O dinheiro sujo traz progresso?

(In Blog O Jumento, 26/08/2017)
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No tempo da troika do Passos, Portas e Cavaco criou-se a ideia de que todo o dinheiro era bem-vindo, todo o dinheiro foi considerado capital e significava investimento. Foram criados mecanismos para atrair dinheiro e algumas personalidades gradas da direita meteram-se em negócios internacionais, servindo-se da manipulação dos partidos da direita. basta ver um líder do CDS defender o regime angolano, justificando a originalidade da sua democracia africana para se perceber que o CDS não passa de um manipulador da opinião pública ao serviço dos interesses materiais do Paulo Portas, foi esse o preço da promoção da atual geração de líderes do CDS.
Mas, há uma grande diferença entre um investimento numa fábrica d componentes eletrónicos e a compra de uma vivenda de luxo por um general corrupto da máfia angolana. Há investimento que gera a dinamização da atividade económica, enquanto muito do dinheiro que os generais angolanos branqueiam em Portugal gera muito mais corrupção do que dinamização económica, em vez de dinamizar a economia portuguesa este dinheiro sujo apodrece-a, em vez de promover novos empresários enriquece os agentes locais desses generais, transportando para Portugal a corrupção angolana. Esse fenómeno já ficou evidente ao mais alto nível do Estado, com a prisão de um procurador.
Não é a mesma coisa uma empresa estrangeira construir uma fábrica em Portugal e a filha do Eduardo dos Santos comprar uma quota numa empresa de telecomunicações que não investe em inovação e se limita a aproveitar-se da procura de serviços de telecomunicações. quando a EDP foi comprara pelos chineses estes assumiram o compromisso de investirem muitos milhões em portugal. Fizeram-no mas não foi criado um único emprego em portugal, o nosso PIB nem mexeu. Compraram empresas renováveis da EDP nos EUA. Esse investimento traduziu-se em resultados financeiros para a EDP e numa perda da presença portuguesa no mercado energético dos EUA. É óbvio que a EDP lucrou com o negócio, mas como os donos da EDP são os mesmos chineses isso significa que o tal investimento voltou para os seus bolsos. isto é ficaram com o dinheiro e com as empresas de renováveis nos EUA.
Nem todo o dinheiro é capital e no caso de dinheiro sujo, como o da máfia angolana liderada pela família Santos, uma espécie de Corleones de Luanda, em vez de progresso trás mais podridão para a sociedade portuguesa. Hoje temos muitos políticos que estão ao serviço dos generais angolanos que não hesitam em recorrer à chantagem sobre o país. Este novo grupo de políticos que vivem do dinheiro fácil de Angola, China, Venezuela e outros países não tem nada de empreendedores ou empresários, promovem negócios fáceis e esquemas que apenas tem por consequência o apodrecimento da economia portuguesa.
Portugal precisa de dinheiro, mas de dinheiro que seja capital em busca de investimentos que se traduzem na criação de riqueza. Não precisa de dinheiro corrupto em busca de esquemas de branqueamento a troco de comissões para políticos bem sucedidos que agora procuram enriquecer depressa e a qualquer custo. Portugal precisa de empresas que criem riqueza e de partidos que sirvam o país e não se deixem transformar em máquinas de apoio a esquemas de enriquecimento com comissões pagas por gente duvidosa.

APENAS 30,7% DOS FUNDOS COMUNITÁRIOS DISPONIBILIZADOS ATÉ 31.3.2017 FORAM UTILIZADOS 

(Por Eugénio Rosa, in Blog A Viagem dos Argonautas, 31/05/2017)

Um dos problemas mais graves que o pais enfrenta, com consequências graves na criação de emprego e na modernização do seu aparelho produtivo e desenvolvimento, foi a quebra significativa que se verificou no investimento que nem permitiu compensar aquele que envelheceu ou desapareceu, como mostramos em estudo anterior.


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Trump aposta no investimento público para relançar a economia?

