“Suicídio total”: Europa impõe guerra à Ucrânia, que já soma 1,7 milhão de baixas militares desde 2022

(Por Mark Lesseraux, in Diálogos do Sul, 27/08/2025)

Volodymyr Zelensky (presidente da Ucrânia), Mark Rutte (secretário-geral da Otan) e Ursula von der Leyen (presidenta da Comissão Europeia) durante cimeira em Haia em junho de 2025 

Para líderes como Macron, Starmer, Mertz e Ursula von der Leyen, pouco importa que 70% da população da Ucrânia deseje o fim imediato da guerra através de uma solução diplomática...


À medida que os números horríveis (reais) de soldados ucranianos mortos e feridos começam a vazar para os círculos exotéricos da mídia ocidental, fica ainda mais claro o quão distorcida, muitas vezes a ponto de ser criminosa, foi a cobertura da chamada imprensa “mainstream” ocidental sobre a guerra na Ucrânia ao longo dos últimos três anos e meio.

Segundo especialistas militares e políticos como o coronel americano Douglas MacGregor, o tenente-coronel Daniel Davis, o coronel Lawrence Wilkerson (ex-chefe de gabinete do Secretário de Estado dos EUA), o ex-assessor presidencial Jeffrey Sachs e muitos outros, o número real e amplamente aceito de mortos ucranianos está entre 1,3 milhão e 2 milhões.

Recentemente, informações reveladas por meio de quatro ataques hackers a bancos de dados ucranianos (imediatamente rotulados como “propaganda russa” pela maioria dos veículos de mídia ocidental) expuseram os seguintes números de mortos ucranianos, ano a ano:

  • 2022: 118,5 mil
  • 2023: 405,4 mil
  • 2024: 595 mil
  • 2025: 621 mil

Total:

1,7 milhão de militares ucranianos mortos. Ver: The Economic TimesKathleen TysonGateway Pundit e Jamarl Thomas.

De acordo com o ex-analista da CIA, Larry C. Johnson“A Ucrânia está cometendo suicídio total”. Há mais de dois anos, em junho de 2023, escrevi um artigo publicado na Pressenza no qual dizia basicamente que, se a Ucrânia continuasse nesse curso, seria equivalente a cometer suicídio como nação. No mesmo texto, previ que o exército ucraniano entraria em colapso em 2024 e que “depois disso, o aspecto político/óptico da batalha poderia se arrastar até o início ou meados de 2025, mas não mais do que isso”. Os analistas militares e geopolíticos que mencionei no primeiro parágrafo concordaram com essa avaliação na época.

O início da guerra: a verdadeira razão

Em vários artigos anteriores, já detalhei a série de eventos que levaram à fase atual da guerra. Em vez de repeti-los aqui, recomendo fortemente que assistam a esta explicação relativamente curta de Jeffrey Sachs. É absolutamente essencial que TODOS escutem esse ponto de vista, que eu e milhões de pessoas ao redor do mundo compartilhamos:

Por que o conflito deve continuar

Embora eu discorde fortemente da maioria das políticas domésticas e econômicas do governo Trump, concordo plenamente com a tentativa atual do presidente dos EUA de pôr fim à guerra por procuração na Ucrânia. A Rússia está, neste momento, a poucos meses de romper as linhas defensivas centrais que restam ao exército ucraniano. Em resumo: a Ucrânia está sendo aniquilada pela Rússia.

Mesmo assim, políticos como Lindsey Graham, Macron, Starmer, Mertz e Ursula von der Leyen querem escalar o conflito e prolongá-lo o máximo possível, sem nenhuma consideração pela população ucraniana que ainda pode ser recrutada. Pouco importa que 70% dos ucranianos (e crescendo rapidamente) desejem o fim imediato da guerra através de uma solução diplomática.

