Quando o Império sufoca, o Sul respira

(Prince Kapone, in Resistir, 26/08/2025)


O BRICS+ é contraditório, desigual e frágil, mas nas suas frestas o Sul Global abre espaço para a soberania e a luta. A multipolaridade surge da crise, não do consenso.


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A história que nos vendem é que a “ordem” foi construída por homens sensatos em fatos elegantes. A história que vivemos é diferente. A multipolaridade não surgiu de seminários ou cimeiras; é o ressalto de cinco séculos de pilhagem, o recuo das guerras e sanções e a recusa dos colonizados em continuar a pagar pela civilização de outrem. A sua genealogia remonta ao Comunicado de Bandung (1955) — o primeiro grande encontro em que a maioria da humanidade falou em seu próprio nome — passando pelo longo desvio da dívida, do ajustamento estrutural e da contra-insurgência disfarçada de “desenvolvimento”.

Fonte aqui

4 pensamentos sobre “Quando o Império sufoca, o Sul respira

  1. Portugal pertence (ou é membro, assinou) à Organização do Tratado do Atlântico Norte (o ministro da Defesa diz que é do Atlético Norte, ele lá saberá)… mas a expansão da “portugalidade” e da “lusofonia” foi desenvolvida sobretudo no Atlântico Sul, e posteriormente no Índico, nos mares da China e no Pacífico Sul.

    Para reflexão dos “atlantistas” e dos “moderados”… aqueles da Loja Mercúrio e Stradivarius, que confraternizam de avental… e recebem avença “senhorial”…

    • E isto não é uma apologia do colonialismo da “Expansão” e dos “Descobrimentos”, é a constatação de uma realidade histórica e geográfica… muito menos é a defesa do colonialismo, é simplesmente o devir e a sua aceitação, uma vez que não se pode alterar o passado e sempre se pode aprender e construir algo a partir dele e do presente (com as suas consequências e circunstâncias)…

  2. Quem cada vez tem menos ar para respirar e quem vive no Império.
    Estão nos a deixar até sem calças para sustentar guerras que se pretendem eternas e o melhor exemplo disso e a Alemanha.
    Um pais que há quatro anos tinha a economia a bombar e hoje confessa se praticamente falida pela voz do seu chanceler.
    O mesmo se passa em França. Os grandes motores da economia europeia estao gripados e quem paga e o povao.
    Mas nenhum desses trastes que nos desgoverna pensa em arrepiar caminho. Antes pensa em continuar a vender aos bovinos s ideia de que ou perdemos todos os direitos que temos ou aprendemos a falar russo.
    O problema e que os bovinos continuam a comprar em vez de os mandar ir ver se o mar da tubarão branco faminto.

    • Primeiro, as “sanções” à Rússia…
      Depois, as “apreensões” de bens, imóveis e contas russas…
      A seguir, as “exclusões” das selecções e equipas russas das competições europeias e internacionais, incluindo atletas em Olimpíadas…
      Agora, os “ataques na profundidade” do território russo…

      Por fim, o preço a pagar pelos europeus (e os portugueses especialmente) por toda esta panóplia de ilusões supremacistas para pategos e de lavagem cerebral e controlo de massas para lucro dos interesses e lóbis corporativos, maçónicos, “atlantistas” e “sionistas”…

      …e mesmo assim continuarão muitos a aplaudir e a incitar o “grande trabalho” dos “grandes líderes” ocidentais, com estes a devolver os encómios e as cerimónias de tipo “Festa do Pontal”, ou “Cimeira da Coligação de Vontades” (vai dar ao mesmo, é propagandístico e panfletário e sem quaisquer escrúpulos perante a desgraça alheia e a catástrofe descontrolada), com mais e mais medidas de austeridade, cortes, empobrecimento, repressão social e económica, acompanhadas das mesmíssimas promessas vãs e miríficas de amanhãs que cantam, imposições de derrotas estratégicas a “regimes iliberais” e soluções planimétricas de longo prazo, custeando as tão apregoadas guerras “custe o que custar, dur o que durar, morra quem morrer, definhe quem definhar”, do outro lado da Europa, muito longe da Península Ibérica, distante até mesmo dos países lusófonos trans-continentais, do outro lado do mundo…

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