É pena, Costa

(Por Valupi, in Blog Aspirina B, 12/12/2017)

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Sabemos que os direitolas estão a sofrer quando se calam. Costa foi entrevistado por José Gomes Ferreira na passada quarta-feira e os direitolas ficaram calados. Portanto, ficaram em sofrimento. Não gostaram de ver a facilidade com que o socialista limpou o rabinho ao palhaço pago pelo Balsemão.

Não há nada de errado nisto de existir um império de comunicação, o Grupo Impresa, que serve os interesses políticos do seu dono. É a iniciativa privada, é a democracia, é a liberdade. Mas, então, que comam todos posto que não há moralidade. A gestão das linhas editoriais da SIC e do Expresso fez de Mário Crespo e do Zé Gomes, para dar exemplos notáveis na sua completa e caricatural distorção do código deontológico dos jornalistas, dois operacionais de uma estratégia reles, maníaca, de propaganda política a favor do PSD e contra o PS. Por extensão, e de acordo com a mesmíssima lógica, o papel político de Ricardo Costa e de Pedro Santos Guerreiro – o qual até pode estar a ser exercido de forma natural; isto é, genuína, porque eles serão isso e sempre o seriam mesmo que não trabalhassem para o militante nº 1 do PSD – é o de orientar a leitura noticiosa oficial para aquela perspectiva que promova os interesses de uma certa direita e que denigra ou apague os interesses de uma certa esquerda. Nenhuma novidade nisto, obviamente, apenas se lamentando que tal não seja assumido frontalmente.

A novidade que importa chama-se António Costa. Estava destinado há muito a ser primeiro-ministro, mas ninguém conseguiu antecipar, sequer imaginar, a pedrada no charco que constitui a actual solução de Governo. Fruto de várias circunstâncias felizes, desde a chegada de Marcelo à manutenção de Passos, da recuperação do poder de compra aos ganhos nas exportações, Costa vai com um ano e meio de sucessos ininterruptos e crescentes. Se conseguir levar as agências de notação financeira a retirar Portugal da categoria “lixo”, não haverá champanhe suficiente em Lisboa para acudir aos brindes no Rato. Este o contexto do seu confronto com o cão de fila da SIC, o qual decorreu sem qualquer laivo de agressividade, sem a mínima acrimónia. De um lado, o pseudo-jornalista que explora a iliteracia económica generalizada e o populismo do tempo para disparar contra o PS com fanatismo circense, do outro, o líder do partido mais importante do sistema partidário e actual chefe de um Governo que promete inaugurar uma nova era na cultura política portuguesa, caso os dirigentes do PS, PCP e BE reproduzam nas próximas décadas a inteligência ideológica que levou ao acordo de 2015. Dois mundos sem qualquer contacto entre eles, pelo que a entrevista serviu apenas para vermos como a famigerada displicência de Costa chegou e sobrou para a vacuidade e deboche do Zé que nos toma por muito parvos.

Porém, Costa merece que se diga algo mais a seu respeito. Ele tem gosto em exibir a sua capacidade para meter no bolso os profissionais da caça aos socialistas que pululam no ecossistema mediático ao serviço da direita. Com isso igualmente transmite a ideia de que não há mal nenhum neste aspecto da nossa vida social e política, de que é errado estar a protestar, a indignar-se.

Pelo contrário, há que cobri-los de sorrisos, risinhos e até oferecer-se para tomar conta dos seus filhos nas instalações do Governo caso precisem de ajuda. Foi assim que terminou a entrevista com o grande especialista em acções do BES, satisfeito da vida pelo “debate” que tinha ganhado por KO. É verdade, como escreve a Isabel, que valeu a pena vermos Costa esmagar os sofismas do palhacito, mas não há nada de admirável num chefe político que sente a necessidade de recorrer à adulação para lidar com a escória da indústria da calúnia.


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O “SALDOCE” e o “CASTELO SAGRADO”!

