TER MEMÓRIA, ESSA COISA DANADA…!

(Joaquim Vassalo Abreu, 27/11/2017)

memoria_fosforo

Para quem a tem, é evidente!

Se há coisa que me deixa irritado e me tira mesmo do sério é a hipocrisia da Direita quando algum Governo de Esquerda repõe rendimentos e direitos, ao mesmo tempo que promove e orçamenta o incremento de políticas sociais e as direcciona preferencialmente para os mais necessitados, quando logo vem argumentar ser este Governo irresponsável e um mãos largas que só privilegia as “suas clientelas”.

Esta afirmação poderia ser apelidada de surreal e ofensiva até mas, sendo estas clientelas aqueles que eu foquei, mais os pequenos empresários e comerciantes, as empresas pequenas e médias mais sujeitas às volatilidades dos mercados e aos humores da Banca, ela é uma demonstração tão inequívoca  do seu espírito de classe, que a pergunta que se impõe é: então se estas são as “clientelas” das Esquerdas, quais serão as suas? Complicado, não é? Pois, que lhes resta? O óbvio…

Mas também a de orquestradamente tentarem impor a ideia de que foi ela, com o sacrifício que “pediu” aos Portugueses, que nos livrou da bancarrota! Pediu? Pediu a quem? A mim, a si, à generalidade do Povo? Uma ova! Impôs, foi o que foi. Mas, antes de continuar com o meu raciocínio, faço um pequeno parêntesis para dizer algo acerca desta pretensa bancarrota.

Ponto um: Mas então quem “salvou” os Portugueses dessa pretensa bancarrota? Foi o seu/vosso governo da PAF/Coelho, Portas e quejandos, ou foram mesmo esses tais Portugueses?

Ponto dois: O que é um País? Serão apenas as suas Instituições ou serão essencialmente as suas populações, as suas empresas e o seu Povo em geral?

Ponto três: Quem se salvou então? As pessoas? Nem por sonhos e antes pelo contrário! Uma enormíssima percentagem foi empurrada para o desemprego, para a emigração e para a fome. E os que restaram com empregos, aposentações ou subsídios vários viram os seus proventos e direitos drasticamente diminuídos. E as empresas? Essas foram aos milhares desmanteladas por falências e insolvências em série, provocando desemprego em massa e um rasto de responsabilidades na Banca que, depois, todos fomos, mais uma vez, “chamados” a pagar.

Ponto quatro: E a Economia? Salvaram-na também? Não: descambou para o desastre, para a recessão e para a estagnação. Salva por quem? Pelo Povo, através dos tais sacrifícios a que foram “chamados” a fazer. Mas quem deveria ser suposto ser salvo? Sim, dessa tal pretensa bancarrota? Não seria o Povo? Esse Povo que na realidade é a Nação? Não: Foram os Bancos, que esses sim estavam “bancos rotos”, os causadores disto tudo, que foram salvos!

E os seus gestores, os seus administradores e seus inúmeros capangas que, esses sim, nunca foram chamados a nada (nem sequer a devolverem os chorudos prémios que por má gestão receberam) e nunca viram ou souberam o que era esse tal “sacrifício”. Estes mais aqueles da PT que também não foram “chamados” a devolver os indecorosos prémios que aos milhões indevidamente receberam para mandarem uma empresa de topo e de âmbito nacional para mãos abutres . Mas os seus trabalhadores, os da PT e os Bancários, esses sabem bem o que são e sabem que também há anos que têm as suas carreiras congeladas. Também eles…A hipocrisia da Direita não tem limites! Mas a sua memória é muito curta…

Acerca deste assunto estamos então falados, tanto mais que se querem referir como “salvamento” o empréstimo da Troika (FMI, FEE e BCE), destinado à substituição de obrigações de empréstimos ora vincendos, que já todos sabiam (eu sabia) se concentravam numa elevada percentagem nesses anos terríficos da crise financeira mundial, e não para pagar responsabilidades internas (salários etc) como para aí ainda propalam, pois para isso tínhamos, como temos, as receitas correntes da colheita de impostos e outras, pois esse apoio já estava negociado.

