(Por José Gabriel, in Facebook, 24/11/2024)

(Esta publicação é igual à anterior só muda o título. Razão: ver se consigo ultrapassar a censura do Facebook, que me remove sempre a anterior quando lá a publico! Viva a liberdade de expressão!
Estátua de Sal, 25/11/2024
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Os bichos antropoides mais bizarros que aparecem nas televisões a falar no 25 de Novembro, deixam-nos perplexos. Por exemplo, Paulo Núncio, do CDS, um daqueles saudosos de um fascismo que não viveram, é, para espanto dos povos, deputado. Não se percebe bem com que competências, mas uma das vantagens da democracia é que os idiotas não são nomeados pelos ditadores, são eleitos. E, por espantoso que possa parecer, Paulo Núncio foi eleito.
Agora, é vê-lo no Parlamento a asneirar e na televisão a “analisar”. Hoje, na RTP3, meteu nojo incontinentemente. tendo como vítima e interlocutor – à distância – o Manuel Loff que, por estas e por outras, parece candidatar-se à canonização – que paciência de santo, Manuel! Às tantas, as bocas parvas do Núncio, interrompendo, obrigaram o seu interlocutor ao ultimato que eu gostaria de ver mais vezes na televisão: ou a criatura se calava, ou ele, Loff, abandonava aquele eufemisticamente chamado debate (ver a referida emissão televisiva aqui a partir do minuto 17).
A dada altura, da boca suja do Paulo Núncio, saiu a alegação de um testemunho inacreditável, prova da indigência rasteira do orador: alegou, como argumento, uma conversa com Zita Seabra! Segundo ele diz que ela lhe disse, a União dos Estudantes Comunistas estaria, de armas alerta, preparada para o tal “levantamento” da esquerda que só existe na cabeça de crápulas como este e nos anjinhos que nele acreditam – parece que o Núncio ainda não recuperou do fracasso do programa da direita para o 25 de Novembro, que era a ilegalização do PCP.
Já agora, contribuindo para a limpeza mental de quem acredita em parvoíces e canalhices que tais, devo dizer que eu próprio era dirigente da UEC nessa altura – no organismo de direção coordenado pela própria Zita, ainda intelectualmente funcional, antes da senhora de Fátima se lhe revelar – e nada disso se passou. Quer dizer, é uma mentira pura e dura. Ou a Zita mentiu ao papalvo do Núncio, ou o Núncio mentiu a todos ao alegar tal intimidade com a ex-ex-ex-comunista.
Seja como for, note-se este esforço que a direta tem feito por estes dias para que a “comemoração” – ou lá o que é aquilo -, com a qual pretendem convencer-nos que também queriam a democracia, surta efeito na mente dos ingénuos – e há muitos.
Tanto, que até elegeram, a dado passo, como presidente do seu partido, o ex-favorito da extremíssima direita para a sucessão de Salazar, pessoa de mui grande saber jurídico e poucos escrúpulos já que, quando foi ministro do fascismo, mandou reabrir o campo da morte do Tarrafal.
O mais abjeto de tudo isto, é ver e ouvir esta canalhada a dar lições de democracia a quem lutou por ela pagando por isso, por vezes, o supremo preço. É sempre isto. E é triste. De que nos serve ter vencido leões, se somos devorados por percevejos?
Eu costumo sempre dizer que um dia que começar a ver luzes em qualquer partido de direita ou justificador de nazis tipo Bloco de Esquerda podem me cortar o pescoço que eu deixo escrito que fui eu que dei ordem.
Mas eu não tenho outras ambições a não ser viver do meu trabalho o que nalgumas democracias liberais talvez ja fosse problematico pois que as opinioes que aqui defendo tambem as defendo na rua e onde calhar.
Mas a Zita também escusava de fazer essas figuras como começar a ver luzes na Nossa Senhora de Fátima. Não era preciso chegar a tanto mas ela la sabe as linhas com que se teve de cozer para conseguir viver bem sem ter de vergar a mola.
Ainda vi também o excerto indicado onde o Loff, enquanto Historiador, e usando linguagem e argumwntos lógicos, fez picadinho da demagogia política e sectária do abreNúncio, que além da propaganda beata de alguém que representa um partido que votou contra a Constituição de 1976, pretendendo dar lições de boa conduta democrática, tentou interromper e perturbar amiúde o historiador que não estava presente no estúdio.
