RTP-1 – José Rodrigues dos Santos (JRS) abaixo de cão

(Carlos Esperança, in Facebook, 25/03/2025)


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Sei que JRS se julga ungido para impunemente promover os seus livros e as suas ideias sem que lhe lembrem a imparcialidade a que o canal público o obriga.

Podia recordar as suas atitudes impróprias em que há muito reincide, mas nunca, como ontem, no telejornal das 20H00, o tinha visto violar tão grosseiramente o estatuto de jornalista e degradado tanto a ética e a correção, como o fez ao entrevistar o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo.

Convidado, como os outros líderes partidários, a propósito das eleições legislativas que se avizinham, JRS interrogou-o sobre a decisão de os deputados do PCP não aplaudirem os deputados ucranianos recentemente ovacionados na AR pelos das outras bancadas.

Irascível, pela conduta que JRS considerou imprópria, debateu com Paulo Raimundo a censura que estava subjacente ao exigir-lhe que o PCP aceitasse que era sua obrigação defender o envio de armas para a Ucrânia na guerra contra a Rússia.

E não mais o largou ou mudou de tema até lhe agradecer a presença na RTP, para ele provar a Paulo Raimundo e ao PCP que quem tem razão é ele, José R. Santos.

E, perante a surpresa de Paulo Raimundo, se a entrevista era só aquilo, respondeu que já tinham passado os 10 minutos.

Se ninguém se indignar, se a RTP não apresentar desculpas ao PCP e ao seu secretário-geral, Paulo Raimundo, é a democracia que já se combate no canal público.

Deixo aqui a minha solidariedade ao PCP, aos seus militantes e simpatizantes e o meu repúdio pela vergonhosa conduta do agente provocador da extrema-direita que arrastou ontem para a lama o canal público.

Um social-democrata à moda antiga

(Ricardo Paes Mamede, in Facebook, 07/03/2021)


(Não sei porque carga de água o Facebook colocou-me ontem no feed este artigo do Ricardo Paes Mamede de 2021. Msitérios da Inteligência Artificial. Mas não é que o texto está mais que atual, talvez até, hoje, ainda mais pertinente e atual que em 2021?!

Por isso resolvi publicá-lo, com a quase certeza de que muitos dos leitores da Estátua se identificam com este testemunho.

Estátua de Sal, 26/02/2025)


Não falha. Sempre que elogio em público o PCP ou anuncio o meu voto naquele partido, há sempre quem diga que sou um comunista disfarçado.

Para quem o diz, o facto de insistir em afirmar-me como social-democrata tem duas explicações possíveis: ou quero passar a mensagem dos comunistas de forma encapotada, para a tornar mais aceitável (ou seja, sou um dissimulado); ou tenho receio de me afirmar comunista, porque seria menos aceite nos meios sociais em que circulo e penalizado por isso (ou seja, sou um oportunista).

Qualquer uma das explicações, a ser verdade, daria de mim a imagem de alguém que nunca acerta no alvo. É que, como dissimulado, sou muito pouco discreto nas posições que assumo. Como oportunista, não ganho muito: os que são menos de esquerda desconfiam das minhas posições; os que se têm como revolucionários desconfiam sempre das minhas intenções.

Uma outra explicação possível é que sou mesmo social-democrata (numa acepção em desuso, é certo) e que faço questão de o afirmar. Sou crítico do capitalismo, pelos seus efeitos nas desigualdades sociais, na instabilidade económica e na desumanização dos indivíduos. Desconfio do efeito das relações de mercado em muitos domínios das interações humanas. Olho para as relações de trabalho e para as relações entre países como sendo fortemente assimétricas, e vejo essas assimetrias como um problema para a Humanidade.

Acredito na boa vontade de muitos, mas também que isso não chega para combater a exploração e o imperialismo – as injustiças e as desigualdades não poderão ser contidas sem a organização, a mobilização e a luta coletiva dos trabalhadores e dos povos.

Em Portugal, estas ideias, e algum deste vocabulário, são associadas aos partidos revolucionários de esquerda. No entanto, em muitos outros países, até aos anos 70, muitos dirigentes de partidos sociais-democratas (por vezes intitulados trabalhistas ou socialistas) não hesitariam em subscrever tudo aquilo. Hoje já é raro, mas não impossível.

O facto de não ser comunista tem pouco a ver com os crimes do estalinismo, com a falta de liberdade nos países do chamado socialismo real ou com as posições do PCP sobre a Coreia do Norte. Conheço comunistas de sobra – dentro e fora do PCP – que também não se reveem em nada disto (na verdade, as posições do PCP sobre estas matérias não correspondem às caricaturas que delas se fazem – ainda que muitas vezes se prestem a isso).