É verdade que em plena crise financeira mundial, por escassez de crédito e pelo seu exacerbado e crescente custo, a que se acrescenta o seu rateio, perdemos o acesso aos mercados de dívida, para a substituir e não propriamente para a acrescentar (e esse é outro mito), tanto mais que as Instituições de crédito Portuguesas (Banca, em suma) também viram esse acesso restringido. E a Irlanda, que também foi obrigada a socorrer-se desse instrumento, também estava em pré bancarrota?

Pois é, mas seguindo, a única conclusão que posso daqui tirar é que eles, a Direita, fizeram todo o oposto daquilo que tinham prometido fazer, mentindo antes e mentindo depois, na campanha eleitoral de 2011, após o chumbo do tal PEC IV, que garantia esses tais financiamentos e que, ao contrário do que eles prometiam, trazia efectivamente alguma austeridade (os tempos eram o que eram…), mas que eles chumbaram com a vénia e favor dos restantes Partidos de Esquerda (PCP e BE), e cuja mancha eu ainda não esqueci, para irem ao “pote” e fazerem o que depois fizeram… é da História! Mas esta memória varreu-se-lhes!

Deixem-se, portanto, de hipocrisias, como essa a que no princípio referi, a do favorecimento de clientelas! Desde logo quando as supostas “clientelas” são os mais desfavorecidos, os trabalhadores, os reformados, os pensionistas, as pequenas empresas, a Educação e o Ensino, a Saúde, a Protecção Social e os Direitos básicos em geral e que no seu reinado foram diminuídos ou mesmo retirados. Pois então que sejam clientelas, pois o são muito bem!

Mas, por mais paradoxal que possa parecer, também poderíamos apelidar de “clientelas” os Bancos em pré bancarrota que eles olvidaram, e esses é que seriam a sua suposta clientela, nem que fosse por exclusão de partes, e estou a referir-me ao Banif, ao Montepio, ao BCP, ao BPI, à CGD (este então de bradar aos céus, pela sua dimensão e responsabilidade), ao Novo Banco (outro caso paradigmático) e etc etc. Salvaram? Não, deixaram para que os vindouros os salvassem! Quem? Ora quem, o Povo, essa tal “clientela” das Esquerdas! E aqui já não é espírito de classe: é pura incompetência! E falta de memória, mais uma vez.

Quando há dificuldades, e sempre por eles e “suas clientelas” causados (vejam o crédito mal parado de puro favor que por aí inunda), para eles há sempre um alvo que tudo tem que “ser chamado” a pagar: Os de sempre, o Povo trabalhador. Como sempre foi, no tempo dos Reis, do Absolutismo ou do Feudalismo. Mas não havia revoltas? Havia sim senhor. E uma fez agora cem anos!

E, para terminar, quando falam de “despesismo” das Esquerdas, santo Deus, e se fossemos retroceder na História e lembrarmo-nos dos tempos do seu (não nosso!) Cavaco, dos Fundos Comunitários e da sua atribuição, das verbas do Fundo Social Europeu, dos seus Mercedes, Jeeps topo de gama e tractores John Deere com ar condicionado, do fim das pescas e da agricultura em troca de subsídios e rendas para uns quantos…tanta coisa que, sabida, até faz corar…E da famosa corrupção! E das rendas, das PPP´s e de não sei que mais…E disto também perderam a memória!

Como bem dizia o grande ZECA: “ NÃO ME OBRIGUEM VIR PARA A RUA GRITAR”.

Ai se a hipocrisia matasse…


PS: Também não esqueço e sempre recordo, porque a minha falecida esposa Graciete, que também era Professora, foi nisso interveniente, que depois de uma greve de oito dias (e essa custou!), o Cavaco e o seu ministro Roberto Carneiro aumentaram os Professores em quase quarenta por cento (40!).

Ela, e eu por inerência, ficou muito grata, mas nem por isso ficou a gostar mais dele. Afinal quem são os despesistas e quem criou o malfadado “monstro”? Eu ainda vou tendo memória!


