Então deixei de lutar contra o rótulo de putinista!

(António Gil, in Facebook, 26/03/2025, Revisão da Estátua)


(Estou a 100% com o autor do texto até porque, a Estátua, também é frequentemente mimoseada com o epíteto de putinista, havendo mesmo uns descerebrados que dizem que somos financiados pelo Kremelin! Sabem que mais? Eu, como nunca vi “nenhum”, só me resta responder a tais alucinados: “Antes fosse verdade”! 🙂

Estátua de Sal, 27/03/2025)


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Entendo bem a indignação dos comunistas pela forma ignóbil como José Rodrigues dos Santos conduziu a entrevista com Paulo Raimundo e acho que é bom darem sinal de tal ultraje (porque tudo aquilo foi um ataque raivoso totalmente descabido).

Lembrei-me de um tempo em que escrevi aqui que de nada serviria ao PCP querer demarcar-se de Putin – lembrando que ele não era comunista – e apontar as inúmeras ignomínias das administrações americanas e dos seus aliados europeus: o golpe de Maidan à cabeça e tudo o que se seguiu, o massacre de Odessa, o bombardeamento do Donbass, etc, etc, etc.

Muitos anos ‘virando frangos’ nisto de analisar os factos e opinar, levaram-me a esta conclusão: nenhuma crítica a Putin amenizará a sede de sangue dos globalistas/imperialistas do Ocidente: eles até podem aproveitar excertos de discursos ou entrevistas criticando o líder russo para os seus próprios fins (algo do tipo: estão a ver, estão a ver? ATÉ os comunistas criticam Putin.

Porém, na hora da verdade, acabam-se as gentilezas e voltam a fazer equivaler Putin aos comunistas (até porque ele foi agente do KGB, lembram-se?) Pouco importa se ele era lá apenas pouco mais que um propagandista tentando seduzir jovens alemães para a causa – foi isso que ele fazia; ele não era espião; tentava recrutar agentes, não necessariamente espiões; seduzir agentes culturais estava mais no âmbito de sua missão e ele até teve algum sucesso a fazer isso.

Voltando à vaca fria, mesmo antes da guerra na Ucrânia, mesmo antes do golpe de Maidan, este vosso amigo (eu) foi zurzido inúmeras vezes com epíteto de putinista apenas por expressar compreensão diante de certas preocupações de Putin para com a expansão da NATO para Leste. Nessa altura, percebi que não importaria que, de vez em quando, criticasse Putin – fi-lo algumas vezes: no caso Kursk o submarino, a forma como geriu o ataque terrorista de Beslan, o bombardeamento impiedoso de Grozni, Tchetchénia.

Isso não impediu essa gentalha de me chamar putinista, acham? Também me chamaram fascista os que sabem bem que estive em marchas antifascistas, apenas porque me opus à falsa pandemia e às falsas vacinas, que querem? À falta de argumentos as pessoas rotulam.

Para a maioria dos nossos desgraçados concidadãos, o mundo é a preto e branco, há os bons e os maus, sendo os bons aqueles que fazem o que eles acham que deve ser feito e os maus todos os que não concordam com eles.

Então deixei de lutar contra o rótulo de putinista! Para quê? Prefiro agora dizer: Sim, tão putinista que hei de ir atrás de ti e, se os serviços secretos russos me ajudarem nisso, tanto melhor. Isto é uma falácia, claro; mas se é nesse campo que me querem os idiotas, não vou perder mais tempo com subterfúgios nem tentar provar que não sou putinista, prefiro assustá-los!

Como dizia alguém: agora prefiro ter mau hálito do que não ter hálito nenhum. E, enquanto Paulo Raimundo – ou qualquer outro comunista – estiver na defensiva relativamente a este assunto, está a colocar-se a jeito para aquele tipo de ataque.

Eu dir-lhe-ia – ao Orelhas: “Sim, estou absolutamente CONTRA a Ucrânia e seus amos, que nenhuma dúvida reste sobre isso“. E se ele me chateasse muito iria mais longe e diria:

“Ó Zezinho, de que te serve teres umas orelhas tão grandes se não ouves nada do que te é dito? Olha, sabes o que eu gosto no Putin? É que ele te ia ensinar a ouvir – para variar – depois de ter falado cinco minutos contigo. E, se não ouvisses mesmo assim, ficavas sem esses teus inúteis apêndices laterais – as orelhas”.

Há gente que não merece outro tipo de respostas!

RTP-1 – José Rodrigues dos Santos (JRS) abaixo de cão

(Carlos Esperança, in Facebook, 25/03/2025)


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Sei que JRS se julga ungido para impunemente promover os seus livros e as suas ideias sem que lhe lembrem a imparcialidade a que o canal público o obriga.

Podia recordar as suas atitudes impróprias em que há muito reincide, mas nunca, como ontem, no telejornal das 20H00, o tinha visto violar tão grosseiramente o estatuto de jornalista e degradado tanto a ética e a correção, como o fez ao entrevistar o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo.

Convidado, como os outros líderes partidários, a propósito das eleições legislativas que se avizinham, JRS interrogou-o sobre a decisão de os deputados do PCP não aplaudirem os deputados ucranianos recentemente ovacionados na AR pelos das outras bancadas.