Há outras coisas que me afastam do comunismo. Não vislumbro relações humanas onde a exploração e a opressão estejam ausentes. Se me dedicasse a imaginar um mundo ideal (não é o caso), não vejo razões para a inexistência de propriedade privada dos meios de produção, nem do trabalho assalariado, como princípio. Acredito que é possível construir um mundo mais decente – ainda que longe de qualquer ideal – mesmo não tendo em perspetiva uma transformação revolucionária. Salvo alguns casos peculiares, os comunistas que conheço veriam isto como uma desqualificação para qualquer pessoa que se afirmasse como comunista. E com razão.

A questão é que o social-democrata que sou não encontra no PS (o partido oficial da social-democracia em Portugal), muito menos no PSD (que usurpou o nome da ideologia em causa) um espaço político com que se identifique. Na prática, como tenho dito várias vezes, um social-democrata à moda antiga em Portugal encontra-se mais vezes em sintonia com o PCP e com o BE, do que com o PS ou o PSD.

Sei que este texto não vai evitar que me chamem dissimulado ou oportunista (ou ambos). Não é coisa que me tire o sono. Mas pode ser que não tenha de repetir o discurso tantas vezes.

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Censurados os percevejos

(Por José Gabriel, in Facebook, 24/11/2024)

(Esta publicação é igual à anterior só muda o título. Razão: ver se consigo ultrapassar a censura do Facebook, que me remove sempre a anterior quando lá a publico! Viva a liberdade de expressão!

Estátua de Sal, 25/11/2024


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Os bichos antropoides mais bizarros que aparecem nas televisões a falar no 25 de Novembro, deixam-nos perplexos. Por exemplo, Paulo Núncio, do CDS, um daqueles saudosos de um fascismo que não viveram, é, para espanto dos povos, deputado. Não se percebe bem com que competências, mas uma das vantagens da democracia é que os idiotas não são nomeados pelos ditadores, são eleitos. E, por espantoso que possa parecer, Paulo Núncio foi eleito.

Agora, é vê-lo no Parlamento a asneirar e na televisão a “analisar”. Hoje, na RTP3, meteu nojo incontinentemente. tendo como vítima e interlocutor – à distância – o Manuel Loff que, por estas e por outras, parece candidatar-se à canonização – que paciência de santo, Manuel! Às tantas, as bocas parvas do Núncio, interrompendo, obrigaram o seu interlocutor ao ultimato que eu gostaria de ver mais vezes na televisão: ou a criatura se calava, ou ele, Loff, abandonava aquele eufemisticamente chamado debate (ver a referida emissão televisiva aqui a partir do minuto 17).

A dada altura, da boca suja do Paulo Núncio, saiu a alegação de um testemunho inacreditável, prova da indigência rasteira do orador: alegou, como argumento, uma conversa com Zita Seabra! Segundo ele diz que ela lhe disse, a União dos Estudantes Comunistas estaria, de armas alerta, preparada para o tal “levantamento” da esquerda que só existe na cabeça de crápulas como este e nos anjinhos que nele acreditam – parece que o Núncio ainda não recuperou do fracasso do programa da direita para o 25 de Novembro, que era a ilegalização do PCP.

 Já agora, contribuindo para a limpeza mental de quem acredita em parvoíces e canalhices que tais, devo dizer que eu próprio era dirigente da UEC nessa altura – no organismo de direção coordenado pela própria Zita, ainda intelectualmente funcional, antes da senhora de Fátima se lhe revelar – e nada disso se passou. Quer dizer, é uma mentira pura e dura. Ou a Zita mentiu ao papalvo do Núncio, ou o Núncio mentiu a todos ao alegar tal intimidade com a ex-ex-ex-comunista.

Seja como for, note-se este esforço que a direta tem feito por estes dias para que a “comemoração” – ou lá o que é aquilo -, com a qual pretendem convencer-nos que também queriam a democracia, surta efeito na mente dos ingénuos – e há muitos.

Tanto, que até elegeram, a dado passo, como presidente do seu partido, o ex-favorito da extremíssima direita para a sucessão de Salazar, pessoa de mui grande saber jurídico e poucos escrúpulos já que, quando foi ministro do fascismo, mandou reabrir o campo da morte do Tarrafal.

O mais abjeto de tudo isto, é ver e ouvir esta canalhada a dar lições de democracia a quem lutou por ela pagando por isso, por vezes, o supremo preço. É sempre isto. E é triste. De que nos serve ter vencido leões, se somos devorados por percevejos?