Depois de 16 meses em cativeiro não sei o que Netanyahu esperava

(Agostinho Costa, 08/02/2025)


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O aspeto físico dos três reféns libertados esta manhã pelo Hamas choca Israel, mormente Netanyahu. O Major-general Agostinho Costa responde-lhe: “Depois de 16 meses em cativeiro não sei o que Netanyahu esperava”.

Além disso, o Major-general Agostinho Costa acredita que Benjamin Netanyahu “deve explicar aos três israelitas porque tiveram dez meses a mais do que aquilo que seria possível, face às circunstâncias em que se encontram”. “Netanyahu não tem moral nenhuma. O processo da sua libertação só não foi concluido mais cedo por teimosia de Israel”, acrescenta.

Ver aqui o vídeo da intervenção na CNN do Major-general Agostinho Costa.

Interferência americana na Europa? Sempre existiu

(António Gil, in Substack.com, 09/02/2025, Revisão da Estátua)

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Durante décadas, os burocratas europeus nunca se queixaram por os EUA interferirem nas eleições europeias, até gostavam e aplaudiam tais interferências. O caso mais recente, a anulação das eleições presidenciais na Roménia é só mais um numa longa lista de casos, embora seja um dos mais descarados.

Então por que razão a Europa se zanga agora com a investida de Musk no panorama político europeu, apoiando a AfD, o Partido da Reforma de Farage e previsivelmente, num futuro próximo, a Assembleia Nacional de Marine Le Pen? todos sabemos a resposta: desta vez os beneficiários dessa interferência não são os mesmos do costume.

O extremismo centrista, que dominou desde sempre o poder na Europa, também graças ao compadrio neoliberal americano não viu isto chegar apenas porque se recusou a ler o que está escrito na parede.

Macron, Scholz, Starmer, nenhum deles quis aceitar sequer a possibilidade da derrota do liberalismo, todos eles se afirmaram seguros que isso jamais aconteceria.

Na verdade, foram mais longe na recusa dessa probabilidade que se revelou de certa forma previsível: interferiram claramente na eleição americana lançando todo o seu peso na candidatura de Kamala Harris.

Fizeram-no de forma bastante aberta, aliás, nem tentaram escondê-lo. Starmer foi o que mais arriscou, enviando delegações de seu partido aos comícios da candidata agora derrotada. Macron e Scholz não fizeram isso mas certamente desqualificaram e insultaram Trump e o seu MAGA.

De resto a não eleita Comissão Europeia já tinha várias vezes tentado interferir nas eleições nacionais da própria Europa. Ursula disse, por ocasião das últimas presidenciais italianas, tentando impedir a vitória de Giórgia Meloni: nós temos ferramentas para impedir os Partidos Populistas de tomar o poder.

Bom, nesse caso as ferramentas falharam mas coagiram a actual presidente italiana a não desafiar em demasia a máquina burocrática Europeia. Portanto toda a gritaria sobre os EUA interferindo nas eleições europeias soa a hipócrita.

O que falta saber é até que ponto a nova administração americana vai interferir porque há diversas formas (e ferramentas, como Ursula o afirmou) de interferir, umas mais subtis, outras mais descaradas.

Até agora tudo se resumiu a alguns tweets de Musk mas as reacções a esse acto propagandístico de Musk têm sido tão descabeladas que a parada pode subir, do outro lado do Atlântico.

A recente criação do Escudo Digital Europeu, anunciada recentemente pela comissão Europeia, será vista por aquilo que é: uma medida pensada e executada contra a administração Trump.

A escalada pode começar a qualquer momento e envolver ameaças, retaliações económicas e talvez mesmo ajuda financeira aos adversários do liberalismo na Europa. Tudo coisas que já foram feitas no passado e com assinalável sucesso, só que a favor de quem agora se queixa de interferência.

Os receios dos neoliberais europeus fazem sentido: eles sabem bem a quem ficaram a dever os seus cargos e mordomias num passado recente. Mas ao baterem no peito e jurarem luta, talvez estejam apenas a atrair tudo o que dizem querer evitar.

Que parte do carácter retaliador de Trump é que eles e elas ainda não perceberam?

Fonte aqui.

Um naufrágio civilizacional

(Carlos Matos Gomes, in Medium.com, 08/02/2025)


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Duas notícias recentes com o fundo das primeiras ações do governo Trump. As notícia de que o partido de extrema-direita de Nigel Farage se encontra em primeiro lugar nas sondagens na Grã Bretanha, que a AfD, o partido de extrema direita surge em segundo lugar nas sondagens na Alemanha, que a extrema direita de Beloni é governo em Itália, que o RN, de Le Pen, está no topo das preferências dos franceses, que a extrema direita atrai largas maioria de votantes nos países mais desenvolvidos na Europa, na Holanda, na Áustria, na Hungria, na Polónia, em Espanha. Neste fim de semana esta girândola de organizações ditas “patriotas” reúne-se em Madrid para concertar estratégias, numa reunião organizada pelo VOX, dos herdeiros do franquismo.

