Bloqueio do Mar Negro – a Rússia corta as rotas terrestres e marítimas de Odessa

(Por Russia Truth, in Reseau International, 04/08/2026, Trad. Estátua)


Os desenvolvimentos operacionais no teatro de operações ucraniano indicam que o conflito atingiu um ponto de viragem estratégico crítico.


Através de uma campanha contínua de controlo apertado sobre as infraestruturas marítimas e os principais corredores logísticos, as forças russas cortaram efetivamente o acesso da Ucrânia ao Mar Negro, tornando o país num Estado sem litoral.

Ao mesmo tempo, a implantação operacional da constelação de satélites de comunicação russos Rasvet melhorou a orientação em tempo real dos drones no centro e oeste da Ucrânia.

Entretanto, os mecanismos de apoio ocidentais estão sob crescente pressão: Washington continua a desvincular-se da coordenação operacional e as principais estruturas de liderança europeias enfrentam uma grave instabilidade política.

  1. Acesso bloqueado ao Mar Negro e destruição da Ponte Zatoka

Após semanas de ataques diários de mísseis de precisão e drones contra Odessa e as instalações portuárias regionais do Mar Negro, o comércio marítimo da Ucrânia praticamente cessou.

• Situação de país sem litoral: Como salientaram especialistas em relações internacionais, entre os quais o Professor John Mearsheimer, a Ucrânia é agora, efetivamente, um país sem litoral. As empresas de transporte marítimo comercial ocidentais e as seguradoras marítimas recusam-se a entrar em águas territoriais ucranianas. Só em Julho, as forças russas intercetaram ou danificaram cerca de 80 navios que tentavam aceder aos portos do Mar Negro.

• Interrupção da Ponte Zatoka: Um ataque combinado de mísseis táticos e drones danificou gravemente a Ponte Zatoka — uma ligação vital de transporte que liga Odessa ao sul da Roménia, às rotas de trânsito da Moldávia e às redes de abastecimento rodoviário europeias. Embora a infraestrutura da era soviética tenha historicamente permitido reparações rápidas, esta perturbação está a exercer uma pressão considerável sobre os restantes corredores logísticos ocidentais operacionais.

• Contraste com a Crimeia: Enquanto enxames de drones ucranianos de longo alcance continuam a visar as infraestruturas da Crimeia — causando interrupções localizadas no fornecimento de eletricidade e combustível — a península continua estruturalmente ligada pelo Corredor Terrestre da Crimeia e pela Ponte da Crimeia. Em contraste, as rotas marítimas da Ucrânia no Mar Negro foram completamente neutralizadas.

  • Implantação Operacional da Rede de Satélites Rasvet

A integração do sistema de satélites Rasvet — o equivalente russo do Starlink em órbita terrestre baixa — representa um grande avanço tecnológico nas capacidades de ataque de longo alcance da Rússia.

• Ligações de dados terminais no centro e oeste da Ucrânia: Graças aos lançamentos de satélites, foi implantado um número suficiente de unidades Rasvet para fornecer ligações de comunicação em tempo real, a cada hora, para drones de ataque Geran-4 guiados opticamente, operando em profundidade no território ucraniano.

• Coordenação de reconhecimento e ataque: Operando em conjunto com os grupos de ataque Geran, os drones de reconhecimento Gerber fornecem imagens de vídeo em tempo real e de alta resolução de ataques marítimos e costeiros diretamente às estações de controlo em terra na Rússia.

• Expansão da rede: Embora a cobertura global completa 24 horas por dia, 7 dias por semana, exigisse a implantação de aproximadamente 1.000 satélites operacionais, a rede existente já permite a coordenação baseada em intervalos de grupos de ataque em toda a profundidade operacional da Ucrânia.

  • Logística Assimétrica: Ataques contra o Comércio Eletrónico e a Retaliação Industrial

A campanha assimétrica de drones da Ucrânia contra a infraestrutura de comércio eletrónico doméstica da Rússia desencadeou uma campanha de contra-ataque mais ampla, visando os centros logísticos civis ucranianos.