(Joaquim Vassalo Abreu, 04/03/2017)

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A que podemos juntar também o seu sacrossanto vigia e o “Riofraco”. Mais o Santos e o Sobrinho. O afilhado e o padrinho. Também o do bigodinho. A Isabel e o maridinho. O general e um filhinho. O saca rolhas e o coelhinho. A violinha e o cavaquinho. Um leopardo mansinho e do CC um narizinho, entupidinho!

Vão-me desculpar, mas eu hoje estou deveras zangado. E zangado comigo mesmo e com vocês todos. E com o mundo todo em geral e com todas as praias ou lugares que estão fora da nossa visão ou conhecimento, longe da costa, portanto, e a que chamam de “Offshores” também. Com tudo e com todos, em suma.

É que acabei de ver o terceiro e último episódio da trilogia “Assalto ao Castelo” e já nem sequer me apetece falar de toda essa coisa começada por “M”, preferiria até que começasse por “T” mas, perdoem-me, acho que nem com esta consigo começar. Porquê? Porque é tanta a chafurdice, tanta a conivência, tanta a desonestidade e tanta a “irresponsabilidade”, essa que eu achava que era apenas privilégio dos Juízes, os únicos que não são responsabilizados pelas decisões judiciais tomadas, que apenas me posso perguntar: Como não está esta gente toda na cadeia?

Pergunta introspectiva minha, mas muito inocente, já se sabe. Porque continuamos a ter relações privilegiadas com Angola e com toda a sua “cleptocracia”? E com toda aquela oligarquia? Como é que deixamos que mandem em Bancos e em grandes empresas Portuguesas quando sabemos que todo o seu capital é advindo da sistemática corrupção e de roubo a todo o seu Povo? Eu sei que a pergunta é inocente, eu sei, mas não será legítimo fazê-la?

Mas há uma outra perplexidade me assaltou e que me continua a consumir, e que é a seguinte: Como é que é a SIC a fazer esta reportagem, quando perante a situação actual da CGD, por exemplo, vemos os seus “pontas de lança” tudo promoverem para o seu descrédito e a tudo o que isso pode levar (por exemplo privatização e “esquecimento” de cobranças de créditos cristalizados de insuspeitos devedores, como aconteceu com outros…).

Porquê a SIC, portanto? Porque é que havendo um jornaleiro que começa a ser mais que insuportável, o José Gomes Ferreira, mais os Caiados e outros que tais criados, a tudo fazerem para que este Governo falhe, é feita uma reportagem destas, elaborada por um grande e competente jornalista, sem dúvida, mas que, para tal, teve que ter o superior aval do seu presidente: o “Balsebraços”.

“Braços”, sim, porque ele não é apenas uma mera “mão”: ele tem mais extensões. E sabemos o que isso pode significar. E, assim sendo, mas delirando, é claro, como aliás sempre faço, não poderá tratar-se de um ajuste de contas com o “SALGROSSO”? Porque mesmo sendo Salgado ele fez-se sempre de “Saldoce” com o “Balsebraço” e, quem ainda tem memória, deve recordar-se daquela vez em que o Salgado, dessa vez “grosso”, ameaçou retirar todo o investimento publicitário do seu grupo no grupo Impresa. Há quem tenha memória curta mas, felizmente, a minha ainda me vai servindo,

E depois, e aí não sei mesmo, será que o “Balsebraço” não terá alguma aplicação na Rioforte, depois transformada em “Riofraco”, assim a modos que um colateral de algum empréstimo? Ninguém sabe. E eu muito menos…

Mas repito, estou muito zangado. E aqui creio que todos me acompanham na fatal pergunta: como é que aquele vigia da guarita do “Castelo”, o tal de Carlos Costa, ainda se mantém lá de sentinela e não há quem o consiga arredar de lá? Como, se ele não vigia nada? E se vigia não age?

