Ucrânia: a escola de formação para os cartéis da droga

(B.Partisans, In Fórum da Escolha, in Facebook, 09/08/2026, Revisão da Estátua)


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Era apenas uma questão de tempo: quando se transforma um país num laboratório global para a guerra moderna durante quatro anos, eventualmente os recrutas regressam a casa com o manual de instruções na mão.

A Ucrânia alberga agora combatentes de dezenas de países. De acordo com um oficial ucraniano encarregado de proteger os direitos dos militares, cerca de 16.000 estrangeiros de 72 nacionalidades servem nas forças ucranianas, sendo que quase 40% são oriundos da América Latina.

A Colômbia ocupa um lugar de destaque neste fascinante programa de intercâmbio cultural.

O próprio Gustavo Petro mencionou cerca de 7.000 colombianos que foram combater para a Ucrânia: “7.000 homens da Colômbia, com treino militar […] a combater numa guerra estrangeira e a morrer sem motivo”.

Mas eis o pormenor que transforma a tragédia numa farsa geopolítica

O Financial Times refere que os grupos armados colombianos estão a tentar capitalizar a experiência ucraniana dos seus recrutas para aprenderem técnicas de guerra com drones. Porque a Ucrânia já não é apenas um campo de batalha: é agora o Instituto Politécnico com explosivos, o Erasmus com drones FPV e cursos de formação contínua em bombardeamento remoto.

Vêm aprender a transformar um drone que custa algumas centenas de euros numa arma capaz de rastrear um veículo, uma posição ou um soldado. Depois, regressam a casa.

E surpresa: o conhecimento técnico espalha-se melhor do que os comunicados de imprensa da NATO. Segundo o Financial Times, os grupos armados colombianos realizaram 264 ataques com drones em 2024 e 2025. O Ministro da Defesa da Colômbia, Pedro Sánchez, reconhece que o aumento da utilização destes dispositivos representa um grande desafio à superioridade aérea das forças governamentais.

Resultado magnífico

Durante anos, Washington e Bruxelas celebraram a Ucrânia como o laboratório onde se inventava a guerra do século XXI. Drones FPV, interferências eletrónicas, reconhecimento, ataques automatizados: cada inovação era alardeada como uma demonstração de modernidade militar.

Simplesmente esqueceram-se de um pormenor: um laboratório também forma técnicos. E alguns deles regressam a países onde os guerrilheiros, os narcotraficantes e os grupos armados ficariam encantados por receber quatro anos de investigação e desenvolvimento em grande escala, gratuitamente.

Petro pressiona agora o seu país a tomar medidas legais contra o mercenarismo e alerta os seus militares contra a venda das suas competências a organizações criminosas.

Eis a suprema ironia: queríamos exportar combatentes para a Ucrânia para defender a “ordem internacional”. Agora corremos o risco de importar os seus métodos. A feliz globalização, mas com uma granada acoplada a um drone.

Isto não é um manifesto, é um testemunho e um apelo

(Miguel Szymanski in Facebook, 10/08/2026, Revisão da Estátua)

Miguel Szymanski

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Nunca militei ou me associei a qualquer partido. Desde que percebi que não tinha fé, aos 12 anos, que me afastei da Igreja. Tenho agradecido mas recusado juntar-me a associações de nobres princípios. Mesmo que o quisesse, não conseguiria encontrar um partido a que me juntar.

Invejo quem tem fé, como acho admirável a militância comunista que defende a partilha. Compreendo quem se sujeita a hábitos e rituais em defesa dos seus ideais num colectivo de irmãs e irmãos, seja num palácio maçónico ou num mosteiro.

Vejo as cada vez maiores limitações à democracia num sistema em que a política é decidida num parlamento, em comissões não eleitas e em reuniões de políticos, técnicos e lobistas, em capitais a anos de luz das pessoas.

Julgo que não somos poucos os céticos. Os ecléticos, heterodoxos, franco-atiradores e outros inclassificáveis. Até entre os conservadores empedernidos podemos ir buscar excelentes motes. ‘Deus Pátria e Família’ é um programa que subscrevo, sem hesitações, na versão ampliada: deuses, deusas, anjos, musas e afins, pátria, mátria, aldeia, mundo sem fronteiras e famílias em todas as constelações imagináveis.

Mas chega uma altura em que fazer alguma coisa se torna um imperativo. E não agir se transforma em cumplicidade.

Está em curso um genocídio num país onde todos os dias são assassinadas pessoas como as minhas irmãs, os meus irmãos, como a minha filha e o meu filho, como a minha mãe e a a minha sogra. E não posso deixar isso acontecer, sem pelo menos tentar mudar, o que está ao meu alcance. Estão em curso limpezas étnicas e guerras na Europa, na Ásia Ocidental e em África e não podemos permitir que os nossos representantes políticos fiquem calados. Governos de países europeus, na União Europeia, estão, há décadas, a permitir que direitos sociais sejam desmantelados e, mais recentemente, que liberdades cívicas sejam restringidas. 

Não fazem falta mais partidos. Os que estão dentro e fora do parlamento chegam e sobram. Não fazem falta mais líderes disto ou dirigentes daquilo, nem mais presidentes, secretários-gerais ou associações.

Fazemos falta nós. Na rua, nos auditórios, nos cafés e nas redes.

Militares ou pacifistas, gente nova e velha, betos e pessoal do bairro, temos de ir para a rua. Comunistas, conservadores, crentes, comunidade Queer e céticos, toda a gente, têm de ser mobilizados.

