Lógico porque é ilógico (1)

(Daniel Vaz de Carvalho, in Resistir, 19/06/2025)


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A parábola da rã e do escorpião, em que o escorpião mata a rã quando esta o transportava para atravessar o riacho, reflete a dualidade do lógico e do ilógico:   lógico porque o escorpião cede à sua natureza, ilógico porque também morre.

Podemos ficar espantados com as políticas da UE e da NATO, qualificá-las como estúpidas ou suicidas, questionar a sanidade mental que as concebe, porém são lógicas: seguem a natureza do seu sistema neocolonial e imperialista. Mentem, fomentam provocações que podem levar à destruição global porque a exploração e o domínio sobre outros é o que faz existir esse sistema.

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Teatro trágico – O Imperador e a serigaita

(Maria Manuela, in Facebook, 27/02/2025, Revisão da Estátua)


Trump: Vou impor 25% de tarifas à UE.

Vonderlata: Vamos replicar.

Trump: Não têm a mínima chance. Dependem de nós para tudo.

Vonderlata: Vamos impor mais sanções à Rússia.

Trump: Putin é um gajo muito inteligente.

Vonderlata: Estamos com o Zé Ucro.

Trump: Quero 50% de toda a riqueza ucraniana.

Vonderlata: Queremos garantias de segurança contra a Rússia.

Trump: Vamos reabrir a embaixada em Moscovo e restabelecer as transações comerciais com a Rússia.

Vonderlata: Temos os bens dos oligarcas russos congelados.

Trump: Queremos que os oligarcas russos comprem a cidadania norte-americana por cinco milhões de dólares.

Vonderlata: Vamos pedir à Índia que ponha sanções à Rússia.

Trump: É comer e calar.Vou impor 25% de “sanções” à UE!.

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O declínio da UE está a tornar-se imparável

(Ahmed Adel* in I N F O B R I C S, 16/10/2024)


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A Europa está num ponto de inflexão: pode tornar-se uma potência mundial ou entrar em declínio e perder terreno para os seus principais concorrentes internacionais, como os Estados Unidos ou a China, de acordo com uma análise da Bloomberg.

A União Europeia enfrenta atualmente uma série de desafios que põem em causa a sua viabilidade como ator relevante a nível internacional e conduzem mesmo à sua queda certa em vários aspetos.

“Depois de décadas de advertências e crescimento abaixo da média, os líderes da região estão repentinamente a enfrentar uma enxurrada de evidências de que o declínio está a tornar-se imparável”, alertou a agência americana especializada em economia e finanças.

A análise destaca que uma combinação de paralisia política, ameaças externas e mal-estar económico pode acabar com as ambições de a UE se tornar uma força global. Essa situação, sugere, leva seus estados-membros a dar prioridade aos seus próprios interesses, colocando-os acima dos interesses do bloco. A agência acrescentou que esses fatores deixaram claro que a UE mostrou a sua incapacidade de agir como um grupo homogéneo diante de problemas económicos, de mercado, de segurança e defesa, como o conflito na Ucrânia.

“Todos esses desenvolvimentos sustentam o fracasso da UE em agir como um bloco económico coeso e dinâmico, corroendo o seu status e degradando a sua capacidade de responder a uma ampla gama de ameaças, desde a política industrial chinesa até à agressão militar russa, ou mesmo a uma futura administração antagónica nos EUA”, acrescentou a Bloomberg.

O artigo citou analistas dizendo que a Europa está a responder muito lentamente às mudanças globais, incluindo o aquecimento global, a mudança demográfica e a mudança para uma economia pós-industrial, na qual a China se tornou um grande concorrente.

“Algo está a mudar muito, muito dramaticamente e muito, muito profundamente neste mundo”, disse o ex-presidente polaco Aleksander Kwasniewski em entrevista à Bloomberg. “Não podemos reagir corretamente, porque somos muito lentos.”

Mas, o declínio da UE pode ter começado já na união monetária do bloco, de acordo com outra análise da Bloomberg Economics sugerindo que a economia do bloco seria maior, em cerca de 3 triliões de euros, se tivesse acompanhado o ritmo dos EUA nos últimos 25 anos.

Em setembro, Mario Draghi, ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE), apresentou um plano para revitalizar o bloco europeu, ao mesmo tempo que descreveu o perigo do declínio da região como uma potência económica.

“As fundações sobre as quais construímos estão agora a ser abaladas”, disse Draghi na introdução de seu relatório. “Este é um desafio existencial.”

No entanto, a análise acrescentou que o relatório não foi bem recebido, com alguns responsáveis pela definição e condução das políticas, a temerem que a região esteja a ficar sem espaço de manobra.

“É óbvio que a Europa está ficando atrás dos seus principais parceiros comerciais, os EUA e a China”, disse o ministro das Finanças grego, Kostis Hatzidakis, numa entrevista em 24 de setembro. “Se não tomar medidas imediatas, o declínio acabará se tornando irreversível.”

Recorde-se que na sua revisão semestral da estabilidade financeira, em maio deste ano, o BCE alertou que os países europeus são “vulneráveis a choques adversos” decorrentes de tensões geopolíticas e taxas de juro persistentemente elevadas devido à sua incapacidade de continuarem a reduzir a sua dívida pública.

O BCE salientou que, um ano após a emergência da COVID-19, muitos países europeus não reverteram totalmente as medidas de apoio introduzidas para proteger os consumidores e as empresas do impacto da emergência sanitária e, subsequentemente, do conflito na Ucrânia. Isso, por sua vez, gerou altos níveis inflacionários e aumentos nos preços da energia. Acresce a isso o conflito no Médio Oriente e sua influência nos preços dos combustíveis.

A instituição financeira considerou que “altos níveis de endividamento e políticas fiscais brandas podem aumentar ainda mais os custos dos empréstimos e ter efeitos negativos na estabilidade financeira, inclusive por meio de repercussões para mutuários privados e detentores de títulos soberanos“. O BCE também disse que a dívida soberana provavelmente permanecerá elevada, apontando para “políticas fiscais frouxas” como o principal motivo de preocupação.

Apesar destes ligeiros avanços, a instituição financeira europeia espera que a dívida pública total se mantenha acima dos níveis pré-pandemia, em 90% do PIB em 2024, e aumente ligeiramente no próximo ano. No entanto, isso aponta para o facto de que o conjunto da economia europeia não é mais comparável à dos EUA e da China e será superada pela Índia nas próximas décadas, garantindo que o bloco não será a grande potência que ainda acredita ser.

Não sendo mencionado na análise da Bloomberg ou pelo BCE, o principal fator determinante dos problemas económicos da UE são as sanções anti Rússia devido ao seu efeito de um bumerangue. Alemanha, França e Itália, as três maiores economias da UE, são os países mais afetados pelas sanções anti Rússia, que os arrastaram para a recessão. Enquanto a UE mantiver sanções contra a Rússia, o bloco nunca será capaz de recuperar, e muito menos competir com os EUA e a China.

* O autor é investigador de geopolítica e economia política na cidade do Cairo.

Fonte aqui