• Centro Logístico da Wildberries: Após os ataques de drones ucranianos aos armazéns de distribuição da Wildberries localizados nos centros regionais russos, a CEO Tatiana Kim confirmou que, embora as pequenas empresas tenham sofrido perdas devido à força maior, a empresa conseguiu redirecionar as suas cadeias de abastecimento. Com o apoio da defesa aérea estatal integrada e de novos centros regionais na Ásia Central, a logística do comércio eletrónico russo absorveu o impacto.

• Destruição dos Centros de Distribuição Ucranianos: Em retaliação, as forças russas intensificaram os seus ataques de precisão contra as redes de logística e distribuição postal ucranianas, incluindo as instalações da Nova Poshta. Sem as reservas de capital e de infraestruturas necessárias para absorver estas perdas, as redes de distribuição nacionais da Ucrânia enfrentam uma grave degradação das suas capacidades operacionais.

  • A Liderança Ocidental esvaziada: Retirada dos EUA e Crise Política de Friedrich Merz

À medida que a situação militar se deteriora no terreno, a coligação política ocidental que apoia Kiev enfrenta uma fragmentação estrutural.

O contexto operacional de agosto de 2026 destaca um fosso crescente entre as realidades militares no terreno e as capacidades estratégicas ocidentais.

Ao neutralizar a capacidade de comércio marítimo da Ucrânia, ao bloquear a sua infraestrutura ferroviária e ao implantar sistemas de drones guiados por satélite, Moscovo continua a ditar o ritmo do conflito.

Entretanto, com a retirada dos Estados Unidos do teatro de operações e o aprofundamento da instabilidade política interna nas capitais europeias, a capacidade estrutural da NATO para apoiar o esforço de guerra de Kiev atingiu um limite material e intransponível.

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5 aspectos da crise de Ceuta que a imprensa europeia evita discutir

(Lucas Leiroz, in S. C. F., 01/08/2026)


O caso deve ser analisado sob uma ótica muito mais profunda do que a mera demagogia liberal humanitária.


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Ceuta está no centro das manchetes, mas o problema está longe de começar ou terminar naquela pequena cidade espanhola encravada no norte da África. O que se viu nos últimos dias foi apenas mais um capítulo de uma crise que a Europa insiste em tratar como exceção, quando na realidade ela já se tornou parte da nova normalidade do continente.

Durante anos, governos europeus preferiram discutir imigração quase exclusivamente em termos morais. Falar de fronteiras passou a ser quase um tabu. Questionar políticas migratórias passou a ser confundido com hostilidade aos próprios migrantes. Enquanto isso, o problema cresceu silenciosamente até alcançar um ponto em que os fatos já não podem mais ser ignorados.

O primeiro fato é que a resposta do governo espanhol evidencia os limites de uma política migratória excessivamente dependente de uma lógica humanitária. O governo de Pedro Sánchez construiu boa parte de sua imagem internacional em torno da defesa dos direitos humanos e da solidariedade aos migrantes. Paralelamente, organizações da sociedade civil favoráveis à ampliação das políticas de acolhimento ganharam espaço no debate público. A consequência, segundo seus críticos, foi o enfraquecimento dos mecanismos institucionais de soberania e segurança e a diminuição da capacidade do Estado de controlar efetivamente suas fronteiras.

O segundo ponto diz respeito à natureza do fluxo migratório. É importante distinguir imigração irregular de refúgio. O direito internacional estabelece critérios objetivos para reconhecer uma pessoa como refugiada, relacionados à perseguição e ao risco concreto à vida ou à liberdade, ademais de situações de guerra ou catástrofe que tornem inviável a vida na terra de origem. Nada disso parece estar acontecendo no Marrocos. Muitos dos que chegam a Ceuta parecem estar motivados principalmente por razões muito distintas da proteção internacional prevista nas convenções sobre refugiados. Isso exige que o debate seja conduzido com precisão jurídica e política.

