A permanente campanha para abafar os sucessos a governação

(Por Jorge Rocha, in Blog Ventos Semeados, 13/12/2017)

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Sempre que o governo consegue um sucesso rotundo na sua ação – e a eleição de Mário Centeno para o Eurogrupo foi-o! – há-de aparecer alguma notícia capaz de o fazer passar para segundo plano, atirando para a ululante turba aquilo que a sua componente mais primária tanto aprecia: bisbilhotice, aparentes conluios de corruptos com ministros, secretários de estado ou deputados – sempre do Partido Socialista! – para corroer insidiosamente uma dinâmica, que deveria tender para o otimismo quanto ao futuro próximo e só procura empurrar para baixo a confiança e a esperança dos que as viram crescer nos últimos dois anos.

Não é que queira passar por um paladino de fáceis teorias da conspiração, mas é crível que as anasleais tenham um sortido de histórias no congelador para as ir debitando cirúrgica e seletivamente sempre que a oportunidade de depreciar um governo em alta se lhes afigura justificada.

É por isso que, tendo em conta, as más experiências colhidas no passado com vários governos, o Partido Socialista tenha de ultrapassar para si mesmo, e para os seus quadros mais importantes, aquilo que César exigia à esposa. E tem de se deixar de paninhos quentes: em vez de estar sempre à defesa com este tipo de ataques das direitas tem de virar a mesa e apontar-lhe o muito que elas têm no cartório, ou seja não deixar cair em cesto roto tudo quanto se lhe pode apontar.

Por exemplo as recentes novidades do caso Tecnoforma não justificariam uma Comissão Parlamentar para que Passos Coelho e Miguel Relvas se explicassem?  Não seria lícito questionar ativamente o porquê do governo anterior ter arruinado o sistema bancário português, mormente a Caixa Geral de Depósitos, cuja salvaguarda foi conseguida in extremis? Não se justificaria trazer de novo à baila a estranha «privatização» da TAP, quando esse mesmo governo já só estava em gestão e que quase deitaria a perder a possibilidade de Portugal contar com uma companhia aérea de bandeira?

As possibilidades de contra-atacar as direitas poderiam prolongar-se por muitas mais questões, que elas nunca esclareceram. E talvez fosse tempo de olhar para a comunicação social com rigor e exigência, a começar pela parcialidade com que a (des)informação da televisão pública trata a nossa quotidianidade, aferindo se, na mesma medida, os demais operadores cumprem os requisitos legais para manterem as respetivas licenças…

Quanto ao caso «Raríssimas» ele durará tanto quanto outros similares: durante uns dias será explorado até à náusea e depois segue-se para outra notícia, para outro «escândalo».  Que os próximos venham a afetar quem, nestes últimos dois anos, tem adotado poses angelicais, sonsice com que têm procurado esconder a sua intrínseca natureza pecaminosa… essa sim ainda insuficientemente escrutinada!


Fonte aqui

AS “RARÍSSIMAS” e as “FREQUENTÍSSIMAS”!

(Por Joaquim Vassalo Abreu, 13/12/2017)

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Cartoon in Facebook, Página Desenhos ao Calha

Estava fora, na Catalunha, onde estive até ontem, quando irrompeu este caso da “Raríssima”! Desconhecia de todo a sua existência, segui um pouco pelo Facebook apenas e logo imaginei o que terá sido a estridente e exaustiva cobertura televisiva. Mas a nada assisti porque televisão também não vi estes dias todos…

Eu de “Raríssimas” nada conheço e, desde logo, achei este nome para lá de surreal, embora saiba donde advém! E, desde que vim, não mais me importei pelo caso pois, só pela rama, logo o estereótipo fiquei a conhecer. É que eu, como creio que muitos outros, percebo mais de “Frequentíssimas”! E logo, de imediato pensando, dei por mim a exprimir um desejo e esperança: que a “Raríssima” não seja a parte visível de um “iceberg” e se transforme também ela em “Frequentíssima”.

