As greves "más" e as greves "boas"

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(Por Estátua de Sal, 09/09/2017)

A cavaca

Imagem in Blog 77 Colinas

O país anda confrontado com greves, as que se fazem ou já se fizeram, mais aquelas que estão anunciadas, e parece que há, para a comunicação social dominada pela direita, umas que são “boas” ou neutras e outras que são “más”. Passo a explicar.

No caso da Auto Europa a greve era muito “má”. Era o PCP, através da CGTP, que andaria a manipular os trabalhadores para ter ganhos de causa na discussão do orçamento (o espírito conspirador dos comentadores da direita chega a ser ridículo). E era uma greve “má” porque os alemães ainda fazem as malas e vão-se embora, as exportações caem, o PIB desmaia, o Estado fica sem dinheiro e lá vem a troika outra vez. Enfim, uma desgraça. Como se os trabalhadores fossem todos uma cambada de anormais que não conseguissem ver o que é melhor para eles, podendo votar livremente as deliberações colectivas, como o fizeram, e viesse o PCP obrigá-los a votar mal e, pior ainda, a votar contra os seus próprios interesses. E quando as greves são das “más”, os comentadores de serviço começam sempre por dizer que “a greve é um direito legítimo dos trabalhadores e está inscrito na constituição”, mas acrescentam logo que não pode ser usado de qualquer maneira, bla, bla, bla. Quer dizer, existe o direito à greve mas não se deve usar o direito à greve, porque é mau para o país e para os próprios trabalhadores exercerem esse direito. Ora, se o exercício de tal direito traz resultados perniciosos para todos, a que título é constitucional, pergunto eu? A resposta é simples, a direita aceita o direito à greve, em termos do texto constitucional, desde que tal direito não seja exercido nunca, na prática. Quando é exercido, no caso das greves “más”, é um coro de assobios que se ouvem das bancadas dos opinantes comentadores. Isto no caso das greves “más”, porque no caso das  “boas”, é o malandro do empregador (leia-se o Estado) que se porta mal.

Uma greve “boa” é a greve dos enfermeiros que está anunciada. Curiosamente, neste caso, como a greve nada tem a ver com a CGTP, antes pelo contrário, ela já é “boa” ou neutra. E a comunicação social não diz que os enfermeiros estão a ser manipulados pela bastonária, Ana Rita Cavaco, dilecta prosélita de Passos Coelho e pertencente à Comissão Nacional do PSD, o que é estranho. E mesmo se estiverem a ser manipulados pela bastonária, com o objectivo de causar dificuldades ao governo na gestão do déficit e da dívida pública, e de criar ao mesmo tempo um clima de intranquilidade social no sector da saúde que ensombre os bons resultados que estão a acontecer na frente económica, tudo isso não é suficiente para que seja considerada uma greve “má”. Se acrescentarmos a tudo isso que, contrariamente ao ocorrido na Auto Europa em que a greve foi causada pelo facto de o empregador se propor reduzir direitos dos trabalhadores, esta greve dos enfermeiros resultar de reivindicações irrealistas dos próprios enfermeiros que pretendem aumentos na casa dos 100% que qualquer mortal – a começar pelos próprios enfermeiros -, sabe que não podem ser atendidos, mesmo assim ainda não é tida como uma greve “má”.

Ora, como diz o blog 77 Colinas onde obtive a ilustração deste texto, e passo a citar: “Ana Rita Cavaco, Bastonária da Ordem dos enfermeiros e dirigente do PSD, durante o reinado pafioso, não apareceu a contestar quando os enfermeiros tinham que emigrar para ganhar mais que os 3 ou 4 euros/hora que lhes eram oferecidos. Agora, como convém à sua cor política, aparece a reivindicar aumentos de 800 euros. Ao Cavaco, sucedeu uma Cavaca. “

Mas estas greves “boas” promovidas pelo Coelho e seus sequazes tem ainda um outro objectivo: tentar provar que a austeridade não acabou com o governo da Geringonça, contrariamente ao que António Costa afirma, pelo que a direita tenta passar a ideia que aquilo que a fez tombar – o excesso de austeridade -, não deve ser um critério para o eleitorado decidir as suas escolhas porque, no fim da linha, todos tem que fazer austeridade.

O que a direita ainda não interiorizou é que os portugueses já conseguem distinguir entre aqueles que praticam a austeridade com todo o gosto e um sorriso sádico nos lábios e aqueles que, praticando-a, o fazem contrariados e tentando reduzir ao mínimo a carga que cai sobre os que menos podem. E é esse pequeno detalhe que os irá afastar do poder, felizmente, por muitos anos.

