(Strategika, In Fórum da Escolha, Facebook, 12/08/2026, Revisão da Estátua)

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A decisão dos Estados Unidos e de Israel de lançar um ataque surpresa em grande escala contra o Irão não é apenas um grande revés militar. É, sem exagero, o maior erro geoestratégico da era moderna. E isso não aconteceu por acaso. É o resultado direto de um profundo erro de cálculo estratégico: a crença arrogante de que a força esmagadora pode quebrar a vontade de uma nação.
O princípio inicial era assustadoramente simples. Eliminar os líderes, paralisar as infraestruturas e o regime entraria em colapso. Os defensores desta estratégia acreditavam num efeito sinérgico, em que os ataques externos desencadeariam uma revolta interna, levando a uma vitória rápida. Isto era semelhante ao cenário líbio, e estes tolos acreditavam que o Irão era parecido com a Venezuela ou a Colômbia.
A inteligência era precisa graças à vigilância omnipresente dos gigantes tecnológicos norte-americanos, todos envolvidos naquele que Washington considera o seu maior esforço de guerra desde 1941-1945. Os alvos tinham sido identificados. A máquina de guerra estava pronta.
Esse foi o erro fundamental. Os estrategas trataram o Irão como uma máquina que poderia ser desmantelada. Não o viram como uma sociedade moldada pela história, pelo orgulho e por uma narrativa de resistência. O resultado? Em vez de entrarem em colapso, os líderes iranianos ganharam coesão e legitimidade. Em vez de capitular, uniu-se uma nação marcada pela guerra.
Como se mede um erro monumental? Pela discrepância entre o plano e a realidade.
Na frente económica: os planeadores pensaram que poderiam limitar os danos. Estavam redondamente enganados. O Irão respondeu transformando o estratégico Estreito de Ormuz, um estrangulamento para cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo, numa arma de destruição maciça mais eficaz do que uma bomba atómica. Os mercados globais de energia entraram em turbulência. O pedido de Washington para que os seus aliados e vassalos subservientes participassem em missões de escolta foi recebido com uma hesitação histórica, mas compreensível, um sinal de que os Estados Unidos, pressionados por Israel, tinham criado um problema que nunca poderiam resolver sozinhos.
Militarmente: Os Estados Unidos e Israel possuem os sistemas de defesa aérea mais avançados do mundo. Mas o Irão revelou uma contramedida devastadoramente simples: o drone Shahed-136. Custando entre 2.000 e 5.000 dólares cada, estas “pequenas motos voadoras” foram colocadas contra mísseis intercetores Patriot, avaliados em 3,87 milhões de dólares. Numa guerra de desgaste, os cálculos do Irão resultaram. Os relatórios confirmam que os Estados Unidos e os seus aliados do Golfo esgotaram até 80% dos seus stocks de mísseis intercetores. Embora Trump negue este esgotamento, confirma-o ao perseguir aqueles dentro do governo que vazaram esta informação para a imprensa. É um pesadelo logístico.
A realidade estratégica: um presente para o Irão
O fracasso mais retumbante é político e estratégico. Os Estados Unidos procuraram restabelecer a sua hegemonia no Médio Oriente travando uma guerra total pela sobrevivência de Israel. Em vez disso, expuseram as suas próprias limitações. Os Estados do Golfo, que antes dependiam dos Estados Unidos para a sua segurança, vêem agora as bases americanas como alvos principais de ataques, em vez de uma fonte de protecção.
Além disso, o conflito obrigou Washington a reconhecer o Irão como uma potência regional. O Memorando de Entendimento (MoU) resultante não prevê nem a mudança de regime nem o desmantelamento do programa de mísseis iraniano. Reconhece, essencialmente, Teerão como uma potência com a qual os interesses devem ser negociados, em vez de bombardeados. Graças à sua inabalável resiliência, o Irão adquiriu um nível de influência diplomática que nunca teria conseguido numa mesa de negociações.
Este erro não se deveu simplesmente a uma falha de inteligência; foi uma falha de “conhecimento”. Os sistemas modernos conseguiam seguir um alvo, mas eram cegos ao contexto cultural e histórico. A história, a literatura e a empatia foram sacrificadas no altar da tecnologia de Silicon Valley.
Se alguma vez se perguntou como caem os impérios, tudo começa com um momento como este. Um momento em que o poder se sobrepõe ao bom senso. Um momento em que as bombas têm permissão para falar, apenas para perceber que gritaram as palavras da nossa própria derrota. O Irão pôs, assim, fim à arrogância de Washington e de Telavive e criou um impasse ao qual não haverá escapatória. Os Estados Unidos são forçados a regressar à guerra híbrida, especificamente à guerra económica, na esperança de um colapso que não ocorrerá porque o cenário geoestratégico mudou.
