Política e interesses privados

(Carlos Esperança, 11/2018)

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Entre as numerosas perversões da perceção dos portugueses, ou do que a comunicação social transmite, sobressaem o endeusamento dos bombeiros e a demonização dos políticos.

Um político que, depois de deixar a Câmara de Poiares num estado financeiro que, num país mais exigente, levaria à extinção do minúsculo município, consegue, depois de a lei o impedir de recandidatar-se à presidência da autarquia, tornar-se presidente da Liga dos Bombeiros e chantagear o Governo. Até mudou de nome, passando de Jaime Soares a Dr. Marta Soares.

Se um ministro chamasse aos bombeiros o que o militante do PSD, com linguagem das claques de futebol, chama a governantes, seria obrigado a demitir-se. Consegue ser mais indelicado que a Dr.ª Cristas na AR a dirigir-se ao PM.

Um político nunca é honesto nem competente, mas o bombeiro é sempre abnegado, apto e incapaz de ter negócios na área do combate aos incêndios ou do transporte de doentes. Nunca se move por interesses pessoais, só o bem público o determina e a vida humana, ao contrário dos políticos, é a sua única motivação.

Em Portugal, a divisão administrativa e o número de autarquias permitiam administrar um país com a dimensão e a população da França; as Juntas de Freguesia já são um alvo apetecível para a promoção social, política, financeira e, quiçá, da agência de empregos.

Ordens, IPSSs, Fundações, ONGs, Misericórdias, Comissões Fabriqueiras paroquiais, Associações de utilidade pública, Ligas, etc., etc., vivem da isenção de impostos e/ou de subsídios do Estado. Deve haver poucos países onde a generosidade seja tão grande e tão bem remunerada.

Paulatinamente, as corporações conquistam o espaço do Estado.

Em Portugal, os lucros querem-se privados e os prejuízos públicos.

 

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Senhor Eucalipto

(Francisco Louçã, in Expresso Diário, 20/11/2018)

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Vários jornais acolheram três páginas de generosa publicidade paga que lançou o grito de alerta: há desinformação sobre os incêndios e, pior, “o ataque que se tem registado contra o eucalipto promove a desertificação do interior”. Nove municípios, uma lista de académicos que modestamente assinam “professor tal e tal”, associações de produtores, as principais empresas do sector, os ex-ministros do PS que estão sempre nestas coisas, todos se juntam para repelir o “ataque”. Entre eles destaca-se Álvaro Barreto, que Cavaco Silva foi buscar à Soporcel para dirigir o Ministério da Agricultura e que depois voltou à empresa para cumprir uma longa presidência, um dos mais eloquentes exemplos portugueses da porta giratória entre governos e as empresas do sector que tutelou. São os mandantes, os financiadores, os políticos, os empresários, o Senhor Eucalipto.

Irritados com o Parlamento e com o Presidente, um porque recomendou a retirada dos eucaliptos infestantes, outro porque se fez filmar a arrancar os ditos cujos, os signatários declaram-se dispostos a um debate “que permita aprofundar o conhecimento”. Ora melhor assim. Mesmo que alguns se tenham esquecido de declarar o seu interesse pessoal direto na matéria, o que só lhes ficava bem, falar de “factos sobre a floresta” é razoável.

Mas vejamos o primeiro facto: Portugal é o país do mundo que tem maior proporção de área eucaliptada (e o quarto do mundo em termos absolutos). Maravilha, nenhuma empresa e nenhum governo em país algum do planeta inteiro percebe o milagre que é o eucalipto e replica o sucesso português. A esperteza empresarial é privilégio único daquela lista de professores e empresários que assinam a publicidade, são os melhores do mundo. Entretanto, perguntar qual a razão para que todos os outros países do mundo imponham limites ao eucalipto é crime de lesa majestade. Segundo facto: o eucalipto já representou 24% da área ardida em 2016 e 127 mil hectares em 2017, no ano corrente ainda a conta está por concluir. No incêndio de Monchique, foi o eucalipto. Muitos dos distintos signatários são pagos pelo eucalipto e percebe-se a sua candura, mas escusavam de argumentar que ele nos protege do fogo.

Se nos dizem que o abandono do interior, a perda da agricultura e o desinteresse pela floresta também têm muitas outras razões, só posso concordar. O problema é que o Senhor Eucalipto é hoje a força económica dominante na floresta e o lóbi mais poderoso nos sucessivos Ministérios da Agricultura, e a sua ação agrava os riscos da floresta, acumula pilhas incendiárias e promete aos pequenos proprietários o que não lhes pode dar.

O predomínio do eucalipto na nossa floresta é somente um sinal da vulnerabilidade de Portugal. Que as empresas beneficiárias defendam o seu privilégio e que arregimentem os seus para uma declaração de subserviência, é natural. Que o país vá sofrendo esta prepotência, enterrando os seus mortos nos incêndios, carpindo as perdas das famílias atingidas e esperando resignadamente a desgraça do ano seguinte, isso já é menos aceitável.

 

FOGO POSTO À NOITE – Negligência Judicial

(Dieter Dellinger, 07/10/2018)

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O fogo que lavra no Parque Natural da Serra de Sintra onde não há EUCALIPTOS e o Sousa Tavares não pode acusar essas árvores começou pelas 11H da noite.

Na zona não se faz agricultura, pelo que não deve ter havido queima de sobrantes e não é provável que estivessem pessoas a fazer um pic nic nem consta a existência de trânsito automóvel na zona da Penina perto do antigo palacete construído pelo ex-vice Rei da Índia D. João de Castro.

Só há uma explicação: FOGO POSTO por razões políticas, tal como foi o roubo das armas em que a PGR chega à loucura de prender a direção da PJM que organizou a devolução dos explosivos. Se não tivessem sido devolvidos os explosivos estariam a atear dezenas de fogos por todo o País.

Até agora não é do conhecimento geral que alguém tenha sido condenado pelos quase 20 mil fogos postos em dois anos. Com isso, a Joana Marques Vidal e todos os delegados da PGR criaram um sentimento nacional de IMPUNIDADE que leva muita gente a provocar ignições em locais de difícil acesso e em dias de vento que torna quase impossível ao combate ao fogo.

Se houvesse gente condenada a 10 a 20 anos de prisão, talvez o respeito pela autoridade e pela PÁTRIA aliado ao medo ainda existisse.

No ano passado, por esta altura, foi preso pela GNR um homem de 78 anos que tinha acabado de atear um fogo no Parque Natural Sintra Cascais. Depois confessou ter ateado já cinco fogos e antes tentou subornar os guardas da GNR com 230 euros. Pelo que se saiba, nada lhe aconteceu e parece não ter sido levado a tribunal pelos procuradores delegados do Tribunal de Sintra e respetivo juiz de instrução.

A magistratura portuguesa é INCENDIÁRIA por negligência com dolo provocada por ódio político.

No PSD, Rui Rio prometeu fogo para deitar o governo abaixo e como não estava a conseguir, outros militantes preparavam-se para o abater e colocar de novo Passos Coelho ou outro que pudesse criar as condições para destruir a PÁTRIA, a fim de chegarem ao poder.