BOM ANO Sr.Dr., BOM ANO!

(Por Joaquim Vassalo Abreu, 27/12/2016)

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Antes de mais convêm, e desde já, clarificar duas coisas: A primeira é o tratamento e a segunda é o “BOM ANO”! Quanto à primeira, tal como uma vez o Pacheco Pereira, cuja dúvida sua eu também manifestei quando há uns anos ao Seguro escrevi, ainda ele era aquele responsável chefe da oposição, eu também hesitei em como lhe chamar. Por “Tu” “Companheiro” também porque não o sou, a não ser desta terráquea vida; por “Camarada” muito menos, pois nem de armas fomos, de modo que resta o quê? Por chefe da oposição chama-o o Costa e Dr. chamo eu a quem conheço, portanto, dadas as suas qualificações e estatuto eu, muito portuguesmente, vou trata-lo por Sr. Dr. Está bem assim? Quanto à segunda, ao “BOM ANO”, se reparar o título tem-no em duplicado. Perguntar-me-á: porque será? Simples Sr. Sr., simples: Não é um desejo a dobrar, pois isso seria excessivo. O primeiro é uma afirmação, assim como quem diz: Foi um bom ano, não foi? E, como a seguir, se tiver paciência para me ler vai descortinar, o segundo, pronto concedo, é um desejo, não só fruto da minha boa educação, mas também como na continuação deste que se acaba, um desejo para que continue assim. Assim, sendo o “Seguro” da Geringonça, percebe? Que muito a si deve. Aliás, quase tudo a si deve. Surpreendido? Vamos começar pelo fim: Pelo Défice. Como seria possível este Governo alcançar o desiderato de não o deixar acima dos 3%, nem nos 2,7 prometidos e nem dos 2,5 acordados com Bruxelas, se não fosse a sua resiliência, mais a da sua musa Marilu, em sustentar a sua impossibilidade? Se não o tivesse feito nem o Governo teria aquelas ganas que teve em contradizê-lo, nem teria mesmo como ultrapassar a meta. O Sr. Dr. foi o seu estimulante, já reparou? Não foi nada aquela “esquerda radical”, foi o Sr. Dr. Já reparou, repito? Lembra-se, lembra-se de certeza pois ela foi ensaiada, daquela rábula, pois só pode ser rábula, a daquela memorável entrevista do Gomes Ferreira à sua musa quando esta repetidamente atestou da sua impossibilidade, assim como, mal comparando, um ateu nega a existência de Deus? Mas que outra razão terá havido se não a desta maioria cismar em contradizê-lo, mais à sua musa? É para isso que serve uma oposição responsável Sr. Dr., é para isso…Outro exemplo: Como poderia este Governo repor Feriados se o Sr. Dr. em boa hora não os tivesse cortado? Como poderia teimar em aumentar Pensões, uma côdea nós sabemos, se o Sr. Dr. não tivesse jurado que ia cortar 600 milhões? Tudo para o contradizer, tudo para o incentivar a cumprir a sua missão de oposição responsável. O que o Sr. Dr., na senda do Seguro, tem feiro na perfeição. Eu sei que ao outro eu quis mandá-lo para Marte e ele ficou-se por Alcobaça, ou lá onde é, mas ao Sr. Dr. eu rezo para continue e continue com essa clarividência que tem demonstrado. E não se deixe enganar pela Cristas pois ela, andando atrás de si como numa roda, pode inverter a marcha e esbarrar-se consigo. Não deixe! Eu até que poderia acrescentar aqui mais mil e um exemplos, mas, como o Sr. Dr. já bem compreendeu, e os leitores também, seria exaustivo e redundante para o meu raciocínio, de modo que vou terminar unicamente com o exemplo do Diabo! Repare no exemplo da Igreja Católica: passou séculos a falar no Diabo, e das profundezas dos infernos, até que o Papa Francisco o abjurou. Como poderia o Papa Francisco tê-lo abjurado se com ele a Igreja não tivesse passado uma vida a ameaçar os crentes?

De igual modo, como poderia ter o Costa afirmado que, afinal, o Diabo existe é o diabo, se o Sr. Dr., mais a sua musa Marilu, não tivessem andado tempos e mais tempos a clamar por ele? Continue Sr. Dr., continue e obrigado por nos fazer ver as coisas…Neste caso, e por acaso, até o seu contrário…

Fonte: BOM ANO Sr.Dr., BOM ANO! | À Esquerda do Zero

Um ano depois, olha que dois!

(Nicolau Santos, in Expresso Diário, 26/12/2016)

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Cerca de um ano depois do Governo ter entrado em funções e de o Presidente da República ter sido eleito, o facto mais marcante do ponto de vista político em 2016 foi a cooperação, chame-se estratégica ou não, de Marcelo Rebelo de Sousa com António Costa. Acontece seguramente por serem quem são, por estarem há muitos anos na política, mas acontece também por um conjunto de circunstâncias únicas do xadrez político nacional.

Há dois eventos relevantes para perceber como se chegou até aqui. O primeiro é o facto do PSD ter ganho as eleições de 4 de outubro de 2015 sem maioria absoluta, mesmo juntando-se ao CDS, e o Partido Socialista, ao contrário do quadro mental que estava criado, não ter dado o seu suporte, através de abstenções nos diplomas mais importantes (nomeadamente os Orçamentos do Estado) a uma solução governativa que daí resultasse. Pelo contrário, António Costa não só chumbou um novo Governo PSD/CDS, como apresentou ao então Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, uma solução governativa que dispunha de apoio maioritário na Assembleia da República. E mesmo a contragosto, Cavaco teve de aceitar.