O António Costa diz que ele é inamovível e nem o comandante em chefe o consegue de lá tirar. Só o manda chuva do tal castelo sediado em Frankfurt, um tal Draghi, o consegue fazer e eles parece que são unha com carne. Como, se ele com a anterior governo tanto colaborou a com este se calou? Colaborou calando e corroborando tanto o Coelho, como a Maria Luis e enganando um outro que nunca se deixava enganar e nunca tinha dúvidas, dizendo estar bem o que sabia que estava mal e reiterando a confiança e certeza das suas disponibilidades para ultrapassar qualquer crise? Como?

Carlos Costa? Sabia de tudo! O “Balsebraço”? De tudo sabia. O Coelho e a Maria Luis, idem idem aspas. O Cavaco? De nada sabia. Só sabia o que o da guarita lhe transmitia. O “Pata Negra” e o “Granadero”? Esses só tremiam perante uma ordem. O Sacadura? Estava fora…

Tirando o Sócrates que era o culpado de tudo e, quer-me parecer, afinal não vai ser de nada, só de não ter pago o imposto de selo dos empréstimos do amigo, mas aí também não sabemos se o Juiz Alexandre pagou o devido pelo empréstimo de um outro amigo, ele que nem amigos dizia ter, tirando, como dizia o Sócrates, quem vai ser o CDT (culpado disso tudo)?

Eu, por mim, e por isso mais zangado estou, comecei a escrever sobre o BES e sobre a “Saúde da Banca Portuguesa” (três textos), já nos idos de 2013, e outros que podem procurar no meu Blog, tais como: “BES-Aguentará Portugal um novo, mas maior, BPN?”; “Os Anjos, Os Anjinhos e os Anjolas no caso BES”; “O Sistema”; “Parecer dos 14 milhões”…etc e etc… E, portanto, acho que cumpri a minha modesta obrigação.

E mais não digo!


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Carta aberta ao Diretor de Informação da SIC-Notícias

(Por Carlos Paz, in Facebook, 02/03/2017)

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Meu caro Ricardo,

No programa “Negócios da Semana” de ontem, 1 de Março de 2017, o jornalista José Gomes Ferreira, que é teu Diretor Adjunto, teve como convidados, entre outros, os ilustres Professor João Duque, académico, e Dr. Tiago Caiado Guerreiro, advogado fiscalista.
As grandes notícias do dia foram:
– A audição na AR dos secretários de estado, atual e antecessor, sobre uma colossal fuga de capitais do País, ao longo de anos, que não foi escrutinada pelas finanças;
– A emissão, pela SIC, canal do mesmo grupo, da primeira parte de um programa sobre o Banco de Portugal e a sua imensa responsabilidade em tudo o que a economia portuguesa e os portugueses, em geral, sofrem, têm sofrido e irão continuar a sofrer por muitos anos.
Apesar da relevância de qualquer destes temas, e até da sua potencial inter-relação, o programa “Negócios da Semana” escolheu como seu tema do dia a Caixa Geral de Depósitos, os SMS’s do Ministro das finanças, as opções (que são só do conhecimento de José Gomes Ferreira) da Administração Domingues que, de facto, praticamente nem esteve em funções e, prato forte, o programa de recapitalização da CGD.
Não há aqui nenhum problema deontológico. O canal SIC-Notícias, e o seu Diretor Adjunto José Gomes Ferreira, tem o direito de fazer as suas escolhas editoriais.
Seguramente que esta opção sistemática por fugir aos temas mais relevantes quando eles vão contra a orientação ideológica dos responsáveis nada tem a ver com a destruição do património de imagem que o canal tem vindo a sofrer, perdendo para a CMTV o lugar de canal informativo de referência no “cabo” em Portugal.
Mas, se as opções ideológicas na escolha dos temas é algo que só a vocês, internamente, diz respeito, o mesmo não se passa com o conteúdo dos programas em si.
E, neste caso, o programa de ontem constituiu um dos mais graves ataques que alguma vez foi feito em televisão em Portugal, ao regime democrático, à estabilidade do sector financeiro e à sustentabilidade da economia portuguesa.
Poderás, Ricardo, argumentar que as opiniões do João ou do Tiago são isso mesmo: opiniões. Que têm o valor que lhe quiser dar quem os estiver a ouvir. É verdade!
Mais, Ricardo, podes argumentar que o canal não é responsável, nem deve interferir, nas opiniões dos seus convidados. É verdade! Eu próprio já fui, mais que uma vez, convidado como comentador no teu canal e NUNCA fui condicionado nas minhas opiniões. E isso está correto.
Mas, se isto é verdade Ricardo, o mesmo já não se aplica a José Gomes Ferreira. Ele, além de responsável e pivot do programa em questão, é TAMBÉM, e acima de tudo, teu Diretor Adjunto.
Ao contrário do que acontece com a opinião dos convidados, João Duque e Tiago Caiado Guerreiro, a opinião de José Gomes Ferreira, quando veiculada pelos meios da SIC-Notícias, amarra e responsabiliza o canal (SIC-Notícias), a marca (SIC) e a empresa (IMPRESA).
O argumento de que José Gomes Ferreira atua, nestes casos, como Jornalista e não como teu Diretor Adjunto não pode ser usado à exaustão. Até porque, para quem está a ver e ouvir não é possível fazer a distinção, porque o próprio também não a faz.


