O estranho caso do descabelado ataque ao carácter do Ministro Vieira da Silva

(Por Rodrigo Sousa Castro, in Facebook, 19/12/2017)

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A denúncia das irregularidades na gestão da IPSS “raríssimas” foi um acto louvável, ao principio parecendo claro e assertivo.
A sua evolução para um descabelado ataque ao carácter do ministro Vieira da Silva revela um estratégia de comunicação mais profunda e enviesada.
Vieira da Silva desempenhou até hoje vários cargos políticos entre os quais funções governativas. Em todas teve um desempenho sempre superior á média, sendo por isso reconhecido.
Em momento algum da sua vida desempenhou funções que resultassem em ganhos materiais e se pudessem confundir com acções executadas durante a sua acção governativa ou serem delas resultantes.
Antes de ser nomeado para o presente governo foi vice-presidente da assembleia geral dos sócios da “raríssimas” cargo que desempenhou pro bono.


Ao contrário, dezenas e dezenas de quadros dos três partidos do até agora chamado “arco da governação”, PS, PSD e CDS, em lugar de investirem o tempo e preocupação em acções solidárias, trataram de abichar chorudos “ tachos” em empresas quer públicas quer privadas que não raras vezes foram beneficiadas por acções por eles executadas.

Temos o caso antigo e paradigmático de Ferreira do Amaral na Lusoponte , os casos de ministros do ùltimo governo socialista Jorge Coelho e Luis Amado , e ainda os mais recentes do governo Passos Coelho, como por exemplo Vitor Gaspar e Maria Luis.
O que leva então, os jovens Torquemadas do CDS e PSD a atacarem o caracter de um homem probo, honrado e competente, que honra a classe politica que eles deviam também procurar dignificar ?
O vazio completo de uma estratégia de oposição, que no caso do CDS está comprometida pela acção nefasta e incompetente da sua líder mas que no caso do PSD tem a desculpa da falta de um líder.
Tenhamos pois esperança, que esse líder, seja qual ele for, saiba colocar o PSD num patamar de dignidade do qual nunca devia ter saído.

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A canalhice não tem limites

(Carlos Esperança, in Facebook, 19/12/2017)

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Para esconder o caso Tecnoforma, um processo que envolve Passos Coelho e Miguel Relvas, processo que “a PGR pondera abrir”, mas não há o mais leve indício ou a menor suspeita de que o tenha feito ou venha a fazer, esta direita abusa da comunicação social e do espetáculo para denegrir os mais íntegros servidores da ‘Res Publica’.

Ontem, na AR, um deputado do CDS, António Carlos Morgado, fazia um ignóbil ataque ao ministro Vieira da Silva, exibindo papéis sucessivos com queixas sobre a Raríssimas e perguntado de quantas queixas precisava o ministro para atuar.

Atingiu o delírio com uma fotografia descontextualizada do ministro, com o entusiasmo de um adolescente a exibir um calendário Pirelli e a leviandade da sua líder a assinar a resolução do BES, tentando provar que o ministro assinou um protocolo entre a Raríssimas e a fundação sueca Agrenska, o que o ministro reiteradamente desmentiu por não ser da sua competência assinar um protocolo entre duas entidades privadas.

Podia ter-lhe servido de precaução a pergunta do PSD ao Governo sobre o destino dos donativos confiados à RTP para as vítimas de Pedrógão, como se o Governo os desviasse, e ter obtido a resposta de que tinham sido enviados à Misericórdia local cujo presidente era o candidato do PSD à Câmara, o que inventou os inexistentes suicídios referidos por Passos Coelho.

Esta direita não tem emenda nem conserto, apenas se concerta para ataques infundados e assassínios de caráter. O azougado deputado teve a resposta a cada um dos papéis que exibiu e as medidas que todos mereceram, pela secretária de Estado.

Quanto à acusação mentirosa sobre o referido protocolo foi-lhe fornecida a cópia onde constavam apenas as assinaturas de Paula Brito e Costa e do sueco Anders Olausen, os presidentes das duas instituições intervenientes.
Perante os factos, em vez de apresentar desculpas, como qualquer pessoa de bem que se engane, preferiu referir-se ao ministro com uma pergunta: “o que é que está a fazer na fotografia, a dar autógrafos?”.