E a parvinha da pivot a dada altura ainda lhe deu permissão para isso, chamando-lhe troca de argumentos, quando o Loff falava já com bastante menos tempo de antena, como a própria reconheceu pouco antes, apesar de ter permitido essa desigualdade, e sem nunca interromper o abreNúncio, autoproclamado defensor da democracia europeia e liberal (mais um que recorre à mítica Zita Seabra para justificar as bacoradas que diz, ela põe-se a jeito mas também tem as costas largas).
“O meu amigo Carlucci não e da CIA” garantia indignado o lorpa que muitos ainda incensam como “o pai da democracia” em Portugal.
Quando o homem foi agraciado no seu país pelos seus serviços como elemento de alto nível da sinistra agencia norte americana como bom cara de lata sem vergonha no focinho portou se como se nada fosse com ele e também ninguém teve coragem de o confrontar com essas declarações.
Um pai da democracia que em 2013, certamente com o filtro já perdido pela senilidade garantiu que se “os comunistas tomassem a comuna de Lisboa nos bombardear íamos Lisboa”. Não sei o que e que o lorpa entendia pela “comuna de Lisboa”.
Mais uma vez declarações gravíssimas que passaram como se nada fosse.
Mas efectivamente não valia a pena confrontar um velho já podre com as suas declarações homicidas. Valeu a pena para confirmar tudo o que já sabíamos sobre a sinistra criatura.
Em resumo, tivessem os fautores do 25 de Novembro vencido em toda a linha e tivessem piores fígados e talvez tivéssemos este pai da democracia arvorado em Pinochet dando a cara desta vez por fuzilamentos de esquerdistas as claras e talvez cadáveres fossem vistos a ser levadas pelo Tejo tal como nas fotos que correram mundo de cadáveres arrastados pelas águas do Rio Mapocho, em Santiago do Chile, que correram mundo.
Esta gente não hesitaria em matar porque foi sempre apostar na morte em massa que norteou a ação da CIA em todo o lado.
Foi com base em listas de morte fornecidas pela CIA que na Indonesia as tropas de Suharto mataram tudo quanto foi gente identificada como comunista.
Talvez o nosso pai da democracia se tivesse tornado pai sim de uma ditadura pior que a de Franco, para quem matar era a primeira opção se as coisas tivessem corrido de outro modo.
Por isso o que estes lorpas comemoraram ontem foi uma coisa que poderia ter feito o sangue correr pelas ruas de Lisboa pois que gente com mau fígado suficiente para o fazer tínhamos mesmo entre gente que continuamos a dizer que era de esquerda e pai da democracia.
Nunca essa gente quis saber de democracia para nada a não ser para se servir dela para restituir o poder aos donos disto tudo.
Mas se o povao não quisesse beber o xarope uma ditadura a chilena também se poderia arranjar pois que os grandes defensores da liberdade e da democracia que são os Estados Unidos não deixariam de apoiar tal solução para a tendência desses povos latinos de querer ser comunistas.
Nunca pensaram foi em combater o comunismo reduzindo um pouco o garrote da miséria e da desigualdade.
Mas se assim fosse os seus lucros desceriam e isso não podia ser.
Já bastava o termos perdido as colónias onde se faziam tão bons negócios.
Quanto a quem ontem comemorou vao ver se o mar da choco.
Se passáramos de uma ditadura a uma democracia, esta só faria sentido, em contraposição àquela, de poder de um só homem, se o poder por todos passasse a ser partilhado ou, por outras palavras, a ter natureza popular.
Qual quê, se Salazar tinha o povo como ignorante, justificando, assim, a sua tutela sobre ele, o povo ignorante não teria deixado de ser, continuando, pois, a precisar de ser tutelado, ainda que agora por parte de uma novel «elite» dita democrata.
Vai daí, tal «elite», convenientemente trabalhada por uma CIA e outras agências tais, aproveitou-se de uma simples ocupação de bases por paraquedistas reivindicando o afastamento de um general que tinham como não merecendo ser simples cabo, para dar um golpe no poder popular e passarem a amanhar-se na sua, que não de todos, democracia! Eis a história do 25 de Novembro simplificada!
Obrigado José Gabriel, Manuel Loff e Estátua de Sal.
Brilhante. Subscrevo.