Existem muitas explicações para esta ascensão dos movimentos que ressuscitam o nazismo e surgem crismados com várias designações, direita radical, populistas, nacionalistas, patriotas, que apresentam temas comuns como o mal da sociedade: imigração, segurança, corrupção, direitos de minorias que constituem a cartilha da doutrina neoliberal que teve o seu primeiro ato de vitória com o golpe dos Estados Unidos de 1973 no Chile contra o governo de Allende e tem como finalidade última a instauração de poder oligárquico hegemónico. Um mundo em que uma oligarquia constitua o centro do poder, no mínimo no que hoje passou a ser designado por Ocidente Global.

O neoliberalismo, que também surge designado como neoconservadorismo não tem nada de novo: é a ideologia determinante da História. É a ideologia da História do Ocidente, da luta dos poderosos contra os povos e da resistência destes contra o poder das oligarquias, da minoria dos “ungidos” que assumiram o poder que querem conservar a todo o custo e por todos os meios. Sendo que apenas variam os meios e não os objetivos: o poder.

Os neocons, norte americanos ou europeus, são tanto herdeiros dos nazis, como dos senhores de pendão e caldeira da Idade Média, dos usurários que organizaram o sistema financeiro desde o escudo português, ao peso espanhol, à libra e ao dólar. Os “patriotas” europeus e os neocons americanos, reunidos sob o rótulo de liberais, defendem a concentração de poder numa elite, com todos os direitos, e a colocação da maioria na posição dos seres na posição dos servos a idade média, como propriedade da minoria, com um programa de vida de trabalharem muito e em silêncio, e morrerem cedo.

As novas tecnologias da informação têm servido, como no antecedente as religiões serviram, para obter a “obediência voluntária” da maioria, os servos, daí a utilização por parte destes movimentos caracteristicamente nazis de bandeiras que pretendem impor e cavalgar o medo do outro, do diferente, da igualdade, de explorar o velho princípio de dividir para reinar. De, dado não ser possível calar as multidões, ensurdecê-los com notícias falsas ou manipuladas.

O conclave de Madrid, dos ditos patriotas europeus, do neoconservadorismo imposto como religião oficial do império, faz parte de uma história com final conhecido: um confronto violento, sem piedade. Já estamos a assistir aos seus mais recentes métodos na defesa de velhos princípios nas manifestações no genocídio de Gaza, com o negócio de terras e riquezas naturais que já é publicamente assumida ser uma das causas da guerra da Ucrânia, o desmantelamento dos serviços públicos nos Estados Unidos e do estado social na Europa.

Para estes velhos movimentos elitistas (há quem pretenda iludir as opiniões públicas designando-os por populistas) a promoção de guerras é a finalidade última das suas ações, o meio de conservarem o poder. Não por acaso, a NATO, que é a nata fardada destes movimentos, pretende impor o aumento das despesas em armamento à custa das despesas sociais. O “pensamento ocidental” foi capturado por esta ideologia, assumindo-a como parte de si e como única via para manter o statuo quo, optando pelo imobilismo. A União Europeia defende este tipo de poder e de mundo pese embora a embalagem de democracia e de respeito pela vontade dos europeus com que surge embrulhada da arena do parlamento europeu, ou na sede da Comissão. As crises do subprime de 2008, as decisões sobre Portugal e a Grécia com o envio de cobradores implacáveis, a crise do COVID revelaram a essência do poder da União, concentrado no sacrário do Banco Central Europeu. Perante a crise resultante da emergência de novos centros de poder, a União Europeia promove a concentração da riqueza e do domínio numa minoria e é essa comunhão de objetivos que leva os seus líderes a normalizar os movimentos nazis, num processo de inclusão que é visível desde logo na terminologia que lhes é aplicada e no tempo de antena que lhes é concedido. É essa comunhão que leva a União Europeia a apoiar regimes nazis como o Ucraniano e o de Israel, porque eles servem a finalidade de acusar quem se oponha de ser inimigo da “liberdade”.

Lutar contra os movimentos nazis, com qualquer rótulo que se apresentem, é uma questão de sobrevivência de uma sociedade tendencialmente justa e igualitária.

A normalização destas organizações nazis pelos grandes meios de comunicação de massas faz parte da estratégia de obter a predisposição das vítimas para serem dominadas. E existe uma vertigem das sociedades para seguirem estas falsas estrelas e correrem atrás dos seus tambores de guerra.

Os slogans MAGA, Make America Great Again, servilmente copiado pelos nazis reunidos em Madrid com a fórmula MEGA, são exemplos da falácia em que os seus promotores querem envolver os seus futuros servos. A grandeza da América e da Europa assentou na ocupação violenta de um território, no caso norte americano, e na exploração colonialista, no caso da Europa.

Os ressuscitados movimentos neonazis e neocons, os oligarcas que os promovem, estão a propor que os cidadãos norte americanos e europeus sejam os índios exterminados e os africanos explorados. É esta a nova ordem do mundo que propõem e que impõem através dos seus aparelhos de manipulação. Um naufrágio civilizacional.