Imaginemos, por um minuto, que não tinha havido eleições antecipadas para a liderança do PS e que António José Seguro continuava a ser o líder dos socialistas aquando das eleições de 4 de outubro. Como é óbvio, se o resultado das eleições tivesse sido o mesmo (PSD vencedor mas sem conseguir maioria absoluta no Parlamento com o CDS), Seguro nunca tiraria da cartola um Governo do PS, apoiado pelo Bloco e pelo PCP.

Segundo facto relevante: quando começou a escolha dos candidatos à Presidência por parte do PSD, o líder dos sociais-democratas, Pedro Passos Coelho, não deu sinais claros de quem preferia, mas deu sinais muito explícitos de quem excluía: uma pessoa que fosse um cata-vento, dizendo hoje uma coisa nas televisões e amanhã outra. O chapéu enfiava direitinho na cabeça de Marcelo Rebelo de Sousa e este seguramente que não se esqueceu, nem do chapéu, nem de quem o desenhou.

Por isso fez uma campanha a sós, contando apenas consigo e com um staff muito reduzido, apostou no contacto direto com os eleitores e acreditou que a sua popularidade televisiva faria o resto. E assim foi. Marcelo ganhou folgadamente, sem dever nada a ninguém, sem estar refém de ninguém, e muito menos e sobretudo do PSD e do seu líder, Pedro Passos Coelho.

É por isso que este empenho do Presidente da República em colocar a mão por baixo do Governo, em apostar numa solução para a legislatura, em chamar a atenção para os bons indicadores económicos sempre que aparecem alguns negativos, em responder a algumas farpas de Passos Coelho, só pode querer dizer uma coisa: que Marcelo e Costa têm a mesma luta, derrubar o líder do PSD e substituí-lo por outra pessoa.

Mas Marcelo, que sempre foi uma pessoa com enorme instinto político, não quer que isso aconteça antes das eleições autárquicas. Ele sabe muito bem que Passos é um osso duro de roer e que não é líquido que neste momento ele perca umas eleições para a liderança do seu partido. Contudo, após as eleições autárquicas, em que o PSD tem mostrado enorme dificuldade em apresentar candidatos próprios às principais cidades do pais (Lisboa e Porto), em que a sua estratégia está a ser confusa e desalentadora para os seus militantes e em que as sondagens dão uma crescente divergência entre PS e PSD, com os socialistas a aproximarem-se da maioria absoluta, aí sim, Marcelo acredita que nessa altura ou o próprio Passos se demite ou será facilmente derrubado num congresso – porque o PSD é um partido do poder e a última coisa que os seus militantes querem é passar oito anos na oposição.

Resumindo, no almoço de dia 29 em Belém, Marcelo vai pedir a Passos para não se demitir da liderança do PSD. Passos concordará, porque está convencido que vai conseguir voltar a ser primeiro-ministro, até porque se sente profundamente injustiçado com o facto de um partido que não ganhou as eleições ter formado Governo. Costa dificilmente deixará de ser primeiro-ministro até ao fim da legislatura, a não ser que haja um cataclismo económico a nível europeu.. E até pode ser que Rui Rio, com quem Costa se dá muito bem, substitua Passos e ascenda à liderança do PSD, o que possibilitaria outro tipo futuro de acordos governativos. Resta saber se o PSD perde mesmo de forma dramática as eleições autárquicas e se Passos se demitirá, se tal acontecer. E em política, como no futebol, o que hoje é verdade, amanhã pode não ser.

Conspirações na toca do coelho

(Por Estátua de Sal, 26/12/2016)

criticos

Críticos já têm assinaturas 
para congresso contra Passos. Queda nas sondagens e receio de hecatombe nas autárquicas pode antecipar calendário para Rui Rio ir a jogo contra Passos. As assinaturas já existem. Agora é ir avaliando.” A garantia é de um ex-dirigente do PSD, ex-passista e hoje um empenhado crítico da sua liderança; as assinaturas, mais de 2500, chegam para convocar um congresso extraordinário e desafiar o líder do partido; a avaliação que está a ser feita é sobre o momento em que o processo pode ser desencadeado….. Ler resto da notícia aqui


Fico hesitante em classificar este enredo sobre as movimentações e conspirações que estão em curso no PSD. Se uma peça profunda de cariz hamletiano se uma pindérica telenovela mexicana. Provavelmente é um misto de géneros.
Este jornalista do Expresso, Filipe Santos Costa, é especialista na apresentação das conspirações no PSD e já vimos de que lado está.
Balsemão já deu ordens para abrir a “caça ao coelho”, mas só com tiros de zagalote, até ver. Se Passos se mostrar mais resistente que o previsto, haverá sempre hipótese de recuar e o entronizar de novo. Passos joga no diabo que não vem, nos Reis Magos que podem não vir se os camelos se perderem no deserto. Mas quem sabe o que vai na cabeça do diabo e no GPS dos camelos? Podem mesmo aparecer de repente e à direita convém sempre manter Passos em banho-maria, uma espécie de plano B e seguro contra incêndios.
O mais triste e tétrico é que nenhum dos conspiradores tem estatura política, intelectual e moral, ou seja perfil, que se recomende. O PSD está reduzido a um elenco de actores de segunda categoria, nenhum mesmo com gabarito para se candidatar a outros voos que não o Óscar de melhor actor secundário.
Com este alfobre de nulidades não se lhes augura grande futuro. E a acrescer que depois da Geringonça é legítimo supor que só chegarão ao poder de novo se tiverem maioria absoluta, antevemos que a travessia do deserto vai ser longa e penosa.
Tão longa e penosa que, afastados do poder e pouco milho tendo para distribuir aos pombos, podem mesmo acabar por fenecer antes de alcançar a meta. Nada que seja surpreendente: os dinossauros eram bem maiores e também acabaram por desaparecer.