Fonte aqui

Ignorar, uma outra forma de esquecer – a propósito das lutas estudantis no Porto

(José Pacheco Pereira, in Público, 22/10/2016)

Autor

                Pacheco Pereira

 

Vamos continuar a falar do esquecimento, desta vez por interesse próprio, mas, se todo o interesse próprio fosse desta natureza, não viria daí mal nenhum ao mundo. Passei as últimas semanas em conjunto com vários antigos companheiros de lutas na universidade a preparar uma exposição sobre o movimento estudantil do Porto entre 1968 e 1974, que está aberta ao público até ao fim do mês. Deu bastante trabalho a todos nós, trabalho manual e intelectual, exigiu muitas horas de esforço, tudo feito apenas por pura dedicação, gosto e um certo sentido de reparação de uma memória colectiva de resistência à ditadura, que é um óbvio motivo de orgulho de todos os que eram activistas e militantes nesses anos.

Com excepção mais que meritória da TVI, e da Lusa e de uma forte presença na Rede, apesar de a exposição se realizar no local onde estão sediados vários órgãos de informação (incluindo o PÚBLICO) e vários deles se terem deslocado ao local da sua inauguração apenas para colherem com grande aparato declarações de Rui Moreira sobre uma provocação menor de Passos Coelho, retirando-se depois, fazendo de conta que não viram nada do que se passava à sua volta, pouca foi a atenção que os media dedicaram ao acontecimento.

Escrevo isto porque me reconhecerão algum conhecimento do que é o interesse jornalístico e editorial e é impossível defender que o que se passou não tinha interesse jornalístico, tendo por isso visto, com ironia, o principal jornal do Porto, no dia seguinte, a dedicar uma página a uma operação aos seios de uma minivedeta.

O que se passou foi uma inauguração muito sui generis de uma exposição num local, uma escadaria do átrio da actual Reitoria, onde os estudantes do Porto faziam os seus plenários, habitualmente interrompidos por cargas policiais e prisões. Estiveram presentes centenas de velhos activistas estudantis que ocuparam o seu antigo local de combate, para ouvir, como então, uma mesa improvisada a falar alto e bom som para contrariar o ruído que vinha das portadas abertas para a Praça dos Leões. Perguntaram os que não viveram esses tempos se os oradores queriam um megafone. Explicou-se que se aparecesse um megafone, instrumento raro e caro na altura, ele seria certamente apreendido pela polícia, que acharia, e bem, que o seu uso implicava alguma organização subversiva e prenderia quem estivesse com ele. Na assistência estavam muitos dos estudantes que em vésperas do 25 de Abril tinham ali sido presos, sujeitos a processos disciplinares, multados e que deveriam ser julgados… em Junho de 1974. A diferença para os dias de hoje é gigantesca e chama-se liberdade. E por isso lá estava o representante académico do reitor, os presidentes das câmaras do Porto e Lisboa (Fernando Medina é filho de dois dos elementos constantes de uma lista da PIDE de estudantes perigosos, Helena Medina e Edgar Maciel Correia, já falecido e lembrado e honrado naquela sessão), representantes de vários partidos políticos, artistas, intelectuais, escritores e gente que é gente.

O que lá aconteceu, a fila de pessoas à chuva que, como se fosse uma manifestação, se deslocou para o local físico da exposição a centenas de metros dali, até era suficientemente cénico para os critérios de entretenimento dos nossos dias, dava “boa televisão”. Como dava “boa televisão” e melhor escrita, se a houvesse, ver dezenas de jovens estudantes de Belas-Artes e Design, que participavam no evento anfitrião do Futureplaces – MediaLab for Citizenship , a olharem para o ressuscitar de um velho copiógrafo Gestetner manipulado por dois reputados médicos que foram “tipógrafos” clandestinos com o entusiasmo de quem mexe de novo em stencis, máquinas de escrever, escantilhões, tubos de tinta e verniz das unhas para servir de corrector. Tenho a certeza que esses jovens, que vivem felizmente em democracia e liberdade, perceberam nessa sessão muita coisa sobre o que era fazer um panfleto livre nesses anos de repressão.

