Uma Casta que sempre utilizou o seu poder para ganhar muito dinheiro

(Por Dieter Dellinger, 05/04/2019)

Um novel juiz

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Um juiz de direito com 15 anos de serviço ganha 92.778 euros anuais dos quais só 62.398 euros estão sujeitos ao IRS num escalão elevado. Os restante 30.380 euros anuais estão isentos porque são o subsídio de compensação e 10% de despesas de representação mais qualquer coisa para a alimentação. Este salário para os juízes que não chegam ao supremo corresponde a uma reforma superior a 60 mil euros anuais.

Mesmo assim, querem ganhar mais que o Primeiro Ministro, cujo ordenado só conta para a reforma nos anos em que foi PM. Os seus 40 anos de descontos são calculados a partir da média de todos os ordenados da vida e um PM nunca o foi desde que saiu da Faculdade até à morte.

O PM ganha 68.600 brutos anuais sujeitos a IRS mais 27.440 de despesas de representação, parece que isentas de IRS. No total ganha 96.040 euros durante os anos em que ocupa o cargo.

Os juízes querem ganhar mais que isso, apesar de um juiz de direito com 15 anos de serviço não estar longe disso com os seus 92.778 euros anuais. Um PM tem mais de 15 anos de serviço público ou trabalho.

Ainda não sabemos o que querem os juízes, mas é muito mais para os estagiários que auferem uns 38 mil euros anuais e para as outras categorias. Isto com o estranho subsídio de compensação e de representação quando não representam nada nem ninguém e nem precisam de andar de fato Hugo Boss (o fabricante alemão dos fatos de Hitler que tem cá uma fábrica) porque colocam a beca por cima e pronto, ninguém precisa de ver os reforços nos cotovelos dos casacos.

Parece que o juiz de direito com 15 anos de serviço quer ganhar 115.000 euros anuais para não ultrapassar o ordenado total do Presidente da República que é de 117.250 euros anuais entre bruto sujeito a IRS mais 25% de despesa de representação isenta de impostos.


Os juízes e a maquilhagem

(Jovem Conservador de Direita, 28/02/2019)

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(Eu julgava que esta notícia (ver aqui), era uma piada de mau gosto para denegrir a classe dos Meritíssimos juízes, mas pelos vistos não é! Estamos, sobretudo as mulheres, entregues nas mãos de uns bacanos que vivem no século 18, ou antes, e fazem julgamentos no século 21! 

Não haverá nada mais importante para as sumidades discutirem do que a maquilhagem feminina? Que tal as quebras do segredo de justiça e as sentenças trogloditas de alguns membros da classe?

O texto abaixo deve ser lido como uma paródia ao que muitos dos juízes pensam sobre as mulheres, mas não andará longe da verdade.

Estátua de Sal, 28/02/2019)



Sou completamente a favor da maquilhagem. É uma forma excelente de as mulheres parecerem mais bonitas do que aquilo que são na realidade e, assim, agradarem aos seus maridos.

À partida, um marido sabe como é a sua mulher desmaquilhada. Infelizmente, não existe maquilhagem permanente e é impossível uma vida conjugal sem que, pelo menos uma vez por semana e por acidente, um homem veja a sua esposa ao natural. Por mais que nos tentem convencer que as rugas são atraentes, todos sabemos que não são. Toda a gente prefere um carro novo e imaculado a um carro riscado e com a tinta a descascar.

Mas, mesmo que saiba que, na realidade, a sua mulher já começa a ter a tinta a descascar, um homem precisa que ela não passe essa imagem. Por exemplo, quando leva a sua mulher a sítios públicos é positivo que ela esteja bonita, porque ter uma esposa atraente é uma forma de ele projectar uma imagem de sucesso para o exterior e, assim, ter oportunidades de negócio e admiração dos outros homens.

As feministas são contra a objectificação das mulheres, como se isso fosse algo negativo. Uma mulher é um objecto e deve ser tratado como o objecto precioso que é. Nós queremos que o nosso Rolex tenha bom aspecto, assim como a nossa mulher. Porque, ao contrário do Rolex, ela também nos escolheu e a sua qualidade é um indicador do nosso sucesso. Ser um objecto não é algo de negativo.