É um beco estratégico sem saída. O Estado profundo americano, que não é mais do que a máfia criada por Meyer Lansky em nome de Israel (Lansky foi despedido pelos seus serviços, demonstrando o quanto Israel não tem amigos), mergulhou de cabeça numa aventura interminável e, sobretudo, sem esperança. Pode muito bem culpar a farsa de Donald Trump, que designou como mera fachada para desviar as críticas. A realidade não será diferente: a guerra contra o Irão é o maior desastre para a parceria EUA-Israel neste século XXI.
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Em verdade vos digo que há os que nos maravilham explicando com clareza, em síntese perfeita, os realmentes. E odespois há os que nos “explicam”, em exaustivo e quilométrico bocejo, a explicação sinteticamente perfeita que antes nos maravilhou.
O maior erro geostratégico foi cometido pela Europa ao abdicar da sua autonomia geostratégica para se manter na dependência e sob a influência dos EUA/NATO. Por causa disso, serão os povos europeus que pagarão grande parte da factura dos desvarios e fiascos norte-americanos.
A Ursula e a Kaja já mostraram que a subserviência não tem limites, e aceitaram tudo o que foi imposto por Washington e Trump: combustíveis mais caros e de pior qualidade, cuja produção é a mais nociva ambientalmente, inflacção acrescida de tarifas desequilibradas, sem reciprocidade do lado europeu, o aumento do custo com a NATO para 5% do PIB dos estados-membros, somando-se ao investimento em armas e militarismo (Rearm Europe).
A Europa não precisou de se envolver directamente no Irão e em Ormuz para ser refém de tudo o que lá se passa, economica e politicamente, e ainda ficou com o “bebé ucraniano” nos braços, que o “pai (yankee) já vai”.
Estas carolas direitolas não páram…
Foram buscar lã e sairam tosquiados. A ver se aprendem alguma coisa, mas duvido.
Tudo excitadíssimo com a Lua a tapar o Sol! Grande coisa! Eu consigo tapar o Sol só com uma mão!
Excelente!
O problema com o Irão e que, ao contrário da Libia, não estava rodeado de nações com mais de 20 vezes a sua população, leia se Argélia a Oeste e Egipto a Leste, onde não seria difícil congregar jihadistas para fazerem la a guerra.
Também não tinha quase todos os seus poucos habitantes concentrados numa estreita faixa costeira.
Na Líbia, aos manifestantes desarmados rapidamente se sucederam bandos de maltrapilhos quase sem roupa militar mas armados ate aos dentes.
Que acabaram por conquistar o pais com a ajuda de bombardeamentos cruéis para os quais o país não tinha defesa e que reduziram cidades inteiras a escombros matando 50 mil pessoas, contas por baixo.
No Irão ainda andaram a sondar os curdos, aquele bando de traidores dispostos a ajudar a destruir o país onde estiverem a serviço de qualquer um que lhes prometa um bocado de terra e que tão bons serviços prestaram na Síria ocupando as zonas com petróleo e com a agricultura mais rica e lançando a população num desespero que os fez aceitar um bando de corta cabeças.
Mas o Irão também tratou de lhes mostrar que não haveria perdão para eles se se juntassem aos ianques e sionistas.
Um dos primeiros alvos do Irão foi a cidade curda de Erbil no Iraque.
O Irão mostrou lhes que seriam caçados como cães dos dois lados da fronteira.
Rapidamente os responsáveis curdos vieram dizer que eram diplomatas e não pistoleiros de aluguer. Esqueceram se do papelão que fizeram no Iraque na Primeira Guerra do Golfo, em que foram abandonados por quem os instigou, e o papel de traidores que fizeram na Síria.
Talvez se tenham lembrado de como foram abandonados na Síria e tenham finalmente percebido que nunca levarão nada desta gente.
E sem botas no terreno perante uma gente disposta a sofrer perdas pesadas para não perder tudo isto tinha tudo para correr mal.
Ate porque o Irão não apostou só nos drones, aquilo meteu mísseis de todos os feitios e tamanhos, alguns hipersonicos, que deixaram os sistemas de defesa dessa canalha a apanhar bonés.
Agora o Trampas diz que vai apostar na asfixia económica.
Boa sorte com isso pois que já tentam desde 1979.
Mas nunca fiando. O Irão provavelmente vai continuar preparado e a bem de todos nós e bom que esteja.
Porque um mundo dominado por esta gente e um mundo onde não quero tentar sobreviver.