A razão pela qual políticos estadunidenses querem a guerra em andamento é simples: seus financiadores — os oligarcas que sustentam suas carreiras políticas — estão lucrando fortunas com ela, e pressionam seus “fantoches” para pedirem mais e mais guerra. Ver: Responsible StatecraftAl Mayadeen e Business Journalism.

No caso dos líderes europeus vassalos como Starmer, Macron e Mertz, a situação é ainda mais patética, pois praticamente apostaram o futuro econômico de seus países no “Projeto Ucrânia”. De fato, Ursula von der Leyen anunciou recentemente um plano de gastar 1,8 trilhão de euros em um fortalecimento militar europeu ao longo da próxima década, voltado principalmente para combater a Rússia.

O que esses líderes míopes e russófobos não entendem (ou fingem não entender) é que a Rússia não quer mais guerra e não vai invadir outras partes da Europa. Lembrem-se do que digo: quando o acordo entre Rússia e Ucrânia for firmado, serão o Reino Unido, a França e a Alemanha — não a Rússia — que farão de tudo para empurrar mais guerra.

Nota: Síndrome de Obsessão Partidária

Existem pessoas que realmente acreditam que concordar com Donald Trump em apenas um tema torna a pessoa uma “traidora da esquerda”. São geralmente os mesmos que ficaram calados ou até discutiram contra quem denunciou o genocídio israelense durante os 17 meses em que Joe Biden o financiou e armou.

Essa síndrome de obsessão partidária, seja vermelha ou azul, é na verdade a forma mais patética de submissão ao poder corporativo/oligárquico que existe atualmente. Se não conseguimos pensar por nós mesmos em relação a guerras (que sempre recebem 100% de apoio dos dois partidos controlados por doadores), não temos nenhuma chance de superar a velha tática de “dividir para conquistar” usada contra nós há décadas.

Trump reabrir canais de comunicação com a Rússia (após três anos de silêncio total da administração Biden) foi absolutamente a decisão correta. Na prática, ao restabelecer o diálogo com a Rússia — o maior poder nuclear do planeta — Trump possivelmente evitou uma guerra nuclear que parecia cada vez mais próxima até o dia em que ele assumiu a presidência. Não reconhecer essa melhora significativa nas relações EUA-Rússia, independentemente do partido a que alguém pertença ou do quanto deteste Trump pessoalmente, é pura cegueira autoimposta.

A queda da casa neocon

O que temos testemunhado nos últimos anos resume-se ao declínio do império neoconservador unipolar dos EUA e à exposição da postura submissa de seus estados vassalos europeus.

Com a ascensão do Brics e a recusa crescente de países não ocidentais em continuar se curvando às ameaças, sanções e violências perpetuadas pelos EUA, Reino Unido e Otan, a maior parte do mundo falou alto e claro — especialmente desde 2022.

O colapso iminente da “casa ultraviolenta do século 21” construída por figuras como Paul Wolfowitz, William Kristol, Donald Rumsfeld, Victoria Nuland e Lindsey Graham já está em curso. A era das guerras intermináveis parece estar chegando ao fim.

Uma nova era de cooperação — em vez de guerra constante contra nossos vizinhos não ocidentais — pode estar prestes a começar. Mas, como disse um sábio do Ocidente: “Ainda não acabou até que acabe”.

Uma questão que se coloca é: a crescente descentralização e nacionalização global, que vem se acelerando devido às últimas duas décadas e meia de violência hegemônica dos EUA, trará consigo um novo conjunto de problemas? A resposta é: muito provavelmente sim. Dito isso, a era unipolar de domínio dos EUA já é coisa do passado. É aqui que estamos, quer queiramos ou não.

Russofobia ocidental

Nas últimas duas décadas, houve uma enxurrada de distorções sobre a Rússia no Ocidente. A visão caricata que temos da Rússia e de Vladimir Putin é baseada em anos de propaganda de quem sempre teve como objetivo destruir a Rússia, derrubar sua liderança e saquear seus recursos — o procedimento-padrão neocon americano.

Na verdade, os EUA vêm preparando a Ucrânia para entrar na Otan há 30 anos.