Por isso é que muitos homens se sentem compelidos a substituir as suas esposas por outras mais novas quando as anteriores começam a dar má imagem. Como diz a Dra. Marie Kondo, devemos desfazer-nos dos objectos que já não nos trazem alegria e só estão a ocupar espaço desnecessário na nossa vida.

Ao propor este workshop de maquilhagem, a associação sindical de juízes está a garantir que as juízas se mantêm bonitas e continuam a trazer alegria aos seus maridos, garantindo pelo menos mais dois anos aos seus casamentos.

No caso das juízas é também uma forma de intimidar os réus. As lojas de roupa como a Zara só escolhem vendedoras bonitas e obrigam-nas a andarem maquilhadas. Porque sabem que as pessoas têm mais dificuldade de lhes dizer não. Uma juíza bem arranjada pode contribuir para arrancar confissões aos réus e, assim, tornar o nosso sistema de justiça mais eficiente.

 

Da estiva ao tribunal, um país com duas medidas

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 23/11/2018)

Daniel

Daniel Oliveira

O porto de Setúbal tem o recorde nacional de trabalhadores precários: 90%. Há trabalhadores com contratos diários há uma década. Todos os dias são escalados por turno e cada turno é um contrato novo. A situação é de tal forma chocante que qualquer crítica a esta greve é um insulto à dignidade de todos os trabalhadores. Se estes estivadores não têm razão para fazer uma greve ninguém a terá. Causam prejuízo para o país? A responsabilidade é de quem acha admissível manter trabalhadores à jorna durante décadas.

Sendo precários, os trabalhadores que diariamente garantem o funcionamento do porto de Setúbal não são, de facto, trabalhadores do porto de Setúbal. E assim sendo, quando fizeram a greve foram substituídos por outros contratados, vindos ninguém sabe de onde e em que condições. Quando tentavam bloquear a entrada ao autocarro que trazia os que os iam substituir, os estivadores não impediam colegas que legitimamente não queriam aderir à greve de chegar ao seu posto de trabalho. Impediam uma fraude à lei da greve. Uma fraude que se baseia na legitimação de que estes homens não são na realidade trabalhadores. E que por isso nem direito a fazer greve têm.

A polícia de choque foi chamada ao local e, um a um, os grevistas (e alguns deputados que lhes prestavam solidariedade) foram retirados. A PSP cumpriu ordens e não usou de violência. A responsabilidade é de quem usou dos meios do Estado para ajudar uma empresa a ludibriar a lei. A responsabilidade é de quem, no Governo, na quinta-feira foi cúmplice de um vergonhoso ataque ao direito à greve e à dignidade de quem trabalha. Bloco de Esquerda e PCP têm de ser bem claros na exigência de explicações e nas respetivas repercussões políticas.

A ambiguidade da lei serve para tirar aos estivadores o direito à greve que efetivamente é seu e para dar aos juízes o direito à greve que dificilmente lhes pertence

Ao mesmo tempo que os estivadores eram impedidos, na prática, de exercer o seu direito à greve – o que implica não serem substituídos por outras pessoas –, uma outra greve de contornos legais muitíssimo mais discutíveis continua sem que ninguém reaja. Temos titulares de órgãos de soberania a paralisarem a função judicial do Estado, comportando-se como se fossem funcionários públicos.

Os juízes não têm um trabalho subordinado. Não são meros trabalhadores do Estado. São a cúpula do Estado. Fazerem greve faz tanto sentido como o Presidente da República suspender funções para que o Parlamento lhe aumente o salário. O facto de serem titulares de órgão de soberania dá-lhes direitos especiais. Não podem, por exemplo, ser julgados ou investigados a não ser por um tribunal ou procurador de instância que lhe seja superior. E se têm direitos especiais não podem, na hora da greve, fingir que são funcionários públicos como os outros.

A greve dos estivadores é pelo mínimo dos mínimos. A greve dos juízes é pela sua “independência”, o que se resume, na prática, a uma reivindicação remuneratória. Porque no resto consideram-se, ao fazerem uma greve, trabalhadores subordinados.

A ambiguidade da lei serve para tirar aos estivadores o direito à greve que efetivamente é seu e para dar aos juízes o direito à greve que dificilmente lhes pertence. Para uns a polícia da República, para outros a resignação da República. E é assim porque assim tem de ser: uns mandam, outros obedecem.