As conversações preliminares em Istambul são um começo… o verdadeiro espetáculo que se avizinha é Trump e Putin

(SCF, in Resistir, 18/05/2025)


Para as conversações terem alguma probabilidade de êxito, o lado americano terá de assumir a responsabilidade pela guerra que começou e alimentar.


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As conversações desta semana em Istambul oferecem uma perspetiva de paz. Vale a pena sublinhar que a guerra por procuração de três anos poderia ter sido evitada se a diplomacia tivesse sido permitida por Washington no início de 2022, ao invés de ser sabotada.

Três anos depois, temos um novo presidente na Casa Branca e parece haver uma política mais esclarecida. Ou talvez seja uma admissão implícita de que a agenda da guerra por procuração dos EUA é um fracasso e não pode continuar.

Em todo o caso, Trump e os seus enviados estão a dizer inequivocamente que querem parar o derramamento de sangue na Ucrânia. É uma grande mudança em relação ao seu antecessor, Joe Biden, que prometeu apoiar a Ucrânia durante o tempo que fosse necessário, numa busca fantasiosa e imprudente de derrotar estrategicamente a Rússia.

Foi a administração Biden, juntamente com o governo britânico, que interveio para impedir as nascentes conversações de paz em março de 2022 entre a Rússia e a Ucrânia para um acordo de paz. Washington e Londres persuadiram o regime de Kiev a continuar a lutar com promessas de mais armas.

O resultado: mais três anos de conflito intenso, que causou milhões de vítimas, principalmente do lado ucraniano. A guerra por procuração aproximou-se perigosamente da provocação de uma guerra mundial entre potências nucleares.

Trump parece querer a paz. Se essa intenção for genuína, o Presidente americano terá de abordar as causas profundas do conflito. A Rússia tem explicado de forma consistente as causas mais profundas da agressão da NATO e da militarização da Ucrânia como uma cabeça de ponte hostil nas suas fronteiras desde o golpe de Estado orquestrado pela CIA em Kiev, em 2014.

O presidente americano tem mostrado petulância em alguns momentos, instando a Ucrânia e a Rússia a chegarem a um acordo de paz. Chegou mesmo a ameaçar a Rússia com mais sanções económicas (inúteis). O que a administração Trump precisa de compreender é que a resolução das causas profundas do conflito exige negociações proporcionais e um compromisso realista com acordos de segurança geopolítica duradouros.

As conversações em Istambul, esta semana, para explorar uma resolução pacífica foram iniciadas pelo Presidente russo, Vladimir Putin, num anúncio feito na semana passada.

A delegação da Rússia foi chefiada pelo assessor sénior de Putin, Vladimir Medinsky. Este facto é revelador de coerência e empenhamento. Medinsky liderou as conversações de paz há três anos em Istambul, que foram depois sabotadas em abril de 2022 pela intervenção americana e britânica.

Esta semana, a parte russa manteve conversações bilaterais preliminares com os americanos, lideradas pelo Secretário de Estado Marco Rubio. Posteriormente, os delegados russos e ucranianos participaram numa reunião convocada por diplomatas turcos. Foi o primeiro encontro direto entre funcionários russos e ucranianos desde as negociações de março de 2022.

Não está claro se serão realizadas reuniões subsequentes. Mas, pelo menos, pode dizer-se que houve conversações.

A chave para qualquer perspetiva de acabar com o conflito depende de Washington demonstrar o compromisso necessário. Trump voltou a dizer esta semana que gostaria de realizar uma cimeira com Putin “o mais rapidamente possível”. O Kremlin também afirmou que é desejável uma reunião presidencial formal.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, advertiu que, em primeiro lugar, deve haver uma preparação adequada para discussões significativas. Isto implica que qualquer reunião de alto nível deve ter em conta as exigências da Rússia no sentido de uma resolução que aborde as causas históricas e sistemáticas da guerra por procuração.

Os políticos e os meios de comunicação ocidentais que negam a perspetiva da Rússia estão a delirar ou a ser enganados. Afirmar que o conflito tem tudo a ver com a “agressão russa não provocada” contra a “Ucrânia democrática” e o “expansionismo russo” em direção à Europa é uma farsa. É uma narrativa falsa que impede uma resolução pacífica. Trump parece estar ciente disso. Mas ele precisa de ir além de uma charada superficial de “mediador de paz”.

Se Trump quer uma grande cimeira com Putin para obter audiências de relações públicas, como a sua digressão pelo Médio Oriente esta semana ilustra a sua vontade egoísta, pode esquecer.

As reuniões desta semana na Turquia podem ser vistas como discussões técnicas preliminares.

No entanto, o Presidente Trump tem de assumir a liderança. Apropriadamente, uma resolução pacífica só acontecerá ao nível sénior dos governos dos EUA e da Rússia. Isto porque os Estados Unidos são o principal protagonista na guerra por procuração contra a Rússia.