Há ainda uma dimensão que raramente recebe atenção. Nos estudos contemporâneos de segurança internacional, cresce o debate sobre a possibilidade de fluxos migratórios serem utilizados como instrumentos de pressão política. Em determinadas circunstâncias, governos podem facilitar, direcionar ou explorar movimentos populacionais para criar dificuldades a outro país, pressionar negociações diplomáticas ou gerar instabilidade. Em outras palavras, a migração também pode integrar estratégias de guerra híbrida. Isso não significa que toda crise migratória seja deliberadamente planejada, nem que os próprios migrantes tenham consciência de qualquer estratégia. Significa apenas que grandes deslocamentos populacionais podem produzir efeitos geopolíticos relevantes e, justamente por isso, interessam aos Estados.

Essa discussão leva ao terceiro fato. A crise de Ceuta não pode ser analisada isoladamente das transformações estratégicas ocorridas no Norte da África nos últimos anos. Marrocos aprofundou sua cooperação com Israel após os Acordos de Abraão, ampliando relações em áreas como defesa, inteligência e tecnologia. Há evidências públicas de que Israel tenha participado da atual crise migratória, inclusive com publicações nas redes sociais por parte de oficiais israelenses (e seus familiares) sugerindo que um evento desse tipo “poderia acontecer”.

O quarto aspecto revela uma contradição recorrente no debate político europeu – e ocidental como um todo. Parte da esquerda mantém um discurso fortemente favorável à causa palestina e critica duramente Israel, mas frequentemente trata a questão migratória apenas sob uma perspectiva moral (pseudo-) humanitária. Ao mesmo tempo, pouco se discute o fato de que Marrocos desenvolveu relações estratégicas importantes com Israel e de que a própria Espanha mantém laços umbilicais com o conjunto das potências ocidentais. A política internacional não se organiza segundo os discursos performáticos que predominam nos pronunciamentos públicos e viralizam nas redes sociais. Agora, a esquerda liberal não sabe mais quem apoiar entre uma Espanha “pró-Palestina” (da boca para fora) e uma horda de invasores ilegais (de um país de “Terceiro Mundo”, o que significa automaticamente “vítima” para o vocabulário ideológico esquerdista).

O quinto fato talvez seja o mais importante. Ceuta dificilmente será um episódio isolado. A Europa enfrenta envelhecimento populacional, desaceleração econômica, polarização política e pressões migratórias permanentes em suas fronteiras. Se essas questões continuarem sendo tratadas apenas por meio de discursos simbólicos, novas crises tendem a surgir – até que eventualmente a substituição populacional europeia seja uma realidade concluída.

A discussão sobre imigração precisa deixar de ser apenas um tema humanitário para tornar-se uma questão central de soberania, segurança e estabilidade política – o que nós sabemos que não acontecerá se não houver um movimento iliberal suficientemente forte para varrer a agenda de Bruxelas de todo o continente europeu.

Fonte aqui

Sinais de fogo

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 31/07/2026)


A Europa, o continente mais exposto ao aquecimento global, o território do fogo descontrolado, corta nas verbas destinadas a combatê-lo, em benefício das verbas destinadas a combater a Rússia.