Podia não referir nada disto e falar apenas da exposição, mas não queria que houvesse tanta impunidade para outra forma de esquecimento, que é a pura ignorância ou indiferença, quando não hostilidade, ao facto de a liberdade não ter caído do céu sem custo e ter pessoas e rostos.

Quanto à exposição, ela retrata um movimento estudantil pujante, muito aguerrido, pouco conhecido nacionalmente pela atenção dada a Coimbra e a Lisboa, e que estava bem vivo no 25 de Abril. Aliás, as grandes lutas do Porto nos anos 70 estavam já muito para lá das reivindicações associativas clássicas e contestavam a Queima das Fitas e a praxe, puseram fim à tentativa de realizar na universidade um festival de coros que incluía sul-africanos do regime do apartheid, numa luta que já era claramente contracultural (no caso da Queima e da praxe) e anticolonial (no caso dos coros). Enquanto em Coimbra havia o refluxo das lutas pós-1969, com um muito polémico “pedido de desculpas”, em Lisboa e no Porto, as universidades estavam ingovernáveis pela ditadura e pelos seus representantes académicos.

O movimento estudantil do Porto que a exposição documenta é o posterior a 1968 e vai até ao 25 de Abril de 1974. A data de 1968 pode ser injusta para com muitos estudantes das gerações do final dos anos 50, das lutas da crise de 1962, e dos anos de repressão por volta de 1965, e num certo sentido é. Muitos dos que foram presos e perseguidos nesses anos merecem também ser lembrados e, com a continuação deste trabalho, sê-lo-ão sem dúvida. Mas a geração que entrou na Universidade do Porto por volta de 1968 tinha uma forte identidade, que acompanhava a politização dos movimentos estudantis da Europa e dos EUA, influenciada por várias variantes do chamado “esquerdismo”, que no caso português era dominantemente maoísta. Mas o impacto genético foi o próprio ano de 1968, que influenciou a criação da primeira organização alheia ao PCP e às suas organizações estudantis, os comités de base. Depois, como aconteceu um pouco por todo o lado, cavam-se divisões mais profundas entre os estudantes comunistas da linha de “unidade” e internas ao esquerdismo, que no Porto se polarizavam à volta da organização estudantil do Grito do Povo, e a sua expressão semilegal os Núcleos Sindicais e o PCP(ML) e a equivalente tendência do “por um ensino ao serviço do povo”. A comprovar a identidade própria dos diferentes movimentos de Lisboa, Coimbra e Porto está o facto de o MRPP, que era muito activo em Lisboa, praticamente não existir no Porto. Toda esta história de conflitos, divisões e unidades está expressa na exposição, com as naturais limitações de espaço.

Quando fiz um comentário sobre o facto de pela primeira vez estarem numa iniciativa comum “liquidas”, “pops”, “revisas”, “esquerdistas” e “trotskas”, que se digladiavam forte e feio no movimento estudantil, um companheiro meu disse à moda do Porto: “P… foi preciso esperar 40 anos para ficarmos ecuménicos.” Talvez isso acontecesse porque, ao olhar para os papéis que fizemos nesses anos, nos apercebemos que havia uma direcção comum mais forte do que o que nos dividia, “cortar o pio” à ditadura. E conseguimos.

O esquecimento como arma política – I

(José Pacheco Pereira, in Público, 15/10/2016)

Autor

            Pacheco Pereira

O esquecimento é uma poderosa arma política que compõe a panóplia de mecanismos orwellianos que são uma parte importante da acção político-mediática dos nossos dias. O esquecimento é muito importante exactamente porque faz parte de um contínuo entre a política e os media dominado por um “jornalismo” sem edição nem mediação centrado no imediato e no entretenimento, com memória abaixo de passarinho. Ele vive hoje dos rumores interpares nas redes sociais, de consultas rudimentares no Google e não se dá ao trabalho sequer de ir ler ou ver como se passaram os eventos sobre os quais escreve e fala, há um ou dois anos. O tempo mediático é cada vez mais curto e isso é uma enorme oportunidade para uma geração de políticos assessorados por “especialistas em comunicação”, agências de manipulação e uma rede de influências no próprio círculo jornalístico, em que cada vez mais existe uma endogamia de formações, de habilidades e ignorância, de meios e métodos, e de confinamento social e cultural.