É evidente, pelas palhaçadas e teatralidades do regime de Kiev esta semana, que não há perspectivas de uma paz significativa e duradoura se as negociações se limitarem a esse nível. O Presidente ucraniano Vladimir Zelensky nem sequer tem legitimidade constitucional depois de ter cancelado as eleições do ano passado. O seu comportamento errático de arrogância e de atirar lama para cima dos esforços diplomáticos russos prova que ele não é capaz de realizar negociações substantivas.

Os líderes europeus são também um impedimento à consecução de um autêntico acordo de paz. Mesmo antes de as delegações se reunirem esta semana em Istambul, vários políticos europeus sem personalidade própria já estavam a depreciar a iniciativa diplomática da Rússia. Macron, Starmer, Merz, Von der Leyen e Kallas estavam a tentar desesperadamente insultar o Presidente russo, cedendo à manobra de relações públicas de Zelensky, que exigia uma reunião cara a cara com Putin em Istambul.

A União Europeia também anunciou esta semana a duplicação do fornecimento de munições de grosso calibre à Ucrânia. Outra provocação.

Macron, da França, tentou impor uma condição prévia para as conversações, exigindo um cessar-fogo de 30 dias. Esta foi uma tentativa flagrante de sabotar as negociações antes mesmo de elas começarem.

Estas pessoas não são honestas quanto a pôr fim à pior guerra na Europa desde o final da Segunda Guerra Mundial. De forma vergonhosa, querem que o derramamento de sangue continue para a sua sobrevivência política e para satisfazerem as suas obsessivas fantasias russofóbicas.

Se Trump quiser acabar com a guerra por procuração da NATO contra a Rússia, terá de pôr de lado os opositores europeus e o regime fantoche de Kiev. O seu envolvimento é contraproducente. Suspeita-se que Trump já sabe disso.

Um acordo americano e russo ao mais alto nível é a única forma de pôr fim à guerra. Não vale a pena o lado americano fingir que é um mero mediador de paz. Eles são o principal protagonista, não os cães de colo europeus nem o regime de Kiev.

As conversações preliminares estão muito bem. Mas são apenas isso. Preliminares. Se as conversações têm alguma hipótese de serem bem sucedidas, o lado americano tem de assumir a responsabilidade pela guerra que começou e alimentou.

Fonte aqui.

Já estão todos mortos

(Joseph Praetorius, in Facebook, 12/05/2025, Revisão da Estátua)

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Homens radicalmente isentos das normais qualidades viris, mulheres desprovidas de quaisquer qualidades morais, compensando-se, uns e outras, numa incomensurável vaidade de atores. Vaidade sempre ferida em razão dos desfechos impostos pela inépcia própria. Sempre impelida à retaliação, pelo sentimento de ultraje a submergir quotidianamente estas desgraçadas existências. Tal é a exata imagem da coligação de apoio a Zelensky.

Estão obcecados com Putin. Homem simples, sereno, apto, chefe atento que ama a sua gente, a sua terra e respeita a sua função.

Putin conhece-os desde antes de tais fenómenos emergirem. Está em exercício há tempo suficiente para lhes conhecer as origens, o início de carreira e até – com grande antecedência e a grande distância – os respectivos términos. Muito antes deles, sequer, os poderem temer. Tais fenómenos passam. Putin está. Porque assim o quer a sua gente, com ótimas razões para o querer.

Zelensky tem a obsessão de se encontrar com Putin. Há três anos que o diz. Quer equiparar-se. Poder encontrar-se com o patrono dos eslavos, em pé de igualdade, seria o clímax da sua desgraçada carreira. Espécie de reconhecimento.

Mas Zelensky não existe. Vive em usurpação de funções, sem legitimidade possível, embora possa conceder-se-lhe – como o faz Trump, por oportunismo de comerciante – estatuto próximo ao do funcionário de facto. Ocorre às vezes com outros golpistas. E outras vezes, não. Este é um dos casos nos quais a perspetiva russa é a do não. Costuma ser essa a atitude face aos Sakashvilis deste mundo. Putin não fala com cadáveres insepultos. No caso de Sakashvili chegou a dizê-lo, bem antes da criatura ser remetida ao cárcere onde apodrece. Mas de Zelensky não vale a pena dizer seja o que for.

Fizeram um ultimato. E Putin anunciou uma delegação russa disponível para negociações diretas em Istambul. Zelensky aparece aos gritinhos – e ninguém o mandou ir ou o chamou – mas a criatura insiste no ultimato inconsistente. Quer a guerra onde enriqueceu e imagina poder manter quanto embolsou. Mas Trump reagiu, como sempre, na perspetiva do comerciante sagaz. Boa ideia. Pois é. Lá se foi o ultimato, portanto e em síntese.

Entretanto, continuam as operações militares, em toda a extensão da frente de mais de mil quilómetros. Com êxito. Ao bom velho estilo russo. Lentamente. Prudentemente. No esvaziamento meticuloso do inimigo que sempre foi a NATO agora em evidente insolvência. A NATO forçada a calar quantos oficiais e mercenários ali lhe morreram, nas intervenções e presenças à socapa, com funerais à socapa. E assim continuará a ser, até desabar o desfecho em aproximação rápida.