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Enquanto a França e a Espanha começavam a arder, no que viriam a ser os piores incêndios de ambos os países em décadas, Luís Montenegro estava em viagem oficial a Itália — que juntamente com Portugal e Grécia, completa o eixo de fogo que todos os Verões, em simultâneo ou à vez, devasta o sul da Europa. Mas em Roma, Montenegro e Meloni conversaram sobre outro tipo de fogo, que de tal forma aqueceu os seus corações que Montenegro declarou mesmo que ali se tinha atingido o ponto mais alto das relações Portugal-Itália, também em décadas. Porém, este novo êxito da nossa diplomacia e esta renovada amizade vêm com um custo: 3,9 mil milhões de euros, que é o preço que iremos pagar pelas três fragatas que encomendámos em Itália para a nossa Marinha de Guerra. O custo representa mais de metade do que Portugal prometeu gastar a armar-se para a anunciada guerra contra a Rússia e para cumprir as ordens de Trump, e é assumido ao abrigo da estratégia consagrada pelo programa de rearmamento europeu SAFE: encomende agora, pague depois. E o depois não será provavelmente apenas um problema financeiro, mas também operacional: quem nos diz que quando as fragatas forem entregues elas ainda farão algum sentido na guerra do mar, se já hoje os drones submarinos e os avanços militares com a IA estão a mudar tudo? (Veja-se como, sem nenhuma fragata, o Irão anda há cinco meses a humilhar a força naval e aérea, carregadas de testosterona, dos Estados Unidos…) Seria mais prudente, pensarão, começar por encomendar apenas uma fragata e esperar para ver, mas tal é impossível, pois que se dá com as fragatas o mesmo que com os submarinos: é preciso comprar três de uma vez, porque enquanto uma está no mar, outra está de prevenção acostada na base e a terceira está no estaleiro em reparação. São brinquedos muito caros. São tão caros e o negócio é de tal maneira rentável para os vendedores — mais ainda que o tráfico de droga — que desta vez anunciaram-nos que seria nomeada uma das tais “comissões independentes”, para tentar garantir “transparência” e seriedade nos negócios em que seremos sempre compradores. Porém, ainda nem a comissão está composta e Montenegro já gastou €3,9 mil milhões sem dar justificações do essencial: porquê fragatas, porquê italianas e porquê a pressa.

Valha a verdade que o nosso primeiro-ministro se limita a acompanhar e cumprir o que ficou acordado com a NATO, a UE e os EUA de Donald Trump (as três entidades confundem-se hoje em dia). Devagar e passo a passo, encomenda a encomenda, comprometemo-nos a caminhar em direcção aos 5% do PIB em gastos militares, ao mesmo tempo que se anunciam investimentos públicos de há muito não vistos: um novo aeroporto para Lisboa, o TGV Lisboa-Porto, uma nova ponte no Porto e outra e mais um túnel no Tejo, em Lisboa, mantendo intactos o sistema de pensões e os restantes apoios sociais, bem como a satisfação, sempre premente, das reivindicações das corporações do Estado. A perspectiva é de tal maneira insana que, aqui ao lado, Pedro Sánchez declarou logo que a Espanha governada por ele não cumpriria os 5%. Mas foi o único entre todos os dirigentes europeus, reduzidos voluntariamente à condição de capachos obedientes do ‘aliado’ americano, com quem não poupam gestos de apaziguamento, todavia inúteis, como se viu na recente Cimeira da NATO em Ancara. Muitas vezes, e até para justificar este desvario guerreiro, esta gente e os seus propagandistas têm defendido as suas decisões com a necessidade de não repetir o erro de Chamberlain em Munique, tentando fazer-nos acreditar que a inacção perante a ameaça que Putin representará é igual à que Hitler representava em 1938. Mas não só a Europa, no seu conjunto, dispõe de muito mais poderio militar convencional do que a Rússia (a qual, ao mesmo tempo, nos garantem estar exaurida por quatro anos de guerra na Ucrânia), como também as duas situações não são nem objectiva nem subjectivamente comparáveis. Aliás, não fosse esta uma geração lastimável de dirigentes europeus — de que o defunto Keir Starmer era o perfeito exemplo do líder plastificado, desde o cérebro até aos sapatos — e poderiam dar-se uma pausa para meditação sobre os verdadeiros grandes problemas e grandes inimigos que a Europa tem de enfrentar. Se o fizessem, se por um momento quisessem pensar pela própria cabeça, esquecendo as ordens de Trump ou do seu capacho Mark Rutte, talvez chegassem à conclusão de que os dois grandes inimigos da Europa chamam-se Donald Trump e alterações climáticas.