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Portugal em guerra

(Por Dieter Dillinger, in Facebook, 13/08/2017)

fogo

Portugal está em GUERRA declarada pelos Inimigos da Geringonça a começar pelo PSD/CDS, magistrados e muita gente.
Por ódio à democracia e desejo que o DIABO venha, muita gente está a atear milhares de fogos no País.
A PÁTRIA arde por causa do ódio político de quem NADA perdeu com este governo e até ganhou alguma coisa, apesar de não ser muito.
Mas, os juízes, as polícias, os jornaleiros dos pasquins e televisões e os militantes da oposição não suportam a ideia da Geringonça estar a reduzir o desemprego e a melhorar as contas públicas.


Nada pois como lançar FOGO à PÁTRIA para Gáudio de todos os FDPs.
Temos de os ODIAR, seja o Guerra do DCIAP, a Joana da PGR, o Passos do PSD ou a Cristas do CDS. 

É por eles ou em nome deles e do seu ódio que a PÁTRIA arde.
Até os israelitas da Vinci declararam GUERRA a Portugal, sabotando o SIRESP. Eles podem matar porque sabem que não temos magistratura para os condenar, nem que seja a penas de prisão com pena suspensa quanto mais à morte nas fogueiras que atearam que é o que merecem.

Desemprego nos 9%? O que é que isso interessa?

(Nicolau Santos, in Expresso Diário, 28/07/2017)

nicolau

A taxa de desemprego foi revista em baixa para 9,2% em Maio e, de acordo com valores provisórios, deverá ter voltado a cair para 9% em Junho, revelou hoje o INE. A confirmar-se será o valor mais baixo desde há quase nove anos (8,9%, Novembro de 2008) e ameaça mesmo chegar ao final do ano abaixo da taxa de desemprego que se verificava antes da grande crise mundial.

É nesta altura que alguém dirá: mas o que é que isso interessa? O que interessa é que o Governo andou a esconder a lista dos mortos de Pedrógão. Não foi o Governo mas o Ministério Público? Não interessa. E não são 64 mortos, mas 65 ou 66. O Ministério Público diz que são 64? Não interessa. O que interessa é que não chegou um euro às vítimas dos incêndios. Isso é que é uma ignomínia. E o SIRESP, sim, o SIRESP? Não funciona. Quem o comprou? Foi o Costa, claro. E como baixou o preço, o SIRESP ainda ficou a funcionar pior. E Tancos, e Tancos? Uma vergonha! O Costa fez cativações e por causa disso a vedação não estava reparada e o sistema de vigilância não funcionava. Ah, não houve cortes na Lei da Programação Militar? Não interessa. Houve ou não roubo? Houve. Um roubo de material de guerra que nos achincalha perante o mundo e coloca as nossas Forças Armadas de joelhos junto dos nossos parceiros da NATO. E isso é culpa do Costa. O espaço entre rondas foi de 20 horas? É culpa do Costa que cortou no orçamento do Ministério da Defesa e das Forças Armadas. Nunca se viu tantos cortes como com o Costa. Ah, são cativações? O que é que isso interessa? É tudo a mesma coisa: cortes, cativações… A culpa é do Costa. O desemprego em 9%? O que é que isso interessa? Nada. O Costa não tem nada a ver com isto. O desemprego já tinha começado a descer no tempo do Passos Coelho. Aliás, também o défice desceu com o Passos, muito mais do que com o Costa. E a economia já estava a crescer. Este governo só está a aproveitar a boleia e a estragar o que Passos fez. Não tarda nada estamos outra vez na bancarrota e a pedir ajuda internacional. Com o Costa, é tão certo como dois e dois serem quatro: vamos outra vez pedir apoio aos nossos parceiros.

(Está na altura de recuarmos dois anos e irmos buscar as doutas explicações de inúmeros economistas, abalizados comentadores, jornalistas especializados que garantiam várias coisas: 1) que a subida do salário mínimo iria levar ao aumento do desemprego; 2) que a devolução de salários e pensões implicaria a subida do défice orçamental e o regresso dos desequilíbrios externos; 3) que a reversão de várias políticas do tempo da troika desaguaria na estagnação económica ou num crescimento agónico; 4) que a descida do IVA na restauração não teria qualquer efeito no sector. Bom, os índices de confiança dos consumidores são os mais elevados do século, o clima económico está em níveis pré-crise, o desemprego desceu abaixo da barreira psicológica dos 10%, o défice foi o mais baixo em 42 anos de democracia e este ano deve voltar a descer, continuam a verificar-se excedentes orçamentais primários, os desequilíbrios externos não regressaram…)

Sim, mas o que é que isso interessa? E os mortos de Pedrógão que o Governo escondeu? E o dinheiro que não chega às vítimas? E o roubo de Tancos? Sim, o roubo de Tancos? Pois, isso não lhes interessa. Só querem falar da taxa de desemprego, uma coisa sem importância nenhuma e que, aliás, se deve ao Passos. Essa é que é essa.


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