Esta osmose entre políticos e jornalistas faz com que os mecanismos orwellianos de esquecimento se tornem a norma entre personagens que vivem no presente, entre o Facebook e o Twitter, alimentando aquilo a que chamo “as polémicas do esquecimento”, polémicas que só existem porque ninguém se lembra de como era antes. É só como é hoje, e isso resulta num enorme empobrecimento do debate público.

Os debates sobre o Orçamento são disso um excelente exemplo, permitindo um festival de hipocrisia em que todos se envolvem numa dança à volta da fogueira da memória.

Usando a pobre classificação de esquerda-direita, de que nunca gostei mas que acabo por utilizar cada vez mais para simplificar, há uma interessante inversão de papéis.

A direita é hoje uma entusiasta do investimento público, do fim da austeridade, de uma baixa generalizada de impostos, em particular para os mais ricos, do acelerar de “reversões” de medidas que ela própria tomou como sendo temporárias no IRS e — espante-se! — pouco entusiasta do controlo do défice e da execução orçamental, coisas “menores” que são obsessão deste Governo.

Comecemos por aquilo a que podemos chamar “polémicas do esquecimento”, polémicas que só existem porque não nos lembramos do passado. Elas são apresentadas como novidades e por isso têm valor mediático, embora só o esquecimento o permita. Duas dessas polémicas são reveladoras: uma, a de que o Orçamento “foi feito na praça pública”; e outra, a de que o Governo provoca com as suas medidas uma “instabilidade fiscal” sem precedentes, seguida da ideia mais perigosa, e mais errada, de que há “reversões” em medidas estruturais do Governo anterior.

O Orçamento  “foi feito na praça pública”? Sim, é verdade, e isso é mau. Só que não é novo. A tentação dos governos de usarem as “fugas” para a comunicação social para testarem medidas ou recuarem benevolamente em propostas mais duras é péssimo. Falta apenas dizer com clareza que o mesmo aconteceu nos governos anteriores, com o do PSD-CDS, em que também se usou a expressão “praça pública”.

Depois há a questão da “estabilidade fiscal”  e dos seus efeitos no investimento na previsibilidade do Estado. Há “instabilidade fiscal”? Sim, é verdade, e isso é mau em muitos aspectos, noutros não. O recorde da “instabilidade fiscal” foi batido pelo governo PSD-CDS, cujas medidas no plano fiscal foram dramáticas, como no caso do aumento “brutal” de impostos, mas também nas contínuas mexidas no IRS e no IMI, que faziam os responsáveis pela fiscalidade das empresas queixarem-se com fúria do que se passava.

Esqueceram-se? Esqueceram-se convenientemente. Esta instabilidade fiscal foi acompanhada de uma perda, igualmente “brutal” dos direitos dos contribuintes que já se iniciou no Governo Sócrates e conheceu um agravamento muitas vezes ilegal e inconstitucional no Governo PSD-CDS.

E o esquecimento atinge também vários tipos de “instabilidade fiscal”, como o aumento da TSU, ou a proposta de Passos Coelho de um imposto sobre a riqueza, eventualmente igual àquele que é hoje designado por “imposto Mortágua”.
E porque não dizer que Mariana Mortágua queria aplicar o “imposto Passos Coelho”’? O exemplo mais comum de “instabilidade fiscal” é o do rompimento do acordo PS-PSD-CDS sobre o IRC. De novo esqueceu-se que o acordo já estava rompido desde o início, porque ele compreendia não só o IRC como também o IRS. O Governo PSD-CDS apressou-se a aplicar a parte do IRC, mas nunca aplicou a parte do IRS. Mas uma vez esquecemo-nos convenientemente.

(continua)