O problema do esgotamento é evidente. Os projetos publicitados – e provavelmente inviáveis – para o rearmamento da dita Europa, são a confissão da sua inanição militar. E aqueles parvalhões, imaginando que a teatralidade tudo resolve, fazem um ultimato. Fazem até alianças militares entre eles, procurando vias de intervenção suicidária, alheias à disciplina do tratado do Atlântico Norte.

Não vale a pena escolherem eventuais formas de morte, porque já estão mortos. Alguém devia dizer-lhes isso, se valesse a pena o incómodo.

Donald à beira de um ataque de nervos

(António Gil, in Substack.com, 25/04/2025, Revisão da Estátua)


O homem é tão temperamental como o pato.


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Do pato a gente conhece os seus acessos de ira e os seus quacks descontrolados . De Trump conhecemos as suas diatribes e desabafos. Eis o último:

‘’ Pára, Putin: deixa-me concentrar na guerra comercial contra a China e nas tarifas que apliquei a todo o mundo. E no bombardeamento do Iémen. E nas ameaças ao Irão, na perseguição dos estudantes ‘anti-semitas’ e outras exigências de Bibi Netanyahu. E na absorção da Groenlândia e do Canadá. E nas lutas anti-imigração. E na drenagem do pântano do Estado profundo, na purga dos juízes hostis, no despedimento dos elementos hostis dentro das agências federais, incluindo o Federal Reserve . E nas lutas internas dentro da minha administração. E…’

Putin não entende que Trump é um homem muito ocupado e não lhe está a facilitar a vida, reconheça-se. Oh se ao menos ele fosse presidente de um grande país como Trump, então ele entenderia…espera, espera, Putin é presidente de um grande país. Mas não tão grande como…espera, espera, o país de Putin é maior ainda que os EUA. Oh sim, mas Putin não tem tantos problemas como o pobre Donald. Putin só tem a Ucrânia como alvo das suas preocupações. Espera, espera, ele também tem inimigos dentro do seu país, alguns imigrantes da Ásia Central que, de vez em quando, fazem atentados terroristas a mando da CIA, talvez até da Mossad…

Hummm…pára de arranjar problemas a Putin, Donald. Se calhar ele não te ouve porque tu também não o ouves. Que tal deixares de colaborar com os ucronazis, com armas e informações via satélite, para começar? E, por falar nisso, por que razão achas que a Ucrânia é um problema teu? Tu mesmo passas a vida a dizer que essa guerra não teria começado se tivesses estado na Presidência entre 2020 e 2024, lembras-te? Embora logo a seguir digas que foste tu quem forneceu os Javelins e outras armas que possibilitaram tal guerra. Oh, tens de admitir, Donald, a coerência não é o teu forte.

Eu sei, eu sei, andas cansado e irritadiço. É normal, propuseste-te fazer muitas coisas e nenhuma delas é fácil. E a imprensa, bem como as televisões que estão nas mãos de teus inimigos, não te dá tréguas. Os líderes europeus, que foram tão fofos com Biden, mesmo quando ele explodiu o Nord-Stream nas suas caras, também não te dão tréguas. As fundações dos ‘filantropos’ globalistas, não te dão tréguas. Nem mesmo dentro da tua administração, aqueles que escolheste, dão tréguas uns aos outros e, por tabela, não te dão tréguas a ti. Que raio de ideia foi essa de escolheres gente com pontos de vista e toleimas tão diferentes entre si e pouco condizentes com o que te propuseste fazer?

Vamos ver o que podes fazer em vez de gritares com Putin, ok? Afinal a Ucrânia realmente só é um problema teu se quiseres que seja. As tarifas e a guerra comercial com a China foram ideia tua, lembras-te? Nesse caso, podes fazer o habitual: declaras vitória e retiras tudo. Essa é uma linda tradição seguida por vários presidentes do teu país.

Concentra-te na frente doméstica pá, esquece o mundo e os países que nem sabes situar no mapa. Tu não tens nem exército nem diplomatas para entenderem que as ameaças já não intimidam ninguém.

A paz começa em casa. É aí que tens de te impor. Usa a desclassificação dos arquivos outrora secretos e começa a ir atrás dos teus inimigos. A uns apanharás com as calças em baixo, usando o dossier Epstein. A outros deitarás a unha usando as revelações do dossier Crossfire Typhoon, quando te tentaram demitir, lembras-te? No primeiro caso fritas os dois Bills (o Clinton e o Gates) entre peixe mais miúdo. No segundo caso grelhas a mulher do Clinton, alguns peixões do FBI e calhando ainda o Obama e o Soros. Mesmo que não consigas cozinhá-los a todos, se esturricares um deles, em cada caso, isso vai servir de exemplo e acabará com a hiperatividade de muitos. Ah e não te esqueças dos media, muitos jornalistas e pivots da TV estão metidos nos dois casos até às orelhas.

Agora volta ao trabalho. Tens muito que fazer, mesmo que só te dediques à pacificação doméstica. Vai por mim e segue os meus conselhos. Não voltes a pensar no resto do mundo enquanto a tua casa for a bagunça que é!

Fonte aqui.