso. Precisamos saber se a CIA perdeu o controle das suas ferramentas de hacking, quem pode ter essas ferramentas e como podemos agora proteger a privacidade dos americanos “.

De acordo com as declarações de Lieu, o problema não é necessariamente que a CIA esteja a espiar os americanos e  a invadir através da tecnologia a vida de pessoas inocentes sem o seu consentimento. É que a CIA tem utilizado mal as suas ferramentas de espionagem e, ao fazê-lo, colocou em risco a privacidade dos americanos colocando as ferramentas supostamente ao alcance  de “atores maus”. O problema então não é a agência ter sido corrupta ao violar os direitos básicos de privacidade dos cidadãos, mas não ter sido suficientemente competente para manter a sua corrupção em segredo.

É neste estado que se encontra a narrativa acerca dos denunciantes nos Estados Unidos. Os denunciantes dão um passo em frente para denunciar atos ilegais por parte do governo – algo que o governo alega apoiar – e, imediatamente, as instituições e os meios de comunicação afastam o debate sobre o delito denunciado, e concentram a sua atenção na libertação ilícita de segredos.

Pondo de lado o fato que, de acordo com a popular mitologia americana, violar a lei é um dever patriótico, as reações do governo e dos políticos são hipócritas como é habitual.

Quando Chelsea Manning revelou a evidência dos condenáveis crimes dos EUA na guerra do Iraque,  que levaram soldados a atacar diretamente a equipa de jornalistas da Reuters, a resposta não foi investigar quem permitiu esses crimes (de fato, um manual do Pentágono posterior descrevia casos em que seria permissível matar jornalistas; esta versão do manual só foi retirada depois de protestos de repórteres). Em vez disso, Manning foi submetido a um tribunal militar que emitiu várias sentenças de prisão perpétua, uma punição cruel e inusitada revertida somente nos últimos dias de governo do presidente Obama, no meio das suas tentativas de salvar a sua pecaminosa governação do seu record de ataque aos direitos humanos, à transparência e ao registo de denunciantes.

Quando Edward Snowden revelou a extensão da vigilância em massa, sem mandato, da NSA a cidadãos americanos e milhões de outros em todo o mundo, a resposta do governo não foi investigar em primeiro lugar a razão desses programas existirem. Em vez disso, os EUA fizeram uma perseguição mundial ao denunciante, e ordenaram que o avião do presidente boliviano, Evo Morales, fosse forçado a aterrar, na esperança de apanhar o denunciante. E o Congresso aprovou de seguida a decepcionante lei “EUA Freedom Act”, que legalizou a vigilância contínua.

Edward Snowden permanece no exílio, e os políticos do establishment apelidam-no repetidamente de traidor por ter exposto os crimes do seu governo. Alguns, incluindo o diretor da CIA de Trump, Mike Pompeo, pediram sua execução. A vigilância em massa continua, e o próprio presidente Trump está a tentar conter esses poderes, ao mesmo tempo que acusa o ex-presidente Obama por supostamente o ter espiado.

E assim por diante. O mesmo aconteceu com John Kiriakou, Thomas Drake, William Binney e Jeffrey Sterling. O governo é denunciado por transgressões  e abusos e os governantes, ao invés de tentarem provar serem representantes do povo e remediarem essas transgressões, apontam o dedo às denúncias e desviam-se do essencial, ao mesmo tempo em que se recusam a pôr em causa ao poder injusto que é revelado as agência de informações possuírem.

Muitas pessoas já estão conscientes de que o governo faz pouco por elas, e de facto não trabalha para as servir, (a confiança dos americanos nos líderes políticos  e no governo, em geral, é assustadoramente baixa). Em vez disso, agentes e agências governamentais operam para aumentar e concentrar os seus próprios interesses e poder. É por isso que as penas previstas na lei contra a morte de funcionários do governo são mais rigorosas do que contra a morte de civis. É por isso que roubar o governo é considerado mais escandaloso para o Estado do que roubar um civil. O governo considera os “crimes” cometidos contra si próprio merecedores da maior sanção, mas muitas vezes não consegue levar a justiça aos assuntos da sociedade civil, satisfazendo as pretensões das pessoas que materializam o seu suporte financeiro através dos impostos que pagam.

Desse modo, o Estado nem sequer tenta mostrar arrependimento pelas suas políticas violadoras, mesmo quando elas são expostas e espalhadas pelos meios de comunicação social para que o mundo veja. Em vez disso, com a ajuda da corporação dos media, o debate é deslocado para saber se a WikiLeaks é uma organização criminosa, ou se Edward Snowden é ou não um traidor.

Como disse o secretário de imprensa da Casa Branca, Sean Spicer, sobre os vazamentos:

“Esse é o tipo de divulgação que mina nosso país, a nossa segurança. Este alegado vazamento deve preocupar todos os americanos pelo seu impacto na segurança nacional. … Qualquer pessoa que revele informações classificadas será responsabilizada e punida de acordo com as sanções máximas previstas  na lei. “

Enquanto isso, é suposto que temos que aceitar as investigações que o governo faz sobre si próprio e sobre as suas próprias acções, que (surpresa!). Normalmente tais investigações  encontram pouco ou nenhum desvio no comportamento das agências governamentais, o que, muitas vezes, consolida e amplia os poderes e actos clandestinos postos a nu pelos denunciantes.


Fonte aqui