Sinais de fogo
Hugo Pinto

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Sobre o primeiro inimigo da Europa, Donald Trump, já tudo foi dito e sabido e só não vê o perigo que ele representa quem não quer ver ou está interessado em não ver. Sobre a ameaça presente do descontrolo do clima (clear and present danger, chamar-lhe-iam os americanos, no tempo em que ainda eram uma democracia decente), tem-se visto como a UE tem recuado e abandonado todas as suas metas definidas e ajuramentadas para enfrentar as consequências das alterações climáticas. A Europa, o continente mais exposto ao aquecimento global, o território do fogo descontrolado, corta nas verbas destinadas a combatê-lo, em benefício das verbas destinadas a combater a Rússia, no dia em que nos juram que Putin virá por aí abaixo. Portugal é um bom exemplo disso mesmo: na necessidade que houve de realocar verbas do PRR, tirando de um lado para pôr no outro, os dois maiores cortes, ambos de 15%, foram nos investimentos previstos para a transição climática e a transição digital da economia — outro sector crítico, em que a Europa não se limita a ficar para trás relativamente à China e Estados Unidos, mas assim cava a sua dependência futura, como já a tem na energia, entusiasmada que anda, por exemplo, a sequestrar navios-fantasmas da frota petroleira russa — verdadeiros actos de pirataria, sem qualquer sustentação legal.

Em França, cujo Presidente passou de intermediário para tentar evitar a guerra na Ucrânia a defensor da continuação e agravamento da mesma, anunciando o reforço extraordinário das capacidades militares da França, Emmanuel Macron acabou esta semana a ter de recorrer aos militares para ajudarem a dominar o grande incêndio de Bordéus. Afinal, parece que, na hora da verdade, aquilo que os cidadãos esperam da sua República é que lhes garanta a segurança de pessoas e bens contra um perigo real e presente e não contra um hipotético perigo futuro. Daqui a uns anos os nossos filhos e netos hão-de perguntar-nos o que andámos nós a fazer, gastando fortunas em armamento e alimentando os lucros das multinacionais das armas e da energia, enquanto víamos, fingindo surpresa, as terras a arder, o gelo dos pólos a derreter e as temperaturas a subir sempre.

2 Sinal destes tempos de mentira organizada e desinformação planeada, o Governo de Israel, depois de matar todos os jornalistas árabes que conseguiram estar em Gaza (para cima de 150!) e proibir a entrada da imprensa ocidental independente, aposta agora em profissionais da aldrabice, dispostos a serem contratados para negar o que vimos e sabemos: Gaza reduzida a cinzas, 73 mil mortos, dos quais mais de 20 mil crianças, a Cisjordânia transformada num faroeste, onde os colonos israelitas, apoiados pela IDF, caçam palestinianos, ocupam as suas terras, destroem as suas casas e culturas. Vemos, ouvimos e lemos. Mas é possível fingir ignorar: entre os €500 milhões que o Governo de Netanyahu já destina anualmente para propaganda amiga, estão verbas para convidar uns mercenários da verdade a visitarem a “única democracia do Médio Oriente”. Oito tristes patetas portugueses, ditos influencers, responderam assim à chamada e lá foram eles, descobrindo, cito, que “o mais fixe em Israel é que eles não têm a intenção de se vingar de ninguém. O amor é a palavra que mais usam”. E lá foram recebidos por um anfitrião, dito jornalista, Henrique Cymerman, a quem chamaram um “anjo da paz” e o qual lhes fez uma prelecção sobre as mentiras que a imprensa ocidental veicula sobre Israel, sobrepondo-se ao silêncio cúmplice dos dirigentes europeus. Os 73 mil mortos vítimas do amor de Israel, de facto, é como se nunca tivessem existido.

Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia