É preciso avisar a malta

(Carlos Esperança, 17/01/2020)

Carlos Esperança

Um dia deparei com o José Manuel Tengarrinha na televisão e deixei-me ficar a ver um amigo a quem me unia uma forte e recíproca amizade e simpatia. Ele gostava do humor e sarcasmos com que eu mimoseava o clero e o regime, eu admirava-lhe a inteligência, a cultura e a coragem do resistente antifascista.

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Sabia das torturas, prisões e perseguições a que fora sujeito. Queria ouvir o que sabia e o que poderia revelar. Como interlocutor, pasme-se, tinha um ex-inspetor da Pide. Ao que se sujeitou o Zé Manel, debater com um torcionário a história do regime, a infâmia da ditadura, quarenta e oito anos de censura, prisões arbitrárias, torturas, assassinatos na via pública, massacres em Moçambique e S. Tomé, cárceres horrendos, guerra colonial, violações de correspondência, partido único e as tropelias de que o fascismo foi capaz.

Em determinado momento, o Pide, com ar de gozo, disparou-lhe que o tratamento não seria assim tão mau como ele, Tengarrinha, dizia, porque tinha um ótimo aspeto. Senti tal nojo do cinismo do algoz, para uma vítima, que mudei de canal. Não aguentei ouvir o que se passou, a partir daí, naquele frente-a-frente.

Agora, quando os ratos saem dos esgotos, os próceres do fascismo são homenageados e os filhos dos bufos reescrevem a história, denigrem vítimas, escarnecem o sacrifício dos resistentes e desafiam democratas, urge desmascarar essa canalha que irrompe nas redes sociais, órgãos de comunicação social e em todos os meios de propaganda onde germina a intriga, a mentira e o ódio à liberdade, servindo-se desta.

Urge impedir que os vermes infetem a democracia e organizem o regresso do fascismo, agora de forma legal, através de eleições, sem respeito pelos princípios básicos da frágil democracia liberal, a que esvaziam o conteúdo económico, social e político, para acabar no ataque aos direitos individuais, à democracia e aos direitos humanos.

Apostila – Alguns vêm a este mural com provocações, e há sempre quem, de boa fé, lhes alimente a conversa, escute as diatribes e trate como pessoas de bem. É perda de tempo.


Portugal – País disfuncional

(Carlos Esperança, 19/07/2019)

A Cavaca

Enquanto os cavalos da GNR servirem mais para abrilhantar procissões pias do que para transportar militares, os lugares de capelão forem mais fáceis de preencher do que os de médico e as Ordens profissionais, Fundações e IPSSs tão difíceis de escrutinar, não se espere um módico de sensatez nos pequenos e grandes feudos enquistados no País.

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Desde um sindicato de motoristas de camiões de matérias inflamáveis, que recorre a um advogado de percurso sinuoso e sem carta de ‘pesados’, para líder sindical, até à Ordem de uma bastonária que inventa e dirige um sindicato e se opõe ao exercício das funções de inspeção que cabem ao Governo, tudo é possível.

Tendo da ética a noção de que falsificar a assinatura da folha de ponto não é crime por – segundo ela – ser prática comum; conhecida a leveza com que lida com os dinheiros da OE para benefício próprio; verificadas a leviandade e a mentira com que afirmou que no SNS a eutanásia “já é de alguma forma praticada, com médicos que sugerem essa solução para alguns doentes”, mesmo sem exibir provas, não surpreende que a proteção partidária lhe garanta a impunidade em tantos e tais despautérios.

Podemos esperar do primata José António Saraiva, que se julgava fadado para o Nobel e debita inanidades no luminoso Sol, o coice da criatura contra quem for de esquerda, não se lembrando do pai, antes de perder as faculdades mentais e de ficar igual ao filho. Mas ler dessa irrelevância intelectual e ética que o legítimo direito exercido pela excelente deputada Mariana Mortágua, filha de Camilo Mortágua, torturado pela criminosa polícia do regime que Saraiva branqueia, que as suas inquirições, inteligentes e televisionadas, parecem o regresso aos tempos da PIDE, é mais do que um democrata pode suportar.

É também a atitude da azougada amiga do ora catedrático Passos Coelho, cujo exemplo a inspira, que, depois da obstrução à legítima sindicância à Ordem dos Enfermeiros e da desobediência ao cumprimento de uma ordem do Tribunal, sem ser presa, se permite o despautério de comparar uma sindicância ordenada por um governo com legitimidade democrática, às práticas do “Estado fascista italiano ou do Estado Novo português”, ao qual, certamente, respeitaria.

Fará ideia a criatura do que eram as torturas da Pide, os simulacros de julgamentos dos Tribunais Plenários, os presídios salazaristas, a fome, o analfabetismo, a emigração, a violação da correspondência ou o que foi a guerra colonial?

Terá esta analfabeta funcional noção da ofensa que faz a quem sofreu na pele a guerra, a emigração ou a prisão, do que era a demissão da função pública por razões políticas, da recusa de emprego a filhos de presos políticos nas empresas ou a vida das famílias dos exilados, presos e assassinados por um regime que o PSD de Passos Coelho e Cavaco se esforçou por branquear?

Se não fosse a minha educação chamava-lhe ‘filha de uma nota de 5 euros’. Desabafava.

A Pide já Funciona na “Justiça”

(Dieter Dellinger, in Facebook, 27/08/018)

PIDE1

Pelo que se lê no Correio da Manha de hoje, (ver aqui), há uma perseguição pidesca à juíza Fátima Galante e ao juiz Rangel por terem aceite o recurso que levantou há tempos o segredo de justiça interno do processo da “operação marquês”.

Carlos Alexandre e Rosário quiseram manter o segredo de justiça por uma razão muito simples: nada tinham de concreto contra o ex-PM Eng. Sócrates e não queriam que isso fosse revelado.

Na verdade, até hoje e depois de 9 meses de prisão e mais de seis anos de investigação, não há contra Sócrates nada tão concreto como foi o caso de corrupção/roubo de Paulo Portas que se locupletou de 30 milhões de euros na compra dos submarinos e que estavam destinados à aquisição de equipamentos especiais para que a manutenção dos submarinos fosse feita no Arsenal do Alfeite por trabalhadores e militares portugueses.

A Procuradora não quis investigar o roubo de 30 milhões e tem a lata de querer ser reconduzida no cargo por mais seis anos e, com isso, fez a PÁTRIA perder a multa de 144 milhões de euros que os tribunais alemães aplicaram à Ferrostal como indemnização a Portugal no caso de haver uma condenação de um corrupto em Portugal. O Estado está a comprar esse material quando podia estar cá de borla e com lucro de mais de 110 milhões se a Joana se tivesse incomodado com Paulo Portas.

Se Portas fosse condenado teria de devolver os 30 milhões aos quais se acrescentariam 144 milhões de multa a pagar pelos alemães. Os contribuintes portugueses perderam 204 milhões porque a senhora procuradora disse que não sabia alemão e o atual governo teve de gastar adicionalmente 30 milhões para manter a operacionalidade dos submarinos a partir de revisões feitas no Alfeite.

As 27 ou 28 acusações contra Sócrates não têm substância porque são deduções, presunções e ideias aparentemente lógicas, mas sem fundamento no universo da prova concreta.

Há a ideia que o que é de outros é do Eng. J. Sócrates. Pode ser, mas também pode não ser e até pode ser uma parte e nunca o todo ou nada. Pode ser tudo o que um acusador pouco sério e consciencioso queira que seja, mas não é nada para ser condenado em tribunal, a não ser que um coletivo de juízes seja pressionado pela Pide que funciona no seio da magistratura contra tudo e todos que sejam de esquerda ou simplesmente magistrados sérios e imparciais.

A casa de Paris pode ser de Sócrates, mas na Conservatória francesa está lá outro nome e não há nenhum processo em Paris por falsificação de documentos e assim sucessivamente.

Sócrates – diz o Correio da Manha – terá inaugurado há anos um hotel na Venezuela, eventualmente construído com projeto e direção de uma empresa portuguesa. E depois? Significa o quê para os pidescos da magistratura?

Nota: Em termos jurídicos, o facebook não existe, pelo que tudo o que aqui é escrito não pode ser considerado difamação, dado ser equivalente a correspondência pessoal de uma pessoa para AMIGOS e GRUPOS DE AMIGOS. Não há qualquer legislação nacional que diga respeito ao facebook e os magistrados têm os seus faces e não deixam entrar estranhos porque os seus serviços pidescos são mais aperfeiçoados. Aqui não há disso e pode haver falsos amigos, mas isso não torna o facebook em algo juridicamente existente.