Um desejo singular e simples, como observam, de uma pessoa que, na sua completa ignorância, da sua existência nada sabia, nem pretende fazer que sabia. Não sabia e ponto! Mas como todas as “Frequentíssimas”, e de muitas e muitas muitos sabemos, fiquei a saber que também esta tinha e tem um largo manto protector, feito de uns quantos nomes, nomes de gente muito bem, muito influente e emproada na vida.

Gente que tudo aceita, com elevado sentido de altruísmo e conforto moral certamente, como dar o seu nome, desde logo requisitado nome, para Órgãos Consultivos que nada consultam, para Órgãos não Executivos que, está bom de ver, nada executam, muito menos vigiam e que, fatalmente, de nada sabem quando algo corre mal e daí fogem como o diabo da cruz, mas que sempre aparecem quando há festas, inaugurações, nomeações e eventos vários onde compareçam os mais altos dignatários da nação e suas caridosas damas e onde, respirando naturalidade, têm que ser vistos. É da praxe!

Elas fazem parte de um agregado restrito de gente que se conhece bem e cujos currículos estão impregnados em assentos vários: em Órgãos Sociais de Empresas, nos tais conselhos consultivos quando elas têm dimensão, nos conselhos fiscais, como administradores delegados e mesmo nas administrações, mesmo que sem voto, mas recebendo! Mas também nas IPSS´s, nas Fundações, nas assembleias gerais e órgãos mais onde rodam, rodam, rodam sem parar, mas sempre os mesmos…políticos, ex-políticos, ex-ministros, deputados, advogados de renome, mas também anteriores e actuais governantes…vejam lá!

Tudo normal, tudo legal, até porque são eles mesmos que fazem, fizeram, interpretaram e interpretam as leis, leis à medida, e é sempre uma honra para as instituições que os seus nomes cooptam, pelo brilho e estatuto que lhes aportam. E assim vão levando a vidinha, num mundo deles, só deles e de mais ninguém, mas pondo a mão por cima, como se usa dizer, dessas instituições…compondo o tal “manto diáfano” que tudo cobre! Até que aparece um vilão ou vilã que, mais esperto ou esperta que eles, os usa…É da praxe também!

Mas estes são os chamados “tansos”, os que não sabem fazer a coisas, os que não “estudaram” naquelas organizações tidas por secretas, como a Maçonaria ou a Opus Dei, as mais conhecidas, onde aprendem a fazer “lobbies” e a saber que o poder tem que ser repartido: eu para aqui, tu para ali…assim mesmo, para que a distribuição de lugares obedeça a uma lógica: a da permanência e da supervivência de uma forma de estar na vida.

Que promove mas protege também, a menos que sejam desenquadrados pássaros de arribação. Aquilo que, em suma e resumindo, costumamos chamar de “tachos”! E, neste caso, vendo TV pela primeira vez desde que cheguei, jantando, só como é usual e na cozinha, não resisti a ligar a TV e dei por mim a ver uma constrangedora entrevista a um constrangedor personagem, o ex-Secretário de Estado da Saúde. Que, fatalmente, provou que não tinha o “curso”! E deu-se à imolação!

Mas estamos num mundo “livre” e eles exercem a “liberdade”! Assim como em Espanha e mais propriamente na Catalunha de onde, como disse, acabei de chegar. Não deve haver “liberdade” igual: Vai ocorrer um acto eleitoral no próximo dia 21. Um dia da semana, dia de trabalho para que conste e, só por isso, são eleições tão livres, tão livres, que só votará quem o puder fazer. Mas com uma singularidade: alguns dos propostos líderes e primeiros nomes das listas, aspirantes portanto à presidência da Generalitat, estão presos e outros até foragidos! Na Bélgica, como todos sabem, aonde se deslocaram neste fim de semana cerca de cinquenta mil pessoas para fazer um comício com esses tais…os foragidos! Mas em total liberdade…

Um amigo meu Catalão e acérrimo independentista diz que, se eles forem eleitos, irão governar por “Face Time”! Muito livremente também…

É a “Liberdade” no seu apogeu! Não no reino das “Raríssimas” mas no das “Frequentíssimas” e, animados pelo meio por umas Paulas temos, no caso Catalão, uma Arrimadas que, qual sereia, de tão esbelta e demagoga, consegue levar o populismo ao seu zénite. E, “livremente”, até pode ganhar. Pelo “Cidadanos”, da Direita, e com este livre slogan: “Ara Si Votarem”. Que é como quem diz: “Agora Sim Vamos Votar”! “Livremente”, está visto, porque o Referendo anterior não o foi!