A Rússia não é uma ameaça para os EUA. Na realidade, gostaria nada mais do que firmar paz com o país norte-americano. A Ucrânia foi usada de forma calculada como um aríete — um proxy — para prejudicar a Rússia sem arriscar vidas americanas.

Isso não significa que a Rússia não tenha seus problemas. Tem, sim. Mas estamos falando de um país com 140 milhões de pessoas que não são tão diferentes de mim e de você.


Nota: O texto segue as normas do português do Brasil

Fonte aqui

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Quando o Império sufoca, o Sul respira

(Prince Kapone, in Resistir, 26/08/2025)


O BRICS+ é contraditório, desigual e frágil, mas nas suas frestas o Sul Global abre espaço para a soberania e a luta. A multipolaridade surge da crise, não do consenso.


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A história que nos vendem é que a “ordem” foi construída por homens sensatos em fatos elegantes. A história que vivemos é diferente. A multipolaridade não surgiu de seminários ou cimeiras; é o ressalto de cinco séculos de pilhagem, o recuo das guerras e sanções e a recusa dos colonizados em continuar a pagar pela civilização de outrem. A sua genealogia remonta ao Comunicado de Bandung (1955) — o primeiro grande encontro em que a maioria da humanidade falou em seu próprio nome — passando pelo longo desvio da dívida, do ajustamento estrutural e da contra-insurgência disfarçada de “desenvolvimento”.

Fonte aqui

Cogitações de verão

(Major-General Raúl Cunha, in Facebook, 25/08/2025, Revisão da Estátua)

O galho está quase a cair… 🙂

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Hoje em dia e cada vez mais, tenho absolutamente menos tolerância para com aqueles que continuam a evidenciar e a derramar na internet a sua estupidez e ignorância. E, portanto, vou continuar a meter-me com esses tristes.

Mas, neste texto o tema não é, de todo, a ausência de neurónios de quem acredita nos disparates dos comentadores arregimentados pelo sistema. Prometi a alguém uma análise sobre o encontro dos dois “patrões” mundiais no Alasca, e vou tentar explicar (desde que os meus parcos méritos o permitam) quem, o quê, o como e o  porquê.

O que acontece é que os comuns mortais (sobretudo os que preferem que alguém raciocine por eles) pensaram o seguinte: – Se Putin e Trump se encontram – e se, automaticamente, concordam num acordo de paz, é porque afinal talvez já chegue de guerra na Ucrânia. A falta de informação (básica) desta gente, leva a que não entendam o que é um processo de paz – no fundo, um processo que se prolonga até que todas as partes no conflito concordem, mesmo nos mínimos detalhes.

Outro aspecto a ter em conta é o seguinte: vejamos quem estava a acompanhar os dois presidentes: principalmente os responsáveis pela economia e diplomacia que, nesta altura, são o mais importante. Nos últimos quatro anos não houve relações diplomáticas entre os dois países. Biden nunca falou com Putin, e para resolver qualquer problema é necessário um diálogo e isso é o começo.

Outra coisa é a economia – a verdade é que as sanções contra a Rússia não produziram os efeitos desejados, abalaram um pouco, mas logo as fileiras se ajustaram e consolidaram e novos mercados foram encontrados. A realidade é também que os russos estão fartos da América. Por exemplo: após “sanções à Rússia / sanções à América“, a ExxonMobil foi expulsa do projeto Sakhalin-1, onde constituía 30% dos participantes. Resultado: perdeu 4 mil milhões de dólares. Agora, e depois da reunião no Alasca, Putin assinou um decreto para que a Exxon pudesse voltar. Bom para uns e bom para outros.