Talvez guarde a foto para, quando crescer, ser como o impoluto governante, na ética, na competência e na cidadania, enquanto o País continuará a ver diariamente as imagens dos incêndios e dos carros calcinados.

A presidente da IPSS do PS que apoiava o PSD 

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 18/12/2017)

Daniel

Daniel Oliveira

A tese que subrepticiamente foi sendo espalhada foi esta: Paula Brito e Costa estava feita com o Partido Socialista, onde desenvolveu uma rede de contactos e favores para depois lhes sacar o “guito”. Entre esses favores está uma viagem de ida num dia e volta no outro à Suécia, para participar numa conferência, de que todos devemos sentir imensa inveja. Podem ver AQUI a festa em que Sónia Fertuzinhos participou.

Apesar de já ter sido divulgado que Paula Brito e Costa fez parte da Comissão de Honra da candidatura do PSD à Câmara Municipal de Odivelas, em 2013, deixo aqui um vídeo que mostra que a relação da presidente da Raríssimas com o partido era um pouco mais próxima (a inauguração de uma sede partidária é um momento especialmente interno) e manteve-se pelo menos até abril de 2015, data destas imagens. No meio de um longo artigo e sem grande destaque, o “Observador” já tinha divulgado fotos que constavam no mural de Facebook de Paulo Brito e Costa, onde surge ao lado dos principais dirigentes locais e do secretário-geral do PSD. Ela não escondia o seu apoio ao partido. Curiosamente, estes registos desapareceram da memória por não se encaixarem na narrativa da IPSS que andava de braço dado com o PS.

Este vídeo prova alguma responsabilidade do PSD pelo que sucedeu na Raríssimas? Tanto como a relação de pessoas do PS com esta senhora. Nada. O que ele desmente é a tese que começa a circular, de que João Miguel Tavares foi o mais ousado e delirante autor e que resumiu nesta ideia: “Paula [Brito e Costa] tinha a casa. Vieira da Silva o ministério. Sónia [Fertuzinhos] tratava da estratégia. É o que basta para termos uma IPSS feliz”. A ideia é que a estratégia de Paula Brito e Costa dependia do regresso do PS voltar ao poder para que o “guito” pudesse finalmente chegar. Estratégia que o “DN” quase confirmava, divulgando a informação falsa e por si próprio desmentida de que o financiamento quadruplicou no atual governo. Afinal fora no governo anterior. E bem, porque resultava do aumento da oferta em cuidados continuados pelo qual o Estado paga.

Não deixa de ser estranho que quem está, como defende João Miguel Tavares, desde 2013 a preparar-se para o regresso do Partido Socialista ao governo se envolva tão ativamente, mesmo em vésperas de eleições, na vida partidária do PSD. Talvez seja altura deste debate voltar onde devia ter ficado

Enquanto a senhora se combinava com o PS (com a conivência ativa ou ingénua de Maria Cavaco Silva, Leonor Beleza ou Maria da Graça Carvalho), para ter uma “IPSS feliz”, participava na vida interna do PSD, apoiando candidaturas e participando em inaugurações de sedes. Não deixa de ser estranho que quem está, como defende João Miguel Tavares, desde 2013 a preparar-se para o regresso do Partido Socialista ao governo se envolva tão ativamente, mesmo em vésperas de eleições, na vida partidária do PSD. Talvez seja altura de este debate voltar onde devia ter ficado.

O que estas imagens desmentem é a vergonhosa tentativa de arrastar o triste caso da Raríssimas e de Paula Brito e Costa para a arena partidária. O que estas imagens exibem é até que ponto uma investigação jornalística se transformou numa campanha de intoxicação política.

Que fique claro: estou convencido que o PSD de Odivelas e a sua deputada Sandra Pereira, que em 2013 convidou Paula Brito e Costa para a Comissão de Honra da sua candidatura à Câmara, se aproximaram desta senhora pela razão que afirmou ao “Observador”: “Eu, tal como o Presidente da República, o ministro e várias outras figuras, valorámos o trabalho relevante, de reconhecido mérito nacional e até internacional na área das doenças raras”. E terá sido por isso mesmo que, em 2015, propôs com sucesso, enquanto vereadora, que lhe fosse atribuída a Medalha de Honra, grau de ouro, do município de Odivelas. Não recrimino Sandra Pereira, só não acho que a boa-fé seja um exclusivo de uma parte dos políticos.