Irascível, pela conduta que JRS considerou imprópria, debateu com Paulo Raimundo a censura que estava subjacente ao exigir-lhe que o PCP aceitasse que era sua obrigação defender o envio de armas para a Ucrânia na guerra contra a Rússia.

E não mais o largou ou mudou de tema até lhe agradecer a presença na RTP, para ele provar a Paulo Raimundo e ao PCP que quem tem razão é ele, José R. Santos.

E, perante a surpresa de Paulo Raimundo, se a entrevista era só aquilo, respondeu que já tinham passado os 10 minutos.

Se ninguém se indignar, se a RTP não apresentar desculpas ao PCP e ao seu secretário-geral, Paulo Raimundo, é a democracia que já se combate no canal público.

Deixo aqui a minha solidariedade ao PCP, aos seus militantes e simpatizantes e o meu repúdio pela vergonhosa conduta do agente provocador da extrema-direita que arrastou ontem para a lama o canal público.

Um social-democrata à moda antiga

(Ricardo Paes Mamede, in Facebook, 07/03/2021)


(Não sei porque carga de água o Facebook colocou-me ontem no feed este artigo do Ricardo Paes Mamede de 2021. Msitérios da Inteligência Artificial. Mas não é que o texto está mais que atual, talvez até, hoje, ainda mais pertinente e atual que em 2021?!

Por isso resolvi publicá-lo, com a quase certeza de que muitos dos leitores da Estátua se identificam com este testemunho.

Estátua de Sal, 26/02/2025)


Não falha. Sempre que elogio em público o PCP ou anuncio o meu voto naquele partido, há sempre quem diga que sou um comunista disfarçado.

Para quem o diz, o facto de insistir em afirmar-me como social-democrata tem duas explicações possíveis: ou quero passar a mensagem dos comunistas de forma encapotada, para a tornar mais aceitável (ou seja, sou um dissimulado); ou tenho receio de me afirmar comunista, porque seria menos aceite nos meios sociais em que circulo e penalizado por isso (ou seja, sou um oportunista).

Qualquer uma das explicações, a ser verdade, daria de mim a imagem de alguém que nunca acerta no alvo. É que, como dissimulado, sou muito pouco discreto nas posições que assumo. Como oportunista, não ganho muito: os que são menos de esquerda desconfiam das minhas posições; os que se têm como revolucionários desconfiam sempre das minhas intenções.

Uma outra explicação possível é que sou mesmo social-democrata (numa acepção em desuso, é certo) e que faço questão de o afirmar. Sou crítico do capitalismo, pelos seus efeitos nas desigualdades sociais, na instabilidade económica e na desumanização dos indivíduos. Desconfio do efeito das relações de mercado em muitos domínios das interações humanas. Olho para as relações de trabalho e para as relações entre países como sendo fortemente assimétricas, e vejo essas assimetrias como um problema para a Humanidade.

Acredito na boa vontade de muitos, mas também que isso não chega para combater a exploração e o imperialismo – as injustiças e as desigualdades não poderão ser contidas sem a organização, a mobilização e a luta coletiva dos trabalhadores e dos povos.

Em Portugal, estas ideias, e algum deste vocabulário, são associadas aos partidos revolucionários de esquerda. No entanto, em muitos outros países, até aos anos 70, muitos dirigentes de partidos sociais-democratas (por vezes intitulados trabalhistas ou socialistas) não hesitariam em subscrever tudo aquilo. Hoje já é raro, mas não impossível.

O facto de não ser comunista tem pouco a ver com os crimes do estalinismo, com a falta de liberdade nos países do chamado socialismo real ou com as posições do PCP sobre a Coreia do Norte. Conheço comunistas de sobra – dentro e fora do PCP – que também não se reveem em nada disto (na verdade, as posições do PCP sobre estas matérias não correspondem às caricaturas que delas se fazem – ainda que muitas vezes se prestem a isso).

Há outras coisas que me afastam do comunismo. Não vislumbro relações humanas onde a exploração e a opressão estejam ausentes. Se me dedicasse a imaginar um mundo ideal (não é o caso), não vejo razões para a inexistência de propriedade privada dos meios de produção, nem do trabalho assalariado, como princípio. Acredito que é possível construir um mundo mais decente – ainda que longe de qualquer ideal – mesmo não tendo em perspetiva uma transformação revolucionária. Salvo alguns casos peculiares, os comunistas que conheço veriam isto como uma desqualificação para qualquer pessoa que se afirmasse como comunista. E com razão.

A questão é que o social-democrata que sou não encontra no PS (o partido oficial da social-democracia em Portugal), muito menos no PSD (que usurpou o nome da ideologia em causa) um espaço político com que se identifique. Na prática, como tenho dito várias vezes, um social-democrata à moda antiga em Portugal encontra-se mais vezes em sintonia com o PCP e com o BE, do que com o PS ou o PSD.

Sei que este texto não vai evitar que me chamem dissimulado ou oportunista (ou ambos). Não é coisa que me tire o sono. Mas pode ser que não tenha de repetir o discurso tantas vezes.

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