(Nicolau Santos, in Expresso Diário, 09/11/2016)

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Durante a campanha eleitoral para a Casa Branca, Donald Trump foi sempre politicamente incorrecto, muito surpreendente e bastante truculento, sobretudo contra os emigrantes mas também sobre outras matérias. E do ponto de vista económico sempre se esperou dele a defesa intransigente do capitalismo puro e duro. Contudo, para além da enorme surpresa que foi a sua vitória para o mundo, ele reservou uma outra grande surpresa para o seu discurso de consagração ao defender uma aposta muito forte no investimento público para relançar a economia e criar emprego.

Eis o que Trump disse sobre esta matéria:

“Trabalhando em conjunto vamos dar início à urgente tarefa de reconstruir o nosso país e de renovar o sonho americano (…) Vamos resolver os problemas do nosso interior, reconstruir as nossas estradas, pontes, túneis, aeroportos, escolas e hospitais. Vamos reconstruir as nossas infra-estruturas que se tornarão ímpares e vamos colocar milhões de americanos na reconstrução (…) Vamos dar início a um projecto de crescimento e renovação nacionais. Vou capacitar os talentos criativos dos americanos e teremos os melhores e os mais inteligentes para impulsionar o seu grande talento para o benefício de todos. Vai acontecer”.

“Temos um grande plano económico. Vamos duplicar o nosso crescimento e ter a economia mais forte do mundo. Ao mesmo tempo vamos trabalhar com todos os países que estejam dispostos a trabalhar connosco. Vamos estabelecer grandes relações. Esperamos estabelecer grandes, grandes relações. Nenhum sonho é demasiado grande. Nenhum desafio é demasiado desafiante. Nada que queiramos para o nosso futuro está para além do nosso alcance”.

Palavras são palavras e as palavras de um político podem depois não ter concretização prática.

Mas o que disse Trump não admite outras interpretações: ele quer despejar investimento público nas envelhecidas infra-estruturas norte-americanas para, por essa via, levar atrás o investimento privado, criar empregos e duplicar a actual taxa de crescimento. Por muito que custe a alguns ouvir, isto é uma espécie de New Deal adaptado aos tempos actuais, um programa que segue as recomendações keynesianas para impulsionar o crescimento.

Quer mais, obviamente: quer descer os impostos para as empresas e para os mais ricos, esperando que o crescimento económico que daí venha traga um aumento da receita fiscal que compense a perda que resultará destas medidas. Mas isto era o óbvio. O surpreendente foi realmente o anúncio da aposta no investimento público.

Quanto ao relacionamento externo no plano económico, Trump foi mais evasivo: o que vai acontecer nas relações com o México, o Canadá e a Europa? O que vai acontecer ao tratado comercial transatlântico com a União Europeia? Para já, os sinais apontam para que Trump aposte num aumento do protecionismo das indústrias e das empresas norte-americanas. E se isso acontecer, a resposta mundial pode levar a uma travagem da globalização – que, até agora, era muito pouco previsível que pudesse acontecer.

Finalmente, uma palavra para Hillary Clinton: provavelmente seria muito melhor presidente do que foi candidata – porque como candidata foi o que é (gélida, nada empática, sem carisma), além de ter recorrido (ou os seus apoiantes por ela) a manobras desleais para sabotar a candidatura do seu opositor, Bernie Sanders. Depois, tivemos o caso dos e-mails, uma enorme imprudência numa pessoa com a sua experiência e posição, embora aí o FBI tenha decididamente entrado na campanha. Finalmente, por muitas voltas que se dê, por muito que apresente todas as causas sociais por que se bateu e o seu curriculum como servidora da Res Publica, Hillary foi e será sempre vista como uma das faces do “establishment” norte-americano, do círculo político-pantanoso de Washington, de ser uma mulher bem vista por Wall Street e pelos banqueiros, além de representar uma das dinastias familiares dos Estados Unidos que se julgam ungidas para dirigir o país – o que irrita, e muito, o americano médio, sobretudo todos os que perderam o emprego por causa da globalização ou trabalham hoje nos “mac jobs” onde se ganha muito pouco e viram o seu nível de vida degradar-se assinalavelmente neste século.

Entre dois candidatos que concentravam mais a rejeição do que o apoio, Hillary era a face do sistema, Trump aquele que vinha de fora e o queria mudar. E o mundo em geral simpatiza actualmente muito mais com este tipo de candidatos.