Assim, o ataque cerrado que foi ontem feito à CGD e ao seu processo de capitalização, é uma opção editorial do canal de que és Diretor e, como tal, responsabiliza-te também a ti. Aliás o teu passado profissional e a forma exemplar como desempenhaste as tuas funções, até à atual, não permite, a ninguém, pensar o contrário: vais, também neste caso, assumir as tuas responsabilidades.

A Caixa Geral de Depósitos não é um nome (CGD) ou um Banco do Regime (seja qual for o regime vigente). A CGD é o Banco de confiança de uma miríade de Portugueses, de reformados, de funcionários públicos, de emigrantes, de pequenos empresários e empresas.
A CGD é o posto de trabalho de vários milhares de trabalhadores. Vários milhares de famílias, de progenitores a cargo, de crianças, dependem, direta e indiretamente, da CGD para a sua sobrevivência, para a sua dignidade enquanto seres Humanos.
Mais do que tudo isso a CGD é a instituição para a qual TODOS nós Portugueses vamos ter de contribuir com os nossos impostos e os nossos esforços e sacrifícios de vida para a salvar da terrível situação financeira em que foi deixada pela soberba de gestores, pela indecência de políticos e pela incompetência do Banco de Portugal.
Assim sendo, Ricardo, são do Canal as expressões ontem utilizadas pelo teu Diretor Adjunto José Gomes Ferreira, como por exemplo: “Vão roubar aos pobres”; ou “Vão enganar velhinhas”, relativamente ao processo de emissão de dívida da CGD.
Mas, principalmente, é TAMBÉM do Canal SIC-Notícias a posição oficial (e definitiva, de acordo com o programa de ontem) de que a CGD não vai sobreviver e todo o capital vai ser perdido (como aconteceu no BES).
Eu sei, Ricardo, que isso é o melhor que poderia acontecer a todos os que têm dívidas colossais para com a CGD e, principalmente, a todos os que defendem a sua privatização. Mas se é essa a posição oficial da SIC-Notícias então que o digam sem fingimentos.
Até lá, travestir de jornalismo as opiniões veiculadas (e com a terminologia com que o foram) tem como única consequência o enfraquecimento da democracia, da sociedade livre, da solidariedade e, principalmente, da dignidade de um povo em geral (e dos trabalhadores da CGD em particular).
Fiquei muito triste Ricardo. Vindo do José Gomes Ferreira, tudo bem. Tendo a tua cobertura, magoa qualquer cidadão de bem.
Um abraço,

Carlos Paz


Nota: esta carta será enviada como anexo a um conjunto de exposições sobre o tema à ERC (Comunicação Social), à CMVM (Mercados), ao BdP (Banca) e à Provedoria de Justiça.