Outro exemplo: há alguns anos atrás havia um plano (da Rússia) para ligar a Rússia ao Alasca através de um túnel submarino, e a Rússia até participaria com 2/3 das despesas. Não é preciso falar sobre os óbvios benefícios económicos deste empreendimento, mas vale a pena pensar apenas num. A introdução da IA em todo o lado “exige” quantidades enormes de eletricidade. A América não tem capacidade para a fornecer. A Rússia tem. (Não sou eu que digo isto, mas sim aqueles que conhecem bem estas áreas) Estão a ver qual a solução? Cabos elétricos que passariam através desse túnel e assim resolveriam o problema. Bom para uns e bom para outros.

Porque é que a América foi arrastada para este conflito? Por causa da venda de armas, claro. E Trump é um dos responsáveis por isso (como comerciante que é, claro), mas o facto é que ele diz que não era Presidente quando tudo começou – e eu acredito nele. E porquê? Porque sabemos que Biden estava logicamente a proteger a “propriedade” do seu filho Hunter.

Entretanto, os principais cúmplices são, claro, três pretensos “superiores” países europeus – a França, a Inglaterra e a Alemanha, por dois motivos simples: complexos e revanchismo. A França desde Napoleão, a Inglaterra desde a Guerra da Crimeia, a Alemanha… Bem, espero que toda a gente saiba porquê. São todos uns famosos derrotados.

E a mente que fomenta e agita tudo isto é a Inglaterra. Veja-se como, logo no final da Segunda Guerra Mundial, Churchill congeminou planos para destruir a (então) enfraquecida URSS – está tudo online na internet e pode ser verificado. Começando por tentar trazer 100 000 alemães capturados, de volta para a frente de batalha sob o comando de Patton. Na altura foi Zukhov quem frustrou esse plano, “Impensável“, como acabou por ficar conhecido.

Os EUA trabalham no seu próprio interesse – vendem energia e armas à Europa, “E vocês fazem o que quiserem com isso. É de certo modo uma chantagem, mas quem não gostar, não come…

E a UE trabalha no interesse da Inglaterra, mais precisamente da City em Londres, “Porque nós, na UE, somos uns cãezinhos obedientes e esperamos receber um osso como recompensa. Depois, felizes, vamos abanar com o rabo e pode ser que o dono perceba que também temos um pouco de fome… ” A Inglaterra continua a impingir a intenção russa de conquistar a Europa – uma treta em que os nossos comuns cidadãos (sobretudo os de parcos neurónios) acreditam.

E porque é que os europeus “anunciam” uma guerra com a Rússia em 2029/30? Porque é nessa altura que o mandato de Trump termina e eles têm esperança que quem chegue então ao poder seja alguém que eles possam gerir como quiserem.

E a Ucrânia? Alguém está preocupado com o que irá acontecer à Ucrânia? É um país despedaçado, já com poucos recursos humanos para manusear as “ótimas” armas ocidentais. Zelenski é tão útil quanto um preservativo usado, e o seu relógio já está a fazer tiquetaque para a contagem final…

O conflito só acabará quando a sua principal causa for resolvida, a arquitetura de segurança europeia for restabelecida e quando o nazismo na Ucrânia tiver o mesmo destino do seu líder.

Já antes escrevi que a solução definitiva para este conflito seria realizar referendos em todas as regiões ucranianas e que as pessoas dissessem o que preferem: – que a sua região fique na Ucrânia, ou que se junte à Rússia, à Polónia, à Hungria, à Roménia, à Eslováquia… a Democracia é assim, não é? E não me venham agora com a treta que as fronteiras não podem ser mudadas, porque isso já foi feito antes, de uma forma ou de outra, em vários outros lugares, inclusive na Europa e recentemente. Quanto ao que vai restar da Ucrânia, essa parte que sobrar vai ter que pagar todas as dívidas que o drogado gnomo verde fez – e penso que ninguém sabe quanto isso vai custar.

Para terminar, tenho que me referir aos “slava ukrainianos”. No início festejaram e também se acharam superiores, depois tentaram chacinar os seus compatriotas que desprezavam… Agora estão desesperados com o resultado. Bem que eu os avisei e aos seus apaniguados e investidores que o acordar seria doloroso…!