Que se dane esta “liberdade”. A desta corja imunda…


Fonte aqui

Vulgaríssimo

(Carlos Matos Gomes, in Facebook, 12/12/2017)

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Vulgaríssimo. O caso da associação Raríssima é vulgaríssimo. É uma receita vulgaríssima: A partir de um vulgar caso de irregularidades, neste caso uso de dinheiros públicos por parte de uma associação, em que a dirigente recebia um salário, despesas de representação, andava de BMW de luxo, comprava camarão e vestidos com o cartão de crédito, encena-se um vulgar espectáculo mediático de justiça popular.
Como se monta este espectáculo e esta trama? Como se faz desde a antiguidade, passando pela inquisição! Como se montaram os autos de fé. Um dado poder, neste caso, um dado grupo de comunicação (TVI/Media Capital), recebe uma denúncia de existência de pecados ou heresias. Esse grupo está em dificuldades económicas, ou pretende chantagear o governo. O chefe manda investigar a existência de ligações a quem quer que seja no governo – só isso interessa – tem de haver alguém, há sempre!
Logo que descoberto, neste caso um ministro que foi um vice-presidente de um órgão social (Assembleia Geral), uma deputada que foi a uma atividade da organização, previamente transformada para o efeito em inimigo público, há, como dizem os encenadores (directores de comunicação e informação), carne para colocar na fogueira – literalmente no caso da Inquisição, metaforicamente neste caso. A partir daqui é só atear a fogueira e manter as chamas. Este caso substitui na arena dos média o célebre capitulo 6 do relatório dos incêndios!
Sou contra os salários dos corpos directivos destas associações, os BMW de serviço, o camarão, os vestidos e até as gravatas de seda à custa do contribuinte, não conheço de lado nenhum a senhora, desconhecia e existência da Raríssimas, não conheço o ministro que foi vice presidente da Assembleia geral, nem a deputada que viajou, nem o deputado que estava para ser dirigente. Mas também me repugna ser metido numa bancada geral de um espectáculo com uma fogueira no meio, ou no peão de uma arena para onde vão ser atirados uns condenados às feras. Também recuso ser tratado como parte da matilha que vai meter o dente nos condenados.
Não acredito na bondade e, menos ainda, na prestação de serviço público, de uma estação de televisão que investe (é de investimento que se trata) horas de antena (horas e não minutos já de si caríssimos de emissão) para punir exemplarmente uma anónima senhora que recebia um salário de 6 mil euros tinha um BMW de serviço e comprava 250 euros de camarão! Admiro os justiceiros que acreditam nesta bondade comunicacional!
Eu não acredito. Acredito numa outra possibilidade menos pura, mais manhosa e ranhosa.

Acredito que por detrás das horas de antena da TVI sobre o tema estejam a fossar a porca da política e a porca dos negócios. Acredito numa outra tese: que o grupo de investimentos Altice, dedicado a negócios especulativos, ao sentir dificuldades no negócio da compra da TVI/Media Capital quis dar um sinal ao governo do que poderá esperar de agressividade se não abrir as pernas ao negócio. Eis aqui uma amostra como vos vamos tratar se não nos deixarem fazer o que queremos!

Acredito, pois, que o caso TVI/Raríssima é um vulgaríssimo caso de ameaça velada (do tipo chantagem preventiva) ao governo.
Por mim, recuso-me a participar neste espectáculo degradante de atirar carne à matilha. Recuso- me a fazer parte da matilha e a ladrar quando me acenam com restos! Repugnam-me linchamentos, multidões e jogadas de falso moralismo que me utilizam como carne para canhão, ou membro de uma claque.