Temos de protestar contra o genocídio e a inércia, temos de exigir diplomacia em vez de belicismo, de manifestar solidariedade em vez de discriminação, de reclamar liberdade em vez de discursos.

Precisamos de um movimento supra ideológico que levante a voz pelas causas prioritárias e urgentes. Sem precisarmos de criar nada novo, temos de juntar as pessoas, de tirá-las de casa e levá-las para espaços públicos e para intervenções conjuntas. O objetivo: um movimento abrangente, para pressionar o poder político como não acontece há muito, muito tempo.

É esse o apelo: quem representar comunidades religiosas ou sindicatos das indústrias, quem representar bibliotecários ou pescadores da arte xávega, alunos ou professores, pessoas apolíticas, de esquerda ou de direita, céticos ou crentes, treinadores de bancada ou atletas profissionais.

Temos de nos unir, não será difícil fazê-lo em torno de duas causas urgentes e consensuais e de dois princípios prioritários e universais: contra o genocídio, contra as guerras, pela solidariedade humana e a liberdade.

O povo unido, incluindo a burguesia e a boémia, jamais será vencido.

2026: A queda sem rede do mundo ocidental

(G. Watch, In Fórum da Escolha, in Facebook, 08/08/2026, Revisão da Estátua)


O bombeiro está sem água e o fogo está por todo o lado…


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Em 2008, o mundo tremeu. Os Estados Unidos salvaram-no. O FED injetou triliões. O Tesouro comprou os ativos tóxicos. Os bancos centrais do G20 coordenaram as suas intervenções. O bombeiro estava no centro do incêndio – e apagou o fogo.

Em 2026, o mundo está novamente a oscilar. Mas desta vez o próprio bombeiro está a arder. E não há ninguém para o salvar.

O Ocidente apostou todo o seu futuro numa sequência de sucessos que acreditava estarem garantidos. Cinco apostas. Cinco falhas. Não existe um plano B. Perdeu o controlo dos recursos que o tornaram poderoso durante cinco séculos. E em vez de se questionar, culpa o seu próprio povo. O equilibrista avança no fio. Não há rede. Cinco apostas, cinco falhas.

A aposta ucraniana

O Ocidente não travou uma guerra na Ucrânia pela democracia. Fê-lo pelos recursos russos. O plano era enfraquecer Moscovo, obrigá-la a abrir as suas matérias-primas aos grupos ocidentais. A figura de proa era feita à medida: Navalny, um nacionalista russo pronto a abrir as comportas do gás, do petróleo, do titânio e do níquel. Resultado: a Rússia não cedeu. A Ucrânia é um poço sem fundo. Os arsenais europeus estão vazios. A contraofensiva nunca aconteceu.

O desafio da transição ecológica

A Europa não queria apenas salvar o planeta. Ela queria libertar-se do gás russo, do petróleo do Golfo e do gás de xisto americano. A energia verde seria a prova de que a Europa não precisava de ninguém. Resultado: a Rússia encontrou outros compradores. O Golfo encontrou outros mercados. A Europa substituiu o gasoduto russo pelo GNL americano, mais caro. A transição criou uma nova dependência: painéis solares, turbinas eólicas, baterias – tudo vem da China. A Europa libertou-se de Moscovo para cair sob o controlo de Pequim. O Reno está seco. A indústria está a fugir. As emissões globais nunca foram tão elevadas.

A aposta económica

A Europa apostou que iria reduzir a sua dependência da China. Resultado: a China continua a ser o seu principal parceiro comercial. Os fabricantes alemães estão a colapsar face à concorrência chinesa. O Kospi colapsa 40% e arrasta para baixo o Nasdaq. A bolha da IA ​​está a definhar.

A aposta de Trump

 Os aliados apoiaram Trump na esperança de que este estabilizasse a ordem americana. Resultado: capitulação no Irão. Classificação de popularidade em 35% e o Partido Republicano fraturado. Dívida abissal. Tucker Carlson chama-lhe “o pior erro em sessenta anos”. Marjorie Taylor Greene anuncia a derrota nas eleições do meio do mandato – próximo mês de novembro.

A aposta diplomática

O Ocidente apostou que ditaria as regras do novo mundo. Resultado: o BRICS expande-se para 11 membros. A China está a reorganizar a economia mundial à sua volta. O corredor Norte-Sul russo-iraniano contorna as rotas ocidentais. A Suíça perdeu a sua neutralidade sem que ninguém se apercebesse. Cinco apostas. Cinco falhas. E zero de plano B.

Porque é que 2026 não é 2008

Todas as grandes crises do século passado tiveram um líder. Em 1929, Roosevelt construiu Bretton Woods. Em 1971, Nixon fechou a janela do ouro. Em 2008, o FED coordenou a resposta global. Em 2020, os bancos centrais do G7 injetaram em conjunto.

Em 2026, a caixa está vazia. Os Estados Unidos já não podem desempenhar esse papel. A dívida federal atingiu os 35 biliões de dólares, ou 125% do PIB – acima dos 70% que existiam em 2008. A confiança no governo federal caiu para 18%. Os stocks de munições de precisão estão no seu nível mais baixo desde 2003. A margem de manobra orçamental é quase nula.

Em 2008, a crise foi financeira. Em 2026, é militar, económica, política, climática – e material. O bombeiro está sem água. E o fogo está por todo o lado.

Fonte aqui