(Miguel Szymanski in Facebook, 10/08/2026, Revisão da Estátua)

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Nunca militei ou me associei a qualquer partido. Desde que percebi que não tinha fé, aos 12 anos, que me afastei da Igreja. Tenho agradecido mas recusado juntar-me a associações de nobres princípios. Mesmo que o quisesse, não conseguiria encontrar um partido a que me juntar.
Invejo quem tem fé, como acho admirável a militância comunista que defende a partilha. Compreendo quem se sujeita a hábitos e rituais em defesa dos seus ideais num colectivo de irmãs e irmãos, seja num palácio maçónico ou num mosteiro.
Vejo as cada vez maiores limitações à democracia num sistema em que a política é decidida num parlamento, em comissões não eleitas e em reuniões de políticos, técnicos e lobistas, em capitais a anos de luz das pessoas.
Julgo que não somos poucos os céticos. Os ecléticos, heterodoxos, franco-atiradores e outros inclassificáveis. Até entre os conservadores empedernidos podemos ir buscar excelentes motes. ‘Deus Pátria e Família’ é um programa que subscrevo, sem hesitações, na versão ampliada: deuses, deusas, anjos, musas e afins, pátria, mátria, aldeia, mundo sem fronteiras e famílias em todas as constelações imagináveis.
Mas chega uma altura em que fazer alguma coisa se torna um imperativo. E não agir se transforma em cumplicidade.
Está em curso um genocídio num país onde todos os dias são assassinadas pessoas como as minhas irmãs, os meus irmãos, como a minha filha e o meu filho, como a minha mãe e a a minha sogra. E não posso deixar isso acontecer, sem pelo menos tentar mudar, o que está ao meu alcance. Estão em curso limpezas étnicas e guerras na Europa, na Ásia Ocidental e em África e não podemos permitir que os nossos representantes políticos fiquem calados. Governos de países europeus, na União Europeia, estão, há décadas, a permitir que direitos sociais sejam desmantelados e, mais recentemente, que liberdades cívicas sejam restringidas.
Não fazem falta mais partidos. Os que estão dentro e fora do parlamento chegam e sobram. Não fazem falta mais líderes disto ou dirigentes daquilo, nem mais presidentes, secretários-gerais ou associações.
Fazemos falta nós. Na rua, nos auditórios, nos cafés e nas redes.
Militares ou pacifistas, gente nova e velha, betos e pessoal do bairro, temos de ir para a rua. Comunistas, conservadores, crentes, comunidade Queer e céticos, toda a gente, têm de ser mobilizados.
Temos de protestar contra o genocídio e a inércia, temos de exigir diplomacia em vez de belicismo, de manifestar solidariedade em vez de discriminação, de reclamar liberdade em vez de discursos.
Precisamos de um movimento supra ideológico que levante a voz pelas causas prioritárias e urgentes. Sem precisarmos de criar nada novo, temos de juntar as pessoas, de tirá-las de casa e levá-las para espaços públicos e para intervenções conjuntas. O objetivo: um movimento abrangente, para pressionar o poder político como não acontece há muito, muito tempo.
É esse o apelo: quem representar comunidades religiosas ou sindicatos das indústrias, quem representar bibliotecários ou pescadores da arte xávega, alunos ou professores, pessoas apolíticas, de esquerda ou de direita, céticos ou crentes, treinadores de bancada ou atletas profissionais.
Temos de nos unir, não será difícil fazê-lo em torno de duas causas urgentes e consensuais e de dois princípios prioritários e universais: contra o genocídio, contra as guerras, pela solidariedade humana e a liberdade.
O povo unido, incluindo a burguesia e a boémia, jamais será vencido.